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Vida de São João Crisóstomo e o Papa São Vitaliano (27 de janeiro)





Mosaico bizantino de São João Crisóstomo na Basílica de Santa Sofia, Constantinopla (Istambul)
Mosaico bizantino de São João Crisóstomo na Basílica de Santa Sofia, Constantinopla (Istambul)

Este incomparável mestre recebeu após sua morte o nome de Crisóstomo ou Boca de Ouro, em lembrança de seus maravilhosos dons de oratória. Mas sua piedade e seu valor indomável são títulos ainda mais gloriosos, que fazem dele um dos maiores pastores da Igreja. São João nasceu em Antioquia da Síria, por volta do ano 347. Era filho único de Segundo, comandante das tropas imperiais. Sua mãe, Antusa, que ficou viúva aos vinte anos, consagrava seu tempo a cuidar do filho, do lar e aos exercícios de piedade. Seu exemplo impressionou tão profundamente um dos mestres de João, famoso sofista pagão, que não pôde conter a exclamação: “Que mulheres tão extraordinárias produz o Cristianismo!” Antusa escolheu para seu filho os mais notáveis mestres do Império. A eloquência constituía naquela época uma das mais importantes disciplinas. João estudou sob a direção de Libânio, o mais famoso dos oradores de seu tempo, e logo superou o próprio mestre. Quando perguntaram a Libânio, em seu leito de morte, quem deveria sucedê-lo no cargo, respondeu: “Eu teria escolhido João, mas os cristãos no-lo arrebataram”.


De acordo com o costume da época, João não recebeu o batismo senão aos vinte e dois anos, quando era estudante de leis. Pouco depois, junto com seus amigos Basílio, Teodoro (que mais tarde foi bispo de Mopsuéstia) e alguns outros, começou a frequentar uma escola para monges, onde estudou sob a direção de Diodoro de Tarso e, no ano 374, ingressou em uma das comunidades de eremitas das montanhas ao sul de Antioquia. Mais tarde escreveu um vívido relato das austeridades e provas desses monges. João passou quatro anos sob a direção de um ancião monge sírio e depois viveu dois anos sozinho, em uma caverna. A umidade lhe causou uma grave enfermidade e, para se restabelecer, teve de voltar à cidade, em 381. Nesse mesmo ano recebeu o diaconato das mãos de São Melecio. Em 386, o bispo Flaviano lhe conferiu o sacerdócio e o nomeou seu pregador. João tinha então cerca de quarenta anos. Durante doze anos desempenhou esse ofício e assumiu a responsabilidade de representar o ancião bispo. João considerava como sua primeira obrigação o cuidado e a instrução dos pobres, e jamais deixou de falar deles em seus sermões e de incitar o povo à esmola. Segundo os próprios cálculos do santo, Antioquia tinha então cerca de cem mil cristãos e outros tantos pagãos. João os alimentava com a palavra divina, pregando várias vezes por semana e até várias vezes ao dia em algumas ocasiões.


Gravura de São João Crisóstomo
Gravura de São João Crisóstomo

Quando o imperador Teodósio I se viu obrigado a impor um novo tributo por causa da guerra contra Magno Máximo, os antioquenos se revoltaram e destruíram as estátuas do imperador, de seu pai, de seus filhos e de sua esposa falecida, sem que os magistrados pudessem impedi-lo. Mas passada a tempestade, o povo começou a refletir sobre as possíveis consequências de seus atos, e o terror apoderou-se de todos, aumentando quando se apresentaram na cidade dois oficiais de Constantinopla que vinham impor o castigo do imperador ao povo. Apesar da idade, o bispo Flaviano partiu sob a mais violenta tempestade do ano para pedir clemência ao imperador, que, movido à compaixão, perdoou os cidadãos de Antioquia. Enquanto isso, São João vinha pregando a mais notável série de sermões de sua carreira, isto é, as vinte e uma famosas homilias “Sobre as estátuas”. Nelas se manifesta a extraordinária comunicação que o orador criava com seus ouvintes e a consciência que tinha do poder de sua palavra para fazer o bem. Não há dúvida de que a quaresma do ano 387, na qual São João Crisóstomo pregou essas homilias, modificou o curso de sua carreira e que, a partir desse momento, sua oratória se tornou, mesmo do ponto de vista político, uma das grandes forças que moviam o Império. Depois da tempestade, o santo continuou seu trabalho com a energia de sempre; mas Deus logo o chamou a glorificar seu nome em outro posto, onde lhe reservava novas provas e novas coroas.


Com a morte de Nectário, arcebispo de Constantinopla, em 397, o imperador Arcádio, aconselhado por Eutrópio, seu camareiro, resolveu apoiar a candidatura de São João Crisóstomo para essa sé. Assim, deu ao conde d’Este a ordem de enviar São João a Constantinopla, mas sem publicar a notícia, para evitar um levante popular. O conde foi a Antioquia; ali pediu ao santo que o acompanhasse às tumbas dos mártires nos arredores da cidade, e então deu a um oficial a ordem de transportar o pregador o mais rapidamente possível à cidade imperial, em uma carruagem. O arcebispo de Alexandria, Teófilo, homem orgulhoso e turbulento, tinha ido a Constantinopla para recomendar um protegido seu para a sé, mas teve de desistir de suas intrigas, e São João foi consagrado por ele mesmo, em 26 de fevereiro do ano 398.


Na administração de sua casa, o santo suprimiu os gastos que seu predecessor considerava necessários para a manutenção de sua dignidade, e consagrou esse dinheiro ao socorro dos pobres e à ajuda aos hospitais. Uma vez posta em ordem sua casa, o novo bispo empreendeu a reforma do clero. Às suas exortações, cheias de zelo, acrescentou disposições disciplinares, embora seja preciso reconhecer que, por necessárias que tenham sido, sua severidade revela certa falta de tato. O santo era um modelo exato do que exigia dos outros. A falta de modéstia das mulheres naquela alegre capital provocou a indignação do bispo, que lhes fez ver quão falsa e absurda era a desculpa de que se vestiam assim porque não viam nisso nenhum mal. A eloquência e o zelo do Crisóstomo levaram muitos pecadores à penitência e converteram numerosos idólatras e hereges. Os novacianos criticavam sua bondade com os pecadores, pois o santo os exortava ao arrependimento com a compaixão de um pai, e costumava dizer-lhes:


“Se caístes no pecado mais de uma vez, e até mil vezes, vinde a mim e eu vos curarei”.
São João Crisóstomo e Imperatriz Eudóxia, por Jean-Paul Laurens
São João Crisóstomo e Imperatriz Eudóxia, por Jean-Paul Laurens

No entanto, era muito firme e severo na manutenção da disciplina e mostrava-se inflexível com os pecadores impenitentes. Em certa ocasião, os cristãos foram às corridas em uma Sexta-feira Santa e assistiram aos jogos no Sábado Santo. O virtuoso bispo sentiu-se profundamente ferido e, no Domingo de Páscoa, pregou um ardente sermão “Contra os jogos e os espetáculos do teatro e do circo”. A indignação o fez esquecer a festa da Páscoa, e seu exórdio foi um apelo comovente. Conservam-se numerosos sermões de São João Crisóstomo, demonstrando que não se enganam os que o consideram o maior orador de todos os tempos, apesar de que sua linguagem, especialmente em seus últimos anos, fosse excessivamente violenta e combativa. Como alguém disse, “em algumas ocasiões, São João Crisóstomo quase dilacera os pecadores”, e há razões para pensar que seus ataques contra os judeus, por mais motivados que fossem, causaram em parte os sangrentos combates entre estes e os cristãos de Antioquia. Nem todos os que se opunham ao bispo eram maus; havia entre eles alguns cristãos bons e sérios, como aquele que um dia seria São Cirilo de Alexandria.


Outra das atividades às quais o arcebispo consagrou suas energias foi a fundação de comunidades de mulheres piedosas. Entre as santas viúvas que se confiaram à direção deste grande mestre de santos, provavelmente a mais ilustre foi a nobre Santa Olímpia. São João Crisóstomo não se limitava a cuidar dos fiéis de seu rebanho, mas estendia seu zelo às regiões mais remotas. Assim, enviou um bispo para evangelizar os citas nômades, e um homem admirável para pregar aos godos. A Palestina, a Pérsia e muitas outras províncias distantes sentiram os benéficos efeitos de seu zelo. O santo bispo distinguiu-se também por seu extraordinário espírito de oração, virtude esta que pregou incansavelmente, exortando inclusive os leigos a recitar o ofício divino à meia-noite:


Muitos artesãos — dizia — têm de se levantar para trabalhar à meia-noite, e os soldados vigiam quando estão de guarda; por que não fazeis vós o mesmo para louvar a Deus?”

O Perdão de São João Crisóstomo, por Mattia Preti
O Perdão de São João Crisóstomo, por Mattia Preti

Grande foi também a ternura com que o santo falava do admirável amor divino, manifestado na Eucaristia, e exortava os fiéis à comunhão frequente. Os assuntos públicos exigiram frequentemente a participação de São João Crisóstomo; por exemplo, com a queda do camareiro e antigo escravo Eutrópio, em 399, pregou um famoso sermão na presença do odiado cortesão, que se havia refugiado na catedral, atrás do altar. O bispo exortou o povo a perdoar o culpado, já que o próprio imperador, a quem haviam injuriado diretamente, o havia perdoado. Como disse o santo, dali em diante não teriam direito de esperar que Deus os perdoasse, se não perdoassem então aquele que necessitava de misericórdia e de tempo para fazer penitência.


Mas São João Crisóstomo ainda tinha de glorificar a Deus com seus sofrimentos, como o havia feito com seus trabalhos. E, se olharmos o mistério da Cruz com olhos de fé, reconheceremos que o santo se mostrou maior nas perseguições contra ele do que em todos os outros atos de sua vida. Seu principal adversário eclesiástico foi o arcebispo Teófilo de Alexandria, antes mencionado, que tinha muitas acusações contra seu irmão de Constantinopla. Inimiga não menos perigosa era a imperatriz Eudóxia. São João havia sido acusado de tê-la chamado de “Jezabel”, e a malevolência de alguns viu um ataque à imperatriz no sermão do bispo contra a malícia e a vaidade das mulheres de Constantinopla. Sabendo que o bispo Teófilo não queria bem ao Crisóstomo, Eudóxia uniu-se a ele numa conspiração para depor o bispo de Constantinopla. Teófilo chegou a essa cidade em junho de 403, acompanhado de vários bispos egípcios; recusou-se a hospedar-se na casa do santo e reuniu um conciliábulo de trinta e seis bispos numa casa de Calcedônia chamada “O Carvalho”. As principais razões alegadas para depor João eram que havia deposto um diácono por ter golpeado um escravo; que havia chamado de réprobos alguns membros de seu clero; que ninguém sabia como empregava suas rendas; que havia vendido alguns objetos pertencentes à igreja; que havia deposto vários bispos fora de sua província; que comia sozinho, e que dava a comunhão a quem não observava o jejum eucarístico. Todas as acusações eram falsas ou careciam de importância. São João reuniu um concílio legítimo na cidade e recusou-se a comparecer diante do conciliábulo de “O Carvalho”. Diante disso, o conciliábulo procedeu a assinar a sentença de deposição e a enviá-la ao imperador, acrescentando que o santo era réu de traição, provavelmente por tê-la chamado de “Jezabel”. O imperador deu então a ordem de desterro contra São João Crisóstomo.


Constantinopla viveu três dias de grande agitação, e o Crisóstomo lançou um vigoroso manifesto desde o púlpito: “Violentas tempestades me assolam por todos os lados — disse —; mas não as temo, porque meus pés repousam sobre a rocha. O mar rugente e as gigantescas ondas não podem fazer naufragar a nave de Jesus Cristo. Não temo a morte, que considero um ganho; nem o desterro, porque toda a terra é do Senhor; nem a perda de meus bens, porque vim nu ao mundo e nu partirei dele”. O bispo declarou que estava pronto a dar a vida por suas ovelhas, e que todos os seus sofrimentos provinham de não ter poupado trabalho algum para ajudar seus cristãos a se salvarem. Após esse sermão, entregou-se espontaneamente, sem que o povo soubesse, e um legado do imperador o conduziu a Preneto da Bitínia. Mas o primeiro desterro foi de curta duração. A cidade sofreu um leve terremoto que aterrorizou a supersticiosa Eudóxia, a qual suplicou a Arcádio que mandasse trazer de volta o Crisóstomo do exílio. O imperador concedeu-lhe permissão para escrever no mesmo dia uma carta, na qual a imperatriz rogava ao santo que retornasse e assegurava não ter tido parte no decreto de desterro. Toda a cidade saiu para receber seu bispo, e o Bósforo cobriu-se de reluzentes tochas. Teófilo e seus sequazes fugiram naquela mesma noite.


O exílio de São João Crisóstomo , iluminura do Menológio de Basílio II
O exílio de São João Crisóstomo , iluminura do Menológio de Basílio II

Mas o bom tempo durou pouco. Diante da igreja de Santa Sofia havia sido erguida uma estátua de prata da imperatriz; os jogos públicos celebrados por ocasião da dedicação da estátua perturbaram a liturgia e produziram desordens e manifestações supersticiosas. O Crisóstomo havia pregado frequentemente contra os espetáculos licenciosos. Nesta ocasião, eles haviam ocorrido num local que os tornava ainda mais indesculpáveis. Para que ninguém pudesse acusá-lo de aprovar tacitamente o abuso, o santo bispo falou atacando os espetáculos com a liberdade e a coragem que o caracterizavam. A vaidosa imperatriz tomou isso como um ataque pessoal e voltou a convocar os inimigos de São João. Teófilo não se atreveu a comparecer, mas enviou três legados. Este novo conciliábulo apelou a certos cânones de um concílio ariano de Antioquia contra Santo Atanásio, que determinavam que nenhum bispo que tivesse sido deposto por um sínodo poderia voltar a tomar posse de sua sede senão por decreto de outro sínodo. Arcádio ordenou ao santo que se retirasse de sua diocese, mas este se recusou a abandonar o rebanho que Deus lhe havia confiado, a não ser pela força. O imperador mandou que suas tropas expulsassem os fiéis das igrejas no Sábado Santo. Os templos foram profanados com derramamento de sangue e produziram-se outros ultrajes. O santo escreveu ao Papa São Inocêncio I, rogando-lhe que invalidasse as ordens do imperador, que eram notoriamente injustas. Escreveu também a outros bispos do Ocidente pedindo-lhes apoio. O Papa escreveu a Teófilo exortando-o a comparecer diante de um concílio que deveria proferir a sentença, de acordo com os cânones de Niceia. Igualmente dirigiu algumas cartas a São João Crisóstomo, a seus fiéis e a alguns de seus amigos, com a esperança de que o novo concílio resolvesse tudo. O mesmo fez Honório, imperador do Ocidente. Mas Arcádio e Eudóxia conseguiram impedir que o concílio se reunisse, pois Teófilo e outros chefes de sua facção temiam a sentença.


Crisóstomo só pôde permanecer em Constantinopla até dois meses depois da Páscoa. Na quarta-feira de Pentecostes, o imperador assinou a ordem de desterro. O santo despediu-se dos bispos que lhe haviam permanecido fiéis e de Santa Olímpia e das demais diaconisas, que estavam desoladas ao vê-lo partir, e abandonou furtivamente a sua diocese para evitar uma sedição. Chegou a Niceia da Bitínia em 20 de junho de 404. Depois de sua partida, um incêndio consumiu a basílica e o senado de Constantinopla. Muitos dos partidários do santo bispo foram torturados para que revelassem os causadores do incêndio, mas nada se conseguiu apurar. O imperador determinou que São João Crisóstomo permanecesse em Cúcuso, pequena aldeia nas montanhas da Armênia. O santo partiu de Niceia em julho e teve de sofrer muito por causa do calor, da fadiga e da brutalidade dos soldados. Depois de setenta dias de viagem, chegou a Cúcuso, onde o bispo do lugar e todo o povo cristão rivalizaram nas demonstrações de respeito e carinho que lhe dispensaram. Chegaram até nós as cartas que São João Crisóstomo escreveu do desterro a Santa Olímpia e a outras pessoas, bem como o tratado que dedicou a essa santa:


“Que ninguém pode causar dano àquele que não causa dano a si mesmo”.

O corpo de São João Crisóstomo sendo levado à igreja dos Santos Apóstolos, iluminura do Menológio de Basílio II
O corpo de São João Crisóstomo sendo levado à igreja dos Santos Apóstolos, iluminura do Menológio de Basílio II

Entretanto, o Papa Inocêncio e o imperador Honório haviam enviado cinco bispos a Constantinopla para preparar o concílio, exigindo ao mesmo tempo que o santo continuasse no governo de sua diocese até ser julgado. Porém, esses bispos foram feitos prisioneiros na Trácia, pois o partido de Teófilo (Eudóxia havia morrido em outubro em consequência de um parto malsucedido) sabia muito bem que o concílio os condenaria. Os partidários de Teófilo conseguiram também que o imperador desterrasse São João para Pítio, um lugar ainda mais distante, no extremo oriental do Mar Negro. Dois oficiais partiram com a missão de conduzi-lo até lá. Um deles conservava ainda um resto de compaixão humana, mas o outro era incapaz de se dirigir ao bispo em termos corretos. A viagem foi extremamente penosa, pois o calor fazia o idoso bispo sofrer muito, e os oficiais imperiais o obrigavam a marchar nas horas de sol abrasador. Ao passar por Comana da Capadócia, o santo já estava muito doente. Apesar disso, os oficiais o obrigaram a arrastar-se até a capela de São Basilisco, cerca de dez quilômetros mais adiante. Durante a noite, São Basilisco apareceu a São João e lhe disse: “Ânimo, meu irmão, pois amanhã estaremos juntos”. No dia seguinte, sentindo-se exausto e muito enfermo, o bispo rogou aos oficiais que lhe permitissem descansar um pouco mais. Estes se recusaram a conceder-lhe essa graça. Mal haviam caminhado sete quilômetros, perceberam que o bispo entrava em agonia e o conduziram novamente à capela. Ali, o clero o revestiu com os ornamentos episcopais, e o santo recebeu os últimos sacramentos. Poucas horas depois, pronunciou suas últimas palavras: “Seja dada glória a Deus por tudo”, e entregou a sua alma. Era o dia da Santa Cruz, 14 de setembro de 407.


No ano seguinte, o corpo de São João Crisóstomo foi trasladado para Constantinopla. O imperador Teodósio II e sua irmã Santa Pulquéria acompanharam em procissão o cadáver, junto com o arcebispo São Patróclo, pedindo perdão pelo pecado de seus pais, que tão cegamente haviam perseguido o servo de Deus. O corpo do santo foi depositado na igreja dos Apóstolos em 27 de janeiro, data em que é comemorado no Ocidente. No Oriente, sua festa é celebrada em 13 de novembro e em outros dias. Na Igreja bizantina, São João Crisóstomo é um dos três Santos Patriarcas e Doutores Universais; os outros dois são São Basílio e São Gregório Nazianzeno. A Igreja do Ocidente inclui também Santo Atanásio no grupo dos grandes doutores gregos. Em 1909, São Pio X declarou São João Crisóstomo patrono dos pregadores. Seu nome está incluído na liturgia eucarística dos ritos bizantino, sírio, caldeu e maronita.


Nossas principais fontes sobre a vida de São João são o Diálogo de Paládio (a quem o abade Cuthbert Butler e quase todos os historiadores recentes identificam com o autor da História Lausiaca), os detalhes autobiográficos que se encontram nas próprias homilias e cartas do santo, as histórias eclesiásticas de Sócrates e Sozômeno, e um panegírico atribuído a um certo Martírio. A literatura sobre São João Crisóstomo é, naturalmente, enorme. A melhor biografia que podemos recomendar, sobretudo pelo admirável sentido histórico com que o autor situa o santo em seu tempo, é a de Mons. Duchesne em sua Histoire ancienne de l’Église, vols. II e III; mas a biografia definitiva é a de Dom C. Baur, Der hl. Johannes Chrysostomus und seine Zeit (2 vols., 1920-1930). Em 1921 foi publicada uma tradução inglesa do diálogo de Paládio; o texto grego encontra-se em P. E. Coleman-Northon, 1928. São também dignas de menção as biografias de W. R. W. Stephens (1883) e D. Attwater (1939), bem como o vívido retrato traçado por A. Fortescue, The Greek Fathers (1908). Uma boa introdução às obras do santo são as Selections from St John Chrysostom (1940), publicadas pelo Cardeal D’Alton. Ver também Puech, St John Chrysostom (trad. inglesa) na série Les Saints; o volume de ensaios publicado em Roma em 1908 sob o título de Xrusostomiká, para celebrar o décimo quinto centenário do santo; o artigo do cônego E. Venables, em DCB., vol. I, pp. 518-535; e o artigo de G. Bardy, em DTC, vol. VIII, cols. 660 ss., onde se encontrará uma bibliografia completa.1



SÃO VITALIANO, PAPA (672 d.C.)


Papa São Vitaliano. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Vitaliano. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

Conta-se que o Papa Vitaliano era originário de Segni, na Campânia, mas nada sabemos a seu respeito antes de sua eleição ao pontificado, em 657, nem conhecemos sua vida posterior, a não ser por seus atos públicos. Seu pontificado foi perturbado pelas tendências monotelitas de dois patriarcas de Constantinopla e do imperador Constante II e de seu sucessor. Mais consolador é o quadro das relações do Papa com outras Igrejas, como a da Inglaterra, segundo se pode ler nos escritos de São Beda. Durante o reinado desse Papa, São Bento Biscop fez sua primeira visita a Roma. As divergências entre os bispos celtas e anglo-saxões, a respeito da festa da Páscoa e de outros pontos, foram resolvidas no Concílio de Streaneshalch (Whitby). São Vitaliano enviou à Inglaterra Teodoro de Tarso como bispo de Cantuária e o monge africano São Adriano, que foi abade de São Agostinho. A influência de ambos, na formação do clero anglo-saxão e no estabelecimento de relações mais estreitas entre a coroa da Inglaterra e a Santa Sé, foi muito grande. São Vitaliano morreu em 672 e foi sepultado na basílica de São Pedro.


As principais fontes são o Liber Pontificalis (ed. Duchesne), vol. I, pp. 343 ss.; Beda, Historia Ecclesiastica; e as cartas de São Vitaliano, embora algumas das que lhe são atribuídas sejam espúrias. Ver também Acta Sanctorum, 27 de janeiro, e DCB., vol. IV, pp. 1161-1163.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 181-186.

2. Ibid. p. 188.



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