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Festa da Conversão de São Paulo e a Vida de São Ananias e São Artêmio (25 de janeiro)

  • 25 de jan.
  • 7 min de leitura




A conversãode SãoPaulo, por Bartolomé Esteban Murillo
A conversãode São Paulo, por Bartolomé Esteban Murillo

O Apóstolo dos gentios era um judeu da tribo de Benjamim. Circuncidado ao oitavo dia de seu nascimento, segundo a lei, recebeu o nome de Saulo; mas, como havia nascido em “Tarso da Cilícia”, gozava dos privilégios de cidadão romano. Seus pais o enviaram muito jovem a Jerusalém, onde Gamaliel, um nobre fariseu, o instruiu na Lei de Moisés. Saulo tornou-se logo um observante da lei tão zeloso, que podia até recorrer ao testemunho de seus inimigos para provar até que ponto sua vida se havia conformado às prescrições legais. O jovem discípulo de Gamaliel ingressou também na seita dos fariseus, que era a mais severa. Alguns de seus membros haviam caído no orgulho, oposto à humildade evangélica. É provável que Saulo tenha aprendido desde a juventude o ofício de fabricante de tendas, que iria exercer durante seu apostolado. Mais tarde, superando seus companheiros no zelo pela lei e pelas tradições judaicas, que ele então identificava com a causa de Deus, Saulo tornou-se perseguidor e inimigo de Cristo. Foi um dos que tomaram parte no apedrejamento de Santo Estêvão, e Santo Agostinho comenta que, ao guardar as roupas daqueles que apedrejavam o mártir, Saulo o havia apedrejado pelas mãos de todos os outros. Podemos atribuir a conversão de Saulo às orações do mártir por seus inimigos:


“Se Estêvão não tivesse orado — diz Santo Agostinho —, a Igreja não teria tido São Paulo”.

Pregação de São Paulo em Éfeso por Eustache Le Sueur
Pregação de São Paulo em Éfeso por Eustache Le Sueur

Como os chefes dos judeus sempre viram em Jesus Cristo um inimigo da lei, não há nada de estranho em que o fariseu Saulo estivesse convencido de que “devia fazer guerra ao nome de Jesus de Nazaré” e que se tivesse tornado o terror dos cristãos, pois se entregou de corpo e alma a exterminá-los. O ardor de sua perseguição levou-o a oferecer-se ao sumo sacerdote para ir a Damasco, a fim de prender todos os judeus que confessassem Jesus Cristo e trazê-los acorrentados a Jerusalém. Mas Deus havia decidido mostrar sua paciência e misericórdia para com Saulo. Encontrava-se ele já perto de Damasco, quando uma grande luz do céu brilhou sobre ele e seus acompanhantes. Todos caíram aturdidos por terra, e Saulo ouviu uma voz que lhe dizia clara e distintamente: Saulo, Saulo, por que me persegues?” E ele respondeu: “Quem és tu, Senhor?” Cristo lhe disse: “Eu sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues. É duro para ti recalcitrar contra o aguilhão”. (Isto último equivalia a dizer-lhe: Perseguindo a minha Igreja, não consegues senão fazer mal a ti mesmo). Tremendo de espanto, Saulo perguntou: “Senhor, que queres que eu faça?” Cristo ordenou-lhe que prosseguisse seu caminho até Damasco, onde lhe seria manifestada a sua vontade.


Ao levantar-se, Saulo deu-se conta de que, embora tivesse os olhos abertos, não podia ver. Entrou em Damasco levado pela mão de um menino e hospedou-se na casa de um judeu chamado Judas, onde permaneceu três dias, cego e sem comer nem beber.


Havia em Damasco um cristão muito respeitado por sua vida e virtudes, chamado Ananias. Cristo apareceu-lhe e mandou-o ir ao encontro de Saulo, que estava em oração na casa de Judas. Ao ouvir o nome de Saulo, Ananias estremeceu, pois não ignorava os estragos que ele havia causado em Jerusalém, nem o motivo que o levara a Damasco. Mas o Salvador tranquilizou-o e repetiu-lhe a ordem de ir ao encontro de Saulo, dizendo-lhe: “Vai procurá-lo, porque ele é um instrumento escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel; e eu lhe mostrarei quanto deve sofrer por causa do meu nome”.


São Ananias restaurando a visão de São Paulo, por Jean Restout
São Ananias restaurando a visão de São Paulo, por Jean Restout

Enquanto isso, Saulo tivera a visão de um homem que lhe impunha as mãos e lhe devolvia a vista.


Ananias obedeceu e foi à procura de Saulo. Impôs-lhe as mãos e disse-lhe: Saulo, irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho, enviou-me a ti para que recuperes a vista e sejas cheio do Espírito Santo”. No mesmo instante caíram de seus olhos como que escamas, e ele recuperou a vista. Ananias continuou: “O Deus de nossos pais te escolheu para que conheças a sua vontade, vejas o Justo e ouças a sua palavra, e para que dês testemunho diante de todos os homens do que viste e ouviste. Que esperas? Levanta-te, recebe o batismo que te lavará dos teus pecados e invoca o nome do Senhor”. Saulo levantou-se, recebeu o batismo e comeu. Permaneceu alguns dias com os cristãos de Damasco e, logo em seguida, começou a pregar nas sinagogas o Filho de Deus, com grande espanto de seus ouvintes, que diziam: “Não é este o que perseguia em Jerusalém todos os que invocam o nome de Jesus e que veio a Damasco para fazê-los prisioneiros?” Assim, o antigo perseguidor blasfemo converteu-se em apóstolo e foi escolhido por Deus como um de seus principais instrumentos para a conversão do mundo.


São Paulo não podia recordar sua conversão sem sentir-se cheio de gratidão e sem louvar a misericórdia divina. Ao agradecer a Deus esse milagre de sua graça e ao propor aos penitentes esse modelo de perfeita conversão, a Igreja celebra uma festa que durante algum tempo foi de preceito em quase todo o Ocidente.


São Paulo recupera a visão por meio de São Ananias, por Ciro Ferri, anteriormente atribuído à oficina de Pietro Berettini da Cortona.
São Paulo recupera a visão por meio de São Ananias, por Ciro Ferri, anteriormente atribuído à oficina de Pietro Berettini da Cortona.

É difícil determinar por que a conversão de São Paulo se celebra neste dia. O texto primitivo do Hieronymianum menciona o dia 25 de fevereiro como o dia, não da conversão, mas da transladação de São Paulo. Dificilmente poderia tratar-se de outra transladação senão a de suas relíquias para a sua basílica, depois de quase um século de terem permanecido no sepulcro “ad Catacumbas”. Mas essa comemoração de São Paulo, em 25 de janeiro, não parece ter sido uma festa em Roma. Os sacramentários gelasiano e gregoriano não a mencionam absolutamente. Em compensação, existe uma Missa própria no Missale Gothicum, e os martirológios de Gellone e Rheinau fazem referência a essa festividade. Alguns textos, como o Hieronymianum de Berna, conservam vestígios da mudança de “transladação” para “conversão”. O calendário inglês de São Willibrordo, anterior ao ano 717, diz textualmente: “Conversio Pauli in Damasco”; e os martirológios de Oengas e Tallaght (ambos do início do século IX) falam de seu batismo e conversão.


Ver Atos dos Apóstolos, caps. IX, XXI e XXVI. Sobre a transladação dos restos de São Paulo, ver De Waal, em Römische Quartalschrift (1901), pp. 224 ss., e Styger, Il monumento apostolico della Via Appia (1917). Quanto à festa, ver Christian Worship (1919), p. 281, onde Mons. Duchesne observa que a Missa do domingo da Sexagésima é em honra de São Paulo. Cf. CMH., pp. 61-62, e Analecta Bollandiana, vol. XLV (1927), pp. 306-307.1




São Ananias cura São Paulo da cegueira, Atos dos Apóstolos
São Ananias cura São Paulo da cegueira, Atos dos Apóstolos

De acordo e com alguns detalhes da Sagrada Escritura, Ananias foi um fiel observador da lei. Gozava de boa reputação entre os habitantes de Damasco (Atos 22, 12). São Paulo, na narração de sua própria conversão, apresenta-o sob esse aspecto favorável. Sabemos que Ananias, no milagre dessa conversão, recebeu do próprio Senhor a ordem de cumprir uma missão e que obedeceu fielmente.


Uma tradição que não é de primeira mão faz de Ananias um dos setenta e dois discípulos. É possível que ele tenha estado entre os ouvintes de Jesus. Santo Agostinho (Quaest., vol. II, c. X, 1) afirma que ele era sacerdote e que São Paulo lhe foi enviado para receber de suas mãos o sacramento cuja dispensação o Filho de Deus deixou ao sacerdócio de sua Igreja. Em seguida, Ananias é apresentado como bispo de Damasco. Segundo dados gregos, Ananias evangelizou a cidade de Damasco e Eleuterópolis. O juiz Licínio (ou Luciano) mandou açoitá-lo. Por fim, Ananias foi apedrejado à saída da cidade. Todos esses detalhes são reproduzidos no Martirológio Romano.


Os gregos honram Ananias no dia 1º de outubro. Os latinos, desde Usuardo, uniram sua festa à comemoração da conversão de São Paulo, em 25 de janeiro. Tudo o que se conta sobre seu martírio é incerto, assim como a afirmação dos bolandistas a respeito da transladação da cabeça de Ananias, de Roma para Praga.


Em Acta Sanctorum, 25 de janeiro, encontra-se a tradução latina das atas gregas. Tillemont, Mémoires pour servir..., vol. I, p. 199 e 545. Quentin, Les martirologes hist. du Moyen Age, p. 416 e 589.2




São Artêmio de Antioquia
São Artêmio de Antioquia

Devemos contentar-nos em saber que São Artêmio merece realmente ser contado entre os santos. Sua imagem e seu nome encontravam-se nos mosaicos da cúpula da antiga basílica de São Prisco, perto de Cápua. Esses mosaicos, que infelizmente já não existem, datavam aproximadamente do ano 500. O Hieronymianum nos diz que São Artêmio era venerado em Pozzuoli, não longe de Cápua, onde provavelmente sofreu o martírio. E isso é tudo o que sabemos com certeza a seu respeito. Uma lenda posterior, que provavelmente se refere ao nosso mártir, afirma que Artêmio, ainda menino, ensinava o catecismo a seus companheiros; que fora denunciado como cristão e que seus próprios discípulos o haviam apunhalado com os estiletes que usavam para escrever sobre tábuas de cera. Mas a mesma história é contada a respeito de São Cassiano de Ímola e, igualmente, de São Marcos de Arethusa. Quase não há dúvida de que a lenda foi tomada dessas fontes e aplicada a São Artêmio, por falta de detalhes autênticos sobre ele.


Ver Acta Sanctorum, 25 de janeiro; e Pio Franchi de’ Cavalieri, em Studi e Testi, vol. I, p. 68.3



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 167-168.

2. Ibid. pp. 168-169.

3. Ibid. p. 169.



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