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Vida de São Tomé, Apóstolo e São Anastásio II (21 de dezembro)





São Tomé o Apóstolo, Diego Velázquez
São Tomé o Apóstolo, Diego Velázquez

São Tomé era judeu. Provavelmente havia nascido na Galileia, no seio de uma família modesta; mas não se diz dele que tenha sido pescador, e ignoramos as circunstâncias em que o Senhor o chamou ao apostolado. Tomé é um nome sírio, que significa “gêmeo”. “Dídimo”, como também se chamava o Apóstolo, é a tradução grega. Quando o Senhor se dirigia aos arredores de Jerusalém para ressuscitar Lázaro, os demais discípulos tentaram dissuadi-lo, dizendo: Mestre, há pouco os judeus queriam apedrejar-te. Como, pois, voltas para lá?” Mas São Tomé lhes disse: “Vamos também nós e morramos com Ele”, o que prova o ardente amor que professava a Jesus. O Senhor disse na última ceia: “Vós sabeis para onde vou e conheceis o caminho.” Tomé perguntou: Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho?” Então o Senhor lhe respondeu estas palavras que resumem toda a vida cristã: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim.” Mas São Tomé é sobretudo famoso por sua incredulidade depois da morte do Senhor. Jesus apareceu aos discípulos no dia da ressurreição para convencê-los de que havia realmente ressuscitado. Tomé, que estava ausente, recusou-se a crer na ressurreição de Jesus: “Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não meter a mão no seu lado, não acreditarei.” Oito dias mais tarde, estando os discípulos reunidos e com as portas fechadas, Cristo apareceu subitamente no meio deles e os saudou: “A paz esteja convosco.” Em seguida voltou-se para Tomé e lhe disse: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; dá-me a tua mão e põe-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas crente.” Tomé caiu de joelhos e exclamou: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus respondeu: “Creste, Tomé, porque me viste. Bem-aventurados os que creram sem ter visto.”


A Dúvida de São Tomé, de Carl Heinrich Bloch, Igreja de Ugerløse
A Dúvida de São Tomé, de Carl Heinrich Bloch, Igreja de Ugerløse

A isto se reduz tudo o que o Novo Testamento diz sobre Tomé. No entanto, como sucede no caso dos demais Apóstolos, existem diversas tradições pouco fidedignas acerca das atividades apostólicas de Tomé depois da vinda do Espírito Santo. Eusébio afirma que Tomé enviou São Judas Tadeu (Addai, 5 de agosto) a Edessa para batizar o rei Abgar, e diz que o Apóstolo trabalhou entre os partos e “os medos, persas, carmanianos, hircânios, bactrianos e outros povos dessa região”. Mas a tradição mais persistente é a que afirma que São Tomé pregou o Evangelho na Índia. Tal tradição apoia-se em fontes aparentemente independentes. A principal delas é um documento intitulado “Acta Thomae”, que data, ao que parece, do início do século II. Quando os Apóstolos repartiram em Jerusalém o mundo para ir pregar, a Índia coube por sorte a Judas Tomé (como é frequentemente chamado nas lendas sírias). Tomé, que não queria ir para lá, alegou que sua saúde não era muito robusta e que um hebreu não podia ensinar aos indianos. Nem sequer uma aparição do Senhor conseguiu fazê-lo mudar de parecer. Então o Senhor apareceu a um mercador chamado Abã, embaixador do rei parto Gundafor, que reinava em uma parte da Índia. Cristo vendeu Tomé como escravo ao representante de Gundafor. Quando Tomé compreendeu o que havia sucedido, exclamou: “Faça-se, Senhor, a tua vontade”, e embarcou com Abã, levando consigo apenas as vinte moedas de prata pelas quais havia sido vendido, pois Cristo lhas havia dado. No curso da viagem, detiveram-se em um porto onde se celebrava o casamento da filha do governador local. Ouvindo tocar a flauta de uma jovem hebreia, Tomé sentiu-se movido a cantar a beleza da Igreja, representando-a sob a metáfora de uma noiva. Mas, como cantava em sua própria língua, somente a flautista hebreia o compreendeu. A jovem enamorou-se dele; mas Tomé não levantou os olhos do chão para olhá-la. Nessa mesma noite, Jesus Cristo, tomando a aparência de Tomé, apareceu ao casal recém-casado e persuadiu ambos os cônjuges a observarem perfeita continência. Quando o governador tomou conhecimento disso, indignou-se muito e mandou chamar o estrangeiro; mas Abã e Tomé já haviam partido, e somente restava a jovem flautista, que chorava amargamente por não a terem levado consigo. Quando a flautista soube o que havia sucedido ao casal recém-casado, enxugou as lágrimas e pôs-se a seu serviço.


A incredulidade de São Tomé, por Silvestro Lega (1826–1895)
A incredulidade de São Tomé, por Silvestro Lega (1826–1895)

Entretanto, Abã e Tomé prosseguiam sua viagem e chegaram à corte de Gundafor, na Índia. Quando o rei perguntou ao Apóstolo qual era o seu ofício, este respondeu: “Sou carpinteiro e pedreiro. Sei fazer jugos e arados, e remos e mastros; sei também trabalhar a pedra e construir túmulos e monumentos e palácios para os reis.” Gundafor encarregou-o de lhe construir um palácio. Tomé traçou os planos: “As portas davam para o oriente para receber a luz; as janelas para o ocidente para receber o ar; ao sul ficava o forno da padaria, e na parte norte havia canais de água para o serviço da casa.” Gundafor partiu em viagem. Durante sua ausência, Tomé não trabalhou na construção e gastou todo o dinheiro que o rei lhe havia dado em socorrer os pobres, dizendo: “O que é do rei deve ser dado aos reis.” O Apóstolo percorreu o reino, pregando, curando e expulsando os maus espíritos. Ao voltar, o rei pediu-lhe que lhe mostrasse o palácio. Tomé respondeu: “Não poderás vê-lo senão quando saíres deste mundo.” Então o rei o mandou encarcerar e decidiu esfolá-lo vivo. Mas precisamente então morreu um irmão de Gundafor. Os anjos lhe mostraram no céu o palácio que as boas obras de Tomé haviam construído para Gundafor e lhe permitiram voltar à terra e comprar o palácio de seu irmão. Mas Gundafor não quis vendê-lo. Em seguida, cheio de admiração, pôs Tomé em liberdade e recebeu o batismo com seu irmão e muitos de seus súditos. “E ao amanhecer, (Tomé) partiu o pão eucarístico e lhes permitiu aproximar-se da mesa do Messias. Eles se alegraram e regozijaram-se muito.” Depois, São Tomé pregou e fez muitos milagres na Índia, até que teve dificuldades com o rei Mazdai por ter convertido (“enfeitiçado”) sua esposa, seu filho e outras pessoas importantes. Tomé foi conduzido ao cume de uma colina; seguindo as ordens do rei, “os soldados foram e o golpearam, e ele caiu e morreu.” Foi sepultado em um sepulcro real; mas mais tarde alguns cristãos trasladaram suas relíquias para o ocidente.


A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1571–1610)
A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1571–1610)

Atualmente, a maioria dos historiadores afirma que a lenda que acabamos de resumir carece de fundamento histórico. Contudo, está fora de dúvida que, por volta do ano 46 de nossa era, havia um rei chamado Gondofernes ou Gudufar, cujos domínios incluíam o território de Peshawar. E não faltaram aqueles que tentaram identificar o rei Mazdai (cujo nome é de origem indiana) com o rei Vasudeva de Matura. Infelizmente, as lendas relacionadas com São Tomé não se limitam a isso, pois no outro extremo da Índia, no território que vai do Punjab ao longo da costa do Malabar, particularmente nas regiões de Cochín e Travancore, há muitos povoados cristãos que se denominam a si mesmos “cristãos de São Tomé”. Sua história é perfeitamente conhecida desde o século XVI; mas, apesar de abundarem as teorias sobre suas origens, ainda não se conseguiu esclarecer o ponto. Está fora de dúvida que desde tempos muito antigos houve cristãos nessa região. Por outro lado, as formas e o idioma da liturgia, que é o siríaco, indicam claramente que o cristianismo da região procede da Mesopotâmia e da Pérsia. [a] Os cristãos pretendem, como indica o nome que adotam, que São Tomé evangelizou pessoalmente a região. Uma tradição oral muito antiga afirma que o Apóstolo desembarcou em Cranganore, na costa ocidental, e que estabeleceu sete igrejas no Malabar. Em seguida, dirigiu-se para o leste, à costa de Coromandel, onde morreu pela espada. O martírio teve lugar na “Colina Grande”, a cerca de doze quilômetros de Madras. São Tomé foi sepultado em Mylapore, que atualmente é um subúrbio da cidade do mesmo nome. Seja como for, as principais relíquias encontravam-se em Edessa no século IV. As Acta Thomae contam que foram trasladadas da Índia para a Mesopotâmia. Mais tarde, foram trasladadas de Edessa para a ilha de Quios, no mar Egeu, e daí para Ortona dos Abruzos, onde repousam atualmente.


O Martírio de São Tomé, por Peter Paul Rubens
O Martírio de São Tomé, por Peter Paul Rubens

O Martirológio Romano, que combina várias lendas, afirma que São Tomé pregou o Evangelho aos partos, medos, persas e hircânios e que, depois, passou à Índia e foi martirizado em “Calamina”. Este nome aparece em escritos muito tardios, e ninguém conseguiu identificar o local. Naturalmente, os partidários da tradição do Malabar tentaram relacioná-lo com as proximidades de Mylapore. O Martirológio Romano comemora em 3 de julho a trasladação das relíquias de São Tomé para Edessa. No Malabar e em todas as igrejas sírias, essa data é a da festa principal, pois o martírio teve lugar em 3 de julho “do ano 72”.


A edição mais acessível das atas apócrifas de São Tomé é a de Max Bonnet (1883). Os historiadores opinam que as atas não se conservam em sua forma original, mas creem que o texto grego não difere substancialmente do original. A versão siríaca sofreu modificações e interpolações muito mais importantes. Embora se tenha exagerado o gnosticismo das atas (cf. Harnack, Die Chronologie der altchristlichen Litteratur, vol. I, pp. 545-549), nem por isso se pode negar que ele exista realmente. O P. P. Peeters insiste com razão em que todos os mestres ortodoxos dos primeiros séculos devem ter percebido que as atas eram apócrifas, como o fazem notar São Epifânio, Santoo Agostinho, Santo Toríbio de Astorga, São Inocêncio I e o Decreto do Pseudo-Gelásio. O autor das atas, que era provavelmente um sírio-grego, pôde facilmente tomar dos relatos de viajantes e mercadores o nome de Gondofernes e outros dados de cor local, de modo que não se pode considerá-los como prova do fundamento histórico da lenda. Veja-se a esse respeito Peeters, em Analecta Bollandiana, vol. XVI (1899), pp. 215-279; vol. XXV (1906), pp. 196-200; vol. XXXII (1913), pp. 75-77; vol. XLIV (1926), pp. 402-403. Todos esses artigos tratam de livros que propõem diversas teorias baseadas no texto das atas. Mencionaremos algumas dessas teorias para dar uma ideia da abundantíssima literatura sobre o tema. A. von Gutschmid, Kleine Schriften, II, pp. 332-394, estava obcecado pela ideia de que as atas constituem uma versão cristã das lendas budistas. Sylvain Lévi, no Journal Asiatique (1897), procurou explicar os nomes e os fatos como se as atas fossem realmente um documento histórico. W. R. Philipps, em The Indian Antiquary (1903), e J. Fleet, no Journal of the Royal Asiatic Society (1905), criticaram o trabalho de Lévi. Em contrapartida, Medlycott, numa obra pouco crítica intitulada India and the Apostle Thomas (1905), procurou confirmar pelas atas a teoria de que o Apóstolo morreu em Mylapore. O P. J. Dahlmann, Die Thomas-Legende (cf. Thurston, em The Month, agosto de 1912, pp. 153-163), atribuiu grande importância histórica aos dados das atas, mas não tentou provar a teoria de Mylapore. O P. A. Váth, numa pequena obra intitulada Der hl. Thomas, der Apostel Indiens (1925), segue discretamente o mesmo caminho. Por outro lado, os defensores da tradição do sul da Índia também se pronunciaram. Merece especial atenção, entre os muitos opúsculos publicados em favor da tradição de Mylapore, a obra de F. A. D’Cruz, St Thomas the Apostle in India (1925). Em Mylapore e em Travancore há uma série de inscrições pahlavi (isto é, partas), de caráter aparentemente cristão, gravadas em cruzes redondas. É muito provável que os evangelizadores da costa do Malabar tenham sido originários de Edessa; com o tempo, a tradição, que era muito confusa, relacionou a evangelização com São Tomé. O P. Thurston resume o problema na Catholic Encyclopedia, vol. XIV, pp. 658-659. A obra de A. C. Perumalil, The Apostles in India (Patna, 1953), constitui um bom resumo de caráter popular.1




O Martírio de São Anastásio II, Patriarca de Antioquia (Restaurado e colorido por IA)
O Martírio de São Anastásio II, Patriarca de Antioquia

Anastásio II sucedeu na sé de Antioquia, no ano 599, ao intrépido defensor da fé, São Anastásio I. O novo bispo fez imediatamente a profissão de fé e comunicou sua eleição ao Papa São Gregório Magno. Este aprovou a eleição e exortou Anastásio a concentrar-se antes de tudo na tarefa de extirpar a simonia. No ano 609, os judeus sírios, enfurecidos pela atitude do imperador Focas, que queria “convertê-los” pela força, provocaram desordens em Antioquia. Uma de suas primeiras vítimas cristãs foi o patriarca, a quem infligiram graves humilhações antes de lhe dar a morte, e cujo cadáver mutilaram e queimaram. O exército imperial castigou esse crime com não menor injustiça e severidade. Os cristãos consideraram Anastásio como mártir e seu nome foi incluído no Martirológio Romano; mas no Oriente não se lhe tributa culto. São Anastásio II traduziu para o grego o De cura pastorali de São Gregório; mas não faltam autores que atribuem essa tradução a seu predecessor e identificam ambos os Anastásios. Na realidade, São Anastásio I foi um personagem diferente, que esteve desterrado vinte e três anos de sua sé por ter-se oposto às elucubrações pseudo-teológicas do imperador Justiniano. Sua festa celebra-se em 21 de abril.


Vejam-se as cartas de Gregório I e a Chronographia de Teófanes em Migne, PG, vol. evi, p. 024. Veja-se também DHG, velon, c. 1460.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 594-597.

2. Ibid. p. 597.



Notas: a. Além de outros indianos cristãos, há mais de um milhão e meio de “Cristãos de São Tomé”, dos quais mais da metade são católicos do “rito sírio-malabar”. Desde 1930, existe também um pequeno grupo do rito sírio-malankar. Os demais são, em sua grande maioria, jacobitas; mas há também um grupo considerável de “sírios reformados” (que se atribuem particularmente o nome de cristãos de São Tomé), assim como alguns protestantes e um pequeno grupo de nestorianos. Tais divisões datam de 1653.



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