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Vida de São Padarno ou Paterno de Ceredigion e Santa Huna de Alsácia (15 de abril)

  • 14 de abr.
  • 7 min de leitura




São Padarno. Vitral da Catedral de São Pedro de Vannes (Morbihan, França)
São Paterno. Procissão dos santos da Bretanha. Diocese de Vannes. Deambulatório da catedral metropolitana de São Pedro de Rennes

A biografia que possuímos de São Paterno, a quem antigamente se prestava grande veneração no País de Gales, foi escrita em Llanbadarn Fawr, provavelmente por volta do ano 1120. Trata-se da fusão das lendas de dois santos com o mesmo nome, o primeiro dos quais foi abade e bispo no País de Gales e o segundo, bispo de Vannes, na Bretanha, no século V. Essa biografia é, na realidade, uma coleção de lendas e tradições vagas. Segundo ela, São Paterno nasceu em Letávia (seja na Bretanha ou no sudeste do País de Gales). Era filho de Paterno e de Gúena. O pai de São Paterno foi viver na Irlanda como eremita, deixando à esposa o cuidado da educação do filho. São Paterno decidiu seguir os passos do pai. Com alguns companheiros, embarcou rumo ao País de Gales; ali fundou um mosteiro em Cardiganshire, em um local que mais tarde foi chamado Llanbadarn Fawr, isto é, a grande igreja de Paterno. Segundo a tradição, não foi apenas abade, mas também bispo da região durante vinte e um anos. Conta-se que percorria sua diocese como missionário, pregando o Evangelho a homens de toda condição, “sem paga nem recompensa”, e que se distinguiu por sua caridade e mortificações. O mosteiro de Llanbadarn, perto de Aberystwyth, exerceu grande influência, como atestam a “Vida de São Davi, de Rhygyfarch, e o “Livro de Llandaff”. Esse mosteiro desapareceu entre 1188 e 1247.



As vidas de São Davi e de São Teilo contam que São Paterno os acompanhou em uma peregrinação a Jerusalém, onde o patriarca lhe deu um báculo e uma “túnica” que mais tarde foi cobiçada por “certo tirano chamado Artur”; mas trata-se indubitavelmente de uma fábula. São Paterno, depois de fundar outros mosteiros e igrejas no País de Gales, voltou já muito idoso para a Bretanha. Ali foi nomeado bispo de Vannes, mas a inveja de seus inimigos o obrigou a buscar refúgio entre os francos. Outra tradição afirma que foi sepultado em Ynis Enlli, isto é, Bardsey.


São Paterno ou Padarno, de Pequenas Vidas Ilustradas dos Santos, por Benzinger Brothers
São Paterno ou Padarno, de Pequenas Vidas Ilustradas dos Santos, por Benzinger Brothers

Rees publicou a Vita Paterni em Lives of the Cambro-British Saints; também fez uma edição crítica dela Kuno Meyer em Y Cymmrodor, vol. XII (1900), pp. 88 ss.; em A. W. Wade-Evans, Vitae Sanctorum Britanniae... (1944), encontram-se o texto e a tradução. O excelente estudo do cônego Doble, St Patern (1940), modifica algumas das conclusões de F. Duine, Memento des sources hagiographiques de... Bretagne (1918); cf. Analecta Bollandiana, vol. LXVII (1949), p. 388 ss. Ver também LBS., vol. IV, pp. 39-51; e F. R. Lewis, Short History of the Church of Llanbadarn Fawr (1937). Existe uma descrição de Llanbadarn em 1118 no Itinerary de Giraldus, lib. II, c. 4.1




Santa Huna de Alsácia lavando roupas
Santa Huna de Alsácia lavando roupas

As informações sobre Santa Huna constam da “Vita Deodati”, escrita entretanto três séculos e meio depois de sua existência; esta “Vita” narra as obras de São Deodato (S. Dié), bispo escocês peregrino. De acordo com Ruyr e Riguet, Santa Huna pertencia à família real da Borgonha. Um manuscrito preservado na freguesia de Hunawihr sublinha que ela nasceu em torno de 620, e descendia de São Sigismundo, rei da Borgonha. O sangue de Santa Odila (ou Otíla) corria nas veias desta nobre dama. Ela viveu no século VII, aos pés do Vosges, na aldeia da Alsácia que deve a ela o seu nome, Hunawihr. Ela se casou com um piedoso senhor alsaciano chamado Hunon. As ruínas do seu castelo ainda são visíveis a três léguas de Colmar, numa encantadora região entre Zellenberg e a 1 km ao sul de Ribeauvillé.


Eles construíram uma igreja em honra de São Tiago Maior, que mais tarde legaram para a Abadia de St-Dié. O nascimento de um filho iria colocar a castelã em relacionamento com São Deodato. É muito provável que os senhores de Hunawihr estivessem estáveis em terras que haviam pertencido a uma colônia romana, e nas quais havia um pequeno estabelecimento termal. Isto permitiu-lhes cuidar dos doentes e dos pobres que tinham se refugiado nas ruínas dos antigos banhos. Os seus parentes, os Duques da Alsácia, protegiam os monges escoceses de São Columbano, itinerantes naquela região (o território ao longo dos séculos pertenceu, de acordo com os acontecimentos políticos, de vez em quando à França ou à Alemanha, hoje é francês). Entre eles havia o já mencionado São Deodato, Bispo de Nevers, que morava então na Alsácia.


Como uma outra Santa Ana, Huna pediu a Deus uma posteridade. O Senhor atendeu seus pedidos e ela deu à luz um filho. Huna o ofereceu ao Eterno e o consagrou ao serviço do altar. Este jovem rebento de uma ilustre família foi batizado por São Deodato. O santo prelado lhe deu seu nome e o recebeu mais tarde no número de seus religiosos em Ebersmunster, onde ele morreu em odor de santidade. A história quase não fala dele. São Deodato, que governava então as abadias de Ebersmunster e de Jointure, na Lorena, visitava com frequência o castelo de Huna e contribuía, pelo seu exemplo e suas exortações, para o progresso desta humilde serva de Deus.


Como seu único filho ingressara no convento de Ebersheimmünster, ela transferiu toda sua ternura para os pobres e infelizes, dedicando-se a provê-los de alimento e vestimenta, tratando dos doentes, inclusive lavando suas roupas de cama, muitas vezes purulentas, na fonte próxima ao castelo. Seu castelo era asilo onde se refugiavam os necessitados, porque ela não só lhes dispensava dinheiro, mas cuidava de seus enfermos fazendo os serviços mais humildes; muito tempo após sua morte as pessoas mostravam a fonte onde ela não se envergonhava de ir lavar as roupas dos pobres, o que lhe valeu o nome de “a santa lavadeira”.


Santa Huna de Alsácia
Santa Huna de Alsácia

Diz-se que seu castelo frequentemente estava repleto de uma multidão de pobres que vinham lhe expor suas penas. Huna os recebia sempre com uma extrema boa vontade que a todos tocava, procurando consolá-los, melhorar sua situação e contribuindo para isto de todas as maneiras. A confiança que o povo punha nela ia a tal ponto, que muitas vezes a colocavam como árbitro de contendas, e que se submetiam às suas decisões sem murmurar. A “Vita Deodati” considera Hunon como o principal benfeitor da Abadia de St-Dié; Huna é nomeada apenas como sua esposa. Mais tarde, na tradição popular, Huna assumiria o papel mais importante dentre os piedosos cônjuges por sua intensa vida de caridade, continuada ao longo dos anos de sua viuvez até sua morte em 679.


Huna mereceu o nome de princesa santa durante sua vida e sua morte colocou de luto e de aflição todos que a haviam conhecido. Em 1520, a pedido de Ulrich, Duque de Württemberg, senhor do lugar, do bispo de Basileia e dos cônegos de St-Dié, o Papa Leão X autorizou a ‘elevação’ dos restos mortais de Huna conservados em Hunawihr (no primeiro milênio a cerimônia era considerada a canonização do personagem reverenciado, sendo proclamado santo no âmbito da diocese requerente). Mas pouco tempo depois o Duque Ulrich (1487-1550), aderiu à Pseudo-Reforma Protestante, e já em 1540 as relíquias de Santa Huna foram profanadas e espalhadas pelos moradores que se tornaram seguidores do pseudo-reformador protestante Zwinglio (1484-1531).


Em 1865, a diocese de Estrasburgo, a atual capital do departamento francês do Baixo Reno, que inclui a Alsácia, pode inscrever no Livro Litúrgico a festa da santa viúva no dia 25 de abril, o dia da comemoração da ‘elevação’ de 1520. Outras regiões da Alsácia a recordam em dias diferentes, como o dia 15 de abril.


Pelo milagre operado por São Deodato, que fez jorrar água de uma fonte para ajudar Huna, que lavava pessoalmente as roupas dos pobres, ela é considerada a padroeira das lavadeiras na Alsácia.


A representação mais venerável de Santa Huna é a dos vitrais da Catedral de Saint-Dié, único precioso vestígio do final do século XIII. Santa Huna aí é representada com seu marido, ao lado de São Deodato com a cruz e a mitra.2



Butler reduz a vida de Santa Huna apenas neste pequeno trecho:


“Santa Huna, descendente da família ducal que reinava na Alsácia, casou-se com um nobre chamado Huno, senhor de Hunnaweyer, pequeno povoado da diocese de Estrasburgo. Como a santa se dedicava a lavar a roupa de seus pobres vizinhos, seus contemporâneos a apelidaram “a santa lavadeira”. Ao que parece, São Deodato, bispo de Nevers, exerceu grande influência na família da santa, pois batizou seu filho Deodato, que mais tarde entrou no mosteiro que ele havia fundado em Ebersheim. Santa Huna morreu no ano 679, e o Papa Leão X a canonizou em 1520, a pedido do duque Ulrico de Württemberg.”3


É difícil encontrar documentos fidedignos sobre a história de Santa Huna. Na biografia de São Deodato, que data do século XI, fala-se de Huno e de “sua santa esposa”; Henschenius, em uma nota sobre essa passagem, cita uma obra francesa de João Ruyms acerca dos santos dos Vosgos. Ver Acta Sanctorum, junho, vol. IV, 3ª ed., p. 731; e Analecta Bollandiana, vol. LXVI, pp. 343-345. Parece haver um culto local de Santa Huna, do qual Hunckler fala com certo detalhe em Saints d'Alsace.



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, p. 96.

2. Cônego Laurent, Eles são nossos antepassados: História dos santos dos Vosges, Diocese de Saint-Dié; Santi e Beati (www.santiebeati.it); Les Petits Bollandistes: Vies des Saints, tomo 6.

3. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 96-97.



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