Vida de São Filipe Apóstolo, São Tiago Menor, Apóstolo e a Festa de São José Operário (1 de maio)
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Diante de 150.000 trabalhadores reunidos na Praça de São Pedro, em Roma, no dia 1º de maio de 1955, Sua Santidade Pio XII anunciou sua decisão de instituir a festa litúrgica de São José Operário, fixando-a para o dia primeiro de maio.
A intenção do Vigário de Cristo ao estabelecer essa nova festividade foi a de “que todos reconheçam a dignidade do trabalho e que ela inspire a vida social e as leis fundadas sobre a justa distribuição de direitos e deveres”.
Julgava o Sumo Pontífice que, tendo assim recebido sua consagração cristã, a celebração do 1º de maio, que o mundo do trabalho havia assumido como própria, “longe de ser incentivo à discórdia, aos ódios e às violências, é e será um convite constante à sociedade moderna para completar o que ainda falta à paz social”.1
LEIA A VIDA DE SÃO JOSÉ

São Filipe era natural de Betsaida da Galileia. Ao que parece, fazia parte do pequeno grupo de judeus piedosos que seguiam São João Batista. Os Evangelhos sinópticos mencionam Filipe apenas na lista dos Apóstolos, mas São João fala dele várias vezes e narra, em particular, que o Senhor chamou Filipe no dia seguinte às vocações de São Pedro e Santo André. Um século e meio mais tarde, Clemente de Alexandria sustentou que Filipe foi o jovem que respondeu ao chamado do Senhor com estas palavras: “Permite que eu vá primeiro enterrar meu pai”. Ao que Cristo respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os mortos; tu, vem anunciar o Reino de Deus (Lc 9, 60). É provável que Clemente de Alexandria não tivesse outro argumento além do fato de que o Senhor havia dito em ambos os casos: “Segue-me”. De qualquer modo, tanto no Evangelho de São Lucas como no de São Mateus, o episódio parece ter ocorrido algum tempo depois de Cristo ter iniciado sua vida pública, quando os Apóstolos já estavam com Ele. Por outro lado, consta que São Filipe foi chamado antes das bodas de Caná, embora, como disse o próprio Cristo, sua hora ainda não havia chegado, isto é, ainda não tinha começado sua vida pública.
Da narrativa do Evangelho deduz-se que Filipe respondeu sem hesitação ao chamado do Senhor. Embora ainda não conhecesse profundamente a Cristo, pois afirmava que Ele era “o filho de José de Nazaré”, imediatamente foi procurar seu amigo Natanael (quase certamente o Apóstolo Bartolomeu) e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os Profetas”. Isso mostra que Filipe já estava plenamente convencido de que Jesus era o Messias. Contudo, seu zelo não era imprudente, pois não tentava impor à força sua descoberta. Quando Natanael lhe objetou: “Mas pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”, não se exaltou, mas convidou o amigo a verificar por si mesmo: “Vem e vê”. Filipe aparece também na cena da multiplicação dos pães: “Jesus, levantando os olhos, viu a grande multidão que o seguia e disse a Filipe: Onde compraremos pão para que comam? Disse isso para o pôr à prova, pois sabia o que ia fazer.” Mais uma vez se manifesta o bom senso de Filipe, que respondeu: “Duzentos denários não bastariam para dar um pedaço de pão a cada um.”

Combina perfeitamente com o caráter de Filipe, que evitava um pouco as responsabilidades, sua atitude quando alguns gentios que iam celebrar a Páscoa em Jerusalém se aproximaram dele e disseram: “Senhor, queremos ver Jesus.” Em vez de responder imediatamente, foi pedir conselho: “Filipe foi falar com André; e André e Filipe falaram com Jesus.” Outra cena mostra a seriedade e lealdade de Filipe e, ao mesmo tempo, sua falta de compreensão plena. Na véspera da Paixão, o Senhor disse aos discípulos: “Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto.” Filipe lhe disse: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco e ainda não me conheces? Filipe, quem me vê, vê o Pai.” (Jo 14, 6-9).
Nada mais sabemos sobre Filipe, senão que estava com os outros discípulos no cenáculo, esperando a vinda do Espírito Santo em Pentecostes.
Por outro lado, Eusébio, o historiador da Igreja, e alguns escritores da Igreja primitiva conservaram certos detalhes da tradição sobre a vida posterior de Filipe. O mais verossímil desses dados é que pregou o Evangelho na Frígia e morreu em Hierápolis, onde também foi sepultado. Sir W. M. Ramsay encontrou, nas tumbas dessa cidade, um fragmento de inscrição que faz referência a uma igreja dedicada a São Filipe. Sabemos também que Polícrates, bispo de Éfeso, escreveu ao Papa Vítor, no final do século II, para falar de duas filhas do Apóstolo que haviam vivido como virgens até idade avançada em Hierápolis, e menciona ainda outra filha de Filipe que foi sepultada em Éfeso. Papias, bispo de Hierápolis, conheceu pessoalmente, ao que parece, as filhas de São Filipe e soube por elas que se atribuía ao Apóstolo o milagre da ressurreição de um morto.

Por volta do ano 180, Heracleão, o gnóstico, sustentou que os Apóstolos Filipe, Mateus e Tomé tiveram morte natural; mas Clemente de Alexandria afirmou o contrário, e a opinião que prevaleceu foi a de que Filipe foi crucificado de cabeça para baixo durante a perseguição de Domiciano. Um detalhe que torna a questão confusa é a evidente confusão entre o Apóstolo Filipe e o diácono Filipe, chamado também de Evangelista, que ocupa lugar de destaque no capítulo VIII dos Atos dos Apóstolos. De ambos se diz que tiveram filhas muito estimadas na Igreja primitiva. A tradição afirma que os restos de São Filipe foram trasladados para Roma e repousam na basílica dos Apóstolos desde o tempo do Papa Pelágio (561 p.C.). Um documento apócrifo grego, ao menos do final do século IV, pretende narrar as atividades missionárias de São Filipe na Grécia, entre os partos e em outras regiões; quanto à sua morte e sepultura em Hierápolis, segue a tradição recebida.

Costuma-se considerar o Apóstolo Tiago Menor (ou o jovem), que a liturgia associa a São Filipe, como sendo o mesmo personagem designado como “Tiago, filho de Alfeu” (Mt 10, 3; At 1, 13) e “Tiago, irmão do Senhor” (Mt 13, 55; Gl 1, 19). Talvez se identifique também com Tiago, filho de Maria e irmão de José (Mc 15, 40). Mas não entraremos aqui na complexa questão dos “irmãos do Senhor”, nem nos problemas relacionados. Podemos supor, como faz Alban Butler, que o Apóstolo Tiago, que foi bispo de Jerusalém (At 15 e 21, 18), era filho de Alfeu e “irmão” (isto é, primo) de Jesus. Embora os Evangelhos falem pouco deste Apóstolo, São Paulo afirma que ele foi favorecido com uma aparição particular do Senhor antes da Ascensão. Além disso, quando São Paulo foi a Jerusalém, três anos após sua conversão, e os apóstolos que ainda estavam na cidade o olhavam com certa desconfiança, Tiago e São Pedro o acolheram cordialmente. Sabemos também que, depois de escapar da prisão, Pedro mandou avisar Tiago, o que indica que ele tinha grande importância entre os cristãos de Jerusalém. No Concílio de Jerusalém, onde se decidiu que os gentios não precisavam circuncidar-se para serem admitidos como cristãos, Tiago, depois de ouvir a opinião de São Pedro, formulou a decisão da assembleia com estas palavras: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (At 15). Clemente de Alexandria e Eusébio afirmam explicitamente que Tiago era o bispo de Jerusalém. O próprio historiador judeu Josefo testemunha a grande estima de que Tiago gozava e declara — segundo relata Eusébio — que as terríveis calamidades sofridas pela cidade foram justo castigo pela forma infame com que haviam tratado “o mais justo dos homens”. Eusébio conservou, no trecho que citaremos a seguir, o relato do martírio de Tiago feito por Hegésipo no final do século II:
“São Tiago, o irmão de nosso Senhor, recebeu, junto com os outros Apóstolos, o encargo de governar a Igreja. Desde o tempo do Senhor até hoje, todos o chamam “o Justo”, para distingui-lo de muitos outros Tiagos. Era santo desde o ventre de sua mãe. Não bebia vinho nem bebidas embriagantes, nem comia alimento proveniente de ser vivo. A navalha nunca tocou sua cabeça. Não se ungia com óleo. Era o único que podia entrar no santuário, pois não vestia túnica de lã, mas de linho (isto é, vestes sacerdotais). Entrava sozinho no santuário e se prostrava de joelhos para rezar pelo povo, de modo que seus joelhos se tornaram duros como os de um camelo, pois se ajoelhava continuamente para adorar a Deus e pedir perdão pelos pecados do povo. Sua grande justiça lhe valeu o nome de “o Justo”. Também era chamado “Oblías”, isto é, protetor do povo.”

Hegésipo continua assim seu relato:
“Muitos dos que creram deveram sua fé a Tiago. Como muitos dos principais haviam se convertido, os judeus, escribas e fariseus começaram a murmurar: “Daqui a pouco, todos vão crer em Jesus”. Então foram procurar Tiago e lhe disseram: “Pedimos que moderes o povo, pois está se desviando para Jesus, pensando que Ele é o Messias. Pedimos que fales claramente sobre Jesus a todos os que vêm à festa, pois todos confiamos em ti; todos reconhecemos, com o povo, que és justo e que não fazes acepção de pessoas. Convence, portanto, a multidão a não se deixar desviar por Jesus, pois todos confiamos em ti. Sobe ao pináculo do templo, para que todo o povo possa ver-te e ouvir-te facilmente, já que todas as tribos e até os gentios se reuniram por causa da festa.” Então os escribas e fariseus levaram Tiago ao pináculo do templo e disseram em alta voz: “Ó Justo, em quem todos confiamos plenamente; visto que o povo está se desviando por causa de Jesus, o crucificado, explica-nos qual é a porta de Jesus!” (cf. Jo 10, 1-9). E ele respondeu também em alta voz: “Por que me perguntais sobre o Filho do Homem, que está sentado à direita do Todo-Poderoso e virá um dia sobre as nuvens do céu?” Como muitos creram e deram glória a Deus por esse testemunho de Tiago, gritavam: “Hosana ao Filho de Davi!”, os escribas e fariseus disseram entre si: “Fizemos mal em permitir tal testemunho sobre Jesus. Vamos lançá-lo do pináculo do templo para que o povo se atemorize e não creia em seu testemunho.” Então gritaram: “Ora, ora! Então também o Justo se deixou enganar!” E cumpriram a palavra da Escritura em Isaías: “Suprimamos o Justo, porque nos incomoda; assim colherão o fruto de suas obras.” Subindo ao pináculo, lançaram o Justo de lá abaixo. E diziam entre si: “Apedrejemos Tiago, o Justo.” E começaram a apedrejá-lo, pois ainda não estava morto. Tiago pôs-se de joelhos e disse: “Pai, eu te peço que os perdoes, porque não sabem o que fazem.” Enquanto continuavam a apedrejá-lo, um dos sacerdotes, dos filhos de Recab, o filho de Recabim, de quem o profeta Jeremias havia dado testemunho, gritou: “O que estais fazendo? Parai de apedrejá-lo! Não vedes que o Justo está rezando por vós?” E um deles, que era batedor de panos, tomou o bastão com que batia as roupas e o descarregou sobre a cabeça do Justo. Assim foi martirizado Tiago. O povo o sepultou ali mesmo, junto ao templo, e seu túmulo permanece ainda junto ao templo.”

Josefo narra o acontecimento de forma um pouco diferente e não diz que Tiago tenha sido lançado do pináculo do templo. Mas relata que morreu apedrejado e situa os fatos por volta do ano 62. É interessante notar, em relação à festa litúrgica da Cátedra de São Pedro, que Eusébio afirma que os cristãos de Jerusalém conservavam e veneravam ainda o trono ou cátedra de Tiago. Considera-se Tiago o autor da epístola do Novo Testamento que leva seu nome, cuja insistência no valor das boas obras incomodava tanto os [protestantes] que pregavam a justificação somente pela fé.

Fora do Novo Testamento e das tradições (nem sempre seguras) transmitidas por Eusébio, existem poucos dados sobre a vida de São Filipe e Tiago. Em Acta Sanctorum, maio, vol. 1, os bolandistas reuniram os testemunhos dos escritores eclesiásticos mais antigos. Os Atos apócrifos de São Filipe, que datam provavelmente do século III ou IV, foram editados por R. A. Lipsius em Apokryphen Apostelgeschichten und Apostellegenden, vol. 2, parte 2, pp. 1-90. Ver também E. Hennecke, Neutestamentliche Apokryphen (2ª ed., 1924), e o Handbuch do mesmo autor. Quase todas as enciclopédias tratam das biografias dos dois Apóstolos; ver, por exemplo, o Dictionnaire de la Bible e seus suplementos. Como geralmente se admite que o martírio de Tiago ocorreu por volta dos anos 62 ou 63, a epístola deve ser anterio. Mons. Duchesne considera que a comemoração conjunta de São Filipe e Tiago em 1º de maio, presente também nos sacramentários gregoriano e gelasiano, data da dedicação da igreja “dos Apóstolos” em Roma, realizada pelo Papa João III por volta do ano 563. Essa igreja, mais tarde conhecida genericamente como “igreja dos Apóstolos”, era originalmente dedicada a São Filipe e Tiago, como demonstra a inscrição conservada nela:
“Quisquis lector adest Jacobi pariterque Philippi | Quem quer que sejas, leitor presente, de Tiago juntamente com Filipe |
Cernat apostolicum lumen inesse locis”. | Veja que a luz apostólica está presente neste lugar. |
Mas há indícios, em certos manuscritos do Hieronymianum e em outros documentos, de que originalmente o 1º de maio celebrava apenas a festa de São Filipe.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, p. 193.
2. Ibid. pp. 256-260.






















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