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Festa da Trasladação da Santa Casa de Loreto e a Vida de São Melquíades e São Gregório III, Papas (10 de dezembro)





“Transladação da Santa Casa”, de Francesco Foschi.
“Transladação da Santa Casa”, de Francesco Foschi.

A partir do século XVI, a “Santa Casa de Loreto”, que se encontra na região italiana da Marca de Ancona, tem sido um centro de peregrinação. A casa é o próprio domicílio da Santíssima Virgem transportado desde Nazaré pelos anjos, através dos ares! Não é de estranhar, portanto, que os grandes santos tenham orado naquele lugar: Francisco Xavier, Francisco de Borja, Carlos Borromeo, Luís Gonzaga, José de Cupertino, Santa Teresinha de Lisieux e muitos outros, que deram testemunho da devoção a um santuário mariano muito amado no Ocidente.


Butler diz que "Se como cronistas devemos registrar que a milagrosa trasladação da casa de Nazaré para Loreto não tem nenhuma prova histórica que a sustente, não é nossa intenção, porém, atentar contra as bases dessa devoção, pois amamos Nossa Senhora não pelos tijolos, vigas e pedras de suas igrejas, mas porque é a Mãe de Deus."



O Milagre da Santa Casa de Loreto, por Giovanni Battista Tiepolo
O Milagre da Santa Casa de Loreto, por Giovanni Battista Tiepolo

Em 1470, uma bula emitida pelo Papa Paulo II autorizava a comemoração de uma imagem da Santíssima Virgem transportada pelos anjos a Loreto, dentro de um edifício sem alicerces, miraculose fundatam “fundado milagrosamente”, como diz a bula.


Em 1472, um dos reitores da igreja de Loreto, chamado Teramano, escreveu um relato sobre a forma como a “Santa Casa de Nazaré” chegou às cercanias de Fiume e depois a Loreto. Outra nota sobre o tema apareceu em 1489, escrita por um carmelita que exercia um cargo em Loreto, o Venerável Batista Spagnolo, chamado o “Mantovano”. Em 1507, uma bula de Júlio II fez alusão a esses relatos, que qualificava como “crenças piedosas”, acrescentando que a casa havia sido trasladada desde Belém, o que é inexato. Cerca de vinte anos depois (1525), Erasmo compôs uma Missa para a Virgem de Loreto, com um belo intróito em verso, mas sem qualquer referência ao voo da casa. Em 1531, Jerônimo Angelita dedicou a Clemente VII uma narração circunstancial sobre o traslado da casa.


De acordo com todos esses autores, a bendita construção deve ter chegado às cercanias de Fiume em 1291 e a Loreto em 1294. Causa estranheza aos investigadores o absoluto silêncio sobre o acontecimento ao longo dos séculos XIV e XV, mas sobretudo o fato de que uma bula datada de 1320, relacionada a Loreto, não mencione em absoluto a trasladação. Tampouco no Oriente aparece alguma referência à “Santa Casa de Nazaré” antes do século VI.


O que se dizia até o ano de 1291 sobre a morada da Santíssima Virgem em Nazaré não corresponde absolutamente ao que existe em Loreto. Falava-se de uma cripta com uma gruta, e não de uma casa.


Há testemunhos autênticos, datados de 1193, 1194 e 1285, de que existia em Loreto uma igreja dedicada a Nossa Senhora. É possível que os católicos sérvios que fugiam da perseguição no final do século XIII tenham transportado até Loreto, onde se refugiaram, uma estátua da Virgem Maria, e não se pode descartar a probabilidade de que eles mesmos tenham construído, para proteger sua imagem, uma casa à qual deram o nome de Nazaré, do mesmo modo que, em nossos dias, construíram-se por toda parte grutas de Lourdes.


Transladação da Santa Casa de Loreto
Transladação da Santa Casa de Loreto

Assim, teríamos para Loreto uma lenda desenvolvida de maneira análoga à lenda de Guilherme Tell. A gesta do herói suíço surgiu entre 1298 e 1308; por volta de 1470, foi muito ampliada e difundida pelo Livro Branco e, em 1531, Tschudi a completou.


Por outra parte, não é esta a única devoção ou culto reconhecido pela Igreja apesar de suas origens históricas muito discutíveis, como por exemplo os casos de Santa Filomena, São Teodósio e o santuário de Compostela. Além disso, até o ano de 1669, a festividade da Trasladação da Santa Casa de Loreto figurava no Martirológio Romano.


Na Revue du Clergé Français, vol. LXIV, pp. 113-140, A. Boudinhon traduziu e resumiu um interessante artigo do italiano L. De Feis. O livro N. D. de Lorette (1906) de U. Chevalier, muito importante sobre o assunto, foi analisado em Analecta Bollandiana, vol. XXI, pp. 478-494. Veem-se ainda o Dict. d’archéol. chrét. et de lit., vol. IX-2, cols. 2973-2511; G. Hüfler em Loreto (1913-1921), 2 vols.; e o Dict. apolog. de la foi cathol., vol. II (1926), cols. 21-26. Entre os livros favoráveis à trasladação, vejam-se L. Veuillot em Rome et Lorette (1845), pp. 316-322; Grillot (1865); J. B. Villaume (1884); Faloci Pulignani (1907); A. Eschbach (1909-1915). Consultem-se também Bento XIV em De servorum Dei beatificatione, l. IV, c. X, nn. 11-16; De festis... B. M. V., c. XVI; o Acta Apost. Sedis (1916), p. 179; e a Enciclopedia Espasa, vol. XXIV, artigo Fresco, folha 2 (Tiepolo), bem como o vol. XXXI, pp. 245-252.1




Papa São Melquíades, mártir. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Melquíades, mártir. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

Sabemos pouco sobre São Milcíades ou Melquíades. A história o recorda sobretudo porque em sua época terminou a era das perseguições e o imperador Constantino deu a paz à Igreja. Milcíades era originário da África, segundo se diz. Foi eleito para ocupar a cátedra pontifícia em 2 de julho, provavelmente no ano 311. Depois da batalha da Ponte Mílvia, na qual Constantino derrotou Maxêncio em 28 de outubro de 312, o imperador vitorioso dirigiu-se a Roma. No início do ano 313, proclamou o édito de tolerância do cristianismo (e de todas as outras religiões) no Império. Mais tarde, concedeu outros privilégios à Igreja e suprimiu as condições de incapacidade legal que pesavam sobre os cristãos. Os cristãos que se encontravam nas prisões e nas minas foram postos em liberdade. Celebraram a vitória de Cristo com hinos de louvor a Deus e oravam noite e dia para que aquela paz, que vinha pôr termo a dez anos de violenta perseguição, fosse durável.


A alegria da Igreja foi obscurecida pelos primeiros focos do cisma donatista na África. A ocasião foi a eleição de Ceciliano como bispo de Cartago, já que os donatistas pretendiam que sua consagração era inválida, porque durante a perseguição, Ceciliano havia entregue os livros sagrados.[a] A pedido de Constantino, o Papa reuniu um sínodo de bispos italianos e gauleses em Roma. Os bispos determinaram que a eleição e consagração de Ceciliano tinham sido válidas. Santo Agostinho, referindo-se à moderação com que procedeu São Milcíades nesse assunto, o qualifica como homem excelente, verdadeiro filho da paz e pai dos cristãos. A liturgia venera este Pontífice como mártir, já que, segundo diz o Martirológio Romano, sofreu muito durante a perseguição de Maximiano (antes de sua eleição ao pontificado).


São Melquíades, Papa e Mártir
São Melquíades, Papa e Mártir

São Milcíades compreendeu que a paz oferecia à Igreja uma grande oportunidade para converter os pagãos e se alegrou com esse triunfo da cruz de Cristo. Infelizmente, a prosperidade material introduziu em muitos casos na Igreja o espírito mundano. A queixa de Isaías poderia ter sido repetida com razão: “Aumentaste a nação, mas não aumentaste sua alegria.” A perseguição tinha mantido vivo o verdadeiro espírito religioso nos primeiros tempos da Igreja. Em troca, a prosperidade corrompeu muitos corações, embora abundassem os exemplos da mais alta santidade e fosse fácil encontrar ajuda em todas as partes. As honras temporais e a segurança fizeram com que o espírito mundano fosse ganhando terreno em muitos outros cristãos, que chegaram a convencer-se de que podiam servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamom. Os bens materiais e a prosperidade são uma bênção, mas também constituem um perigo.


No Liber Pontificalis há um curto artigo sobre São Milcíades; mas há nele muito poucos dados fidedignos. Na Hist. Eccles. de Eusébio há uma carta de Constantino a São Milcíades e duas cartas relacionadas com o assunto de Ceciliano; mas a questão do cisma donatista pertence mais à história geral. A este propósito recomendamos as páginas de Palanque, no vol. II da Histoire de l’Église de Fliche e Martin. São Milcíades morreu em 10 de janeiro: cf. CMH., pp. 34 e 428. Diz-se que o santo foi sepultado no cemitério de Calixto; veja-se sobre este ponto Leclercq, no DAC., vol. XI, cols. 1199-1203. Sobre o sínodo de Roma, cf. E. Caspar, em Zeitschrift für Kirchengeschichte, vol. XLVI (1927), pp. 333-346. Acerca dos problemas da era constantiniana, veja-se N. H. Baynes, Constantine the Great and the Christian Church (1929).2





Papa São Gregório III. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Gregório III. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

Entre os membros do clero que assistiram aos funerais do Papa São Gregório II, no ano 731, contava-se um sacerdote sírio. Este era tão conhecido por sua santidade, saber e capacidade administrativa, que o povo, ao vê-lo na procissão, elegeu-o espontaneamente Papa por aclamação. O novo Pontífice tomou o nome de Gregório III. Da administração de seu predecessor herdou o problema das relações com o imperador Leão III, o Isáurico, que havia empreendido uma campanha contra a veneração das sagradas imagens. Um dos primeiros atos de Gregório III foi escrever uma carta de protesto. Mas o sacerdote Jorge, a quem encarregou de levá-la, deixou-se vencer pelo medo e regressou a Roma sem cumprir a missão. O Papa indignou-se tanto que o ameaçou de degradá-lo. Jorge partiu novamente; mas, na Sicília, foi surpreendido pelos oficiais imperiais, que o desterraram. Então Gregório III reuniu um sínodo em Roma. Os bispos, o baixo clero e os leigos aprovaram o decreto de excomunhão contra todos os que condenassem ou destruíssem as sagradas imagens. Leão, o Isáurico, empregou para vingar-se o mesmo método de alguns de seus predecessores, ou seja, enviou uma frota a Roma para conduzir o Papa a Constantinopla. Contudo, uma tempestade destruiu os navios e o imperador teve de se contentar com impor seu domínio sobre os Estados Pontifícios da Sicília e da Calábria e reconhecer a jurisdição do patriarca de Constantinopla sobre todo o oriente da Ilíria.


A essa triste iniciação do pontificado de Gregório III sucedeu um período de paz, durante o qual o Papa reconstruiu e decorou certo número de igrejas e mandou erguer uma colunata diante da “confissão de São Pedro; em cada coluna havia uma imagem do Senhor ou de algum santo, e diante dela brilhava uma lâmpada, como uma muda denúncia contra a heresia iconoclasta. O Pontífice enviou o pálio a São Bonifácio, que estava na Alemanha. Quando o santo missionário inglês fez sua terceira visita a Roma, no ano 738, Gregório escreveu aos “antigos saxões” uma carta composta de citações bíblicas, que talvez pouco dissessem aos destinatários, pois eram pagãos. São Gregório enviou o monge inglês São Wilibaldo para ajudar São Bonifácio.



Papa São Gregório III
Papa São Gregório III

Perto do fim da vida de São Gregório, os lombardos voltaram a ameaçar Roma. O Papa pediu ajuda a Carlos Martel e aos francos, não ao imperador do oriente. Mas passou bastante tempo antes que Carlos Martel se decidisse a intervir. Gregório escreveu também aos bispos da Toscana, exortando-os a fazer tudo o que pudessem para recuperar as cidades que haviam caído nas mãos dos lombardos; se não o fizessem, “eu mesmo, embora enfermo, empreenderei a viagem para vos livrar da responsabilidade de não serdes fiéis ao vosso dever”. Em 22 de outubro de 741, morreu Carlos Martel. Algumas semanas mais tarde, em 10 de dezembro, seguiu-o São Gregório III. O Liber Pontificalis afirma que foi “um homem profundamente humilde e verdadeiramente sábio. Conhecia muito bem a Sagrada Escritura e o seu sentido, e sabia de memória os salmos. Foi um pregador elegante, que teve muito sucesso. Dominava o grego e o latim e defendeu com constância a fé católica. Amou a pobreza e os pobres, protegeu as viúvas e os órfãos e foi amigo dos monges e das religiosas.”


Não existe nenhuma biografia primitiva de São Gregório III. O artigo do Liber Pontificalis oferece poucos dados. O que sabemos sobre o santo procede das crônicas e do que resta de sua correspondência. Veja-se Mann em History of the Popes, vol. I, parte 2, pp. 204-224; e Hartmann, Geschichte Italiens im Mittelalter, vol. II, parte 2, pp. 169 ss.3



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 524-525.

2. Ibid. pp. 525-526.

3. Ibid. pp. 528-529.



Notas:


a. Os donatistas sustentavam erroneamente que os sacramentos administrados por um ministro indigno são inválidos e que os pecadores não podem ser membros da Igreja.



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