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Vida de São Cirilo de Jerusalém e São Alexandre de Jerusalém (18 de março)

  • 18 de mar.
  • 7 min de leitura




São Cirilo de Jerusalém, na Basílica de Santa Maria
São Cirilo de Jerusalém, na Basílica de Santa Maria

Foi uma bênção que São Cirilo de Jerusalém, homem de índole pacífica e conciliadora, tenha vivido em um tempo de acirrada controvérsia religiosa. O duque de Victor de Broglie o considera como representante “da extrema direita do semi-arianismo, que beirava a ortodoxia, ou da extrema esquerda da ortodoxia, que se aproximava do semi-arianismo, mas não há nada de herético em seus ensinamentos”. John Henry Newman o descreve com maior precisão ao dizer:


“parecia que tinha medo da palavra ‘Homousios’ (consustancial); de indispor-se com os amigos de Santo Atanásio e com os arianos; de ter permitido a tirania destes últimos; de ter participado da reconciliação geral, e de ter recebido da Igreja honras que, tanto em sua vida como após sua morte, apesar de todas as objeções que se possam fazer, se examinarmos bem sua história, não foram imerecidas” (Prefácio da tradução do Catecismo de Cirilo, p. 11).


Se não nasceu em Jerusalém (c. 315), foi levado para lá e seus pais, provavelmente cristãos, deram-lhe excelente educação. Adquiriu vasto conhecimento das Sagradas Escrituras, que citava frequentemente em suas instruções, entrelaçando passagens bíblicas entre si. Parece que foi ordenado sacerdote pelo bispo de Jerusalém, São Máximo de Jerusalém, que apreciava tanto suas qualidades que lhe confiou a difícil tarefa de instruir os catecúmenos. Manteve sua cátedra de catequese durante vários anos na Basílica da Santa Cruz de Constança, vulgarmente chamada Martyrion, para os illuminandi (candidatos ao batismo), e na Anástasis, ou igreja da Ressurreição, para os que eram batizados durante a semana da Páscoa. Essas conferências eram dadas sem livro, e os dezenove discursos catequéticos que chegaram até nós são talvez os únicos que foram escritos.


Ícone de afresco sérvio de São Cirilo de Jerusalém
Ícone de afresco sérvio de São Cirilo de Jerusalém

Têm grande valor, pois contêm uma exposição dos ensinamentos e ritos da Igreja de meados do século IV e formam “o sistema teológico primitivo”. Neles encontramos também interessantes alusões à descoberta da Cruz, à descrição da rocha que fechava o Santo Sepulcro e ao cansaço dos ouvintes que haviam praticado longos jejuns. Não sabemos em que circunstâncias Cirilo sucedeu a Máximo na sede de Jerusalém. Temos duas versões de seus opositores, mas não concordam entre si. São Jerônimo, que nos deixou uma delas, parece ter certo preconceito contra ele. Sabemos com certeza que São Cirilo foi consagrado legitimamente pelos bispos de sua província e, se Acácio de Cesareia, que era um deles, esperava poder dominá-lo facilmente, enganou-se completamente. No primeiro ano de seu episcopado ocorreu um fenômeno físico que causou grande impressão na cidade. Sobre esse fato, enviou notícia ao imperador Constantino em uma carta que ainda se conserva. Sua autenticidade foi questionada, mas o estilo é indubitavelmente seu e, ainda que interpolada, resistiu à crítica adversa. A carta diz:


“Nas nonas de maio, por volta da terceira hora, apareceu nos céus uma grande cruz luminosa acima do Gólgota, que se estendia até o sagrado monte das Monte das Oliveiras; foi vista não por uma ou duas pessoas, mas claramente por toda a cidade. Não foi, como poderia parecer, uma fantasia momentânea, pois permaneceu visível por várias horas, mais brilhante que o sol. Toda a cidade se encheu de temor e alegria ao mesmo tempo diante de tal prodígio e correu imediatamente à igreja, louvando a Jesus Cristo, único Filho de Deus”.


Não muito tempo depois de Cirilo tomar posse, começaram a surgir discussões entre ele e Acácio, principalmente sobre a precedência e jurisdição de suas respectivas sedes, mas também sobre questões de fé, pois Acácio já estava envolvido na heresia ariana. Cirilo sustentava a primazia de sua sede como possuidora de um “trono apostólico”, enquanto Acácio, como metropolitano de Cesareia, exigia jurisdição sobre ela, recordando um cânon do Concílio de Niceia que dizia:


“Já que pelo costume ou antiga tradição o bispo de Aelia (Jerusalém) deve receber honras, deixemos ao metropolitano (de Cesareia), em sua própria dignidade, manter o segundo lugar.”


São Cirilo de Jerusalém, francisco Bartolozzi
São Cirilo de Jerusalém, francisco Bartolozzi

O desacordo chegou a conflito aberto e finalmente Acácio convocou um concílio de bispos partidários seus, ao qual Cirilo foi chamado, mas recusou-se a comparecer. Foi acusado de contumácia e de ter vendido bens da Igreja durante a fome para socorrer os necessitados. Isso de fato ele fez, como antes também o haviam feito Santo Ambrósio e Santo Agostinho e muitos outros grandes prelados, sendo amplamente compreendido. Mesmo assim, o concílio fraudulento o condenou e o expulsou de Jerusalém. Dirigiu-se a Tarso, onde foi acolhido hospitaleiramente por Silvano de Tarso, permanecendo ali à espera do resultado do recurso que havia apresentado a uma instância superior. Dois anos após sua deposição, seu apelo foi examinado no Concílio de Selêucia, composto por semi-arianos, arianos e poucos membros do partido ortodoxo, estes provenientes do Egito. Cirilo tomou assento entre os semi-arianos que o haviam apoiado durante o exílio. Acácio opôs-se violentamente à sua presença e abandonou a reunião, embora tenha retornado pouco depois para participar dos debates seguintes. Seu partido era minoritário, de modo que foi deposto, enquanto Cirilo foi reabilitado.


Acácio foi para Constantinopla e persuadiu o imperador Constâncio II a reunir outro concílio. Acrescentou novas acusações às antigas, e o que realmente enfureceu o imperador foi saber que as vestes que ele próprio havia dado a Macário para administrar o batismo tinham sido vendidas e depois vistas em uma representação teatral. Acácio triunfou e obteve um segundo decreto de exílio contra São Cirilo de Jerusalém, um ano após sua restauração à sede. Com a morte de Constâncio em 361, seu sucessor Juliano o Apóstata chamou todos os bispos que haviam sido exilados, e Cirilo, com os demais, retornou à sua sede. Comparado a outros reinados, houve poucos martírios durante o governo de Juliano, que percebeu que o sangue dos mártires era a semente da Igreja e procurou desacreditar a religião por meios mais refinados. Um de seus planos foi reconstruir o templo de Jerusalém, para demonstrar a falsidade da profecia de sua ruína. Historiadores como Sócrates Escolástico e Teodoreto de Ciro relatam esse intento. Edward Gibbon e outros modernos zombam dos fenômenos — terremotos, esferas de fogo, desabamentos — que impediram a obra, mas o próprio Gibbon admite que são confirmados não só por São João Crisóstomo e Santo Ambrósio, mas também por Amiano Marcelino. São Cirilo observava serenamente os preparativos, prevendo seu fracasso.


O Papa Santo Anacleto fundou a Ordem dos Crucifixos e São Cirilo de Jerusalém reconfirma a Ordem, por Palma il Giovane
O Papa Santo Anacleto fundou a Ordem dos Crucifixos e São Cirilo de Jerusalém reconfirma a Ordem, por Palma il Giovane

Em 367, São Cirilo foi exilado pela terceira vez. Valente decretou a expulsão dos prelados chamados por Juliano, mas quando Teodósio I subiu ao trono, Cirilo foi restabelecido, permanecendo em sua sede até o fim da vida. Sofreu ao encontrar Jerusalém dividida por cismas, heresias e crimes. Recorreu ao Concílio de Antioquia, que enviou São Gregório de Nissa; este, porém, julgou não poder remediar a situação e partiu, deixando suas “Advertências contra as Peregrinações”.


Em 381, Cirilo e São Gregório de Nissa participaram do Concílio de Constantinopla I. O bispo de Jerusalém tomou lugar entre os patriarcas de Alexandria e Antioquia. O concílio promulgou o símbolo de Niceia em forma corrigida. Cirilo o subscreveu e aceitou o termo “Homousios”. Sócrates Escolástico e Sozomeno viram nisso arrependimento; porém, em carta ao Papa São Dâmaso I, os bispos o elogiam como defensor da ortodoxia contra os arianos. A Igreja Católica, ao declará-lo doutor (1882), confirma que sempre buscou a mesma fé, embora com expressão diversa. Crê-se que morreu em 386, aos setenta anos, após trinta e cinco de episcopado, dezesseis deles no exílio. Restam suas catequeses, um sermão sobre Betesda, a carta a Constâncio e outros fragmentos.


O que sabemos de sua vida provém sobretudo de historiadores da Igreja e contemporâneos. O Acta Sanctorum e Dom Touttée, no prefácio da edição beneditina, resumem as principais fontes. Ver também Bardenhewer, o DCB e o DTC, o prefácio de John Henry Newman e a tradução de F. L. Cross (1952). Um bom resumo encontra-se em Greek Fathers (1908) de Adrian Fortescue.1




Ícone de São Alexandre de Jerusalém
Ícone de São Alexandre de Jerusalém

São Alexandre de Jerusalém, juntamente com Orígenes, foi aluno da grande escola cristã de Alexandria; primeiro esteve sob a direção de São Panteno e depois sob a de seu sucessor Clemente de Alexandria. Foi nomeado bispo de sua cidade natal, Capadócia, e durante a perseguição de Sétimo Severo fez sua profissão de fé. Embora não tenha sido morto, foi encarcerado por vários anos até o início do reinado de Caracala. Seu mestre Clemente, que fora obrigado a deixar Alexandria, comprometeu-se a levar uma carta de Alexandre à Igreja de Antioquia, na qual enviava felicitações pela eleição de São Asclepíades de Antioquia; notícia que, segundo ele, aliviou suas cadeias. Quando obteve a liberdade, fez peregrinação a Jerusalém, onde foi escolhido pelo povo como coadjutor do bispo daquela sede, devido a um sinal do céu. Era a primeira vez na história da Igreja que ocorria um coadjutorado com transladação episcopal; isso aconteceu no ano 212 e foi ratificado pela hierarquia da Palestina em concílio. Com dois bispos governando a Igreja de Jerusalém, Alexandre escrevia a outra sede: “Saúdo-vos em nome de São Narciso de Jerusalém, que aos 116 anos nos pede que vivamos em paz e união invioláveis”.


São Alexandre teve conflito com Demétrio de Alexandria, que o censurou por participar da ordenação de Orígenes e incentivá-lo a pregar sendo ainda leigo. Pelo testemunho de Orígenes, Alexandre destacava-se entre os prelados por sua mansidão, doçura e discernimento. Prestou grandes benefícios à cidade; entre eles, criou uma biblioteca de obras teológicas, ainda existente no tempo de Eusébio de Cesareia, que dela fez amplo uso.


Na perseguição de Décio, São Alexandre foi preso e fez sua segunda confissão pública da fé. Foi condenado às feras, mas estas não o atacaram; então foi levado prisioneiro para Cesareia, onde morreu acorrentado. A Igreja o venera como mártir.


A principal fonte de informação sobre o santo encontra-se na História da Igreja, onde se citam passagens de suas cartas. Ver também o Acta Sanctorum, março, vol. 1, e Geschichte der altkirchlichen Literatur, vol. II, pp. 271-273, de Otto Bardenhewer.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 592-594.

2. Ibid. p. 595.



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