Vida de Santo Ágabo, Profeta e São Polieucto de Melitene (13 de fevereiro)
- há 2 horas
- 3 min de leitura

Ágabo, originário da Judeia, é mencionado duas vezes nos Atos dos Apóstolos, como um dos profetas que vieram de Jerusalém a Antioquia durante a pregação de São Paulo e de São Barnabé. Em Antioquia anunciou uma fome universal que se cumpriu sob o governo de Cláudio (Atos 11, 28). Dezesseis anos mais tarde, voltamos a encontrar Ágabo em Cesareia, onde se deteve durante sua viagem desde a Judeia, hospedando-se na casa de Filipe. Ali, mediante um ato simbólico, anunciou que Paulo seria feito prisioneiro em Jerusalém (Atos 21, 10). Alguns pensaram que houve dois personagens com o nome de Ágabo; mas admite-se geralmente apenas um, já que nos dois trechos dos Atos que o mencionam, o nome, a função, o país de origem e a época são idênticos. Os gregos expressaram a opinião de que Ágabo foi um dos setenta discípulos e que recebeu o martírio em Antioquia. E o celebram no dia 8 de março.
Desde o século IX, Ágabo figura nos documentos da Igreja latina no dia 13 de fevereiro. O “Vetus Romanum” abre a série de dados. Parece que a data e o lugar do martírio foram determinados de forma completamente arbitrária por Adão. Segundo os Atos, a presença de Ágabo em Antioquia e em Cesareia foi transitória. A data foi estabelecida por um procedimento de Adão, que foi distribuindo, ao longo do ano, os nomes dos antigos discípulos, tirados do livro dos Atos, seguindo simplesmente a ordem em que aparecem nos sucessivos capítulos. Já encontramos Ananias (Atos 9) no dia 25 de janeiro para fazê-lo coincidir com a conversão de São Paulo; depois, o centurião Cornélio (Atos 10) no dia 2 de fevereiro; agora temos Ágabo no dia 13 de fevereiro (Atos 11). Sendo o “Vetus Romanum” obra de Adão, compreende-se que reproduza seu sistema.
Uma lenda da ordem do Carmo atribui a Ágabo a fundação de uma igreja em honra da Mãe de Deus; em consequência, atribui-se-lhe como característica o hábito da ordem do Carmo e, sobre a mão, uma pequena igreja com a inscrição “Virgini Matri”.
Também se encontra Ágabo assinalado como discípulo do Senhor ou dos Apóstolos, nas datas de 8 a 10 de abril.
Acta Sanctorum, 13 de fevereiro. Dict. de la Bible, vol. 1, col. 259. Quentin, Les martyrol. histor. du Moyen Age, pp. 418, 460 e 589. C. Cahier, Caractéristique des saints, p. 341.1

A cidade de Melitene, na Armênia, que era uma cidade militar romana, é ilustre pelo grande número de seus mártires. Entre eles, o mártir de maior nobreza foi Polieucto, um oficial romano de pais gregos. Sendo ainda pagão, tornou-se amigo de um zeloso cristão chamado Nearco, que, quando chegaram à Armênia notícias da perseguição contra os cristãos, preparou-se para entregar a vida pela fé. Sua única pena era que Polieucto ainda fosse gentio, mas teve a alegria de atraí-lo à verdade e de inspirar-lhe um ardente desejo de morrer pela religião cristã.
Polieucto declarou-se abertamente cristão e logo foi preso e condenado a cruéis tormentos. Quando os verdugos se cansaram de atormentá-lo, começaram a tentar persuadi-lo a renunciar a Cristo. As lágrimas e súplicas de sua esposa Paulina, de seus filhos e de seu sogro teriam sido suficientes para fazer vacilar um homem menos resoluto. Polieucto, porém, fortalecido por Deus, manteve-se ainda mais firme na fé e recebeu com alegria a sentença de morte. A caminho da execução, exortou os presentes a renunciarem aos seus ídolos e falou com tanto fervor que muitos se converteram. Foi decapitado durante a perseguição de Décio ou de Valeriano.

Temos provas convincentes do martírio de um São Polieucto em Melitene: sabe-se de uma igreja que lhe foi dedicada antes de 377. Seu nome aparece em 7 de janeiro no martirológio siríaco do século IV, como o de um mártir morto em Melitene. O mesmo registro se encontra no Hieronymianum. Mas, ao mesmo tempo, não podemos de modo algum confiar na exatidão da história atribuída ao mártir em suas “atas”. São evidentes os elementos novelescos, utilizados por Corneille em sua tragédia Polyeucte. O texto grego das atas foi publicado integralmente pela primeira vez por B. Aubé, Polyeucte dans l’histoire (1882). Foi traduzida por F. C. Conybeare uma versão armênia em seu livro, The Apology and Acts of Apollonius... (1894).2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, p. 327.
2. Ibid. pp. 328.


























Comentários