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Vida de São Policarpo de Esmirna e Santo Alberico (26 de janeiro)





São Policarpo de Esmirna
São Policarpo de Esmirna

São Policarpo foi um dos mais famosos entre aqueles bispos da Igreja primitiva, aos quais se dá o nome de “Pais Apostólicos”, por terem sido discípulos dos Apóstolos e diretamente instruídos por eles. Policarpo foi discípulo de São João Evangelista, e os fiéis lhe professavam grande veneração. Entre seus muitos adeptos, discípulos e seguidores encontravam-se Santo Irineu e Papias. Quando Florino, que havia visitado frequentemente São Policarpo, começou a professar certas heresias, Santo Irineu lhe escreveu:


“Isto não era o que ensinavam os bispos, nossos predecessores. Eu te posso mostrar o lugar em que o bem-aventurado Policarpo costumava sentar-se para pregar. Ainda me lembro da gravidade de seu porte, da santidade de sua pessoa, da majestade de seu rosto e de seus gestos, bem como de suas santas exortações ao povo. Ainda me parece ouvi-lo contar como havia conversado com João e com muitos outros que viram Jesus Cristo, e repetir as palavras que ouvira deles. Pois bem, posso jurar diante de Deus que, se o santo bispo tivesse ouvido teus erros, teria tapado os ouvidos e exclamado, segundo seu costume: ‘Õ, Deus meu!, por que me fizeste viver até hoje para ouvir tais coisas?’ E imediatamente teria fugido do lugar onde tal doutrina era pregada”.


A tradição conta que, tendo-se encontrado São Policarpo com Marcião nas ruas de Roma, o herege o interpelou, ao ver que não parecia reconhecê-lo: Que é isso, não me conheces?” “Sim — respondeu Policarpo —, sei que és o primogênito de Satanás”. O santo bispo herdara esse horror aos hereges de seu mestre São João, que saíra correndo dos banhos ao ver Cerinto.


São Policarpo beijou as cadeias de Santo Inácio, quando este passou por Esmirna, a caminho do martírio, e Inácio, por sua vez, recomendou-lhe que velasse por sua distante Igreja de Antioquia e lhe pediu que escrevesse em seu nome às Igrejas da Ásia, às quais ele não havia podido escrever. São Policarpo escreveu pouco depois aos Filipenses uma carta que ainda se conserva e que é muito elogiada por Santo Irineu, São Jerônimo, Eusébio e outros. Essa carta, que no tempo de São Jerônimo era lida publicamente nas igrejas, merece toda admiração pela excelência de seus conselhos e pela clareza de seu estilo.


O Encontro de Santo Inácio de Antioquia e São Policarpo de Esmirna, por Giacomo Triga
O Encontro de Santo Inácio de Antioquia e São Policarpo de Esmirna, por Giacomo Triga

Policarpo empreendeu uma viagem a Roma para esclarecer certos pontos com o Papa São Aniceto, especialmente a questão da data da Páscoa, pois as Igrejas da Ásia diferiam das demais nesse particular. Como Aniceto não pôde convencer Policarpo, nem este àquele, concordaram em que ambos conservariam seus próprios costumes e permaneceriam unidos pela caridade. Para mostrar seu respeito por São Policarpo, Aniceto pediu-lhe que celebrasse a Eucaristia em sua Igreja. A isso se reduz tudo o que sabemos sobre São Policarpo antes de seu martírio.


No sexto ano de Marco Aurélio, segundo a narração de Eusébio, estourou uma grave perseguição na Ásia, na qual os cristãos deram provas de um valor heroico. Germânico, que havia sido levado a Esmirna com outros onze ou doze cristãos, destacou-se entre todos e animou os pusilânimes a suportar o martírio. No anfiteatro, o procônsul o exortou compassivamente a não se entregar à morte em plena juventude, quando a vida tinha tantas coisas a lhe oferecer; mas Germânico provocou as feras para que lhe arrancassem o quanto antes a vida perecível. Mas também houve covardes: um frígio chamado Quinto consentiu em oferecer sacrifícios aos deuses em vez de morrer. Os autores da carta da qual tomamos esses dados condenam justamente a presunção dos que se ofereciam espontaneamente ao martírio, como fizera Germânico, e explicam que o martírio de São Policarpo foi verdadeiramente evangélico, porque o santo não se entregou, mas esperou que os perseguidores o prendessem, seguindo o exemplo de Cristo. O extraordinário valor de Germânico e de seus companheiros não fez senão aumentar a sede de sangue dos espectadores. A multidão começou a gritar: “Morram os inimigos dos deuses! Morra Policarpo!” Os amigos do santo haviam-no persuadido a esconder-se, durante a perseguição, em um povoado vizinho. Três dias antes de seu martírio, teve uma visão na qual aparecia seu travesseiro envolto em chamas; isso foi para ele um sinal de que morreria queimado vivo, como o predisse a seus companheiros. Quando os perseguidores foram procurá-lo, mudou de refúgio, mas um escravo, a quem haviam ameaçado com o potro se não o denunciasse, acabou por entregá-lo.


São Policarpo de Esmirna, por Michael Burghers
São Policarpo de Esmirna, por Michael Burghers

Herodes, o chefe da polícia, mandou à noite um destacamento de cavalaria para cercar a casa onde Policarpo estava escondido; este se encontrava na cama e recusou-se a fugir, dizendo: “Faça-se a vontade de Deus”. Desceu então até a porta, ofereceu ceia aos soldados e pediu-lhes unicamente que lhe concedessem alguns momentos para orar. Tendo-lhe sido concedida essa graça, Policarpo orou de pé durante duas horas, por seus próprios cristãos e por toda a Igreja. Fê-lo com tal devoção que alguns dos que haviam vindo prendê-lo arrependeram-se de tê-lo feito. Montado num asno, foi conduzido à cidade. No caminho, encontrou-se com Herodes e com o pai deste, Nicetas, que o fizeram subir em seu carro e tentaram persuadi-lo a não exagerar seu cristianismo: “Que mal há — diziam-lhe — em chamar o César de Senhor, ou em oferecer um pouco de incenso para escapar à morte?” É preciso notar que a palavra “Senhor” implicava, nessas circunstâncias, o reconhecimento da divindade do César. O bispo permaneceu calado a princípio; mas, como seus interlocutores insistissem para que falasse, respondeu firmemente: “Estou decidido a não fazer o que me aconselhais”. Ao ouvir isso, Herodes e Nicetas lançaram-no do carro com tal violência que fraturou uma perna.


O santo arrastou-se silenciosamente até o lugar onde o povo estava reunido. À chegada de Policarpo, muitos ouviram uma voz que dizia: “Sê forte, Policarpo, e mostra que és homem”. O procônsul o exortou a ter compaixão de sua idade avançada, a jurar pelo César e a gritar: “Morram os inimigos dos deuses!” O santo, voltando-se para a multidão de pagãos reunida no estádio, gritou: “Morram os inimigos de Deus! O procônsul insistiu: “Jura pelo César e te deixarei livre; renega a Cristo”.


São Policarpo extinguindo milagrosamente o fogo que queimava a cidade de Esmirna
São Policarpo extinguindo milagrosamente o fogo que queimava a cidade de Esmirna

“Durante oitenta e seis anos servi a Cristo, e Ele nunca me fez mal algum. Como queres que eu renegue o meu Deus e Salvador? Se o que desejas é que eu jure pelo César, eis a minha resposta: sou cristão. E se queres saber o que significa ser cristão, dá-me tempo e escuta-me”. O procônsul disse: “Convence o povo”. O mártir replicou: “Dirijo-me a ti, porque a minha religião me ensina a respeitar as autoridades, desde que esse respeito não viole a lei de Deus. Mas esta multidão não é capaz de ouvir a minha defesa”. De fato, a fúria que consumia a multidão impedia-a de dar ouvidos ao santo.


O procônsul o ameaçou: “Tenho feras selvagens”. “Manda-as vir — respondeu Policarpo —, porque estou absolutamente resolvido a não me converter do bem ao mal, pois só é justo converter-se do mal ao bem”. O procônsul replicou: “Já que desprezas as feras, mandar-te-ei queimar vivo”. Policarpo lhe disse: “Ameaças-me com um fogo que dura um momento e depois se apaga; isso mostra que ignoras o juízo que nos espera e que tipo de fogo inextinguível aguarda os maus. Que esperas? Pronuncia a sentença que quiseres”.


Martírio de São Policarpo de Esmirna, Moni Dionysiou
Martírio de São Policarpo de Esmirna, Moni Dionysiou

Durante esses discursos, o rosto do santo refletia tal alegria e confiança, e sua atitude tinha tal serenidade, que o próprio procônsul se sentiu impressionado. No entanto, ordenou que um arauto gritasse três vezes do centro do estádio: “Policarpo se confessou cristão”. Ao ouvir isso, a multidão exclamou: “Este é o mestre da Ásia, o pai dos cristãos, o inimigo de nossos deuses, que ensina o povo a não lhes sacrificar nem adorá-los!” Como a multidão pedisse ao procônsul que condenasse Policarpo aos leões, este respondeu que não podia fazê-lo, porque os jogos já haviam sido encerrados. Então, gentios e judeus pediram que Policarpo fosse queimado vivo.


Logo que o procônsul atendeu ao pedido, todos se precipitaram a trazer lenha dos fornos, dos banhos e das oficinas. Ao ver a fogueira preparada, Policarpo tirou as vestes e as sandálias, coisa que antes não havia feito, porque os fiéis disputavam o privilégio de tocá-lo. Os verdugos queriam amarrá-lo, mas ele lhes disse: “Permiti que eu morra assim. Aquele que me dá a graça de suportar o fogo me dará também a de permanecer imóvel”. Os verdugos contentaram-se, pois, em amarrar-lhe as mãos para trás. Erguendo os olhos ao céu, Policarpo fez a seguinte oração:


Senhor Deus todo-poderoso, Pai de teu amado e bem-aventurado Filho, Jesus Cristo, por quem chegamos ao conhecimento de Ti, Deus dos anjos, de todas as forças da criação e de toda a família dos justos que vivem em tua presença! Eu te bendigo porque te dignaste fazer-me viver estes momentos em que vou ocupar um lugar entre teus mártires e participar do cálice de teu Cristo, antes de ressuscitar para sempre, em alma e corpo, na imortalidade do Espírito Santo! Concede-me que eu seja hoje recebido entre teus mártires e que o sacrifício que Tu, Deus fiel e verdadeiro, me preparaste, te seja agradável! Eu te louvo, te bendigo e te glorifico por tudo isso, por meio do Sacerdote Eterno, Jesus Cristo, teu amado Filho, com quem a Ti e ao Espírito Santo seja dada toda a glória agora e sempre! Amém!”

Mal havia terminado de pronunciar a última palavra, quando a fogueira foi acesa. “Mas eis que então aconteceu diante de nós um milagre, nós que fomos preservados para dar testemunho disso — escrevem os autores desta carta —: as chamas, curvando-se como as velas de um navio impelidas pelo vento, rodearam suavemente o corpo do mártir, que entre elas parecia não tanto um corpo devorado pelo fogo, mas um pão ou um metal precioso no forno; e um perfume como de incenso encheu o ambiente”. Os verdugos receberam a ordem de transpassar Policarpo com uma lança; ao fazê-lo, saiu de seu corpo uma pomba e tal quantidade de sangue, que a fogueira se apagou.


São Policarpo é colocado em uma pira, mas as chamas não o queimam, por Jan Luyken
São Policarpo é colocado em uma pira, mas as chamas não o queimam, por Jan Luyken

Nicetas aconselhou o procônsul a não entregar o corpo aos cristãos, para que estes, abandonando o Crucificado, não passassem a adorar Policarpo. Os judeus haviam sugerido isso a Nicetas, sem saber — dizem os autores da carta — que nós não podemos abandonar Jesus Cristo nem adorar a ninguém mais. Porque a Ele adoramos como Filho de Deus, e aos mártires amamos simplesmente como seus discípulos e imitadores, pelo amor que demonstram a seu Rei e Mestre”. Vendo a discussão provocada pelos judeus, o centurião reduziu a cinzas o corpo do mártir. “Mais tarde — explicam os autores da carta — recolhemos nós os ossos, mais preciosos que as mais ricas joias de ouro, e os depositamos em um lugar onde Deus nos concedeu reunir-nos, alegremente, para celebrar o nascimento deste mártir”. Isto escreveram os discípulos e testemunhas; Policarpo recebeu o prêmio de seus trabalhos às duas horas da tarde do dia 23 de fevereiro de 155, ou 166, ou de outro ano.


Existe uma vastíssima literatura, que não podemos citar aqui por inteiro, sobre São Policarpo e tudo o que a ele se refere. Os principais pontos de discussão que podem interessar-nos são os seguintes: 1) a autenticidade da carta que descreve seu martírio, escrita em nome da Igreja de Esmirna; 2) a autenticidade da carta de Santo Inácio de Antioquia a São Policarpo; 3) a autenticidade da carta de São Policarpo aos filipenses; 4) o valor das informações que Santo Irineu e outros autores primitivos nos dão sobre as relações de São Policarpo com o apóstolo São João; 5) a data do martírio; 6) o valor da Vida de Policarpo atribuída a Pionio. No que diz respeito aos quatro primeiros pontos, pode-se dizer que os especialistas em Igreja primitiva se declaram quase unanimemente a favor da tradição ortodoxa. As conclusões a que chegaram tão laboriosamente Lightfoot e Funk foram finalmente aceitas quase por unanimidade. Consequentemente, esses documentos podem ser considerados entre as mais preciosas recordações que chegaram até nós sobre os primeiros passos da vida da Igreja. Esses documentos encontram-se reunidos na obra inestimável de Lightfoot, The Apostolic Fathers, Ignatius and Polycarp, 3 vols., e na edição abreviada em um único volume de J. R. Harmer, The Apostolic Fathers (1891). Quanto à data do martírio, os escritores primitivos, baseando-se na Crônica de Eusébio, aceitavam sem discussão que São Policarpo havia morrido no ano 166; mas os críticos atuais situam o martírio nos anos 155 ou 156. Ver, no entanto, J. Chapman, que na Revue Bénédictine, vol. XIX, pp. 145 ss., expõe os motivos pelos quais prefere o ano 166; H. Grégoire, em Analecta Bollandiana, vol. LXIX (1951), pp. 1-38, argumenta longamente em favor do ano 177. No que se refere ao sexto ponto, isto é, à biografia de Pionio, segundo a qual Policarpo teria sido um escravo resgatado por uma piedosa dama, os críticos concordam atualmente em afirmar que se trata de uma obra de imaginação, escrita talvez no último decênio do século IV. P. Corssen e E. Schwartz tentaram demonstrar que a Vida de Policarpo é uma obra autêntica do mártir São Pionio, que morreu nos anos 180 ou 250; mas Delehaye refutou amplamente essa teoria em Les passions des martyrs et les genres littéraires (1921), pp. 11-59. Há um excelente artigo sobre São Policarpo, escrito por H. T. Andrews, na Encyclopaedia Britannica, décima primeira edição. Kirsopp Lake, na Loeb Classical Library, The Apostolic Fathers, vol. II, apresenta o texto e a tradução do martírio; na série Ancient Christian Writers encontra-se apenas a tradução (vol. VI). Sobre a data do martírio, ver H. I. Marrou, em Analecta Bollandiana, vol. LXXI (1953), pp. 5-20.1




Gravura de Santo Alberico
Gravura de Santo Alberico

Os esforços de São Alberico para encontrar um instituto religioso que correspondesse às suas aspirações de grande perfeição lançam uma luz que nos faz estremecer sobre o temperamento de aço dos monges do século XII. Nada sabemos da infância de Alberico. Quando ouvimos falar dele pela primeira vez, fazia parte de um grupo de sete eremitas que viviam na floresta de Collan, não longe de Chatillon-sur-Seine. Ali habitava certo abade Roberto, homem de boa família e muito reputado por sua virtude. Apesar de ter fracassado anteriormente no governo de uma comunidade de monges revoltosos, os eremitas conseguiram, com certa dificuldade, que Roberto aceitasse ser seu superior e, em 1075, emigraram para as proximidades de Molesmes, onde construíram um mosteiro. Roberto era o abade e Alberico o prior. Logo começaram a chover doações ao mosteiro; a comunidade cresceu, mas o fervor decaiu. Durante certo período, um grupo de monges rebelou-se contra a disciplina religiosa. Roberto, desanimado, retirou-se do mosteiro. Alberico ocupou seu lugar e tentou restabelecer a ordem; mas os monges o espancaram e por fim o encerraram. Alberico e um inglês chamado Estêvão Harding, já não podendo suportar tal estado de coisas, também abandonaram o mosteiro. Provavelmente, quando o povo soube da rebelião, as esmolas começaram a escassear e então os rebeldes prometeram emenda. Roberto, Alberico e Estêvão retornaram ao mosteiro. Mas logo reapareceram os sintomas do relaxamento, e Alberico parece ter lançado a ideia de partir com um grupo dos mais fervorosos para fundar à parte uma comunidade mais observante.


Assim se fez e, em 1098, vinte e um monges se estabeleceram em Cister, um pouco ao sul de Dijon, a cerca de cem quilômetros de Molesmes. Tais foram os princípios da grande Ordem Cisterciense. Roberto, Alberico e Estêvão foram eleitos abade, prior e subprior, respectivamente. Pouco depois, porém, São Roberto retornou à comunidade de Molesmes, e Alberico lhe sucedeu no cargo de abade, de modo que a ele devem ser atribuídas, com toda probabilidade, algumas das principais características da reforma cisterciense. Tratava-se de uma restauração da primitiva observância beneditina, mas com muito mais austeridade. Uma das manifestações externas da mudança foi a adoção do hábito branco, com escapulário negro e capuz, para os monges de coro. Segundo a lenda, essa mudança deveu-se a um desejo que a Santíssima Virgem comunicou a São Alberico numa aparição. Uma modificação mais profunda foi a instituição de uma classe especial de “fratres conversi”, ou irmãos leigos, aos quais se confiou o trabalho doméstico e, sobretudo, a exploração das granjas distantes do convento. Contudo, todos os monges estavam obrigados, de alguma forma, ao trabalho manual. O coro foi simplificado e abreviado; e deixou-se mais tempo para a oração privada.


A Virgem Maria, padroeira da Ordem, dá a Alberico o capuz branco cisterciense, afresco do teto na Igreja da Abadia de Zirc, Hungria
A Virgem Maria, padroeira da Ordem, dá a Alberico o capuz branco cisterciense, afresco do teto na Igreja da Abadia de Zirc, Hungria

Alberico não governou por muito tempo, e provavelmente muitos dos traços característicos da organização definitiva de Cister se devem a seu sucessor, São Estêvão. Foi ele quem nos deixou o testemunho mais pessoal sobre São Alberico, numa exortação que pronunciou por ocasião da morte deste, ocorrida em 26 de janeiro de 1109:


“A todos nós afeta igualmente esta grande perda — disse ele —, e dificilmente poderei consolar-vos eu, que necessito de consolo tanto quanto vós. Vós perdestes um pai e um diretor de vossas almas; eu não só perdi um pai e um guia, mas também um amigo, um companheiro de armas, um valente soldado do Senhor, a quem nosso venerável pai Roberto havia educado com ciência e piedade admiráveis, desde os primeiros dias do nosso instituto monástico... Permaneceu entre nós o corpo de nosso amado pai como uma forma de sua presença, e ele nos levou consigo ao céu em seu coração... O guerreiro triunfou, o atleta recebeu o prêmio merecido, o vencedor ganhou sua coroa; já senhor do triunfo, pede que também a nós seja concedida a palma dos vencedores... Não choremos pelo soldado que já descansa; choremos antes por nós, que continuamos na frente de batalha, e transformemos em orações nossas palavras de tristeza, rogando a nosso pai triunfante que não permita que o leão rugiente e o feroz inimigo nos derrotem”.2


A Virgem Maria entrega a Santo Alberico de Cister o hábito cisterciense.
A Virgem Maria entrega a Santo Alberico de Cister o hábito cisterciense.

A tradição da Ordem preservou até os nossos dias sua memorável devoção mariana: “Maria, Rainha dos Anjos, era a luz do santo abade Alberico”.3


E a ele é atribuído o costume de invocar Maria enquanto “Senhora”.4 Na piedade medieval, os fiéis dirigiam-se mais frequentemente à Mãe Deus como “a Virgem”. Alberico, entretanto, quando pregava aos seus monges no capítulo A chamava de “minha Senhora”. Quantas vezes a comunidade presenciou o abade falar d’Ela como uma criança encantada por sua mãe! Aquela feliz expressão tornou-se comum entre os monges brancos, ­sendo-lhes costume repetir: “A Senhora de Alberico nos ajudará!” E a Senhora de Alberico logo Se tornou Nossa Senhora de Cister, para ser hoje, nos lábios de qualquer alma aflita, Nossa Senhora.


Ver Acta Sanctorum, 26 de janeiro; J. B. Delgairms, Life of St Stephen Harding; cf. outras obras em nosso artigo sobre São Estêvão, 17 de abril.



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 172-175.

2. Ibid. pp. 177-179.

3. Gobry, Ivan. Les moines en Occident. Cîteaux. Paris: François-Xavier Guibert (1998), p. 28.

4. Raymond, OCSO, M. Tres monjes rebeldes. La saga de Citeaux. Barcelona: Herder (1981), p. 217.



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