Vida do Papa São Cleto, Papa São Marcelino e Santa Franca de Piacenza (26 de abril)
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Não se pôde estabelecer, de forma plenamente satisfatória, a ordem de sucessão dos primeiros Papas, e permanece incerto se São Cleto foi o terceiro ou o quarto Pontífice. A confusão é ainda maior porque às vezes é chamado Cleto e outras vezes Anacleto, que são sinônimos em grego. Contudo, os principais autores concordam que se trata de um único Papa que morreu por volta do ano 91, provavelmente vítima da perseguição de Domiciano.
O Anuário Pontifício de 1947 confirma e estabelece que a figura do Papa Anacleto coincide com a de Cleto (ou Cletus), citado pelo Liber Pontificalis como o sucessor do Papa Lino. O Cânon da Missa o nomeia como terceiro Papa.
Leia nosso artigo sobre Santo Anacleto:

São Marcelino sucedeu a São Caio na sede romana e governou a Igreja por oito anos. Teodoreto de Ciro afirma que alcançou grande glória na época turbulenta da perseguição de Diocleciano; contudo, na Idade Média acreditava-se que, submetido a cruel tortura, havia entregue os Livros Sagrados e oferecido incenso aos deuses. Atualmente perdeu todo crédito a lenda, fomentada pelos donatistas, de que São Marcelino reconheceu sua culpa diante de um suposto “Sínodo de Sinuessa” e pronunciou sua própria deposição; isso é simplesmente impossível, pois tal sínodo nunca existiu. No entanto, alguns antigos breviários e catálogos dos Papas aludem a uma culpa de São Marcelino, que ele teria posteriormente lavado com a penitência e o martírio. O mais provável é que, caso tenha fraquejado momentaneamente, tenha expiado sua culpa com uma santa morte. São Marcelino foi sepultado no cemitério de Santa Priscila, que ele mesmo havia construído ou ampliado.
Na edição do Liber Pontificalis feita por Louis Duchesne, com introdução e notas, encontram-se os dados mais fidedignos sobre os primeiros Papas. Ver também Grisar, Geschichte Roms und der Pápste (trad. ingl.), parágrafos 185 e 467; e E. Casper, Die alteste róm. Bischofsliste (1926). É curioso que o nome de Marcelino não apareça no catálogo intitulado Depositio Episcoporum do ano 354. Tampouco é mencionado no novo calendário beneditino, aprovado em 1915.1

Franca Visalta tinha apenas sete anos quando entrou para educar-se no convento beneditino de Mosteiro de San Siro de Piacenza. Aos catorze anos fez sua profissão religiosa. Embora fosse tão jovem, superava todas as religiosas em obediência, devoção e esquecimento de si mesma. À morte da abadessa, foi eleita para sucedê-la. Tudo corria muito bem no início. Mas a jovem e zelosa abadessa começou a apertar as rédeas da disciplina, proibindo algumas inovações contrárias à pobreza, como a de cozinhar as leguminosas em vinho. A oposição que se levantou conseguiu depor Franca do cargo e nomeou em seu lugar a irmã do bispo, que não partilhava de seu espírito de reforma. Franca teve de suportar, durante anos, calúnias, falsos testemunhos e graves provações interiores. Seu único consolo humano era a frequente visita de uma jovem chamada Carência. Por conselho de Franca, Carência fez um ano de noviciado no convento cisterciense de Rapallo e depois persuadiu seus pais a construir uma nova casa da ordem em Montelana. Carência mudou-se para lá e conseguiu que Santa Franca de Piacenza fosse nomeada abadessa da nova fundação. A comunidade transferiu-se mais tarde para Pittoli. Embora no convento reinassem a austeridade e a pobreza da regra cisterciense, a abadessa ainda não estava satisfeita.
Passava noites inteiras na capela entregue à oração, no tempo que suas filhas consagravam ao descanso. Vendo que a saúde da abadessa se debilitava de modo alarmante, as religiosas ordenaram ao sacristão que guardasse a chave da capela; mas isso não bastou para impedir que a fervorosa superiora continuasse suas vigílias. Santa Franca de Piacenza morreu em 1218. O Papa Gregório X, que era parente de Carência, sancionou o culto da santa em Piacenza.
Em Acta Sanctorum, abril, vol. III, há uma carta de um superior cisterciense, contemporâneo da santa, na qual relata que um de seus monges teve uma visão da glória de Santa Franca; ali mesmo se encontra a biografia que escreveu em 1336 o P. Bertrán Recoldi.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 155-156.
2. Ibid. pp. 157-158.






















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