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Vida de Santa Lúcia de Siracusa e Santa Otíla, Virgens (13 de dezembro)





Santa Lúcia de Siracusa (c. 1637), por Francisco de Zurbarán
Santa Lúcia de Siracusa (c. 1637), por Francisco de Zurbarán

De acordo com as “atas” de Santa Lúcia, que não são fidedignas, Lúcia, cujos pais eram nobres e ricos, havia nascido em Siracusa, na Sicília. A menina foi educada na fé cristã. Perdeu o pai durante a infância e consagrou-se a Deus sendo muito jovem. No entanto, manteve em segredo o seu voto de virgindade, de modo que sua mãe, chamada Eutíquia, a exortou a contrair matrimônio com um jovem pagão. Lúcia persuadiu sua mãe a ir a Catânia para orar diante do túmulo de Santa Ágata a fim de obter a cura de hemorragias. Ela mesma acompanhou a mãe, e Deus escutou suas orações. Então, a santa disse à mãe que desejava consagrar-se a Deus e repartir sua fortuna entre os pobres. Cheia de gratidão pelo favor do céu, Eutíquia deu-lhe permissão para fazer o que quisesse. O pretendente de Lúcia indignou-se profundamente e denunciou a jovem como cristã ao governador. A perseguição de Diocleciano estava então em todo seu furor. Como Lúcia não cedesse, o governador a condenou a perder a virgindade numa casa de prostituição; mas Deus impediu que os guardas pudessem mover a jovem do lugar onde se encontrava. Então os guardas tentaram queimá-la na fogueira, mas também fracassaram. Finalmente, decapitaram-na. Embora as diversas versões gregas e latinas das atas de Santa Lúcia careçam de valor histórico, não há dúvida de que, desde a Antiguidade, tributava-se culto à santa em Siracusa. No século VI, já era venerada também em Roma entre as virgens e mártires mais ilustres. O nome de Santa Lúcia figura no cânon da Missa romana e no de Milão.


“Martírio de Santa Luzia”, atribuído a Elisabetta Sirani.
“Martírio de Santa Luzia”, atribuído a Elisabetta Sirani.

Na Idade Média, invocava-se a santa contra as doenças dos olhos, provavelmente porque seu nome está relacionado com a luz. Isso deu origem a várias lendas, como a de que o tirano mandou os guardas arrancarem-lhe os olhos, e a de que ela mesma os teria arrancado para entregá-los a um pretendente importuno que estava enamorado de sua beleza. Em ambos os casos, diz a lenda que Lúcia recuperou a vista e que seus olhos eram ainda mais belos que antes.


No cemitério de São João de Siracusa descobriu-se uma inscrição sobre Santa Lúcia, datada do século IV ou início do V; veja-se sobre isso P. Orsi, em Römische Quartalschrift, vol. IX (1895), pp. 299-308. Por uma carta de São Gregório Magno, sabemos que em sua época várias igrejas em Roma foram dedicadas a Santa Lúcia. Veja-se também CMH., p. 647; DAC., vol. IX, cc. 2616-2618; e G. Goyau, Sainte Lucie (1921). Há muitos costumes folclóricos relacionados com a festa da santa; veja-se Báchtold-Stäubli, Handwörterbuch des deutschen Aberglaubens, vol. V, cc. 1442-1446. Costuma-se representar a santa levando seus olhos numa bandeja. Veja-se Kü nstle, Ikonographie, vol. II, e Drake, Saints and their Emblems; Dunbar, A Dictionary of Saintly Women, vol. I, pp. 469-470. Um testemunho curioso sobre a popularidade de Santa Lúcia é o do poema latino de Sigeberto de Gembloux (1400); dito poema foi publicado por E. Dümmler em 1893. A obra de São Aldelmo se intitula De laudibus virginitatis; veja-se Aldhelmi Opera, ed. R. Ehwald, em MGH., Auct. antiquiss., vol. XV (1919), pp. 293-294 (em prosa) e linhas 1779-1841 (em verso).1





Estátua de Santa Odília
Estátua de Santa Odília

Na época de Childerico II, havia na Alsácia um senhor feudal franco chamado Adalrico, casado com Beresvinda. No final do século VII, tiveram uma filhinha cega, que nasceu em Obernheim, nos Vosgos. Adalrico, que tomou essa desgraça como uma ofensa pessoal e uma injúria à honra de sua família, na qual nunca havia acontecido nada semelhante, deixou-se arrastar por uma cólera que não admitia razões. Em vão tentou sua esposa explicar-lhe que era vontade de Deus, que sem dúvida queria manifestar seu poder na menina. Adalrico não lhe deu ouvidos e insistiu que era preciso matar a pequena cega. Finalmente, Beresvinda conseguiu dissuadi-lo desse crime, mas para isso teve de prometer que enviaria sua filha a outra parte sem dizer a que família pertencia. Beresvinda cumpriu a primeira parte de sua promessa, mas não a segunda, já que confiou a menina ao cuidado de uma camponesa que estivera antigamente a seu serviço e lhe disse que era sua filha. Como os vizinhos da camponesa começassem a fazer perguntas embaraçosas, Beresvinda a enviou com toda sua família para Baume-les-Dames, perto de Besançon, onde havia um convento no qual a menina poderia educar-se mais tarde. Ali ela viveu até os doze anos, sem ter sido batizada, embora não se saiba por que razão. Nessa época, São Erardo, bispo de Ratisbona, teve uma visão na qual lhe foi ordenado que fosse ao convento de Baume, onde encontraria uma jovem cega de nascimento; deveria batizá-la e dar-lhe o nome de Otília, e com isso ela recobraria a vista. São Erardo foi consultar São Hidulfo em Moyenmoutier e, juntos, dirigiram-se a Baume, onde encontraram a jovem e a batizaram com o nome de Otília. Depois de ungir-lhe a cabeça, São Erardo passou o crisma sobre seus olhos e, imediatamente, ela recobrou a vista.


Otília permaneceu servindo a Deus no convento. Mas o milagre de que fora objeto e os progressos que começou a fazer em seus estudos provocaram a inveja de algumas religiosas, que começaram a tornar sua vida difícil. Santa Otília escreveu então a seu irmão Hugo, de quem ouvira falar, pedindo que a ajudasse como seu coração indicasse. Entrementes, São Erardo havia comunicado a Adalrico a notícia da cura de sua filha. Mas aquele pai desnaturalizado enfureceu-se ainda mais e proibiu Hugo de ir ajudá-la ou revelar sua identidade. Hugo desobedeceu e mandou trazer sua irmã. Certo dia, quando Hugo e Adalrico estavam em uma colina próxima, Otília apresentou-se em uma carroça, seguida pela multidão. Quando Adalrico soube quem ela era e por que tinha vindo, descarregou seu pesado bastão sobre a cabeça de Hugo e matou-o com um só golpe. Mas os remorsos mudaram seu coração, de modo que começou a amar a filha tanto quanto antes a odiara. Otília estabeleceu-se em Obernheim com algumas companheiras, que se dedicaram, como ela, a atos de piedade e obras de caridade entre os pobres. Depois de algum tempo, Adalrico decidiu casar sua filha com um duque alemão. Otília fugiu. Quando os enviados de seu pai estavam prestes a capturá-la, abriu-se uma fenda na rocha, em Schlossberg, perto de Friburgo em Brisgóvia, e ali a santa se escondeu. Para conseguir que ela voltasse, Adalrico prometeu dar-lhe o castelo de Hohenburg (atualmente Odilienberg). Otília o transformou em mosteiro e foi sua primeira abadessa. Como as montanhas eram muito escarpadas e dificultavam o acesso dos peregrinos, Santa Otília fundou outro convento, chamado Niedermünster, em um local mais baixo, e edificou uma hospedaria ao lado.



Gravura de Santa Otília
Gravura de Santa Otília

Conta-se que a santa, pouco depois da morte de seu pai, viu que suas orações e penitências o haviam libertado do purgatório. São João Batista apareceu a Otília e indicou-lhe o lugar e as dimensões de uma capela que deveria ser construída em sua honra. Narram-se muitas outras visões da santa e atribuem-se a ela numerosos milagres. Depois de governar o convento durante muitos anos, Santa Otília morreu em 13 de dezembro, por volta do ano 720.


Eis, em resumo, a lenda de Santa Otília. Os dados são pouco seguros; mas a devoção do povo cristão pela santa é inegável. O santuário e a abadia de Santa Otília foram importantes centros de peregrinação na Idade Média. Todos os imperadores, de Carlos Magno a Carlos IV, concederam-lhes privilégios. Entre os personagens ilustres que peregrinaram a Hohenburg conta-se São Leão IX, então bispo de Toul, e também, segundo se diz, Ricardo I da Inglaterra. As pessoas do povo realizavam igualmente grandes peregrinações. Antes do século XVI, Santa Otília era venerada como Padroeira da Alsácia. Segundo a tradição, a santa fez brotar uma fonte para dar água às religiosas e aos peregrinos. Os enfermos dos olhos costumam lavar-se nessa fonte, ao mesmo tempo em que invocam a intercessão de Santa Otília. O mesmo costume existe em Odolienstein, na Brisgóvia, no lugar onde a rocha se abriu para ocultar a santa. Após muitas vicissitudes, o santuário de Santa Otília e as ruínas de seu mosteiro passaram ao poder da diocese de Estrasburgo. Desde meados do século passado, Odilienberg tornou-se novamente local de peregrinação. As relíquias da santa repousam na capela de São João Batista, uma construção medieval que ocupa o lugar da antiga capela construída por Otília em honra do santo. Atualmente, dá-se com frequência a essa capela o nome de Santa Otília.


W. Levison publicou o texto de uma biografia de Santa Otília, datada do século X, em MGH., Scriptores Merov., vol. VI (1913), pp. 24-50; cf. Analecta Bollandiana, vol. XII (1894), pp. 5-32 e 113-121. Segundo Levison, a biografia contém pouquíssimos dados fidedignos. Santa Otília continua sendo uma das santas mais populares, não só na Alsácia, mas também na Alemanha e em toda a França. Existe vasta literatura sobre Santa Otília, como se pode ver pelas referências de Potthast, Wegweiser, vol. II, p. 1498, e DAC., vol. XI (1936), cols. 1921-1934. Muitos dados encontram-se em diversos volumes do Archiv für elsässische Kirchengeschichte, por exemplo, vol. VI, pp. 287-316 (Das Odilienlied in Lothringen). A maior parte das biografias devocionais de Santa Otília, como a publicada por H. Welschinger na coleção Les Saints, carece de valor histórico. Este último autor chega a considerar como documento sério a falsificação de Jerôme Vignier, desmascarada por L. Havet na Bibliothèque de l’École des Chartes, 1885. Sobre Santa Otília na arte, veja-se Küntsle, Ikonographie, vol. II, pp. 475-478, e C. Champion, Ste Odile (1931). Na época das batalhas de Verdun, na Primeira Guerra Mundial, atribuiu-se a Santa Otília uma profecia apócrifa que tornou seu nome muito conhecido. O mesmo ocorreu, embora em menor escala, durante a Segunda Guerra Mundial.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 549-550.

2. Ibid. pp. 552-554.



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