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Vida de São Pedro Damião e Santa Marta de Astorga (23 de fevereiro)

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São Pedro Damião, por Andrea Barbiani
São Pedro Damião, por Andrea Barbiani

São Pedro Damião é uma dessas figuras severas que, como São João Batista, surgem nas épocas de relaxamento para afastar os homens do erro e trazê-los de novo ao estreito caminho da virtude. Pedro Damião nasceu em Ravena. Tendo perdido os pais quando era muito pequeno, ficou aos cuidados de um irmão seu, que o tratou como se fosse um escravo. Para começar, mandou-o cuidar dos porcos assim que pôde andar. Outro de seus irmãos, que era arcipreste de Ravena, compadeceu-se dele e decidiu encarregar-se de sua educação. Vendo-se tratado como um filho, Pedro tomou de seu irmão o nome de Damião. Este o enviou à escola, primeiro em Faenza e depois em Parma. Pedro foi um bom discípulo e, mais tarde, um magnífico mestre. Desde jovem havia se acostumado à oração, à vigília e ao jejum. Levava debaixo da roupa uma camisa de pelo para defender-se dos atrativos do prazer e dos ataques do demônio. Fazia grandes esmolas, convidava frequentemente os pobres à sua mesa e os servia com as próprias mãos.


Algum tempo depois, Pedro decidiu abandonar inteiramente o mundo e abraçar a vida monástica em outra região. Um dia em que se encontrava refletindo sobre seu projeto, apresentaram-se em sua casa dois beneditinos da reforma de São Romualdo, pertencentes ao convento de Fonte Avellana. Pedro lhes fez muitas perguntas sobre suas regras e modo de vida. Suas respostas o deixaram satisfeito, e ele ingressou nessa comunidade de eremitas, que gozava então de grande reputação. Os eremitas habitavam em celas separadas, consagravam a maior parte do tempo à oração e à leitura espiritual e viviam com grande austeridade. As vigílias excessivas fizeram com que Pedro adoecesse de insônia; a cura foi longa, mas isso lhe ensinou a ser mais prudente. Instruído por essa experiência, dedicou-se com maior empenho aos estudos sagrados e chegou a ser tão versado na Sagrada Escritura como antes o fora nas ciências profanas. Os eremitas o elegeram unanimemente para suceder ao abade quando este morresse; como Pedro resistisse a aceitar, o próprio abade lho impôs por obediência. Assim, à morte do abade, por volta do ano 1043, Pedro assumiu a direção da comunidade, que governou com grande prudência e piedade. Fundou igualmente outras cinco comunidades de eremitas, à frente das quais colocou outros tantos priores sob sua própria direção. Seu principal cuidado era fomentar entre os monges o espírito de recolhimento, caridade e humildade. Muitos dos eremitas chegaram a ser luminares da Igreja; entre outros, São Domingos Loricato e São João de Lodi, que sucedeu a São Pedro na direção do convento da Santa Cruz, escreveu sua biografia e foi mais tarde bispo de Gúbio. Vários Papas empregaram São Pedro Damião no serviço da Igreja. Estêvão IX o nomeou, em 1057, cardeal e bispo de Óstia, apesar da repugnância do santo. Pedro rogou muitas vezes ao Papa Nicolau II que lhe permitisse renunciar ao governo da diocese e voltar à vida de eremita, mas o Sumo Pontífice recusou. Alexandre II, que muito amava o santo, finalmente atendeu aos seus pedidos, mas reservou para si o direito de utilizá-lo no serviço da Igreja, em caso de necessidade. São Pedro Damião considerou-se desde então livre não só do governo da diocese, mas também da supervisão das diversas comunidades, e voltou ao convento como simples monge.


São Pedro Damião (direita), Santo Agostinho (esquerda), Santa Ana, Santa Isabel e a Virgem Maria com o Menino Jesus, por Ercole de' Roberti
São Pedro Damião (direita), Santo Agostinho (esquerda), Santa Ana, Santa Isabel e a Virgem Maria com o Menino Jesus, por Ercole de' Roberti

Nesse retiro edificou a Igreja com sua humildade, penitência e compunção; com seus escritos ajudou a manter a observância da moral e da disciplina. Seu estilo é veemente, e todas as suas obras trazem a marca de seu espírito rigoroso, particularmente quando se trata dos deveres dos clérigos e monges. O santo repreendeu severamente o bispo de Florença por ter jogado uma partida de xadrez; o prelado reconheceu humildemente que São Pedro Damião tinha razão, recebeu a repreensão com grande humildade e aceitou como penitência recitar três vezes o saltério, lavar os pés de doze pobres e dar-lhes uma moeda de esmola. O santo escreveu um tratado ao bispo de Besançon, no qual atacava o costume dos cônegos dessa diocese de cantar sentados o ofício divino. São Pedro Damião recomendava o uso da disciplina mais do que jejuns prolongados. Escreveu coisas muito severas sobre as obrigações dos monges e protestou contra o costume das peregrinações, pois considerava que o recolhimento era a condição essencial do estado monástico. Como dizia, com razão:


“É impossível restaurar a disciplina uma vez que esta decai; se nós, por negligência, deixarmos cair em desuso as regras, as gerações futuras não poderão voltar à primitiva observância. Guardemo-nos de incorrer em semelhante culpa e transmitamos fielmente a nossos sucessores o legado de nossos predecessores”.

Combateu com grande vigor a simonia e pregou o celibato eclesiástico. Como queria que os monges levassem uma severa vida ascética e semi-eremítica, assim pedia que o clero diocesano vivesse em comunidade. Seu caráter veemente manifestava-se em todos os seus atos e palavras. Disse-se dele que “seu gênio consistia em exortar e mover ao heroísmo, em pregar ações extraordinárias e recordar exemplos comoventes...; em seus escritos arde o fogo de uma extraordinária força moral”.


Apesar de sua severidade, São Pedro Damião sabia tratar os pecadores com bondade e indulgência quando a caridade e a prudência o exigiam. Henrique IV da Alemanha havia se casado com Berta, filha de Otão, marquês das Marcas da Itália; mas dois anos depois pedira o divórcio, alegando que o matrimônio não havia sido consumado. Com promessas e ameaças conseguiu ganhar para sua causa o arcebispo de Mainz, que convocou um concílio para anular o matrimônio; mas o Papa Alexandre II lhe proibiu cometer semelhante injustiça e enviou São Pedro Damião para presidir o sínodo. O idoso legado reuniu-se em Frankfurt com o rei e os bispos, leu-lhes as ordens e instruções da Santa Sé e exortou o rei a guardar a lei de Deus, os cânones da Igreja e sua própria reputação, e também a refletir sobre o escândalo e o mau exemplo que daria se não se submetesse. Os nobres uniram-se ao santo para rogar ao jovem monarca que não manchasse sua honra. Diante de tal oposição, Henrique teve de renunciar ao projeto de divórcio, embora interiormente não mudasse de atitude e concebesse um ódio ainda mais profundo por sua esposa.


Afresco de São Pedro Damião com a Virgem Maria.Em Ossiach, Caríntia, na Áustria.
Afresco de São Pedro Damião com a Virgem Maria.Em Ossiach, Caríntia, na Áustria.

Pedro retornou, assim que pôde, ao seu retiro de Fonte Avellana. Praticou todas as austeridades que pregava aos outros até o fim de sua vida. Nos momentos em que não estava absorto na oração ou no trabalho, costumava fazer colheres de madeira e outros utensílios para não ficar ocioso. O Papa Alexandre II enviou São Pedro Damião para resolver o caso do arcebispo de Ravena, que havia sido excomungado pelas atrocidades que cometera. Quando São Pedro chegou, o arcebispo já havia morrido; mas o santo conseguiu converter seus cúmplices, aos quais impôs justa penitência. Esse foi o último serviço público que o santo prestou à Igreja. No regresso a Roma, foi acometido por uma forte febre em um mosteiro nos arredores de Faenza, onde morreu ao oitavo dia, em 22 de fevereiro de 1072, enquanto os monges recitavam as matinas ao redor de seu leito.


São Pedro Damião foi um dos precursores do monge Hildebrando. Foi um eloquente pregador e um escritor fecundo. Foi declarado doutor da Igreja em 1828.


Embora a biografia escrita por seu discípulo João (quase certamente João de Lodi, que mais tarde foi arcebispo de Gúbio) constitua um relato coerente da vida do santo, sua história pode ser reconstruída com base nas crônicas da época e nos sermões e cartas de São Pedro Damião. A biografia escrita por João encontra-se em Acta Sanctorum, fevereiro, vol. III, e também em Mabillon. Ver o excelente estudo de R. Biron, St. Pierre Damian, na coleção Les Saints, e Capecelatro, Storia di San Pietro Damiano. Em Lives of the Popes de Mons. Mann (vols. V e VI) encontram-se muitos dados complementares. Cf. O. J. Blum, St Peter Damian (1947), que estuda os ensinamentos do santo; e D. Knowles, The Monastic Order in England (1949), pp. 193-197, onde há muitas referências. Em alemão existe uma obra de F. Dressler (1954).1




Santa Marta de Astorga
Santa Marta de Astorga

Nos tempos da perseguição de Décio, um governador romano chamado Paterno chegou à cidade de Astorga, nas Astúrias, e algumas pessoas do lugar, para se agradarem dele, denunciaram uma jovem donzela chamada Marta, por ter-se recusado a participar nos sacrifícios públicos oferecidos aos ídolos, apesar de tais atos estarem prescritos por lei, sob pena de morte.


O governador mandou prender imediatamente a donzela e, assim que ela compareceu, o tirano sentiu-se cativado por sua beleza; por isso, tentou salvar Marta e recorreu a todos os meios para convencê-la de que devia oferecer sacrifícios aos deuses. Mas a todas as tentativas do governador respondeu Marta com firme negativa em obedecer, até que Paterno, exasperado, recorreu à violência: mandou estender a vítima no cavalete e ordenou que a espancassem com varas nodosas. Poucos dias depois desse suplício, o governador fez novas promessas a Marta, como por exemplo dar-lhe o próprio filho em casamento, se consentisse em adorar os deuses. A tentativa não teve mais êxito do que as anteriores: Marta declarou que já tinha Jesus Cristo por esposo e que nada nem ninguém neste mundo poderia afastá-la do amor a seu Deus. Então Paterno anunciou que ela seria decapitada e seu cadáver lançado numa cloaca.


Depois de executada a sentença, uma valente mulher do povo retirou da cloaca o corpo da virgem mártir e lhe deu digna sepultura (23 de fevereiro de 252). Suas relíquias encontram-se no mosteiro de Rivas del Sol e na igreja de Ters, na diocese de Astorga. Baronio inscreveu o nome de Santa Marta no Martirológio Romano, em 23 de fevereiro.


Os bolandistas, em Acta Sanctorum, 23 de fevereiro, reproduzem a crônica de Tamayo de Salazar. Veja-se também o Dictionary of Saintly Women, vol. 1, p. 33.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 399-401.

2. Ibid. pp. 401-402.



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