Vida de Santo Inácio de Antioquia e São Severo de Ravena (1 de fevereiro)
- Sacra Traditio

- 1 de fev.
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Santo Inácio, chamado Teóforo, “aquele que leva a Deus”, provavelmente foi um convertido, discípulo de São João Evangelista; os dados históricos fidedignos sobre seus primeiros anos são poucos. De acordo com alguns escritores antigos, os apóstolos São Pedro e São Paulo ordenaram que sucedesse a São Evódio como bispo de Antioquia, cargo que conservou por quarenta anos, e no qual brilhou como pastor exemplar. O historiador eclesiástico Sócrates diz que introduziu ou divulgou em sua diocese o canto de antífonas, fato pouco provável. A paz de que gozaram os cristãos ao morrer Domiciano durou unicamente os quinze meses do reinado de Nerva, e sob Trajano a perseguição foi retomada. Em uma interessante carta do imperador a Plínio, o Jovem, governador da Bitínia, estabelecia-se o princípio de que os cristãos deviam ser mortos no caso de haver denúncias oficiais; e, em outros casos, não deveriam ser molestados. Trajano foi magnânimo e humanitário; mas a gratidão que o ligava a seus deuses pelas vitórias sobre os dácianos e citas levou-o posteriormente a perseguir os cristãos, que se recusavam a reconhecer essas divindades. Infelizmente, não podemos confiar no relato lendário sobre a prisão de Inácio e sua entrevista pessoal com o imperador; no entanto, desde época muito remota, acreditou-se que o interrogatório ao qual foi submetido o soldado de Cristo por Trajano seguiu aproximadamente este curso:
“Quem és tu, espírito maligno, que ousas desobedecer às minhas ordens e incitas outros à sua perdição?”
“Ninguém chama Teóforo de espírito maligno”, diz-se que respondeu o santo.
“Quem é Teóforo?”
“Aquele que leva Cristo dentro de si.”
“Quer dizer que nós não levamos dentro de nós os deuses que nos ajudam contra nossos inimigos?” perguntou o imperador.
“Enganas-te quando chamas deuses àqueles que não são senão demônios”, replicou Inácio. “Há um só Deus que fez o céu, a terra e todas as coisas; e um só Jesus Cristo, em cujo reino desejo ardentemente ser admitido.”
Trajano perguntou: “Referes-te àquele que foi crucificado sob Pôncio Pilatos?”
“Sim, Àquele que com sua morte crucificou o pecado e o seu autor, e proclamou que toda malícia diabólica deve ser calcada por aqueles que O levam no coração.”
“Então tu levas Cristo dentro de ti?” disse o imperador.
Inácio respondeu: “Sim, porque está escrito: viverei com eles e caminharei com eles.”

Quando Trajano mandou acorrentar o bispo para que o levassem a Roma e ali fosse devorado pelas feras nas festas populares, o santo exclamou: “Dou-te graças, Senhor, por teres permitido dar-Te esta prova de amor perfeito e por deixares que me acorrentem por Ti, como teu apóstolo Paulo.”
Rezou pela Igreja, recomendou-a com lágrimas a Deus e, com gosto, submeteu seus membros aos grilhões; e os soldados o fizeram sair apressadamente para conduzi-lo a Roma.
Em Selêucia, porto marítimo situado a cerca de vinte e cinco quilômetros de Antioquia, embarcaram num navio que, por razões desconhecidas, costeou pela margem sul e ocidental da Ásia Menor, em vez de dirigir-se diretamente à Itália. Alguns de seus amigos cristãos de Antioquia tomaram um caminho mais curto, chegaram a Roma antes dele e ali aguardaram sua chegada. Durante a maior parte do trajeto acompanharam Santo Inácio o diácono Filon e Agátopo, considerados autores das atas de seu martírio. Parece que a viagem foi sumamente cruel, pois Santo Inácio era vigiado dia e noite por dez soldados tão bárbaros, que ele dizia serem como “dez leopardos” e crescenta: “ia eu lutando com feras selvagens por terra e mar, de dia e de noite” e “quando se os tratava bondosamente, enfureciam-se mais”.
As numerosas paradas deram ao santo a oportunidade de confirmar na fé as igrejas próximas à costa da Ásia Menor. Onde quer que o navio atracasse, os cristãos enviavam seus bispos e presbíteros para saudá-lo, e grandes multidões se reuniam para receber a bênção daquele mártir vivo. Designaram-se também delegações que o escoltaram pelo caminho. Em Esmirna teve a alegria de encontrar seu antigo condiscípulo São Policarpo; ali se reuniram também o bispo Onésimo, à frente de uma delegação de Éfeso; o bispo Dámaso, com enviados de Magnésia, e o bispo Políbio de Trales. Burrus, um dos delegados, foi tão prestativo com Santo Inácio que este pediu aos efésios que lhe permitissem acompanhá-lo. De Esmirna, o santo escreveu quatro cartas.
A carta aos efésios começa com um caloroso elogio dessa Igreja. Exorta-os a permanecer em harmonia com seu bispo e com todo o clero, a reunirem-se com frequência para rezar publicamente, a serem mansos e humildes, a suportarem as injúrias sem murmurar. Louva-os por seu zelo contra a heresia e lembra-lhes que suas obras mais ordinárias seriam espiritualizadas na medida em que as fizessem por Jesus Cristo. Chama-os companheiros de viagem em seu caminho para Deus e diz-lhes que levam Deus em seu peito. Em suas cartas às Igrejas de Magnésia e Trales fala em termos análogos e as põe em guarda contra o docetismo, doutrina que negava a realidade do corpo de Cristo e de sua vida humana. Na carta a Trales, Inácio diz àquela comunidade que se guarde das heresias, “o que farão se permanecerem unidos a Deus, e também a Jesus Cristo, ao bispo e aos mandamentos dos apóstolos. Aquele que está dentro do altar está puro, mas aquele que está fora dele, isto é, quem se separa do bispo, dos presbíteros e dos diáconos, não está puro”. A quarta carta, dirigida aos cristãos de Roma, é uma súplica para que não lhe impeçam de ganhar a coroa do martírio; pensava que havia perigo de que os influentes tentassem obter uma mitigação da condenação. Sua preocupação não era infundada. Nessa época, o cristianismo já havia conseguido adeptos em posições elevadas. Havia homens como Flávio Clemente, primo do imperador, e os Acílios Glabriones, que tinham amigos poderosos na administração. Luciano, satirista pagão (c. 165 d.C.), que seguramente conheceu essas cartas de Inácio, dá testemunho disso.

“Temo que o vosso amor me prejudique”, escreve o bispo; “a vós é fácil fazer o que vos agrada; mas a mim será difícil chegar a Deus, se vós não cruzardes os braços. Nunca terei oportunidade como esta para chegar ao meu Senhor... Portanto, o maior favor que podeis fazer-me é permitir que eu seja derramado como libação a Deus enquanto o altar está preparado; para que, formando um coro de amor, possais dar graças ao Pai por Jesus Cristo, porque Deus se dignou trazer a mim, bispo sírio, do oriente ao ocidente, para que passe deste mundo e ressuscite de novo com Ele... Apenas vos suplico que rogueis a Deus que me dê graça interna e externa, não só para dizer isto, mas para desejá-lo, e para que não só me chame cristão, mas para que o seja de fato... Permiti que eu sirva de alimento às feras ferozes para que, por elas, possa alcançar a Deus. Sou trigo de Cristo e quero ser moído pelos dentes das feras para tornar-me pão saboroso para meu Senhor Jesus Cristo. Animai as feras para que sejam meu sepulcro, para que não deixem nada do meu corpo, para que, quando eu estiver morto, não seja pesado a ninguém... Não vos ordeno isso, como Pedro e Paulo: eles eram apóstolos, eu sou um réu condenado; eles eram homens livres, eu sou um escravo. Mas se sofrer, tornar-me-ei liberto de Jesus Cristo e n’Ele ressuscitarei livre. Alegro-me por já me terem preparadas as feras e desejo de todo o coração que me devorem logo; mais ainda, eu mesmo as instigarei para que me devorem imediatamente e por completo e não me poupem, como fizeram com outros a quem não ousaram atacar. Se não quiserem atacar-me, eu as obrigarei. Peço-vos perdão. Sei o que me convém. Agora começo a ser discípulo. Que nenhuma coisa visível ou invisível me impeça de chegar a Jesus Cristo. Que venham contra mim fogo, cruz, golpes de espada, dilacerações, fraturas e mutilações; que meu corpo seja reduzido a pedaços e que todos os tormentos do demônio caiam sobre mim, contanto que eu chegue a gozar do meu Jesus. O príncipe deste mundo procura arrebatar-me e perverter meus anseios por Deus. Que nenhum de vós o ajude. Tomai o meu partido e o partido de Deus. Não leveis nos vossos lábios o nome de Jesus Cristo e desejos mundanos no coração. Ainda que eu mesmo, já entre vós, vos implorasse ajuda, não me escuteis, mas crede no que vos digo por carta. Escrevo-vos cheio de vida, mas com desejos de morrer”.
Os guardas apressaram-se em sair de Esmirna para chegar a Roma antes que terminassem os jogos, pois as vítimas ilustres e de aspecto venerável eram a grande atração do anfiteatro. O próprio Inácio, com grande gosto, secundou a pressa deles. Em seguida embarcaram para Trôade, onde souberam que a paz havia sido restabelecida na Igreja de Antioquia. Em Trôade, Inácio escreveu três cartas mais. Uma aos fiéis de Filadélfia, louvando o seu bispo, cujo nome cala, e rogando-lhes que evitem a heresia.
“Usai uma só Eucaristia; porque a carne de Jesus Cristo Nosso Senhor é uma só e um só é o cálice para nos unir a todos no seu sangue. Há um só altar, assim como um só bispo, juntamente com o corpo de presbíteros e diáconos, meus irmãos servidores, para que tudo o que fizerdes o façais de acordo com Deus”.
Na carta aos de Esmirna encontramos outro aviso contra os docetistas, que negavam que Cristo tivesse assumido uma natureza humana real e que a Eucaristia fosse realmente o seu corpo. Proíbe-lhes todo trato com esses falsos mestres e só lhes permite orar por eles. A última carta é a São Policarpo e consiste principalmente em conselhos, como convém a uma pessoa muito mais jovem do que o autor. Exorta-o a trabalhar por Cristo, a reprimir os falsos ensinamentos, a cuidar das viúvas, a ter celebrações religiosas frequentes, e lembra-lhe que a medida de seus trabalhos será a de sua recompensa. Como Santo Inácio não teve tempo de escrever a outras Igrejas, pediu a São Policarpo que o fizesse em seu nome.

De Trôade navegaram até Neápolis da Macedônia. Depois foram a Filipos e, tendo atravessado a Macedônia e o Epiro a pé, embarcaram novamente em Epidamno (a atual Durazzo, na Albânia). É preciso confessar que esses detalhes se baseiam unicamente nas chamadas “atas” do martírio, e não podemos ter plena confiança na descrição da cena final. Diz-se que, ao aproximar-se o santo de Roma, os fiéis saíram a recebê-lo e se alegraram ao vê-lo, mas lamentaram ter de perdê-lo tão cedo. Como ele havia previsto, desejavam tomar medidas para libertá-lo, mas ele lhes rogou que não o impedissem de chegar ao Senhor. Então, ajoelhando-se com seus irmãos, rezou pela Igreja, pelo fim da perseguição e pela caridade e concórdia entre os fiéis. De acordo com a mesma lenda, chegou a Roma no dia 20 de dezembro, último dia dos jogos públicos, e foi conduzido à presença do prefeito da cidade, a quem foi entregue a carta do imperador. Depois dos trâmites habituais, foi levado apressadamente ao anfiteatro flaviano. Ali soltaram dois leões ferozes, que imediatamente o devoraram e deixaram apenas os ossos maiores. Assim foi atendida a sua oração.
Parece haver fundamento suficiente para crer que os fragmentos que puderam ser recolhidos dos restos do mártir foram levados a Antioquia e, sem dúvida, venerados a princípio de modo discreto “num cemitério fora da porta de Dafnis”. Isso é referido por São Jerônimo, escrevendo em 392, e sabemos que ele havia visitado Antioquia. Pelo antigo martirológio sírio sabemos que a festa do mártir era celebrada nessas regiões no dia 17 de outubro, e pode-se supor que o panegírico de Santo Inácio, feito por São João Crisóstomo quando este ainda era presbítero de Antioquia, foi pronunciado nesse dia. São João destaca o fato de que o solo de Roma havia sido embebido com o sangue da vítima, mas que Antioquia guardava para sempre suas relíquias. “Vós o emprestastes por algum tempo”, disse ele ao povo, “e o recebestes com juros. Enviastes um bispo e recuperastes um mártir. Despedistes-lo com orações e o trouxestes de volta à vossa terra com louros de vitória”. Mas já no tempo de Crisóstomo a lenda havia começado a tecer-se. O orador supõe que Inácio havia sido nomeado pelo próprio apóstolo São Pedro para sucedê-lo no bispado de Antioquia. Não é de admirar que em épocas posteriores se fabricasse toda uma correspondência, inclusive certas cartas entre o mártir e a Santíssima Virgem, quando ainda vivia na terra, depois da ascensão de seu Filho. Talvez o relato mais ingênuo de todas essas fábulas medievais seja a história que identifica Inácio com o menino que Nosso Senhor tomou nos braços para dar uma lição sobre a humildade (Marcos 9,36).

Há um marcado contraste entre a obscuridade que envolve quase todos os detalhes da carreira deste grande mártir e a certeza com que os eruditos atuais afirmam a autenticidade das sete cartas a que nos referimos anteriormente, como escritas por ele a caminho de Roma. Não é este o lugar para discutir as três edições críticas dessas cartas, conhecidas como a “Mais Longa”, a “Curetoniana” e a “Vossiana”. Uma controvérsia secular produziu uma literatura abundante, mas atualmente a disputa está praticamente encerrada. Em todo caso, pode-se dizer que, com raríssimas exceções, a geração atual de estudiosos da patrística está de acordo em admitir a autenticidade da “Curetoniana”, que foi a primeira identificada pelo arcebispo Ussher em 1644, e cujo texto grego foi impresso por Isaac Voss e por Dom Ruinart pouco tempo depois. Não há temor de exagerar a importância que o testemunho dessas cartas traz sobre as crenças e a organização interna da Igreja cristã, poucos anos depois da ascensão de Nosso Senhor. Santo Inácio de Antioquia é o primeiro escritor que, fora do Novo Testamento, sublinha o nascimento virginal. Aos de Éfeso, por exemplo, escreve:
“e ao príncipe deste mundo ficou oculta a virgindade de Maria, o seu parto e também a morte do Senhor”.
Supõe-se claramente conhecido o mistério da Trindade, e percebe-se um acentuado enfoque cristológico quando lemos, na mesma carta (c. 7):
“há um só médico, de carne e de espírito, gerado e não gerado, Deus feito homem, verdadeira Vida na morte, filho de Maria e filho de Deus, primeiro passível e depois impassível, Jesus Cristo Nosso Senhor”.
Não menos notáveis são as expressões usadas a respeito da Sagrada Eucaristia. Ela é “a carne de Cristo”, “o dom de Deus”, “o remédio da imortalidade”, e Inácio denuncia os hereges “que não confessam que a Eucaristia é a carne de Jesus Cristo nosso Salvador, carne que sofreu por nossos pecados e que, em sua bondosa misericórdia, o Pai ressuscitou”.
Finalmente, na carta aos de Esmirna, pela primeira vez na literatura cristã encontramos mencionada “a Igreja Católica”.
“Onde quer que apareça o bispo, aí esteja o povo; assim como onde quer que esteja Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica”.

O santo fala severamente das especulações heréticas — em particular as dos docetistas — que já em seu tempo ameaçavam prejudicar a integridade da fé cristã. Certamente pode-se dizer que a nota fundamental de todo o seu ensinamento foi insistir na unidade de crença e de espírito entre aqueles que pretendiam seguir Nosso Senhor. Mas, apesar do seu temor à heresia, ele ressaltava a necessidade de ser indulgente com os que estavam no erro e insistia na tolerância e no amor à cruz. A exortação aos efésios oferece uma lição a todos aqueles para quem a religião não é um título vazio:
“Orai incessantemente pelo resto dos homens — porque há neles esperança de arrependimento — para que cheguem a Deus. Portanto, instruí-os com o exemplo de vossas obras. Quando eles explodirem em ira, sede mansos; quando se vangloriarem ao falar, sede humildes; quando vos injuriarem, orai por eles; se estiverem no erro, sede firmes na fé; diante da sua fúria, sede pacíficos. Não anseieis pela vingança. Que a nossa indulgência lhes mostre que somos seus irmãos. Procuremos ser imitadores do Senhor, esforçando-nos por ver quem pode sofrer as piores injustiças, quem pode suportar ser defraudado, ser reduzido a nada; que não se encontre em vós joio do demônio. Mas, com toda pureza e sobriedade, vivei em Cristo Jesus, na carne e no espírito.”
Pelo que foi dito, vê-se claramente que, na prática, as sete cartas de Santo Inácio constituem a única fonte fidedigna a respeito de sua vida. O leitor pode consultar essas cartas na obra magistral do bispo Lightfoot, The Apostolic Fathers (1877–1885). Há uma tradução manejável, com valiosa introdução e notas, no volume do Dr. J. H. Srawley, intitulado The Epistles of St. Ignatius (1935), e um texto com tradução de Kirsopp Lake na Biblioteca de Clássicos Loeb, sob o título The Apostolic Fathers, vol. 1 (1930). A tradução e as notas da coleção Primeiros Escritores Cristãos (1946) são do Dr. J. A. Kleist. Outras edições, como as de A. Lelong, F. X. Funk e T. Zahn, não precisam ser mencionadas aqui. As cartas de Santo Inácio, traduzidas para o latim e para vários idiomas orientais, eram amplamente conhecidas pelos primeiros escritores cristãos. Até mesmo o britânico São Gildas, em seu De excidio Britanniae, escrito por volta do ano 540, cita a carta dirigida aos romanos. O panegírico de Crisóstomo encontra-se em Migne, P. G., vol. 1. Para maiores dados sobre a data do martírio, veja-se H. Grégoire em Analecta Bollandiana, vol. LXIX (1951), pp. 1 ss. Santo Inácio é mencionado no cânon da Missa dos ritos romano, sírio e maronita.1

A história fornece poucos detalhes sobre este prelado. É o que figurou em duodécimo lugar entre os bispos de Ravena. Sucedeu a Marcelino e ocupou a sé durante grande parte do século IV. No ano de 347, assistiu ao concílio de Sárdica e ali defendeu os decretos de fé de Niceia contra os arianos.
Alguns dizem que morreu no ano de 348 e outros que em 389. Em seu túmulo realizaram-se milagres, e a Igreja de Ravena honra a sua memória.
Segundo a lenda e de acordo com uma biografia escrita no século VI, Severo, que era tecelão de ofício, chegou a ser bispo de Ravena porque uma pomba veio pousar sobre a sua cabeça. O tecelão, que era um homem casado, foi imediatamente aclamado por todos os presentes. Para não quebrar uma tradição que remontava aos tempos de Apolinário, Severo teve de aceitar o cargo de bispo, renunciando ao mundo, ao lar e à família. Sua esposa, Vicência, e sua filha, Inocência, consagraram-se a Deus e morreram antes dele.
São Severo é representado com lançadeiras nos bolsos e um tecido tecido debaixo do braço. O Martirológio Jeronimiano menciona o nome de Severo no dia 1º de fevereiro. Os martirológios posteriores acrescentaram alguns detalhes extraídos da lenda.
O culto dos santos Severo, Vicência e Inocência foi reavivado quando seus corpos foram levados para Pavia e, dali, transferidos para Mogúncia, no século IX. No mosteiro de Erfurt construiu-se uma esplêndida basílica e para lá foram trasladadas as relíquias de Severo. Ele foi venerado como santo padroeiro da cidade. A partir daí, o seu culto se espalhou por toda a Alemanha.
Veja-se Acta Sanctorum, 1º de fevereiro. Charles Cahier, Caractéristiques des saints, p. 572. Existe um panegírico do santo por Pedro Damião.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 220-225.
2. Ibid. p. 226.


























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