top of page

Vida de Santo Apolônio, o Apologista e São Galdino de Milão (18 de abril)

  • há 7 horas
  • 7 min de leitura




Santo Apolônio, o Apologista
Santo Apolônio, o Apologista

O imperador Marco Aurélio havia perseguido sistematicamente os cristãos; em contrapartida, seu filho Cômodo, que lhe sucedeu por volta do ano 180, não odiava os cristãos, apesar de ser um homem vicioso. Durante o período de paz de que gozou o cristianismo em seu reinado, aumentou o número dos fiéis e muitos nobres abraçaram o cristianismo. Entre estes, contava-se um senador chamado Apolônio, tão versado na filosofia quanto na Sagrada Escritura. Um de seus escravos o acusou de ser cristão diante de Perenne, prefeito dos pretorianos. Até então, não se haviam posto novamente em vigor as leis persecutórias de Marco Aurélio; mas Perenne, embora tenha condenado à morte o escravo por haver denunciado seu amo, exigiu que Apolônio abjurasse sua religião. Como este se recusasse, o prefeito deixou o caso ao julgamento do Senado romano. Na presença dos senadores, Apolônio, a quem provavelmente tratavam com especial consideração por seu saber e posição social, teve um debate público com Perenne e defendeu valentemente sua religião. Como persistisse em recusar oferecer sacrifícios aos deuses, o Senado o condenou a morrer decapitado. Segundo outra versão menos provável, morreu em consequência das feridas recebidas nas pernas durante a tortura.


Os especialistas opinam que o diálogo entre o mártir e seu juiz tem todos os indícios de ser um relato autêntico, tomado por um escriba durante o processo. Alban Butler, que viveu no século XVIII, não conheceu esse documento, recentemente descoberto. Citaremos alguns trechos das palavras pronunciadas pelo santo apologista pouco antes de morrer. Sua vibrante defesa da fé, que remonta a tantos séculos, vale por todas as homilias posteriores. Tomamos nossa citação da tradução ligeiramente abreviada, mas substancialmente exata, do falecido cônego A. J. Mason.


Santo Apolônio, o Apologistam, mártir
Santo Apolônio, o Apologistam, mártir

Segundo disse o mártir, todos os homens estavam destinados a morrer, e os cristãos nada mais faziam que se preparar para esse momento, morrendo um pouco a cada dia. As calúnias dos pagãos contra os cristãos estavam tão longe de ser verdadeiras que, na realidade, estes não se permitiam nem um olhar impuro nem uma palavra má. Argumentou ainda que não era pior morrer pelo verdadeiro Deus do que sucumbir vítima da febre, da disenteria ou de qualquer outra doença. “Então, desejas morrer?”, perguntou-lhe Perenne. “Não”, respondeu Apolônio, “eu amo a vida; mas esse amor não me faz temer a morte. Nada há melhor que a Vida, a verdadeira Vida que concede a imortalidade às almas que viveram bem no mundo.” O prefeito confessou que não entendia, e o prisioneiro replicou: “Lamento muito que sejas tão insensível às belezas da graça. Só um coração sensível pode perceber a Palavra de Deus, assim como só um olho sensível pode perceber as nuances da luz”.


Um filósofo da escola dos cínicos interrompeu Apolônio, dizendo que suas palavras eram um insulto à inteligência, ainda que Apolônio acreditasse estar dizendo verdades muito profundas. O mártir respondeu: “A mim me ensinaram a rezar e não a insultar; somente aos olhos dos insensatos a verdade pode parecer um insulto”. O juiz pediu que se explicasse claramente. Apolônio pronunciou então o que Eusébio qualifica como uma eloquentíssima defesa da fé:


O Verbo de Deus, que criou os corpos e as almas, fez-se homem na Judeia e foi nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele, que era perfeitamente puro e sábio, revelou-nos o Deus verdadeiro e nos ensinou o caminho da virtude, tornando-nos conscientes de nossa dignidade e de nosso papel na sociedade. Com sua morte, pôs definitivamente um freio ao pecado. Ele nos ensinou a consolar os aflitos, a ser generosos, a difundir a caridade, a renunciar à vanglória, a refrear o desejo de vingança e a desprezar a morte quando esta nos é imposta, não por nossos crimes, mas pelos crimes de outros. Também nos ensinou a obedecer à sua Lei, a honrar o soberano, a adorar somente o Deus imortal, a crer na imortalidade de nossas almas, a esperar o juízo de Deus depois da morte e a recompensa da ressurreição que Deus dará às almas daqueles que viveram segundo sua lei. Tudo isso nos ensinou com palavras simples, apoiando-se em razões convincentes, e isso lhe valeu grande glória; mas também lhe granjeou o ódio dos malvados, como aconteceu com outros filósofos e homens justos. Porque os maus não suportam os bons. Segundo certo provérbio (do Livro da Sabedoria), os maus dizem: ‘Armemos ciladas contra o justo, porque ele nos é contrário’. E um dos personagens da República de Platão diz também: ‘O homem justo será açoitado, torturado, amarrado, e por fim lhe arrancarão os olhos e o crucificarão.’ Assim como os sicofantas atenienses conquistaram a multidão e condenaram injustamente Sócrates, assim também um punhado de malvados condenou à morte nosso Mestre e Salvador, acusando-O do mesmo que haviam acusado antes os profetas... Se nós honramos a Cristo — concluiu o mártir — é porque Ele nos revelou essa doutrina divina que não conhecíamos. E isso não é engano; mas suponhamos que, como vós dizeis, seja um engano que a alma é imortal, que há um juízo depois da morte, que a virtude será recompensada com a ressurreição e que Deus há de julgar a todos nós; pois bem, asseguro-vos que, mesmo assim, nos consideraríamos felizes de morrer por um engano tão sublime, capaz de nos fazer viver retamente mesmo na adversidade e de nos dar esperança”. (The Apology and Acts of Apollonius and other monuments of early Christianity, pp. 45-47, por Conybeare, F. C. (Frederick Cornwallis), 1856-1924).


Santo Apolônio de Roma, por Jacques Callot
Santo Apolônio de Roma, por Jacques Callot

Sabia-se algo da apologia de Apolônio diante do Senado pelos escritos de Eusébio, Rufino e São Jerônimo; mas acreditava-se que não existiam atas autênticas, até que F. C. Conybeare traduziu um texto armênio, publicado em 1874 pelos monges mequitaristas (ver Conybeare, The Apology and Acts of Apollonius, etc., 1894, pp. 29-48). Pouco depois, os bolandistas encontraram uma cópia do texto grego em um manuscrito de Paris e a publicaram em Analecta Bollandiana, vol. XIV (1895), pp. 284-294. Ambos os textos chamaram a atenção dos especialistas, que os reeditaram e traduziram para várias línguas. Ver a admirável exposição das atas feita pelo P. Delehaye em Les Passions des Martyrs et les genres littéraires (1921), pp. 125-136. Embora esse autor se pronuncie abertamente pela autenticidade substancial do diálogo, observa que tanto na versão grega quanto na armênia já se percebe o início de um processo de falsificação [ou alteração]. O mesmo autor apresenta ampla bibliografia sobre as contribuições de Harnack, Mommsen, Klette, Greffcken e outros. Ver igualmente A. J. Mason, Historic Martyrs of the Primitive Church (1905), pp. 70-75.1




São Galdino de Milão
São Galdino de Milão

São Galdino é um dos principais padroeiros de Milão. Seu nome aparece, juntamente com os de Santo Ambrósio e São Carlos Borromeu, em todas as ladainhas do rito milanês. O santo descendia da famosa família Della Scala. Foi chanceler e arcediácono de dois arcebispos de Milão; desempenhou tão habilmente esses cargos em uma época muito difícil que conquistou a estima do clero e do povo. O Papa Alexandre III foi eleito em 1159, mas alguns cardeais dissidentes elegeram pouco depois um antipapa amigo do imperador Frederico Barbarossa. Milão havia ofendido antes o imperador, reivindicando o direito de eleger seus magistrados, e o apoio que a cidade prestou à causa do Papa Alexandre III enfureceu ainda mais Frederico. O arcebispo Huberto e seu arcediácono Galdino tiveram de sair da cidade e, no ano seguinte, Frederico a sitiou com um grande exército e a tomou.[a] Foi então que o imperador deu ordem de transferir os supostos corpos dos Três Reis Magos da igreja de São Eustórgio para Colônia, onde ainda se conservam essas “relíquias”.


Em 1165, Galdino foi consagrado cardeal. No ano seguinte, morreu o arcebispo Huberto e ele foi escolhido para sucedê-lo. Em vão alegou sua má saúde, debilitada pelas provações que tivera de sofrer; Alexandre III o consagrou pessoalmente. O novo prelado dedicou-se de tudo a consolar e animar seu rebanho. Os lombardos haviam formado uma união para reconstruir Milão, e o santo colaborou com todas as suas forças nessa obra. Isso não o impediu de cumprir zelosamente seus deveres pastorais, pois pregava constantemente e visitava os pobres em suas casas. Também se ocupou de restaurar a disciplina do clero, que inevitavelmente se havia relaxado durante o período turbulento atravessado pela cidade. O santo empregou toda a sua eloquência e sabedoria para reparar os efeitos do cisma e refutar as doutrinas dos cátaros, muito difundidas na Lombardia.


No último dia de sua vida, embora já muito fraco para celebrar a Missa, pronunciou ainda um ardente sermão contra a heresia; mas perdeu a consciência antes de descer do púlpito e morreu ao término da Missa.


No ano da morte de São Galdino, a Liga Lombarda derrotou os exércitos imperiais na Batalha de Legnano. Na célebre reunião realizada em Veneza em 1177, Frederico Barbarossa abjurou o cisma e fez a paz com a Igreja. Na verdade, todos os historiadores sensatos concordam em afirmar que o Papa jamais colocou o pé sobre o pescoço do imperador, senão em sentido metafórico. Nenhum dos escritores da época menciona tal fato, que, aliás, não condiz com o caráter magnânimo de Alexandre III.


Relíquias de São Galdino de Milão (Altar de Maria no Transepto Esquerdo da Catedral de Milão.)
Relíquias de São Galdino de Milão (Altar de Maria no Transepto Esquerdo da Catedral de Milão.)

Em Acta Sanctorum (abril, vol. II) há uma breve biografia antiga com muitas notas. Ver também Ughelli, Italia Sacra, vol. IV, cc. 219-226, e L. Marazz, La Lega Lombarda e S. Galdino (1897).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 115-116.

2. Ibid. pp. 118-119.



Notas:


a. O imperador Frederico Barbarossa sitiou e tomou a cidade de Milão como represália pelo apoio de São Galdino ao Papa Alexandre III; posteriormente, o antipapa Vítor IV, sustentado pelo imperador, invadiu Roma e foi entronizado à força na Basílica de São Pedro. O cisma durou 20 anos.




REZE O ROSÁRIO DIARIAMENTE!

Comentários


  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • YouTube
linea-decorativa

“O ROSÁRIO
é a ARMA
para esses tempos.”

- Padre Pio

 

santa teresinha com rosas

“Enquanto a modéstia não
for colocada
em prática a sociedade vai continuar
a degradar,

a sociedade

fala o que é

pelasroupas

que veste.

- Papa Pio XII

linea-decorativa
jose-de-paez-sao-luis-gonzaga-d_edited.j

A castidade
faz o homem semelhante
aos anjos.

- São Gregório de Nissa

 

linea-decorativa
linea-decorativa
São Domingos

O sofrimento de Jesus na Cruz nos ensina a suportar com paciência
nossas cruzes,

e a meditação sobre Ele é o alimento da alma.

- Santo Afonso MARIA
de Ligório

bottom of page