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Vida de São Marcos Evangelista e Santo Aniano de Alexandria (25 de abril)

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São Marcos Evangelista, miniatura das Grandes horas de Ana da Bretanha (1503–1508), por Jean Bourdichon
São Marcos Evangelista, miniatura das Grandes horas de Ana da Bretanha (1503–1508), por Jean Bourdichon

O que sabemos sobre a vida pessoal de São Marcos Evangelista provém mais ou menos de conjecturas. Os autores geralmente o identificam com o “João chamado Marcos” dos Atos dos Apóstolos (12, 12 e 25); por conseguinte, Maria, em cuja casa de Jerusalém se reuniam os Apóstolos, era sua mãe. Pela epístola aos Carta aos Colossenses (4, 10), sabemos que Marcos era parente de São Barnabé, o qual (segundo Atos 4, 36) era um levita cipriota. Resulta, pois, provável que Marcos tenha pertencido a uma família levítica. Quando São Paulo Apóstolo e Barnabé regressaram a Antioquia depois de terem levado a Jerusalém as esmolas para aquela Igreja, trouxeram consigo João chamado Marcos, que os ajudou no ministério apostólico na missão de Salamina, em Chipre (Atos, 13, 5); mas Marcos não os acompanhou a Perge da Panfília, e sim voltou a Jerusalém (Atos, 13, 13). Por causa dessa deserção, São Paulo julgou ver certa inconstância no caráter de Marcos e, embora Barnabé quisesse levá-lo a visitar as Igrejas da Cilícia e do resto da Ásia Menor, São Paulo se opôs. Como não chegaram a acordo, Barnabé separou-se de São Paulo e foi com Marcos para Chipre. Entretanto, quando São Paulo se encontrava em seu primeiro cativeiro em Roma, Marcos estava com ele e o ajudava (Col. 4, 10). Durante seu segundo cativeiro, pouco antes de seu martírio, o Apóstolo escreveu a Timóteo, que estava então em Éfeso: “Toma contigo Marcos, pois me tem sido útil no ministério.”


São Marcos, Evangelista, por Vladimir Borovikovsky (1757–1825)
São Marcos, Evangelista, por Vladimir Borovikovsky (1757–1825)

Por outro lado, a tradição sustenta que o autor do segundo Evangelho estava em estreita relação com São Pedro Apóstolo. Clemente de Alexandria (segundo o testemunho de Eusébio de Cesareia), Santo Irineu de Lyon e Papias de Hierápolis chamam São Marcos de intérprete ou porta-voz de São Pedro, embora Papias afirme que Marcos não havia ouvido o Senhor nem fora seu discípulo. Apesar dessa última afirmação, os comentaristas inclinam-se a pensar que o jovem que seguiu o Senhor no Horto das Oliveiras (Marc. 14, 51) era São Marcos. O certo é que São Pedro, ao escrever de Roma (1 Pedro 5, 13), fala de “meu filho Marcos”, que, ao que parece, estava então com ele. Quase não há dúvida de que nesse trecho se trata do evangelista, mas, em todo caso, não há prova conclusiva de que esse Marcos não seja o “João chamado Marcos” dos Atos.


Examinemos agora outros documentos menos seguros. Em primeiro lugar, temos uma narração muito sóbria — pois o elemento milagroso é muito reduzido e o conhecimento dos lugares é excepcional — da segunda visita de Barnabé e Marcos a Chipre, que terminou com o martírio do primeiro. Essa narração, cujo suposto autor é o próprio São Marcos, situa o martírio de São Barnabé no ano 53. É de notar que o autor dessa “paixão” apócrifa ignorava que Marcos era o autor do segundo Evangelho, pois sublinha com especial ênfase que São Barnabé havia recebido de São Mateus um relato dos feitos e palavras do Senhor. Esse é um detalhe que dificilmente poderia ser inventado na boca de um dos quatro evangelistas. Por outro lado, ao fim da narração, Marcos embarca com destino a Alexandria e ali se dedica a ensinar a outros “o que havia aprendido dos apóstolos de Cristo.”


São Marcos pregando em Alexandria, por Gentile Bellini, atualmente na Pinacoteca di Brera, em Milão.
São Marcos pregando em Alexandria, por Gentile Bellini, atualmente na Pinacoteca di Brera, em Milão.

A tradição de que São Marcos viveu algum tempo em Alexandria e foi bispo dessa cidade é muito antiga, embora Orígenes e Clemente, que eram originários de Alexandria, não mencionem o fato. Em contrapartida, Eusébio de Cesareia e o antigo prefácio do Evangelho de São Marcos da Vulgata o mencionam. Esse prefácio, ao referir-se a uma deformidade corporal do evangelista, mencionada anteriormente por Santo Hipólito de Roma, dá a entender que se tratava de uma mutilação que o próprio São Marcos teria infligido a si mesmo para não ser ordenado sacerdote, pois se julgava indigno disso. Embora seja muito provável que São Marcos tenha terminado seus dias como bispo de Alexandria, não merecem crédito as “atas” de seu suposto martírio. O Martirológio Romano as resume assim, no parágrafo dedicado ao santo:


“Em Alexandria, o nascimento de São Marcos Evangelista, que foi discípulo e intérprete do Apóstolo São Pedro. Foi enviado a Roma pelos irmãos; ali escreveu seu Evangelho e depois passou ao Egito. Foi o primeiro pregador de Cristo em Alexandria, onde fundou uma Igreja. Mais tarde foi preso por causa da fé, amarrado com cordas e arrastado sobre as pedras. Um anjo foi confortá-lo na prisão e, finalmente, depois que o próprio Cristo lhe apareceu, foi chamado a receber a recompensa celeste, no oitavo ano do reinado de Nero.


São Marcos escreve seu Evangelho ditado por São Pedro, atribuído a Pasquale Ottini (1578–1630)
São Marcos escreve seu Evangelho ditado por São Pedro, atribuído a Pasquale Ottini (1578–1630)

A cidade de Veneza afirma possuir o corpo do santo, que, segundo a tradição, foi trasladado de Alexandria no século IX. Discute-se muito a autenticidade dessas relíquias, que teriam permanecido intactas durante tantos séculos; muito provavelmente, as infiltrações de água, que durante longos períodos impediram o acesso à confessio* em que repousam, causaram danos irreparáveis ao frágil conteúdo do relicário. Veneza venera São Marcos como seu padroeiro desde tempos imemoriais. O leão, símbolo de São Marcos, é muito antigo, assim como os emblemas dos outros evangelistas. Já desde a época de Santo Agostinho e São Jerônimo, “as quatro criaturas viventes” (Apoc. 4, 7-8) simbolizavam os evangelistas. Os dois santos doutores relacionaram São Marcos com o leão, observando que o Evangelho de São Marcos começa falando do deserto — e o leão é o rei do deserto!


O dia de São Marcos celebra as “ladainhas maiores”, mas a solene procissão, que estava originalmente ligada a um período de jejum, não tem nada a ver com a festa do Evangelista. Muito provavelmente, a festividade das “ladainhas maiores” teve origem em Roma, na época de São Gregório Magno ou ainda antes, enquanto a celebração litúrgica de São Marcos neste dia data de uma época muito posterior. Como demonstrou há muito Louis Duchesne, é indubitável que as ladainhas (isto é, “súplicas”) não passam de uma adaptação cristã das antigas “Robigalia”, das quais fala Ovídio em seus “Fasti”. Já dissemos algo sobre as procissões e lustrações que os pagãos realizavam neste dia, ao tratar da festa de 2 de fevereiro.


Corpo de São Marcos levado a Veneza, por Jacopo Tintoretto (1519–1594)
Corpo de São Marcos levado a Veneza, por Jacopo Tintoretto (1519–1594)

Nos martirológios e na tradição litúrgica do Oriente e do Ocidente, Marcos Evangelista e João Marcos aparecem como duas pessoas diferentes. O Menaion grego menciona João Marcos no dia 27 de setembro. No mesmo dia, o Martirológio Romano diz o seguinte:


“Em Biblos da Fenícia, São Marcos bispo, a quem São Lucas Evangelista chama também João. Era filho da bem-aventurada Maria, cuja memória se venera em 29 de junho.”


A ideia de que João Marcos foi bispo de Biblos é uma tradição grega que mais tarde passou também ao Ocidente.


Confessio: Parte ou local do templo onde se guardavam as relíquias dos santos no altar. Nota do Editor.


Em Acta Sanctorum, abril, vol. III, encontram-se as chamadas atas e outros documentos apócrifos relacionados com São Marcos. Na mesma obra (junho, vol. II) pode ver-se o texto da paixão de São Barnabé, que se atribui a João Marcos; esse texto encontra-se também em Tischendorf, Acta Apostolorum Apocrypha, vol. III, pp. 292 ss. Ver igualmente o Dictionnaire de la Bible e o DTC, Marc. Sobre as relíquias de São Marcos, cf. G. Pavanello, na Revista della Città di Venezia, agosto de 1928; e Moroni, Dizionario di Erudizione, vol. XC, pp. 265-268.1




Santo Aniano consertando a sandália de São Marcos, por Arnau Bassa (–1348)
Santo Aniano consertando a sandália de São Marcos, por Arnau Bassa (–1348)

Segundo as chamadas “Atas de São Marcos”, São Aniano de Alexandria era sapateiro. Tendo ferido a mão com uma sovela, foi curado por São Marcos Evangelista durante a primeira viagem deste a Alexandria. Contudo, outros autores afirmam que São Aniano pertencia a uma distinta família de Alexandria. Conta-se que foi consagrado bispo para substituí-lo durante sua ausência e que depois lhe sucedeu no cargo. Eusébio de Cesareia o qualifica como “homem agradável a Deus e admirável em todos os sentidos”. Epifânio de Salamina diz que em Alexandria foi construída uma igreja em sua honra.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 152-154.

2. Ibid. p. 155.



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