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Vida do Papa São Aniceto e Santo Estêvão Harding (17 de abril)

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Papa São Aniceto, mártir. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Aniceto, mártir. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

São Aniceto ascendeu à Cátedra de São Pedro por volta do fim do reinado do imperador Antonino Pio. O Martirológio Romano e outros o colocam no número dos mártires. Na realidade, não morreu em defesa da fé católica, mas merece o título de mártir pelas provações que teve de sofrer. Parece que combateu especialmente os erros de Valentino e Marcião e lutou para evitar que a heresia contaminasse o seu rebanho. Durante o pontificado de São Aniceto, São Policarpo, o famoso bispo de Esmirna, foi a Roma tratar da questão da data da celebração da Páscoa. Os dois santos não puderam chegar a um acordo; mas, como diz Eusébio, “não se romperam os laços da caridade”. Segundo a tradição, São Aniceto era originário da Síria.


Ver Acta Sanctorum, abril, vol. 1, e o Liber Pontificalis com a introdução e as notas de Mons. Duchesne.1




Santo Estêvão Harding, no altar-mor da igreja de Apátistvánfalva, Vendvidék, Hungria
Santo Estêvão Harding, no altar-mor da igreja de Apátistvánfalva, Vendvidék, Hungria

Santo Estêvão Harding, o inglês que colaborou na fundação do mosteiro de Cister e deu forma definitiva às constituições da Ordem Cisterciense, foi educado na abadia de Sherborne, em Dorsetshire. Nada sabemos sobre seus pais nem sobre sua família. Ao que parece, ao sair da abadia não estava decidido a tornar-se monge. Primeiro foi à Escócia e depois a Paris, provavelmente para estudar e conhecer o mundo. Fez uma viagem a Roma com um amigo; na verdade tratava-se de uma verdadeira peregrinação, pois ambos recitavam diariamente todo o saltério. No caminho de volta, ao passar por um bosque da Borgonha, chegaram a uma espécie de aldeia de rústicas cabanas. Os habitantes eram monges que levavam vida de pobreza e dividiam o tempo entre a oração e o duro trabalho manual. Sua abnegação e austeridade conquistaram Santo Estêvão, que se despediu do amigo e ficou a viver com os monges em Molesmes. Ali encontrou em São Roberto, o abade, e em Santo Alberico, o prior, espíritos semelhantes ao seu; para os três era motivo de consolação a comunhão na oração e mortificação e a pobreza em que viviam, que por vezes chegava à absoluta carência de tudo. Contudo, ao cabo de alguns anos, o espírito da comunidade havia decaído e, em 1098, o abade Roberto, acompanhado de Alberico, Estêvão e outros quatro monges, foi a Lyon ver o arcebispo Hugo, que também era delegado pontifício na França, para pedir licença de abandonar Molesmes. O arcebispo compreendeu suas razões e, em um documento cujo conteúdo chegou até nós, concedeu-lhes a permissão solicitada. São Roberto dispensou os monges do voto de obediência a ele e partiu de Molesmes com vinte dos seus. Não sabemos exatamente se vagaram ao acaso ou se já haviam escolhido antes o lugar mais solitário e selvagem que conheciam para a nova fundação. Seja como for, chegaram a Cister, que então não era mais que um prado perdido no bosque, longe da civilização. Rainaldo, senhor daquelas terras, doou-lhes de bom grado o prado, e Odão, duque da Borgonha, a quem o arcebispo Hugo havia informado do assunto, enviou alguns pedreiros para ajudá-los na construção do mosteiro.


Em 21 de março de 1098, inaugurou-se a nova abadia; Roberto era o abade, Alberico o prior e Estêvão o subprior. Mas, no ano seguinte, os monges de Molesmes, que necessitavam muito de seu antigo abade, pediram a Roma que mandasse Roberto voltar. Na realidade, Roberto nunca havia sido a cabeça do movimento de Cister e parece que voltou de bom grado a Molesmes, a julgar por uma alusão encontrada em uma carta da época à “habitual versatilidade” de Roberto.


Virgem Maria aparece à Santo Estêvão Harding, por Franciszek Ignacy Molitor (1741–1794)
Virgem Maria aparece à Santo Estêvão Harding, por Franciszek Ignacy Molitor (1741–1794)

Alberico foi nomeado abade de Cister e Estêvão prior. Mas as dificuldades da nova fundação estavam apenas começando. A transformação do bosque em terra cultivável levou algum tempo e os monges passaram por períodos de grande penúria; contudo, não perderam o ânimo e continuaram a servir a Deus na prática da Regra de São Bento, com algumas modificações que tendiam a torná-la ainda mais rigorosa.


Em 1109, morreu o Beato Alberico e Estêvão sucedeu-lhe como abade. Em seu primeiro decreto proibiu que os grandes senhores mantivessem corte em Cister, embora com isso privasse a abadia de seu principal apoio humano e se desentendesse, por algum tempo, com o duque Hugo, sucessor de Odão. Seu segundo decreto foi ainda mais severo, pois proibiu o uso de objetos preciosos na liturgia e suprimiu toda pompa; os cálices deveriam ser apenas prateados, as casulas de tecido simples, etc. O efeito imediato dessas medidas foi a diminuição do número de visitantes e, sobretudo, do número de noviços, o que já preocupava os monges. Assim chegou o dia em que o mosteiro se encontrava praticamente na miséria, mas os monges permaneceram fiéis ao seu superior. Então o abade, em um ato de total confiança em Deus, enviou um dos monges ao mercado de Vézelay para comprar três carros e três cavalos e ordenou-lhe que os carregasse de víveres. Quando o monge pediu o dinheiro necessário, o abade respondeu que tinha apenas três moedas. O monge partiu obedientemente; ao chegar a Vézelay contou a um amigo a situação em que se encontravam. O bom homem correu imediatamente ao leito de um vizinho rico que estava à beira da morte e conseguiu que este pagasse toda a mercadoria.


No entanto, o número de monges continuava a diminuir em Cister. Uma misteriosa epidemia começou a dizimar os que restavam, de modo que Estêvão, apesar de sua coragem heroica, não pôde deixar de se perguntar se estava realmente cumprindo a vontade de Deus. Nessa situação, pediu a um monge moribundo que, se Deus o permitisse, voltasse da sepultura para esclarecê-lo sobre a vontade divina. Pouco depois de sua morte, o monge apareceu a Estêvão, quando este ia sair para o campo, e disse-lhe que Deus não só estava satisfeito com sua conduta, mas que o mosteiro em breve se veria cheio de monges que, “como abelhas diligentes que giram em torno da colmeia, iriam fundar novas colônias em diversas partes do mundo”. Satisfeito com essa resposta do Céu, Estêvão aguardou pacientemente o cumprimento da profecia. Mas ninguém poderia prever até que ponto ela se realizaria!


Um dia apresentaram-se à porta do mosteiro trinta jovens, que disseram ao surpreso porteiro que vinham pedir admissão na vida religiosa. Todos eram de nobre linhagem, no pleno vigor da juventude. O que liderava o grupo era um jovem de notável presença, chamado Bernardo. Sentindo-se chamado à vida religiosa e não querendo separar-se de amigos e parentes, havia conquistado, um a um, seus irmãos, um tio e vários conhecidos. Depois desse momento decisivo, o mosteiro não teve mais de temer nem a falta de noviços nem a fome, pois toda a França começou a admirar Cister. Foi também o ponto culminante na vida de Santo Estêvão. A partir daí, quase desapareceu aos olhos do mundo, ocupado como estava com as duas grandes tarefas de formar São Bernardo [de Claraval] e redigir as constituições da Ordem Cisterciense.


Santo Estevão Harding aceita São Bernardo na Ordem Cisterciense, na Catedral de Saint-Sacerdos de Sarlat, Sarlat-la-Canéda, (França)
Santo Estevão Harding aceita São Bernardo na Ordem Cisterciense, na Catedral de Saint-Sacerdos de Sarlat, Sarlat-la-Canéda, (França)

O número de noviços obrigou logo os monges a fundar uma nova abadia em Pontigny, à qual se seguiram as de Morimond e Claraval. Para grande surpresa de todos, Estêvão nomeou Bernardo abade de Claraval, embora este tivesse apenas vinte e quatro anos. Com o objetivo de manter os laços entre Cister e suas filiais, Santo Estêvão determinou que todos os abades se reunissem todos os anos em capítulo geral. Em 1119, já havia nove abadias dependentes de Cister e Claraval. Então, Santo Estêvão redigiu os estatutos, conhecidos pelo nome de “Carta de Caridade”, que organizavam a Ordem Cisterciense e determinavam seu modo de vida.


Já muito idoso e quase cego, Santo Estêvão renunciou ao báculo abacial para preparar-se para a morte. Já em seu leito de morte, ouviu alguns monges dizerem, em tom de elogio, que sem dúvida ele se apresentaria sem temor ao juízo de Deus; então, erguendo-se no leito, disse-lhes:


Asseguro-vos que vou me apresentar diante de Deus com temor e tremor, como se nada de bom tivesse feito em minha vida, porque o bem que pude fazer e o fruto que possa ter colhido são obra da graça de Deus. Temo ter administrado a graça com menos zelo e humildade do que devia.

Essas foram suas últimas palavras. Foi canonizado em 1623. Os cistercienses celebram sua festa, assim como as dioceses de Westminster (em 28 de março) e de Plymouth.


Os materiais para o estudo da história primitiva da Ordem de Cister são relativamente numerosos. Os principais são o Exordium Parvum, o Exordium Magnum, as crônicas de Guilherme de Malmesbury e Orderico Vital, e uma vida de São Roberto de Molesmes. O Pe. Dalgairns publicou, na coleção Lives of English Saints, uma excelente biografia de Santo Estêvão Harding, reeditada em 1898 com algumas notas pelo Pe. Herbert Thurston; e, em 1946, nos Estados Unidos, Gregor Müller escreveu vários artigos importantes sobre os primeiros anos de Cister em Die Cistercienser-Chronik; ver sobretudo o intitulado Citeaux unter dem Abte Alberich, vol. XXI (1909), nn. 239-243. Sobre a Carta de Caridade, ver D. Knowles, The Monastic Order in England (1949), pp. 208-216.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, p. 108.

2. Ibid. pp. 110-112.



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