Vida de São Fidel de Sigmaringa e Santa Maria Eufrásia Pelletier (24 de abril)
- 23 de abr.
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A congregação de “Propaganda Fide” venera São Fidel como seu primeiro mártir. Era este um sacerdote capuchinho, conhecido também pelo nome de Marcos Rey. Havia nascido em Sigmaringen de Hohenzollern. Como era um jovem muito inteligente, foi enviado à Universidade de Friburgo, na Brisgóvia, onde ensinou filosofia, ao mesmo tempo que preparava seu doutorado em leis. Já desde então começou a levar uma vida de penitência, pois vestia uma camisa de pelos e se abstinha do vinho. Em 1604, foi nomeado tutor de um pequeno grupo de jovens suábios que queriam completar sua educação nas principais cidades universitárias da Europa ocidental. Durante a viagem, que durou seis anos, Fidel conquistou a estima de seus alunos, edificando-os com o exemplo de sua devoção e de sua generosidade para com os pobres, aos quais, algumas vezes, dava até mesmo as roupas que vestia. Ao retornar à Alemanha, obteve o título de doutor em leis e começou a trabalhar como advogado em Ensisheim, na Alta Alsácia. Logo se destacou por sua integridade e pelo cuidado com que evitava as invectivas então comuns na defesa dos casos. Como frequentemente defendia os mais necessitados, o povo começou a chamá-lo de “o advogado dos pobres”. Mas, cansado dos métodos baixos e injustos a que recorriam outros advogados, decidiu finalmente ingressar no ramo capuchinho da ordem franciscana, da qual seu irmão Jorge era membro. Depois de receber as ordens sagradas, Marcos tomou o hábito e escolheu o nome de Fidel, como alusão à coroa da vida prometida aos que perseveram (Apoc. 1, 10).

O Padre Fidel pedia constantemente a Deus que o preservasse da ociosidade e da tibieza. Frequentemente exclamava: “Ai de mim, que sou um soldado medíocre de um Capitão coroado de espinhos!” Dividiu sua herança em duas partes: uma distribuiu entre os pobres e a outra entregou ao arcebispo para formar um fundo de auxílio aos seminaristas pobres. Assim que terminou seus estudos de teologia, o jovem capuchinho começou a pregar e a ouvir confissões. Foi sucessivamente guardião em Rheinfelden, Friburgo e Feldkirch. Enquanto exercia este último cargo, conseguiu a reforma dos costumes da cidade e das regiões vizinhas e converteu numerosos protestantes. Seu amor pelos doentes manifestou-se especialmente nos cuidados que lhes prestou durante uma violenta epidemia; isso apenas aumentou sua reputação e, a pedido do bispo de Chur, seus superiores o enviaram com outros oito capuchinhos para pregar aos zwinglianos dos Grisões. Como era a primeira vez que a Igreja tentava reconquistar essa região após a Reforma, os protestantes ameaçaram seriamente os missionários. São Fidel não deu ouvidos a tais ameaças, embora soubesse bem o risco que corria.
Deus abençoou abundantemente a missão desde o início, e a Congregação de Propaganda Fide, recém-fundada, nomeou o Padre Fidel chefe do movimento nos Grisões. Todos os dias o santo alcançava novas conversões. Seus êxitos deviam-se, sem dúvida, tanto às longas horas da noite dedicadas à oração quanto aos seus sermões e instruções diárias. Os efeitos admiráveis de seu zelo acabaram por irritar seus adversários, que incitaram os camponeses contra o missionário, dizendo que ele se opunha às aspirações de independência nacional e aconselhava a submissão ao imperador da Áustria, de quem estaria sendo pago. Ao saber desses rumores, São Fidel passou várias noites em oração diante do Santíssimo Sacramento ou de seu crucifixo. Em 24 de abril de 1622, foi pregar em Grüsch. Ao terminar o sermão, ainda mais ardente que o habitual, entrou em êxtase por vários minutos, com os olhos fixos no céu. Em um sermão pregado em Feldkirch, havia se referido à sua morte próxima, e pouco antes assinara assim sua última carta:

“Irmão Fidel, que em breve será pasto dos vermes.” De Grüsch dirigiu-se a Seewis; ali pregava um sermão sobre o texto: “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo”, quando alguém disparou contra ele, mas errou o tiro e a bala ficou cravada na parede.
No tumulto que se seguiu intervieram os soldados austríacos estacionados na cidade. Um protestante ofereceu abrigo ao Padre Fidel, que agradeceu, mas recusou, dizendo que sua vida estava nas mãos de Deus. Quando se dirigia a Grüsch, foi atacado por um grupo de homens armados, que lhe exigiram que renegasse a fé católica. O santo respondeu: “Vim para dar testemunho da verdade e não para abraçar vossos erros”. Seus atacantes o derrubaram ao chão e o mataram a punhaladas. São Fidel tinha quarenta e cinco anos.
Um dos primeiros frutos de seu martírio foi a conversão de um ministro zwingliano que o havia presenciado. Fidel de Sigmaringa foi canonizado pelo Papa Bento XIV.
A biografia mais fidedigna de São Fidel é provavelmente a de F. della Scala, Der hl. Fidelis von Sigmaringen (1896). O Padre E. de la Motte-Servolex utilizou amplamente essa biografia em seu St. Fidele de Sigmaringen (1901), que é uma obra de caráter mais popular. Ver também Nel terzo centenario di San Fedele da Sigmaringa (1922). Existem outras biografias, especialmente em alemão, como a de B. Gossens (1933); cf. Léon, Auréole Séraphique (trad. ingl.), vol. II, pp. 101-104, e J. G. Mayer, Geschichte des Bistums Chur (1914), pp. 399-405.1

Rosa Virgínia Pelletier nasceu em 1796, na ilha de Noirmoutier, em frente à costa da Bretanha, onde seus pais se haviam refugiado durante o levante da Vendeia. Na escola de Tours, Rosa ouviu falar do convento do Refúgio, pertencente a uma congregação que São João Eudes havia fundado em 1641, para resgatar as mulheres caídas e defender as que se encontravam em perigo. A congregação chamava-se “Instituto de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio” e tinha uma casa em Tours. Rosa entrou no noviciado em 1814 e, uns onze anos mais tarde, quando tinha apenas vinte e nove anos, foi eleita superiora. De Angers pediram uma nova fundação, e a santa foi a essa cidade para assumir uma casa de refúgio que existia havia vários anos e se chamava “O Bom Pastor”. O sucesso que ali alcançou foi tão extraordinário, que as pessoas se opuseram a deixá-la voltar à sua comunidade de Tours. Finalmente, depois de longas negociações, a madre Pelletier foi nomeada superiora da nova fundação. Compreendendo que inevitavelmente surgiriam dificuldades se cada casa dependesse de um bispo diferente e tivesse seu próprio noviciado, como acontecia no Instituto de Nossa Senhora da Caridade, a madre Santa Eufrásia (como a chamavam) decidiu centralizar a organização, fundar um noviciado único e fazer com que fosse nomeada uma superiora geral com poder de transferir as religiosas de uma casa para outra, conforme as necessidades. Apesar da oposição e do temor natural que lhe causava executar uma mudança tão radical, a madre Pelletier defendeu com firmeza esse meio de promover a causa pela qual todas as religiosas trabalhavam.

Sem perder nada de sua humildade e de seu respeito pela autoridade, a jovem superiora (de quem uma de suas admiradoras disse que “tinha capacidade para governar um reino”), conseguiu, com a ajuda da providência, fundar em Angers o novo Instituto do Bom Pastor. Em 1835, chegou a aprovação pontifícia. Os progressos da congregação foram muito rápidos e as novas fundações realizavam um bem imenso por onde quer que passassem. Quando Santa Eufrásia morreu, em 1868, a congregação contava com 2760 religiosas e já era conhecida em todo o mundo. Em suas numerosas provações e dificuldades, que incluíram acusações de espírito inovador, ambição pessoal e desejo de autoridade, Santa Eufrásia deu provas de fortaleza heroica e absoluta confiança em Deus. “Como dei à luz minhas filhas na cruz — disse em certa ocasião —, amo-as mais do que a mim mesma. Meu amor tem suas raízes em Deus e no conhecimento da minha própria miséria, pois compreendo que, na idade em que fazem a profissão, eu não teria sido capaz de suportar tantas privações e um trabalho tão duro.” Santa Eufrásia foi canonizada em 1940.
Em francês existem duas biografias muito completas, ambas em dois volumes: a de Mons. Pasquier (1894) e a do cônego Portais (1895). G. Bernoville, que publicou a vida da santa em 1946, utilizou documentos inéditos dos atos de beatificação. Mais breves são as biografias escritas por E. Georges (1942) e H. Joly (1933, na coleção Les Saints). Uma religiosa da congregação publicou em 1933 uma biografia em inglês. Redemption (1940), de G. F. Powers, é um bom relato de caráter popular. A biografia de A. M. Clarke baseia-se nas obras de Pasquier e Portais.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 147-149.
2. Ibid. pp. 151-152.






















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