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Festa da Apresentação da Virgem Maria e a Vida do Papa São Gelásio I e São Columbano (21 de novembro)





A Apresentação da Virgem Maria por Ticiano (1534-38, Galeria dell'Accademia, Veneza).
A Apresentação da Virgem Maria por Ticiano (1534-38, Galeria dell'Accademia, Veneza).

Segundo a tradição popular, os pais de Nossa Senhora a levaram ao Templo aos três anos de idade para que fosse educada. Assim o afirmam vários evangelhos apócrifos, como, por exemplo, o “Protoevangelho de Santiago”.


“E a menina tinha dois anos, e Joaquim disse: ‘Levantemo-la ao Templo do Senhor para cumprir nossa promessa, não seja que o Senhor nos rejeite a nós e à nossa oferta.’ E Ana disse: ‘Esperemos até que ela complete três anos para que não sinta falta de seu pai e de sua mãe.’ E Joaquim disse: ‘Esperemos.’ E a menina completou três anos... E eles subiram ao Templo do Senhor, e o sacerdote a recebeu, beijou-a e a abençoou, dizendo:O Senhor engrandeceu teu nome em todas as gerações. Em ti manifestará o Senhor, no último dia, a redenção dos filhos de Israel.’ E o sacerdote a fez descer do terceiro degrau do altar, e o Senhor derramou sua graça sobre ela. E ela dançou com os pés, e toda a casa de Israel a amou. E seus pais voltaram maravilhados, louvando a Deus porque a menina não havia retornado com eles. E Maria ficou no Templo como se fosse uma pomba que ali habitava...”

A Apresentação da Virgem Maria (Escola Portuguesa, século XVIII.)
A Apresentação da Virgem Maria (Escola Portuguesa, século XVIII.)

A liturgia romana não diz em nenhuma parte que a Festa de hoje se refira a esse incidente. Na realidade, não é uma Festa muito antiga, nem sequer no oriente, onde teve sua origem e é conhecida com o nome de “Entrada da Santíssima Mãe de Deus no Templo”. Provavelmente, a Festa celebrava originalmente a dedicação da igreja de Nova Santa Maria de Jerusalém, que teve lugar no ano 543. No ocidente começou a ser celebrada esporadicamente no século XI na Inglaterra, onde, segundo diz Edmund Bishop,


“constituía uma festa litúrgica importante, observada seriamente. O manual de bênçãos da catedral de Canterbury testemunha isso. Ali encontramos as seguintes palavras no lugar correspondente (isto é, entre 11 de novembro, festa de São Martinho, e 22 de novembro, festa de Santa Cecília): ‘Benedictio de praesentatione sanctae Mariae’. Trata-se de uma alusão à festa da Apresentação. A festa se comemorou durante algum tempo nos livros de Winchester e Canterbury, mas depois desapareceu. Nas últimas décadas do século XIV foi introduzida na Igreja Latina. O mundo esqueceu ‘usque ad hodiernam diem’ a prática inglesa, que remonta a 350 anos antes.” (Liturgica Histórica, p. 257).

A festa foi-se impondo pouco a pouco e foi finalmente estendida a toda a Igreja do ocidente durante o pontificado de Sisto V (1585).


A Apresentação da Virgem Maria por Alfonso Boschi, século XVII
A Apresentação da Virgem Maria por Alfonso Boschi, século XVII

Veja-se Kellner, Heortology, pp. 265-266; Schuster, The Sacramentary, vol. v, pp. 290-291; Holweck, Calendarium Liturgicum (1925), p. 386; S. Beissel, Verehrung Marias in Deutschland, vol. 1, p. 306; vol. 1, p. 281. É curioso que nenhuma dessas fontes mencione o fato de que a festa da Apresentação da Virgem Maria se celebrava na Inglaterra desde o século XI, na própria Canterbury: veja-se a edição do Manual de Bênçãos de Canterbury feita pela Henry Bradshaw Society (p. 116). Ao que parece, a festa tornou-se bastante popular na Inglaterra. No calendário de umas Horae de Anglia do leste (Christ's Coll. Camb., MS. 6, de princípios do século XIII), fala-se da “Oblatio B.M.V.”; o mesmo título aparece em dois livros de Worcester da mesma época: veja-se The Leofric Collectar, vol. II, p. 599. Que a festa se originou no oriente, deduz-se do fato de que os sinaxários gregos (cujo texto pode ser visto na edição de Delehaye, cc. 243-244) também a mencionam no dia 21 de novembro, e tais sinaxários datam do século X. No Missale Romanum de 1474 (publicado pela Henry Bradshaw Society, vol. II, pp. 251-253) há uma nota muito interessante, observando que, embora a festa da apresentação não figure no calendário nem no texto da edição de 1474, há, contudo, uma missa da festa, tomada de um missal romano de 1505. Essa missa inclui uma sequência de linguagem tão bárbara, que se pode supor que São Pio V preferiu suprimir a festa antes que permitir que tal poema burlesco continuasse sendo recitado. Quem desejar outras referências posteriores sobre as origens da festa as encontrará na obra de M. J. Kishpaugh, The Feast of the Presentation (1941); E. Campana, Maria nel culto cattolico, vol. I (1943), pp. 207-214; e N. Chirat, Mélanges (1945), pp. 127-143.1




Papa São Gelásio I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos pontífices romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Gelásio I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos pontífices romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

O sucessor de São Félix II na cátedra de São Pedro foi um Pontífice enérgico e habilidoso, “famoso em todo o mundo por seu saber e santidade”, segundo diz um contemporâneo seu. Gelásio manteve a firme atitude de seu predecessor em relação ao “cisma acaciano” provocado pelos monofisitas. Depois da morte de Acácio, Eufêmio, patriarca de Constantinopla, tentou pôr fim ao cisma, mas o imperador Anastácio I declarou-se a favor do “Henotikon” e era impossível entrar em comunhão com Roma sem repudiar tal documento e sem reconhecer a condenação de Acácio. O Papa escreveu ao patriarca:


“Irmão Eufêmio, um dia nos apresentaremos ao juízo de Cristo, rodeados por todos aqueles que defenderam a fé. Aí se verá se a gloriosa confissão de São Pedro não fez tudo o possível para salvar os que lhe haviam sido confiados e se os que lhe negaram obediência procederam com obstinação e espírito de rebeldia.


Em várias ocasiões, sobretudo em suas cartas, São Gelásio ressaltou a supremacia da sede de Pedro, particularmente em um parágrafo de uma carta ao imperador Anastácio, no qual expunha as normas que devem reger as relações entre as autoridades civis e religiosas. No entanto, ao chamar o bispo de Constantinopla “sufragâneo de segunda importância de Heracleia”, São Gelásio pensava certamente mais no passado que no presente. O santo insistiu muito em que os bispos deviam empregar a quarta parte de suas rendas em obras de caridade e opôs-se absolutamente à tentativa de ressuscitar a festa pagã das “Lupercais”. É interessante notar que São Gelásio defendia a comunhão sob as duas espécies, pois os maniqueus consideravam o vinho como mau e abstinham-se do cálice eucarístico. Crê-se que São Gelásio escreveu muito, mas conservam-se muito poucos de seus escritos. Genádio, um sacerdote contemporâneo do Pontífice, refere que ele compôs um sacramentário, mas o Sacramentário Gelasiano é de época posterior. Antigamente atribuía-se a São Gelásio um decreto sobre os livros canônicos da Sagrada Escritura, mas está provado que ele não foi o autor desse decreto.


Nossas principais fontes de informação são o Liber Pontificalis (ed. Duchesne), vol. I, pp. 254-257, e as cartas do Pontífice; estas últimas podem ser vistas em Thiel, Epistolae Romanorum Pontificum, com o suplemento de Löwentfeld, Epistolae Pontificum Romanorum Ineditae (1885). Veja-se também A. Roux, Le Pape St. Gélase (1880); Grisar, Geschichte Roms und der Päpste, vol. I, pp. 452-457; e Hefele-Leclercq, Conciles, vol. II, pp. 940 ss. Quanto ao famoso Decretum de libris recipiendis et non recipiendis, atualmente admite-se geralmente que não pode ser atribuído a São Gelásio; a forma em que chegou até nós data do século VI e é uma compilação de documentos de origem diversa, alguns dos quais se devem ao Papa Dâmaso, outros a Hormisdas, etc. Veja-se a monografia de E. von Dobschütz em Texte und Untersuchungen, vol. XXXVIII, parte 3; Chapman, em Revue Bénédictine, vol. XXX (1913), pp. 187-207 e 315-333; e DAC., vol. VI, col. 727-747. A edição mais conhecida do Sacramentário Gelasiano é a de H. A. Wilson (1894); mas veja-se também Mohlberg e Baumstark, Die älteste erreichbare Gestalt des Liber Sacramentorum (1927), e E. Bishop em Liturgica Historica, pp. 39-61.2




São Columbano, vitral da cripta da Abadia de Bobbio
São Columbano, vitral da cripta da Abadia de Bobbio

O maior dos monges missionários irlandeses que atuaram no continente europeu deve ter nascido mais ou menos quando morreu São Bento, o patriarca dos monges do Ocidente, cuja regra todos os mosteiros de São Columbano adotariam um dia. Columbano nasceu em Leinster e recebeu boa educação. Esteve a ponto de arruiná-la quando jovem por causa das tentações da carne. Com efeito, certas “lascivae puellae” (mulherzinhas de má vida), segundo conta Jonas, o biógrafo do santo, tentaram corrompê-lo, e Columbano sentiu grande tentação de ceder. Na sua aflição, pediu conselho a uma mulher muito piedosa, que por anos havia vivido afastada do mundo, e ela lhe disse que, se necessário, deixasse sua pátria para fugir da tentação. “Crês que poderás resistir? Lembra-te das lisonjas de Eva e da queda de Adão; lembra-te de Sansão vencido por Dalila; recorda Davi, a quem a beleza de Betsabé afastou do bom caminho; lembra-te do sábio Salomão enganado pelas mulheres. Foge, escapa longe desse rio no qual tantos caíram.” Columbano julgou encontrar nessas palavras mais que prudente conselho a um jovem em prova tão comum na adolescência e as interpretou como um chamado a renunciar ao mundo e abraçar a vida religiosa. Assim, abandonou sua mãe, apesar de ela tentar impedi-lo, e foi viver numa ilha de Lough Erne, chamada Cluain Inis, com o monge Sinell. Mais tarde, mudou-se para a famosa escola monástica de Bangor, em Belfast Lough. Não sabemos quanto tempo permaneceu ali; Jonas diz “muitos anos”. Provavelmente tinha cerca de quarenta e cinco anos quando obteve permissão de São Congall para deixar o mosteiro. Com doze companheiros, foi para a Gália, onde as invasões bárbaras, guerras civis e a relaxação do clero haviam reduzido a religião a estado lamentável.


Os monges irlandeses começaram imediatamente a pregar ao povo com o exemplo de sua caridade, penitência e devoção. Sua fama chegou aos ouvidos do rei Guntramo da Borgonha, o qual, por volta do ano 500, deu a São Columbano terras para construir em Annegray, nas montanhas dos Vosgos, seu primeiro mosteiro. O biógrafo do santo relata incidentes que lembram cenas da vida de São Francisco de Assis. Logo o convento de Annegray tornou-se insuficiente, pois muitos monges queriam viver sob a direção de Columbano. O santo então construiu o mosteiro de Luxeuil, não longe do primeiro, e também o de Fontes (atualmente Fontaine), chamado assim pelas fontes que ali havia. Essas três fundações e a de Bobbio foram as que Columbano realizou pessoalmente. Seus discípulos estabeleceram numerosos mosteiros na França, Alemanha, Suíça e Itália, que se tornaram centros de religião e trabalho no período escuro da Idade Média. São Columbano estabeleceu como fundamento de sua regra o amor de Deus e do próximo, e sobre esse preceito construiu todo o edifício. Ordenou que os monges comessem de forma muito simples e proporcional ao trabalho; que comessem diariamente para cumprir suas obrigações. Prescreveu o tempo dedicado à oração, leitura e trabalho manual. O santo afirmava ter recebido essas regras de seus maiores, isto é, dos monges irlandeses. Impôs a todos a obrigação de orar em privado em suas celas, e ensinou que o essencial é a oração do coração e a concentração da mente em Deus. A regra é complementada por um penitencial que determina as penitências por cada falta, por menor que seja. A regra de São Columbano difere principalmente da de São Bento por sua severidade, tão característica do cristianismo céltico. As menores transgressões eram punidas com jejuns a pão e água e disciplinas. O ofício divino é particularmente longo (o máximo de setenta e cinco salmos diários no inverno). Pode-se dizer que, em austeridade, os monges célticos rivalizavam com os do Oriente.


Após doze anos de grande paz, os bispos francos começaram a demonstrar hostilidade contra os monges de São Columbano e convocaram o santo a um sínodo para justificar suas práticas célticas (data da Páscoa etc.). Columbano recusou-se a comparecer “para não cair em disputas de palavras”; mas enviou à assembleia uma carta na qual ele, “pobre estrangeiro nestas regiões por causa de Cristo, suplica humildemente que o deixem em paz e indica claramente que o sínodo tem assuntos mais graves que a data da Páscoa. Como os bispos insistissem, São Columbano apelou à Santa Sé. Em suas cartas a dois Papas diferentes, protestou de sua ortodoxia e da de seus monges, explicou os costumes irlandeses e pediu que fossem confirmados. O tom das cartas é muito sincero e, para desculpar-se, diz o santo: “Perdoai-me, vos rogo, bendito Pontífice, a ousadia que me leva a escrever de forma tão presunçosa. Peço-vos que, ao menos uma vez, vos lembreis de mim em vossas santas orações, pois sou um indigno pecador.”


São Columbano entrega a regra monástica a São Valberto – Abadia de Luxeuil, Luxeuil-les-Bains (França)
São Columbano entrega a regra monástica a São Valberto – Abadia de Luxeuil, Luxeuil-les-Bains (França)

Logo viu-se São Columbano envolvido numa tempestade mais séria. O rei da Borgonha, Teodorico II, professava grande respeito ao santo, mas este o repreendeu por ter concubinas em vez de casar-se, o que irritou profundamente a rainha Brunilda, avó de Teodorico, que havia sido regente do reino, pois temia que, se o neto se casasse, ela perderia sua influência. A cólera de Brunilda chegou ao auge quando Columbano recusou-se a abençoar os quatro filhos naturais de Teodorico, dizendo: “Não herdarão o reino, pois são mal nascidos.” Por outro lado, o santo negou a entrada de Brunilda em seu mosteiro, como fazia com todas as mulheres e até com os leigos. Como isso era contrário ao costume franco, Brunilda aproveitou o fato como pretexto para excitar Teodorico contra São Columbano. O resultado foi que, no ano 610, o santo e todos os seus monges irlandeses foram deportados para a Irlanda. É impossível que os bispos não tenham intervindo na expulsão por baixo dos panos. Desde Nantes, São Columbano escreveu sua famosa carta aos monges que haviam ficado em Luxeuil. Montalembert diz que essa carta contém “alguns dos pensamentos mais belos que o gênio cristão jamais produziu.”


O santo embarcou em Nantes; mas uma tempestade obrigou-o a voltar à terra. Então, São Columbano dirigiu-se, passando por Paris e Meaux, à corte de Teodeberto II da Austrásia, que estava em Metz. O monarca o recebeu amavelmente. Sob sua proteção, Columbano e alguns discípulos foram pregar aos infiéis das cercanias do lago de Zurique. Como não fossem bem recebidos, trasladaram-se a um belo vale próximo ao lago de Constança, atualmente Bregenz. Ali encontraram um oratório abandonado dedicado a Santa Aurélia e, junto a ele, construíram suas celas. Mas também ali os métodos enérgicos de alguns missionários, especialmente de São Galo, provocaram a oposição do povo. Por outro lado, Austrásia e Borgonha estavam em guerra. Teodoberto foi vencido, e seus próprios súditos o entregaram ao irmão Teodorico, que o enviou à avó Brunilda.


São Columbano, vendo que seu inimigo era senhor da região onde se encontrava e que sua vida corria perigo, atravessou os Alpes (apesar de ter já cerca de setenta anos). Em Milão foi muito bem acolhido pelo rei ariano Agilulfo da Lombardia e por sua esposa Teodelinda. O santo começou imediatamente a combater o arianismo, contra o qual escreveu um tratado, e interveio na questão dos Três Capítulos. Esses escritos haviam sido condenados pelo quinto Concílio Ecumênico de Constantinopla, por favorecerem o nestorianismo. Os bispos da Ístria e alguns da Lombardia defenderam os Três Capítulos com tanto ardor, que romperam a comunhão com o Papa. O rei e a rainha induziram São Columbano a escrever francamente ao Papa São Bonifácio IV em defesa desses escritos, instando-o a velar pela ortodoxia. São Columbano conhecia mal o tema da controvérsia. Além disso, não deixou de expressar claramente seu ardente desejo de permanecer na unidade da fé, sua intensa devoção à Santa Sé e sua convicção de que “a coluna da Igreja sempre esteve em Roma”. Em seguida acrescentava:


“Nós, irlandeses, que vivemos no extremo da terra, somos seguidores de São Pedro e São Paulo e dos discípulos que escreveram os livros canônicos inspirados pelo Espírito Santo. Não aceitamos nada que não esteja conforme os ensinamentos evangélicos e apostólicos... Confesso que me faz sofrer a má fama que tem a cátedra de São Pedro nesta região... Como já disse, estamos ligados à cátedra de São Pedro. É certo que Roma é grande e famosa por si mesma, mas, para nós, só é grande e famosa pela cátedra de São Pedro.

Admitindo expressar-se com excessiva franqueza (pois chega a chamar o Papa Vigílio de “causa de escândalo”), escreveu na mesma carta:


“Se nesta ou em alguma outra de minhas cartas... encontrardes expressões ditadas por um zelo excessivo, atribuí-as à indiscrição e não ao orgulho. Velai pela paz da Igreja..., empregai a voz e os gestos do verdadeiro pastor e defendei vosso rebanho dos lobos.

São Columbano – Catedral da Imaculada Conceição, Sligo (Irlanda)
São Columbano – Catedral da Imaculada Conceição, Sligo (Irlanda)

São Columbano chama o Papa de “pastor dos pastores”, “chefe dos chefes”, “Pontífice único, cujo poder se engrandece honrando o Apóstolo Pedro”.


Agilulfo deu a Columbano uma igreja em ruínas e algumas terras em Ebovium (Bobbio). Nesse vale dos Apeninos, situado entre Gênova e Piacenza, o santo empreendeu a fundação da abadia de São Pedro. Apesar da idade avançada, trabalhou pessoalmente na construção. Mas o que desejava ardentemente era o retiro para preparar-se bem para morrer. Quando visitara Clotário II da Neustria, ao voltar de Nantes, profetizara que Teodorico cairia três anos depois. A profecia cumpriu-se. Teodorico morreu, Brunilda foi brutalmente assassinada e Clotário tornou-se senhor da Austrásia e da Borgonha. Lembrando-se da profecia de São Columbano, o monarca convidou-o a voltar à França. O santo não pôde aceitar o convite, mas pediu a Clotário que fosse bondoso com os monges de Luxeuil. Pouco depois morreu, em 23 de novembro de 615.


Alban Butler, que escreveu em meados do século XVIII, dizia: “Luxeuil é ainda um mosteiro muito florescente”, ocupado pela congregação beneditina de São Vitono. Mas cinquenta anos depois, a Revolução Francesa pôs fim à longa, azarosa e gloriosa história de Luxeuil. Quanto ao mosteiro de Bobbio, cuja biblioteca chegou a ser uma das maiores durante a Idade Média, começou a declinar desde o século XV e foi suprimido pelos franceses em 1803; a biblioteca havia começado a dispersar-se quase três séculos antes. Contudo, ainda se celebra a Festa de São Columbano na pequena diocese de Bobbio. O Martirológio Romano o menciona a 21 de novembro e os beneditinos celebram sua Festa nesse mesmo dia. No norte da Itália permanecem numerosas marcas do culto que antigamente se tributava ao santo.


Um monge de Bobbio, chamado Jonas, escreveu uma biografia pouco depois da morte de São Columbano. Essa obra é nossa principal fonte. B. Krusch fez uma edição crítica em MGH., Scriptores Merov., vol. IV, pp. 1-156. Nestes últimos anos escreveu-se muito sobre São Columbano, como pode ser visto na excelente notícia biográfica que lhe dedica Dom Gougaud em Les Saints Irlandais hors d'Irlande (1936), pp. 51-62, e em Christianity in Celtic Lands (1932). Veja-se também E. Martin, St. Columban (1905); G. Metlake, The Life and Writings of St Columban (1914); H. Concannon, Life of St Columban (1915); J. J. Laux, Der hl. Kolumban (1919); J. F. Kenney, The Sources for the Early History of Ireland, vol. I (1929), pp. 186-191; M. Stokes, Six Months in the Appenines... (1892); J. M. Clauss, Die Heiligen des Elsasses (1935); A. M. Tommasini, Irish Saints in Italy (1937); L. Gougaud, Le culte de St Columban, em Revue Mabillon, vol. XXV (1935), pp. 169-178; e M. M. Dubois, St Columban (1950). A seção da obra de Montalembert, Monks of the West, sobre São Columbano, foi impressa separadamente nos Estados Unidos em 1928. É necessário ler as cartas do santo no texto de MGH., Epistolae, vol. III, pp. 154-190. A autenticidade do penitencial que lhe é atribuído é duvidosa; ao contrário, sua regra parece autêntica e muito se escreveu sobre ela. O texto pode ser visto em Migne, PL, vol. LXXX, cc. 209 ss.; melhor ainda é o texto da Zeitschrift f. Kirchengeschichte (1895 e 1897). McNeill e Gamer publicaram uma tradução inglesa do penitencial em Medieval Handbooks of Penance (1938). Também se atribuiu a São Columbano um comentário sobre os salmos, mas certamente não foi ele o autor; veja-se Dom Morin, em Revue Bénédictine, vol. XXXVIII (1926), pp. 164-177. É curioso que Oengus não mencione São Columbano no Félire, apesar de seu nome figurar no Hieronymianum. O Pe. P. Crosjean estudou novamente, recentemente, o difícil problema da cronologia da vida do santo, em Analecta Bollandiana, vol. LXIV (1946), pp. 200-215.3



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 394-395.

2. Ibid. pp. 395-396.

3. Ibid. pp. 396-399.



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