top of page

Festa de Nossa Senhora de Lourdes e a Vida do Papa São Gregório II e Papa São Pascoal I (11 de fevereiro)






Imagem de Nossa Senhora encontrada na gruta onde apareceu a Santa Bernadette Soubirous
Imagem de Nossa Senhora encontrada na gruta onde apareceu a Santa Bernadette Soubirous

Em 11 de fevereiro de 1858, três meninas: Bernadette Soubirous, de catorze anos, sua irmã Marie-Toinette, de onze, e sua amiga Jeanne Abadie, de doze, saíram de casa em Lourdes para recolher lenha. Para chegar a um lugar às margens do rio Gave, onde lhes haviam dito que encontrariam ramos secos em abundância, tinham de passar diante de uma gruta natural aberta nos rochedos de Massabielle que margeavam o leito do rio, depois de atravessar um riacho, cuja corrente movia a roda de um moinho. As duas meninas menores atravessaram o riacho gritando, porque a água estava muito fria. Bernadette, que, ao contrário de suas companheiras, usava meias por causa de sua saúde delicada — sofria de asma —, não se atrevia a imitá-las. No entanto, quando as outras duas se recusaram a ajudá-la a atravessar, começou a tirar as meias. Estava nisso quando ouviu ao seu lado o ruído de um murmúrio, como o produzido por uma rajada de vento. Levantou a cabeça e constatou que as árvores da outra margem estavam imóveis; apenas lhe pareceu notar um leve movimento nos arbustos que cresciam diante da gruta, muito perto dela, do outro lado do riacho. Não deu importância ao fato, terminou de tirar as meias e já ia colocar um pé na água, quando o sussurro se repetiu. Dessa vez ficou olhando fixamente para a gruta e viu agitarem-se com força os ramos das sarças, mas, além disso, em um nicho dentro da caverna, atrás e acima dos ramos, estava a figura de “uma jovem vestida de branco, não mais alta do que eu, que me saudava com leves inclinações da cabeça”, como disse mais tarde Bernadette.


A aparição era muito bela: a jovem vestia túnica branca, cingida por uma faixa azul, e trazia um longo rosário pendente do braço. Ao vê-la, pareceu-lhe que fazia sinais convidando-a a rezar; Bernadette ajoelhou-se, tirou o rosário da bolsa e começou a recitá-lo; então a aparição tomou também o rosário em suas mãos e começou a passar as contas, rezando, porém sem mover os lábios. Não falaram, mas, ao terminar os cinco mistérios, a figura sorriu e, recuando para as sombras da gruta, desapareceu. As outras duas meninas voltaram de recolher a lenha e começaram a rir ao ver Bernadette de joelhos. Jeanne repreendeu-a por não tê-las ajudado a recolher os ramos secos e depois subiu nas rochas, correndo para o outro lado da gruta; mas Marie-Toinette aproximou-se da irmã: “Você está como assustada — disse-lhe —. Viu alguma coisa que lhe deu medo?”. Bernadette contou-lhe tudo, sob a promessa de que não o repetiria a ninguém; no entanto, Toinette contou tudo à mãe assim que voltaram para casa. A senhora Soubirous interrogou Bernadette.


— Você se enganou, menina — disse-lhe. Deve ter visto uma pedra.

— Não — respondeu a criança —; era uma jovem e tinha um rosto muito bonito.


Selo de Mônaco; 1958; selo comemorativo da edição “100º Aniversário da Aparição da Virgem Maria em Lourdes”
Selo de Mônaco; 1958; selo comemorativo da edição “100º Aniversário da Aparição da Virgem Maria em Lourdes”

A mãe chegou à conclusão de que talvez fosse uma alma do purgatório e proibiu a filha de voltar à gruta. Nos dois dias seguintes, Bernadette ficou em casa, mas numerosos meninos da vizinhança, que haviam tomado conhecimento do acontecimento, importunaram-na para que voltasse ao local. A senhora Soubirous, exasperada, mandou a filha pedir conselho ao padre Pomian, que não lhe deu atenção; então recomendou a Bernadette que falasse com o pai, e este, depois de algumas hesitações, autorizou-a a ir. Várias meninas tomaram o caminho da gruta, levando uma garrafa de água benta e, ao chegar, todas se ajoelharam para rezar o Rosário. Quando iam no terceiro mistério, “a mesma jovem branca apareceu no mesmo lugar de antes”, para usar as próprias palavras de Bernadette: “Ela está ali!, disse à que estava mais perto de mim, e pus o braço sobre os ombros dela apontando para a jovem branca, mas ela não viu nada”. Outra menina, chamada Marie Hillot, deu-lhe a água benta e, levantando-se, lançou algumas gotas em direção à visão; a figura sorriu e fez o sinal da cruz. Bernadette falou-lhe: “Se vens da parte de Deus, aproxima-te”. A figura deu um passo à frente. Nesse momento, Jeanne Abadie, com outras meninas, subiu às rochas da gruta e lançou uma pedra que caiu aos pés de Bernadette. A visão desapareceu. Mas Bernadette voltou a ajoelhar-se e permaneceu imóvel, como em êxtase, com os olhos fixos na gruta. As companheiras não conseguiram movê-la. Com dificuldade, o moleiro Nicolau e sua mulher levantaram a menina nos braços e a levaram pela encosta até o moinho, onde de repente voltou a si e começou a chorar amargamente. Logo se reuniram ali muitas pessoas e a mãe de Bernadette começou a repreender a filha, com o que todos se retiraram discretamente e voltaram a Lourdes. Nenhum dos que conheciam Bernadette, nem mesmo as freiras que lhe ensinavam o catecismo, acreditou no que dizia. Alguns opinaram que o que havia visto era uma alma do purgatório.


A terceira aparição teve lugar em 18 de fevereiro, quando uma senhora chamada Millet e sua filha, que pertencia à Congregação das Filhas de Maria, levaram Bernadette à gruta, muito cedo pela manhã. Levavam consigo uma vela benta, pena e tinta. As três ajoelharam-se para rezar e, quando Bernadette murmurou que a figura estava ali, a filha da senhora Millet entregou-lhe a pena, o papel e a tinta.


— Se vens da parte de Deus, por favor dize-me o que queres; se não, vai-te — disse Bernadette. Como a Senhora se limitou a sorrir, a menina acrescentou, estendendo o papel e a pena: por favor, digna-te escrever teu nome e o que queres.


Então a aparição (isto é, Nossa Senhora) falou pela primeira vez, utilizando o “patois” (dialeto) de Lourdes:


— Não é necessário que eu escreva o que tenho a dizer. Queres ter a bondade de vir aqui todos os dias durante uma quinzena?


Depois de uma pausa, acrescentou: — Não te prometo fazer-te feliz nesta vida, mas sim na outra — e, elevando-se até o teto da gruta, desapareceu.


No domingo, 21 de fevereiro, grande número de pessoas a acompanhou até a gruta, incluindo o doutor Dozous, médico cético que tomou o pulso e examinou a respiração da menina durante o êxtase. A aparição falou novamente: “Orarás a Deus pelos pecadores”, recomendou.


Depois da Missa maior, Bernadette foi visitar o procurador imperial, J. V. Dutour, que a interrogou minuciosamente para chegar à conclusão de que a menina era sincera, mas estava obcecada. Depois das vésperas, o comissário de polícia, Dominic Jacomet, mandou chamá-la e a submeteu a um interrogatório muito severo, despedindo-a mais tarde com a advertência de que deveria manter-se afastada da gruta ou arcar com as consequências. Aqueles funcionários consideravam que a conduta da menina perturbava a ordem pública e, além disso, haviam observado que os terrenos onde se situava a gruta ofereciam muito poucas garantias de segurança às grandes multidões que ali iriam se reunir. No dia 22, Bernadette foi à gruta, apesar da proibição. Havia ali um pequeno grupo de cidadãos e dois gendarmes, mas a aparição não ocorreu. No mesmo dia, o Pe. Pomian, confessor de Bernadette, declarou que, se o procurador Dutour, autoridade máxima do lugar, não havia proibido a jovem de se aproximar da gruta, ela poderia ir quando quisesse. Às seis horas da manhã do dia 23, Bernadette chegou ao local e já se encontrava ali uma multidão de duzentas pessoas. Dessa vez, viu novamente a aparição e caiu em um transe que durou quase uma hora. No dia seguinte, a multidão aumentou para quatrocentas ou quinhentas pessoas e, novamente, Bernadette teve uma hora de êxtase quando a aparição se manifestou. Porém, recusou-se a revelar qualquer coisa que a Senhora tivesse dito. Na quinta-feira, dia 25, depois de rezar um mistério do Rosário, Bernadette começou a avançar de joelhos pela encosta que subia até a caverna, afastando suavemente a folhagem. Ao chegar ao fundo da gruta, deu meia-volta sem se levantar e avançou em sentido contrário; depois, deteve-se a olhar inquisitivamente para o nicho, pôs-se de pé e caminhou para o lado esquerdo da cavidade.[a] O que a própria Bernadette relata é isto:


“Vai beber na fonte e lava-te em suas águas”, disse-lhe a Senhora. Como Bernadette não sabia que houvesse uma fonte nas rochas da caverna, voltou-se para aproximar-se do rio. Mas então a Senhora voltou a falar para explicar-lhe. “Ela mesma apontou com o dedo”, disse a jovem, “para mostrar-me onde estava a fonte; caminhei até lá, mas só pude encontrar uma poça de água suja; meti as mãos, mas não consegui apanhar água suficiente para beber. Comecei a escavar e saiu água, porém turva. Por três vezes a tirei com as mãos e a joguei fora; depois, já se podia beber”.


Fotografia de Santa Bernadette Soubirous quando criança.
Fotografia de Santa Bernadette Soubirous quando criança.

As pessoas viram que a menina se inclinava e, ao erguer-se, tinha o rosto sujo de lama. Novamente se inclinou e parecia que estava mordiscando as folhas de uma planta. Instantes depois, endireitou-se e começou a caminhar em direção a Lourdes. A princípio, o povo mostrou-se desdenhoso e até zombeteiro, mas um pouco mais tarde, naquele mesmo dia, todos ficaram espantados ao ver que havia brotado uma nascente de água turva na gruta e que sua corrente desembocava no Gave. Antes de uma semana, a fonte estava produzindo 27.000 galões (102.200 litros) diários, como continua a fazê-lo até hoje.


No dia 26 de fevereiro, oitocentas testemunhas viram Bernadette, em transe, arrastando-se pela encosta da gruta, inclinando-se frequentemente para beijar o chão e fazendo sinais, como se convidasse os outros a imitá-la. A aparição havia aconselhado que se fizesse penitência. [b]


As visões dos dias 27 e 28 seguiram o curso habitual, embora a multidão crescesse. Bernadette inclinou-se repetidas vezes para beijar o chão, e o povo a imitou. Na tarde do dia 28, levaram-na diante de um magistrado, que lhe fez as mesmas advertências. Para o dia 1º de março, o número de espectadores havia aumentado para 1.000 e, pela primeira vez, um sacerdote estava presente. O pároco de Lourdes e os quatro vigários haviam declarado que nada tinham a ver com a gruta de Massabielle, mas o abade Dézirat vinha de distritos distantes e não estava sob a jurisdição de Lourdes. Esse sacerdote mostrou-se muito impressionado. Naquele dia ocorreu uma cura na fonte, mas a notícia só foi divulgada meses depois. No dia 2 de março, às 7 horas da manhã, estavam presentes 1.700 pessoas quando Bernadette viu a aparição pela décima terceira vez. Naquela ocasião, a Senhora pediu-lhe que comunicasse aos clérigos o seu desejo de que fosse construída uma capela e realizada uma procissão. Bernadette foi ver o pároco, que a recebeu friamente, despediu-a com palavras ásperas e deu a entender às autoridades civis que ele pessoalmente desaprovava toda a questão das aparições.


O dia 3 de março foi de grandes decepções e desprezos para Bernadette. Às 4.000 pessoas que haviam comparecido, teve de confessar seu fracasso, pois a Senhora não havia aparecido; mas naquele mesmo dia, quando a maioria dos espectadores já tinha partido, voltou à gruta, viu a aparição e entrou em transe por curto tempo. No dia 4 de março, diante de milhares de espectadores, voltou a ter a visão, entrou em transe, mas não houve novidades. Haviam transcorrido catorze dias e a Senhora não voltou a aparecer; porém, no dia 25 de março — festa da Virgem — Bernadette visitou a gruta entre quatro e cinco horas da madrugada; a Senhora apareceu e disse-lhe que se aproximasse. Bernadette então lhe pediu: “Queres ter a bondade de dizer-me quem és?” A aparição sorriu sem responder. A menina repetiu a pergunta mais duas vezes e então a Senhora juntou as mãos, levantou os olhos ao céu e respondeu no “patois”: “Que sou a Imaculada Conceição”, “Eu sou a Imaculada Conceição”.


Depois continuou falando: “Desejo que aqui me seja construída uma capela”. Bernadette replicou: “Já lhes disse o que tu queres, mas eles pedem um milagre como prova do teu desejo”. A Senhora voltou a sorrir e, sem acrescentar palavra alguma, desvaneceu-se aos olhos de Bernadette.


A penúltima das aparições ocorreu no dia 7 de abril; uma multidão de 1.200 a 1.300 pessoas viu Bernadette em transe durante três quartos de hora. O Dr. Dozous estava ao seu lado e constatou que a menina erguia as mãos com os dedos entrelaçados e as colocava sobre a chama da vela que ardia diante dela. Observou que a chama acariciava seus dedos e se infiltrava entre eles, sem que a menina parecesse perceber. Não só era insensível à dor, como os tecidos de sua pele não foram afetados pelo fogo, nem lhe ficou cicatriz alguma. Quando voltou a si do transe, o médico aproximou a vela acesa da mão esquerda da menina e esta a retirou rapidamente, exclamando: “Queima!” Deve-se admitir, contudo, que o padre Cross, em sua “Histoire de Notre-Dame de Lourdes” (I, 494-499), apresenta razões que desacreditam essa declaração. De qualquer modo, a comissão episcopal que examinou e avaliou as provas das aparições não a levou muito em conta. A décima oitava e última aparição ocorreu no dia 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo. Já então, a gruta estava cercada para que o público não se aproximasse, e Bernadette só podia ver a parte superior do nicho por cima das cercas e desde a margem oposta do rio Gave; contudo, a figura não parecia mais distante do que das outras vezes. Depois dessa data, Bernadette Soubirous nunca mais voltou a ter visões da Santíssima Virgem durante os vinte e um anos que ainda viveu. A ninguém mais, além dela, foi concedido o privilégio dessas visões.


A aparição da Virgem Maria a Bernadette Soubirous na Gruta de Massabielle, perto de Lourdes, por Virgilio Tojetti
A aparição da Virgem Maria a Bernadette Soubirous na Gruta de Massabielle, perto de Lourdes, por Virgilio Tojetti

Convém acrescentar algumas palavras, a título de comentário, sobre dois pontos relacionados com as aparições da Santíssima Virgem em Lourdes: alguns críticos hostis [c] tentaram fazer crer que as manifestações sobrenaturais haviam sido organizadas pelo clero, a partir de Roma, com o propósito de confirmar e popularizar o Dogma da Imaculada Conceição que, apenas quatro anos antes, havia sido definido pelo Papa Pio IX. Pode-se comprovar o erro dessas críticas, recordando que foram os relatos das testemunhas, recolhidos pelas autoridades locais e submetidos à atenção da Prefeitura do Departamento de Lourdes e ao Ministério do Interior da França, que deram origem à história, sem que o clero ou a Igreja interviessem de modo algum nas supostas aparições, até que a fé as enraizou profundamente no povo e ocorreu a estranha coincidência do surgimento de uma fonte na gruta e as pessoas começaram a chegar ali aos milhares, vindas de todos os arredores. Tampouco é possível que alguém chegue a crer sinceramente que as autoridades da Igreja tenham tentado popularizar (como se afirmou) um Dogma aprovado pelo Vaticano, “recorrendo à imaginação e à superstição das massas” e, para completar, organizassem a fraude numa aldeia remota perdida nos Pireneus, a cem quilômetros da linha férrea mais próxima. Além disso, todos os atos da vida posterior de Bernadette, a pequena impostora que teria servido de instrumento a algum astuto eclesiástico, desmentem categoricamente tal hipótese. A jovem não voltou a ter visões; nunca lhe ocorreu adornar com novos detalhes o relato que fez desde o início; jamais demonstrou sentir-se satisfeita ou lisonjeada pela atenção que lhe era dispensada e nunca obteve qualquer ganho pecuniário com isso. Fugindo ao atrativo da fama e da popularidade e conservando a simplicidade de uma criança, Bernadette ingressou numa ordem religiosa de irmãs enfermeiras, em 1886, aos vinte e dois anos de idade. Fez o noviciado em Nevers, longe de Lourdes, e ali permaneceu doze anos, até a sua morte; não tomou parte em nenhuma das grandes obras de construção em torno da gruta, nem nas cerimônias da consagração da basílica.


Em segundo lugar, é necessário chamar a atenção para um fato muito notável que confirma o caráter único e sobrenatural das visões de Bernadette. Durante suas prolongadas visitas à gruta, enquanto permanecia em transe, com os olhos fixos na aparição que ela via tão claramente, dizendo-lhe coisas que faziam chorar de emoção os camponeses que a observavam, ninguém jamais pretendeu ter visto o que ela contemplava. Não houve alucinação coletiva, nem cenas de desordem, nem extravagâncias, gritos, contorções ou qualquer outra manifestação de exaltação. Em contrapartida, quando a série de visões de Bernadette havia terminado, começaram a surgir por toda parte falsas visionárias que realizavam demonstrações repugnantes. Os relatórios que o comissário de polícia enviou à prefeitura a esse respeito são muito claros. Algumas das visionárias eram jovens realmente piedosas e de boa conduta, sobretudo Maria Courrech, criada do prefeito, reconhecida por todos como uma jovem boa. Marie teve visões de abril a dezembro do mesmo ano e muita gente acreditou nela, mas a diferença entre os seus arroubamentos e os de Bernadette era muito marcante. O P. Cross publicou o testemunho de uma testemunha irrepreensível sobre as extravagâncias de Marie. Se tais aberrações chegaram a ocorrer em mulheres de boa disposição e formação, pode-se imaginar o que fariam outras moças indiferentes e ignorantes, bem como as crianças que, para imitar os mais velhos, começaram também a ter visões.


Os piedosos cidadãos de Lourdes e os camponeses das aldeias vizinhas, inteiramente convencidos de que as primeiras aparições na gruta foram autênticas, estavam dispostos a oferecer qualquer um de seus filhos como receptáculos de inspiração divina. Não há dúvida de que, às vezes, essas crianças ficaram em estado de arrebatamento e houve até algumas que verdadeiramente tiveram alucinações. Quanto aos “visionários” adultos, além dos já mencionados, só se pode dizer que quase todos fizeram exibições de fenômenos estranhos e repulsivos, convulsões histéricas, gestos, contorções, etc., e, naturalmente, em todos esses casos havia razões para suspeitar que se tratava de uma impostura deliberada.


Entre os muitos livros que se escreveram sobre Lourdes, vale a pena consultar, quanto ao aspecto histórico, o do padre L. J. M. Cross, Histoire de Notre-Dame de Lourdes (1901), 3 vols., por ser o mais bem documentado e o mais completo. Uma obra recente, Histoire exacte des apparitions de N. D. de Lourdes, de P. H. Petitot (1935), é boa. Cf. k, nota sobre Santa Bernadette, em 16 de abril, na obra de B. G. Sandhurst We saw her, publicada em 1953, para encontrar catalogadas as provas sobre as visões, com notas críticas.1




Papa São Gregório II. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Gregório II. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

Gregório nasceu em Roma; foi um homem notável por sua piedade e observância regular. Devido a isso, o Papa São Sérgio I o ordenou subdiácono. Sob os quatro Papas seguintes foi tesoureiro da Igreja e, depois, bibliotecário encarregado de comissões importantes. Eram tão grandes sua sabedoria e erudição, que foi escolhido para acompanhar o Papa Constantino a Constantinopla, quando este foi convocado para discutir com o imperador Justiniano II certas dificuldades e diferenças que haviam surgido no Concílio de Trulo, em 692. À morte de Constantino, Gregório foi eleito Papa e consagrado em 715.


Dirigiu seu zelo infatigável e vigilante a extirpar as heresias que proliferavam e a levar a cabo uma reforma dos costumes. Convocou vários sínodos nos quais foram formulados regulamentos disciplinares que promoviam a moralidade e reprimiam toda espécie de abusos. Mandou reconstruir grande parte das muralhas de Roma contra os lombardos e restaurou muitas igrejas. Tinha extremo cuidado com os doentes e os idosos; reconstruiu um asilo de idosos e o grande mosteiro que fica próximo à igreja de São Paulo, em Roma; após a morte de sua mãe, em 718, converteu sua casa no mosteiro de Santa Águeda.


Ajudou a restabelecer a abadia de Monte Cassino, para a qual enviou o abade São Petronax para governá-la, cento e quarenta anos depois de ter sido reduzida a escombros pelos lombardos. São Gregório enviou missionários para pregar a fé de Cristo na Alemanha e consagrou bispos São Corbiniano e São Bonifácio. Em seu tempo, os peregrinos ingleses que iam a Roma aumentaram de tal modo que foi necessário dedicar uma igreja, um cemitério e uma escola para eles.


Entretanto, foi nos assuntos com o imperador Leão III que Gregório mais demonstrou sua força e magnanimidade. Leão ordenou a destruição das imagens sagradas e colocou em vigor seus éditos de perseguição. São Germano e outros prelados do Oriente tentaram dissuadi-lo, mas, encontrando-o obstinado, recusaram-se a obedecer e apelaram ao Papa. Gregório, por muito tempo, continuou a empregar súplicas e argumentos, ao mesmo tempo em que animava vigorosamente o povo da Itália a manter-se leal a seu príncipe. Quando eclodiram rebeliões na Sicília, Ravena e Veneza, opôs-se eficazmente a elas; simultaneamente, encorajava com suas cartas os pastores da Igreja a resistirem à heresia que o imperador tentava impor pela violência. São Gregório II foi Papa por quinze anos; morreu no ano de 731.


Fontes abundantes sobre a vida do Papa Gregório II encontram-se em Lives of the Popes, de H. K. Mann, vol. I, pt. 2, pp. 141-142. O Liber Pontificalis, Paulo, o Diácono, Beda, Teófanes e Andrea Dandolo, juntamente com João, o Diácono (Sagornino), e as cartas de São Bonifácio, que são as mais importantes.2




Papa São Pascoal I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Pascoal I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

Pascoal, cidadão romano, abade de Santo Estêvão no Vaticano, foi eleito Papa no mesmo dia da morte de seu predecessor. Informou imediatamente ao imperador Luís sobre sua eleição, e o “pacto de confirmação” que recebeu deste é o primeiro cujo texto se conhece. Durante este pontificado, o imperador Leão V retomou a perseguição iconoclasta em Constantinopla. Lideraram a defesa da ortodoxia o patriarca São Nicéforo e o abade do mosteiro de Studion, São Teodoro. Este último apelou em particular ao Papa, como representante de São Pedro (“Tu recebeste as chaves… Tu és a rocha…”), para que viesse em seu auxílio. Pascoal enviou legados e recebeu uma calorosa carta de agradecimento de Teodoro, que se encontrava preso, mas os legados nada puderam fazer. Muitos monges gregos fugiram para Roma, e o Papa colocou à disposição deles o mosteiro de Santa Praxedes e outros.


Pascoal I trabalhou muito na construção e decoração de igrejas e transferiu as relíquias de numerosos mártires (incluindo Santa Cecília) das catacumbas para a cidade; no nicho de Santa Maria della Navicella ainda pode ser visto São Pascoal, num pequeno retrato em mosaico, ajoelhado aos pés da Santíssima Virgem, que ele ali havia colocado.


No ano de 823, dois funcionários papais, que haviam passado, juntamente com alguns leigos nobres, para o partido contrário ao Papa, numa disputa, foram assassinados, e acusou-se o Papa Pascoal de ser o instigador do crime. Ele se justificou por meio de um juramento solene, mas recusou-se a entregar os criminosos (membros de sua casa), alegando que os tribunais do Estado não tinham jurisdição sobre eles e que seu crime era o de traição, o que os colocava fora da esfera da lei. Contudo, quando o Papa Pascoal morreu, pouco depois, em 824, os romanos não permitiram que fosse sepultado em São Pedro com as honras habituais; parece que ainda acreditavam que ele estivera envolvido no assassinato; e assim foi sepultado na igreja de Santa Praxedes, “no lugar que ele havia construído para tal fim”, quando ainda vivia.


O Liber Pontificalis contém poucos dados, exceto uma relação das atividades de construção e benefícios do Papa. Para sua história, é necessário recorrer à escassa correspondência que se conservou e aos cronistas. Naturalmente, nunca houve solicitação de uma canonização formal, e os motivos pelos quais o nome do Papa Pascoal foi incluído no Martirológio Romano são algo obscuros. Há uma nota dedicada a ele no Acta Sanctorum, maio, vol. III; mas veja-se especialmente H. K. Mann, Lives of the Popes, vol. II, pp. 122-135.3



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 307-312.

2. Ibid. p. 316.

3. Ibid. pp. 316-317.



Notas:


a. Há dois nichos na gruta; um a maior altura que o outro (neste se encontra atualmente a imagem de Nossa Senhora) e uma espécie de túnel entre os dois. A figura apareceu em lugares distintos; em 25 de fevereiro e 25 de março, as duas ocasiões mais importantes, a aparição estava na abertura inferior do túnel, ao nível do solo, segundo afirma o P. Martindale.


b. Aquele dia do ano de 1858, data em que a fonte surgida da gruta foi reconhecida como manancial, era a segunda sexta-feira da Quaresma e o Evangelho da Missa referia-se a uma piscina de águas curativas que se encontrava diante da Porta das Ovelhas, em Jerusalém. (João V, 1-15).


c. Ver sobretudo o British Medical Journal de 18 de junho de 1910, dedicado às curas milagrosas de Lourdes. Um artigo de Sir Henry Morris trata longamente do assunto.



REZE O ROSÁRIO DIARIAMENTE!

Comentários


  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • YouTube
linea-decorativa

“O ROSÁRIO
é a ARMA
para esses tempos.”

- Padre Pio

 

santa teresinha com rosas

“Enquanto a modéstia não
for colocada
em prática a sociedade vai continuar
a degradar,

a sociedade

fala o que é

pelasroupas

que veste.

- Papa Pio XII

linea-decorativa
jose-de-paez-sao-luis-gonzaga-d_edited.j

A castidade
faz o homem semelhante
aos anjos.

- São Gregório de Nissa

 

linea-decorativa
linea-decorativa
São Domingos

O sofrimento de Jesus na Cruz nos ensina a suportar com paciência
nossas cruzes,

e a meditação sobre Ele é o alimento da alma.

- Santo Afonso MARIA
de Ligório

bottom of page