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Vida de São Cesário de Nazianzo e São Tarásio de Constantinopla (25 de fevereiro)

  • há 2 horas
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AVISO: Hoje é quarta-feira, dia de jejum e abstinência de carne (Quatro-Têmporas)




São Cesário de Nazianzo
São Cesário de Nazianzo

Cesário era irmão de São Gregório de Nazianzo e filho do bispo dessa cidade. Ambos os irmãos receberam uma excelente educação; Gregório estudou em Cesareia da Palestina e Cesário em Alexandria, onde se distinguiu em todos os ramos do saber humano, especialmente na oratória, na filosofia e na medicina. Terminou seus estudos de medicina em Constantinopla e chegou a ser o melhor médico de sua época. Embora a cidade do imperador Constâncio quisesse conservá-lo, Cesário não quis estabelecer-se ali. Mais tarde, Juliano, o Apóstata, chamou-o novamente a Constantinopla, nomeou-o chefe de seus médicos e o isentou dos éditos que publicou contra os cristãos. Cesário resistiu vitoriosamente a todas as tentativas de Juliano para fazê-lo abandonar a fé; mas seu pai e seu irmão convenceram-no a abandonar a corte, apesar da oposição de Juliano. Joviano restituiu-lhe seu antigo cargo e Valente nomeou-o seu tesoureiro particular, isto é, diretor da fazenda pública, na Bitínia. No ano 368, Cesário esteve a ponto de perder a vida em um terremoto e ficou tão impressionado que renunciou ao mundo. À sua morte, ocorrida pouco depois, deixou todos os seus bens aos pobres. Seu irmão, São Gregório, pronunciou sua oração fúnebre.


O panegírico de São Gregório é nossa principal fonte de informação sobre São Cesário. Esse panegírico lhe mereceu o título de santo e a comemoração que dele faz o Martirológio Romano. Contudo, é quase certo que São Cesário recebeu o batismo depois do terremoto de Niceia, isto é, apenas alguns meses antes de sua morte. Durante a maior parte dos quarenta anos que passou sobre a terra foi, por vontade própria, sempre catecúmeno, sem direito de participar nos sagrados mistérios.1




São Tarásio de Constantinopla
São Tarásio de Constantinopla

São Tarásio exercia o cargo de secretário do jovem imperador Constantino IV e de sua mãe Irene. Apesar de ser leigo, Paulo IV, patriarca de Constantinopla, propôs-no como seu sucessor no momento de retirar-se para um mosteiro. A corte, o clero e o povo confirmaram a eleição de Tarásio. O santo era de família patrícia e havia recebido uma educação esmerada. Na corte, em um ambiente de sensualidade e bajulações, soube levar uma vida quase monástica. Resistiu muito a aceitar a nomeação como patriarca, em parte porque não era sacerdote e também pela difícil situação criada pela política dos imperadores contra a veneração das imagens sagradas, a partir de Leão III, em 726.[a] Quando Tarásio foi eleito patriarca, a imperatriz Irene exercia a regência, pois seu filho, Constantino IV, tinha apenas dez anos. Irene era uma mulher ambiciosa e muito cruel, mas não era iconoclasta, isto é, não se opunha à veneração das imagens. Isso facilitou a reunião de um Concílio, pois Tarásio, consagrado no Natal do ano 784, havia aceitado a dignidade patriarcal sob a condição de que se celebrasse um sínodo para restabelecer a união rompida pela campanha iconoclasta. O sétimo Concílio Ecumênico reuniu-se em Niceia no ano 787, presidido pelos legados do Papa Adriano I. As discussões levaram à conclusão de que a Igreja podia permitir que se tributasse às imagens um culto relativo, não o culto de adoração que se deve somente a Deus. Como observou o Concílio, quem venera uma imagem, venera a pessoa que ela representa.


Obedecendo às decisões conciliares, Tarásio restabeleceu em seu patriarcado o culto das imagens. Trabalhou igualmente para erradicar a simonia. Sua vida foi um modelo de perfeito desinteresse para o clero e o povo. Em sua casa e à sua mesa não havia nada da magnificência ostentada por seus predecessores. Consagrado ao serviço do próximo, Tarásio mal permitia que seus criados o servissem. Dormia muito pouco e, em seus momentos de descanso, dedicava-se à oração e à leitura espiritual. Proibiu ao clero o uso de vestes preciosas e mostrou-se particularmente severo no que se refere ao teatro. Frequentemente distribuía pessoalmente alimentos aos pobres; para que ninguém se sentisse abandonado, visitava todos os hospitais e obras de beneficência em Constantinopla.


São Tarásio, patriarca de Constantinopla (restaurado com IA).
São Tarásio, patriarca de Constantinopla (restaurado com IA).

Alguns anos mais tarde, o imperador apaixonou-se por Teódota, dama de honra de sua esposa, a imperatriz Maria. A imperatriz-mãe, Irene, havia obrigado-o a casar-se com Maria, da qual o imperador decidiu divorciar-se. Para isso, tentou conquistar a vontade do patriarca e enviou-lhe um mensageiro para anunciar que a imperatriz queria envenená-lo. Tarásio respondeu ao mensageiro: “Dize ao imperador que estou disposto a morrer antes de ajudá-lo a realizar seu propósito”. Então o imperador tentou conquistá-lo por meio de bajulações. Chamou, pois, o patriarca e disse-lhe: “A ti não posso ocultar nada, pois te considero como a meu pai. É indubitável que a Igreja permitirá que eu me divorcie de uma mulher que tentou envenenar-me. A imperatriz Maria merece a morte ou a prisão perpétua”. O imperador mostrou a Tarásio um vaso com veneno que, segundo ele, a imperatriz havia tentado fazê-lo beber. Mas o patriarca não se deixou enganar e respondeu que estava certo de que Constantino queria divorciar-se da imperatriz porque estava apaixonado por Teódota; além disso, declarou-lhe que, ainda que a imperatriz Maria fosse realmente culpada, o novo matrimônio constituiria adultério. O monge João, que também estava presente, falou com grande coragem no mesmo sentido que o patriarca; o imperador, furioso, mandou que se retirassem de sua presença. Depois expulsou a imperatriz Maria do palácio e obrigou-a a tomar o véu. Como Tarásio se recusasse a casá-lo com Teódota, o matrimônio realizou-se diante do abade José, personagem da Igreja de Constantinopla. A partir de então, Tarásio teve de suportar o ressentimento de Constantino, que o perseguiu durante o restante de seu reinado. [b] Conta-se que o imperador fazia vigiar o patriarca em todos os seus movimentos, proibira a todos que falassem com ele sem sua permissão e desterrou muitos dos amigos e servidores de Tarásio por lhe dirigirem a palavra. Enquanto isso, a imperatriz Irene, que queria continuar governando, conquistou os principais personagens da corte e do exército, encarcerou seu filho e mandou arrancar-lhe os olhos. Irene governou durante cinco anos, até ser deposta por Nicéforo, que usurpou o império e a desterrou para a ilha de Lesbos.


Sob o reinado de Nicéforo, Tarásio desempenhou sem contratempos seus deveres pastorais. Em sua última enfermidade não deixou de celebrar o Santo Sacrifício enquanto pôde mover-se. Pouco antes de morrer, Tarásio teve uma visão na qual, segundo conta seu biógrafo, que se encontrava com ele naquele momento, o prelado parecia responder às acusações de um grupo de homens que julgavam cada uma das ações de sua vida. Tarásio mostrava-se extremamente agitado ao responder às acusações. Isso aterrorizou muito todos os presentes, pois a vida do patriarca havia sido muito íntegra. Mas à agitação seguiu-se uma grande serenidade, e São Tarásio entregou sua alma a Deus em profunda paz, depois de ter governado o patriarcado durante vinte e um anos.


São Tarásio de Constantinopla, Menológio de Basílio II.
São Tarásio de Constantinopla, Menológio de Basílio II.

A principal fonte, no que toca ao aspecto ascético da vida de São Tarásio, é a biografia do diácono Inácio. O texto foi publicado por A. Heikel em Proceedings of the Helsingfors Academy. Em Acta Sanctorum, fevereiro, vol. III, encontra-se uma tradução latina. Sobre a controvérsia iconoclasta é excelente a obra de Hefele-Leclercq, Histoire des Conciles, vol. III, parte 2 (1910), pp. 741 ss. Em N. H. Baynes e H. L. B. Moss, Byzantium (1948), pp. 15-17, 105-108, há um bom resumo. Ver também Krumbacher, Geschichte der Byzantinischen Literatur, 2ª ed., p. 73; Hergenröther, Photius, vol. 1, pp. 264-361; e Byzantinische Zeitschrift, 1909, pp. 57 ss.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 414-415.

2. Ibid. pp. 415-416.



Notas:


a. O culto das imagens sagradas generalizou-se na Igreja. A hierarquia recomendou-o especialmente quando desapareceu todo perigo de idolatria, para fazer compreender à humanidade que Deus se havia feito realmente homem e tomado carne da Virgem Maria. Com esse fim, introduziram-se nas igrejas pinturas e estátuas, que conservam a memória dos santos e elevam as almas a Deus.


b. Contudo, não faltaram aqueles que pensaram que São Tarásio se havia mostrado demasiado complacente com o imperador no assunto do divórcio. Os chefes desse movimento extremista foram São Platão (4 de abril) e São Teodoro, o Estudita (11 de novembro), encarcerados por Constantino.



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