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Vida de Santo Antonino de Florença e Santos Gordiano e Epímaco, Mártires (10 de maio)

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Santo Antonino de Florença
Santo Antonino de Florença

Santo Antonino foi, sem dúvida, o prelado que melhor soube conquistar o carinho e a veneração dos florentinos entre todos os bispos que governaram essa diocese ao longo dos séculos. Seu pai, chamado Nicolau Pierozzi, era um cidadão de boa família que exercia o cargo de notário da República. O santo recebeu no batismo o nome de Antônio; mas seus companheiros chamavam-no desde criança de “Antonino”, por sua bondade e baixa estatura. Antonino era um jovem sério e muito amante da oração. Assistia frequentemente aos sermões do Beato João Dominici, então prior de Santa Maria Novella; aos quinze anos pediu admissão na Ordem de São Domingos.


O Beato João, julgando-o demasiado frágil para esse gênero de vida, tentou desanimá-lo, mandando que decorasse o “Decretum Gratiani”. Um ano depois, Antonino recitou todo o decreto e foi imediatamente admitido. Foi o primeiro postulante a tomar o hábito no novo convento que o Beato João havia construído em Fiésole. Foi enviado ao noviciado de Cortona, onde teve como mestre de noviços o Beato Lourenço de Ripafratta e como companheiros o Beato Pedro Capucci e o famosíssimo artista Frei Angélico de Fiésole. Logo Antonino demonstrou excepcionais dons de estudo e governo. Ainda muito jovem, foi eleito superior do grande convento da Minerva, em Roma; depois foi sucessivamente prior em Nápoles, Gaeta, Cortona, Siena, Fiésole e Florença. Como superior das congregações reformadas de Nápoles e Toscana e responsável pela Província Romana, Antonino aplicou zelosamente as medidas que o Beato João Dominici havia estabelecido para restaurar a primitiva observância. Também fundou em Florença, em 1436, o famoso convento de São Marcos; os silvestrinos haviam ocupado antes aqueles edifícios, mas Santo Antonino praticamente os reconstruiu segundo os planos de Michelozzo e encarregou Frei Angélico de decorá-los com afrescos.


Santo Antonino torna-se Arcebispo de Florença, por Bernardino Poccetti (1548–1612)
Santo Antonino torna-se Arcebispo de Florença, por Bernardino Poccetti (1548–1612)

Cosme de Médici, por sua vez, reconstruiu com grande magnificência a igreja adjacente, do século XIII, e a colocou à disposição dos dominicanos. Além do cumprimento de seus deveres oficiais, Santo Antonino pregava frequentemente, e as obras que escreveu tornaram-no muito famoso. Recebia consultas de Roma e de toda a cristandade, particularmente sobre pontos de direito canônico. O Papa Eugênio IV convidou-o ao Concílio de Florença; o santo assistiu a todas as sessões. Estava ocupado na reforma dos conventos da província de Nápoles quando soube, com grande pesar, que o Papa o havia nomeado arcebispo de Florença. Em vão alegou incapacidade, má saúde e idade avançada; Eugênio IV mostrou-se inflexível. Santo Antonino foi consagrado em março de 1446, com grande alegria dos florentinos.


O milagre do peixe de Santo Antonino de Florença
O milagre do peixe de Santo Antonino de Florença

O santo praticava rigorosamente as regras de sua ordem, na medida em que seus deveres o permitiam. Em sua casa reinava a maior simplicidade. Sua criadagem consistia apenas de seis servos; não possuía baixela de prata nem cavalos. Certa vez vendeu a única mula que possuía, mas algum cidadão rico a comprou e a presenteou novamente ao santo, que depois repetiu frequentemente o mesmo procedimento. Santo Antonino recebia diariamente todos os que desejavam vê-lo, mas protegia especialmente os pobres, aos quais estavam sempre abertas sua bolsa e sua despensa. Quando ambas se esgotavam, o santo arcebispo vendia os móveis de sua casa e suas próprias vestes. Para socorrer os pobres envergonhados, fundou uma associação dedicada a São Martinho e conseguiu ajudar milhares de famílias.


Embora fosse de temperamento bondoso, sabia mostrar-se firme e decidido quando as circunstâncias exigiam. Acabou com os jogos de azar em sua diocese, opôs-se vigorosamente à usura e à magia e realizou toda espécie de reformas. Além de pregar todos os domingos e festas, visitava anualmente toda a diocese, viajando sempre a pé. Sua fama de prudência e integridade era tamanha que todos os que exerciam alguma autoridade, tanto clérigos quanto leigos, recorriam constantemente ao seu conselho. Suas sábias respostas lhe valeram o título de “o conselheiro”. Quando Eugênio IV estava em seu leito de morte, mandou chamar Santo Antonino a Roma, recebeu de suas mãos os últimos sacramentos e morreu em seus braços. O Papa Nicolau V consultava-o sobre assuntos da Igreja e do Estado, proibiu que se apelasse a Roma das decisões do arcebispo e declarou que ele era tão digno da honra dos altares quanto São Bernardino de Sena, a quem iria canonizar. O Papa Pio II escolheu Santo Antonino para integrar a comissão encarregada da reforma da corte pontifícia. O santo era igualmente estimado pelo governo de Florença, que lhe confiou importantes embaixadas e o teria enviado como representante diante do imperador, se a doença não o tivesse impedido de deixar Florença.


A Glória de Santo Antonino de Florença
A Glória de Santo Antonino de Florença

Durante uma severa epidemia de peste, que durou mais de um ano, o santo arcebispo trabalhou incansavelmente no cuidado dos enfermos e, por seu exemplo, levou o clero a fazer o mesmo. Muitos dos frades de Santa Maria Novella, Fiésole e São Marcos morreram na epidemia. Como de costume, à peste seguiu-se a fome. O santo então privou-se até do necessário e obteve auxílio do Papa Nicolau V, que era incapaz de lhe negar algo. A partir de 1453, Florença foi devastada durante dois anos por frequentes terremotos, e uma tempestade destruiu um bairro da cidade. Santo Antonino sustentou as vítimas, reconstruiu as ruínas e socorreu a todos. Também curou muitos enfermos, pois toda a cidade sabia que era dotado do dom de operar milagres. Cosme de Médici afirmou publicamente que a preservação da cidade dos perigos que a ameaçavam devia-se em grande parte aos méritos e orações de seu santo arcebispo. Santo Antonino foi canonizado em 1523.


No Acta Sanctorum, maio, vol. I, encontra-se uma biografia de Santo Antonino escrita por Francisco de Castiglione, membro de sua casa, além de um suplemento de Leonardo de Seruberti e alguns extratos do processo de canonização. Existem muitas outras fontes, como crônicas, correspondências e diários da época; naturalmente, quase nenhuma dessas fontes era acessível no século XVII. Sem dúvida, quem melhor aproveitou esses materiais foi o Pe. Raoul Morçay em sua volumosa obra Saint Antonin (1914). Trata-se de excelente biografia, que inclui muitos detalhes registrados pelo notário de Santo Antonino, Baldovino Baldovini, em documento descoberto recentemente. A biografia de A. Masseron, na coleção Les Saints, é mais breve. Ver também as múltiplas referências a Santo Antonino em Pastor, História dos Papas, vol. I, e em Mortier, Histoire des Maîtres Généraux O.P. Sobre as obras de Santo Antonino, veja-se DTC., vol. I, cc. 1451-1453, e J. B. Walker, The Chronicles of St Antoninus (1933); esta última obra aprofunda-se mais que a de Schaube, primeiro pesquisador a explorar o tema. Quem desejar uma bibliografia das obras mais antigas consulte Taurisano, Catalogus Hagiographicus O.P. Santo Antonino tem importância especial como moralista prático. O Pe. Bede Jarrett, em Social Theories of the Middle Ages (1926), esclarece aspectos da doutrina moral e social do santo.1




Santos Gordiano e Epímaco, mártires, por Robert von Langer (1783–1846)
Santos Gordiano e Epímaco, mártires, por Robert von Langer (1783–1846)

Praticamente todos os martirológios ocidentais posteriores ao século V mencionam os santos Gordiano e Epímaco. O Martirológio Romano os comemora neste dia. Diz-se que São Epímaco foi lançado em um forno de tijolos em Alexandria, no ano 250, juntamente com outro mártir chamado Alexandre, depois de ter sofrido cruéis torturas pela fé. O corpo de São Epímaco foi depois trasladado para Roma.


São Gordiano foi decapitado em Roma e seus restos foram depositados no túmulo de São Epímaco. Santa Hildegarda, esposa de Carlos Magno, presenteou a maior parte das relíquias desses dois santos à abadia de Kempten, na Baviera, que ela havia restaurado.


No livro de Butler afirmar que as “atas” desses mártires são espúrias. Não se pode duvidar da existência histórica e do culto de São Gordiano e São Epímaco. Ainda se conserva o epitáfio de São Gordiano escrito pelo Papa São Dâmaso. O Pontífice afirma que São Gordiano era adolescente, enquanto as atas sustentam que ele foi ministro (“vicarius”) do imperador Juliano.


Ver sobre este ponto o texto e as notas de CMH., p. 244. As atas encontram-se em Acta Sanctorum, maio, vol. II. Não há razão alguma para supor, como faz Butler, que os dois santos viveram em séculos diferentes. Cf. J. P. Kirsch, Der Stadtrömische christliche Festkalender, pp. 54-55.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 251-253.

2. Ibid. p. 254.



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