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Vida de Santo Atanásio de Alexandria e Santa Mafalda de Portugal (2 de maio)

  • 2 de mai.
  • 11 min de leitura




Santo Atanásio de Alexandria
Santo Atanásio de Alexandria

Santo Atanásio, “o campeão da ortodoxia”, nasceu provavelmente por volta do ano 297, em Alexandria. A única coisa que sabemos de sua família é que seus pais eram cristãos e que tinha um irmão chamado Pedro. Rufino nos conservou uma tradição, segundo a qual Atanásio chamou a atenção do bispo Alexandre um dia em que se encontrava “brincando de igreja” com outras crianças, na praia. Mas essa tradição é muito discutível, já que, quando Alexandre foi consagrado bispo, Atanásio devia ter uns quinze ou dezesseis anos. Seja como for, com a ajuda do bispo ou sem ela, Atanásio recebeu uma excelente educação, que compreendia a literatura grega, a filosofia, a retórica, a jurisprudência e a doutrina cristã. Atanásio chegou a possuir um conhecimento excepcional da Sagrada Escritura. Ele mesmo diz que seus professores de teologia haviam sido confessores durante a perseguição de Maximiano, que abalara Alexandria quando ele ainda era uma criança de colo. É interessante notar que, ao que parece, Atanásio esteve desde muito jovem em estreita relação com os eremitas do deserto, sobretudo com o grande Santo Antão. “Eu fui seu discípulo — escreve — e, como Eliseu, derramei água nas mãos desse novo Elias. A amizade de Atanásio com os eremitas foi-lhe de grande utilidade em sua vida posterior. Em 318, quando tinha cerca de vinte e um anos, Atanásio fez sua verdadeira entrada no cenário da história ao receber o diaconato e ser nomeado secretário do bispo Alexandre. Provavelmente nesse período compôs seu primeiro livro: o famoso tratado da Encarnação, no qual expôs a obra redentora de Cristo.


Provavelmente por volta do ano 323, um sacerdote da igreja de Baukalis, chamado Ário, começou a escandalizar Alexandria ao propagar publicamente que o Verbo de Deus não era eterno, mas que havia sido criado no tempo pelo Pai e que, por conseguinte, só podia ser chamado Filho de Deus de modo figurado. O bispo ordenou que ele pusesse por escrito sua doutrina e a apresentou ao clero de Alexandria e a um sínodo de bispos egípcios. Com apenas dois votos contrários, a assembleia condenou a heresia de Ário e o depôs, juntamente com outros onze sacerdotes e diáconos que o apoiavam. O heresiarca partiu então para Cesareia, onde continuou propagando sua doutrina e conseguiu o apoio de Eusébio de Nicomédia e de outros prelados sírios. No Egito, já havia conquistado os “melecianos” e muitos intelectuais; por outro lado, suas ideias, adaptadas ao ritmo de canções populares, foram difundidas com incrível rapidez por marinheiros e mercadores em todos os portos do Mediterrâneo.


Gravura de Santo Atanásio sendo perseguido
Gravura de Santo Atanásio sendo perseguido

Supõe-se, com bastante probabilidade, que Atanásio, em sua qualidade de arquidiácono e secretário do bispo, tomou parte muito ativa na crise e que escreveu uma carta encíclica anunciando a condenação de Ário. Mas, na realidade, a única coisa que podemos afirmar com certeza é que acompanhou seu bispo ao Concílio de Niceia, onde se fixou claramente a doutrina da Igreja, se confirmou a excomunhão de Ário e se promulgou a profissão de fé conhecida como Credo de Niceia. É muito pouco provável que Atanásio tenha tomado parte ativa nas discussões [dentro] da assembleia, pois não tinha assento nela. Mas, se Atanásio não exerceu influência sobre o Concílio, o Concílio exerceu sobre ele, pois — como disse um escritor moderno — toda a vida posterior de Atanásio foi, ao mesmo tempo, um testemunho da divindade do Salvador e uma ratificação heroica da profissão de fé dos Padres de Niceia.


Pouco depois do fim do Concílio morreu Alexandre. Atanásio, a quem havia designado como seu sucessor, foi eleito bispo de Alexandria, apesar de ainda não ter completado trinta anos. Quase imediatamente, empreendeu a visita de sua imensa diocese, sem excluir a Tebaida e outros mosteiros; os monges o acolheram em toda parte com grande alegria, pois Atanásio era um asceta como eles. Outra de suas medidas foi nomear um bispo para a Etiópia, que acabara de se converter ao cristianismo. Mas, desde o início de seu governo, Atanásio teve de enfrentar dissensões e oposição. Apesar de seus esforços para realizar a unidade, os melecianos persistiram no cisma e aliaram-se aos hereges; por outro lado, os arianos, que o Concílio de Niceia havia momentaneamente intimidado, reapareceram com mais força do que antes, no Egito e na Ásia Menor, onde encontraram o apoio dos poderosos. De fato, no ano 330, Eusébio de Nicomédia, o bispo ariano, voltou do exílio e conseguiu persuadir o imperador Constantino, cuja residência favorita ficava em sua diocese, a escrever a Atanásio e obrigá-lo a readmitir Ário à comunhão. O santo bispo respondeu que a Igreja católica não podia estar em comunhão com hereges que negavam a divindade de Cristo. Então Eusébio escreveu uma carta cordial a Atanásio, tentando justificar Ário; mas nem suas lisonjas nem as ameaças do imperador conseguiram abalar aquele frágil bispo de coração de leão, a quem mais tarde Juliano, o Apóstata, tentou ridicularizar chamando de “o anão”.


Santo Atanásio de Alexandria, por Francesco Bartolozzi (1728–1815).
Santo Atanásio de Alexandria, por Francesco Bartolozzi (1728–1815).

Eusébio de Nicomédia escreveu então aos melecianos do Egito, exortando-os a pôr em prática um plano para depor Atanásio. Assim, os melecianos acusaram o santo bispo de ter exigido um tributo para renovar os paramentos de suas igrejas, de ter enviado dinheiro a um tal Filomeno, suspeito de traição ao imperador, e de ter autorizado um de seus enviados a destruir o cálice com que celebrava a Missa um sacerdote meleciano chamado Isquiras. Atanásio compareceu diante do imperador, demonstrou plenamente sua inocência e voltou triunfante a Constantinopla com uma carta elogiosa de Constantino. Contudo, seus inimigos não desistiram, mas o acusaram de ter assassinado Arsênio, um bispo meleciano, e o convocaram a comparecer diante de um concílio que se realizaria em Cesareia. Sabendo que sua suposta vítima estava escondida, Atanásio recusou-se a comparecer. Mas o imperador ordenou que se apresentasse a outro concílio, convocado em Tiro no ano 335. Como se viu depois, a assembleia estava repleta de inimigos de Santo Atanásio, e o presidente era um ariano que havia usurpado a sede de Antioquia. O conciliábulo acusou Atanásio de vários crimes, entre eles o de ter mandado destruir o cálice. O santo demonstrou imediatamente sua inocência em relação a algumas acusações e pediu tempo para reunir provas quanto às outras. Contudo, ao perceber que a assembleia estava decidida a condená-lo, abandonou inesperadamente o local e embarcou para Constantinopla. Ao chegar, encontrou-se com a comitiva do imperador na rua e conseguiu uma audiência. Atanásio provou sua inocência de modo tão convincente que, quando o Concílio de Tiro anunciou por carta sua condenação e deposição, Constantino respondeu convocando o Concílio a Constantinopla para reexaminar o caso. Mas, subitamente, por razões que a história nunca conseguiu esclarecer, o imperador mudou de opinião. Os escritores eclesiásticos não ousaram naturalmente condenar o imperador cristão; mas, ao que parece, o que o irritou foi a liberdade apostólica com que Atanásio lhe falou em uma audiência posterior. Assim, antes que a primeira carta imperial chegasse ao destino, Constantino escreveu outra confirmando a sentença do Concílio de Tiro e desterrando Atanásio para Tréveris, nas Gálias.


A história não conservou nenhum detalhe sobre esse primeiro exílio, que durou dois anos, exceto que o bispo local acolheu Atanásio com hospitalidade e que este manteve contato por cartas com seu rebanho.


Santo Atanásio de Alexandria, museu Arqueológico de Varna, Varna, Bulgária
Santo Atanásio de Alexandria, museu Arqueológico de Varna, Varna, Bulgária

No ano de 337 morreu Constantino. Seu império foi dividido entre seus três filhos: Constantino II, Constâncio e Constante. Todos os prelados que estavam no exílio foram perdoados. Um dos primeiros atos de Constantino II foi o de restituir Atanásio à sua sede de Alexandria. O bispo entrou triunfalmente em sua diocese. Mas seus inimigos trabalhavam com a mesma atividade de sempre, e Eusébio de Nicomédia conquistou inteiramente o imperador Constâncio, em cuja jurisdição se encontrava Alexandria. Atanásio foi acusado diante do monarca de provocar sedição e derramamento de sangue, e de roubar o trigo destinado às viúvas e aos pobres. Eusébio conseguiu, além disso, que um concílio realizado em Antioquia depusesse novamente Atanásio e ratificasse a eleição de um bispo ariano para sua sede. A assembleia chegou inclusive a escrever ao Papa, São Júlio, para convidá-lo a subscrever a condenação de Atanásio. Por outro lado, a hierarquia ortodoxa do Egito escreveu uma encíclica ao Papa e a todos os bispos católicos, na qual expunha a verdade sobre Santo Atanásio. O Sumo Pontífice aceitou a proposta dos eusebianos de reunir um sínodo para resolver a questão.


Entretanto, Gregório da Capadócia havia sido instalado na sede de Alexandria; diante das cenas de violência e sacrilégio que se seguiram à sua entronização, Atanásio decidiu ir a Roma esperar a sentença do concílio. Este ocorreu sem os eusebianos, que não ousaram comparecer, e terminou com a completa reabilitação de Santo Atanásio. O Concílio de Sárdica ratificou pouco depois essa sentença. Contudo, Atanásio não pôde voltar a Alexandria senão após a morte de Gregório da Capadócia, e somente porque o imperador Constâncio, prestes a declarar guerra à Pérsia, pensou que a restauração de Santo Atanásio poderia ajudá-lo a reconciliar-se com seu irmão, Constante. O bispo retornou a Alexandria após oito anos de ausência. O povo o recebeu com uma alegria sem precedentes e, durante três ou quatro anos, as guerras e distúrbios em que o império estava envolvido permitiram-lhe permanecer em sua sede relativamente em paz. Mas Constante, que era o principal sustentáculo da ortodoxia, foi assassinado e, assim que Constâncio se tornou senhor do Oriente e do Ocidente, dedicou-se deliberadamente a destruir o santo bispo, a quem considerava inimigo pessoal. No ano de 353, conseguiu em Arles que um conciliábulo de prelados interessados condenasse Santo Atanásio. No mesmo ano, o imperador se constituiu acusador pessoal do santo no sínodo de Milão; e, sobre um terceiro concílio, não melhor que os anteriores, escreveu São Jerônimo: “O mundo ficou atônito ao ver-se ariano”. Os poucos prelados amigos de Santo Atanásio foram exilados; entre eles estava o Papa Libério, que os perseguidores mantiveram no exílio na Trácia até que, esgotado física e moralmente, aceitou momentaneamente a condenação de Atanásio.


Santo Atanásio de Alexandria. Gravura pontilhada colorida por W. Hamilton.
Santo Atanásio de Alexandria. Gravura pontilhada colorida por W. Hamilton.

O santo conseguiu manter-se algum tempo no Egito com o apoio do clero e do povo. Mas a resistência não durou muito. Uma noite, quando celebrava uma vigília na igreja, os soldados arrombaram as portas e entraram para ferir ou matar os que resistissem. Atanásio conseguiu escapar providencialmente e refugiou-se entre os monges do deserto, com os quais viveu escondido por seis anos. Embora o mundo soubesse muito pouco sobre ele, Atanásio mantinha-se bem informado do que acontecia. Sua extraordinária atividade, de certo modo contida, transbordou na produção literária; muitos de seus principais tratados são atribuídos a esse período.


Pouco depois da morte de Constâncio, ocorrida em 361, morreu também o ariano que havia usurpado a sede de Alexandria, perecendo às mãos do povo. O novo imperador, Juliano, revogou todas as sentenças de exílio de seu predecessor, de modo que Atanásio pôde voltar à sua cidade. Mas a paz durou pouco. Os planos de Juliano, o Apóstata, de restaurar o paganismo encontravam um obstáculo intransponível no grande defensor da fé no Egito. Assim, Juliano o desterrou “por perturbar a paz e mostrar-se hostil aos deuses”. Atanásio teve de refugiar-se novamente no deserto. Em certa ocasião, esteve prestes a ser capturado. Estava em uma barca no Nilo quando seus companheiros, alarmados, lhe avisaram que uma galera imperial se dirigia a eles. Sem perder a calma, Atanásio ordenou remar ao encontro da embarcação. Os perseguidores perguntaram se haviam visto o fugitivo: “Não está longe — responderam —; remem depressa se quiserem alcançá-lo.” A estratégia teve êxito. Durante esse exílio, que já era o quarto, Santo Atanásio percorreu a Tebaida de ponta a ponta. Estava em Antinópolis quando dois eremitas lhe deram a notícia de que Juliano havia morrido na Pérsia, atingido por uma flecha.


Santo Atanásio e São Cirilo de Alexandria (Menológio de Basílio II).
Santo Atanásio e São Cirilo de Alexandria (Menológio de Basílio II).

O santo voltou imediatamente a Alexandria. Alguns meses depois, foi a Antioquia, convidado pelo imperador Joviniano, que havia revogado a sentença de exílio. Mas o reinado de Joviniano foi muito breve e, em maio de 365, o imperador Valente publicou um edito pelo qual desterrava todos os prelados que Constâncio havia exilado, substituindo-os por outros de sua escolha. Atanásio viu-se obrigado a fugir mais uma vez. O historiador eclesiástico Sócrates afirma que ele se ocultou no túmulo de seu pai; mas uma tradição mais provável diz que se refugiou em uma casa nos arredores de Alexandria. Quatro meses depois, Valente revogou o edito, talvez por temor de uma revolta entre os egípcios, cansados de ver sofrer seu amado bispo. O povo o escoltou até sua casa com grandes manifestações de alegria. Santo Atanásio foi exilado cinco vezes e passou dezessete anos no exílio; mas, nos últimos sete anos de sua vida, ninguém contestou sua sede. Nesse período, escreveu provavelmente a vida de Santo Antão. Morreu em Alexandria, no dia 2 de maio do ano 373; seu corpo foi depois trasladado para Constantinopla e, mais tarde, para Veneza.

Santo Atanásio foi o maior homem de sua época e um dos maiores líderes religiosos de todos os tempos. Não se pode exagerar o valor de seus serviços à Igreja, pois defendeu a fé em circunstâncias particularmente difíceis e saiu vitorioso. O cardeal Newman sintetizou sua figura ao afirmar que foi “um dos principais instrumentos de que Deus se serviu, depois dos Apóstolos, para fazer penetrar no mundo as sagradas verdades do cristianismo”. Embora quase todos os escritos de Santo Atanásio tenham surgido no calor da controvérsia, sob a aspereza de suas palavras corre um rio de profunda espiritualidade, visível em todos os seus textos e que revela a elevação de seu espírito. Como exemplo, podemos citar sua resposta às objeções que os arianos opunham às passagens “Afasta de mim este cálice” e “Por que me abandonaste?”.


“Não é acaso uma loucura admirar a coragem dos ministros do Verbo e dizer que o Verbo, de quem eles receberam a coragem, teve medo? Precisamente a coragem invencível dos santos mártires prova que a Divindade não teve medo e que o Salvador destruiu o nosso temor. Porque, assim como com a sua morte destruiu a morte e com a sua humanidade as nossas misérias humanas, assim também, com o seu temor, destruiu o nosso temor e fez com que nunca mais temêssemos a morte. Sua palavra e sua ação são uma mesma coisa... Humanas foram as palavras: “Afasta de mim este cálice” e “Por que me abandonaste?”; mas divina foi a ação pela qual Ele, o próprio Verbo, fez com que o sol parasse e os mortos ressuscitassem. Assim, falando humanamente, disse: “Minha alma está perturbada”; e, falando divinamente: “Tenho poder para entregar minha vida e retomá-la”. Perturbar-se era próprio da carne; mas ter poder para entregar a vida e retomá-la à vontade não é próprio do homem, mas do poder do Verbo. Porque o homem não morre voluntariamente, mas por obra da natureza e contra a sua vontade; mas o Senhor, que é imortal, pois não tem carne mortal, podia, à sua vontade, como Deus que é, separar-se do corpo e retomá-lo... Assim, deixou que seu corpo sofresse, pois para isso tinha vindo: para sofrer corporalmente e, por isso, conferir a impassibilidade e a imortalidade à carne; para tomar sobre si essas e outras misérias humanas e destruí-las; para que, depois d’Ele, todos os homens fossem incorruptíveis como templos do Verbo.


A principal fonte sobre a vida de Santo Atanásio é a de seus próprios escritos; mas o santo esteve tão envolvido na história de sua época que seria necessário citar inúmeros autores. O cardeal Newman tornou inteligível a complicada situação daquele tempo, tanto em sua obra sobre o próprio Santo Atanásio, como em Causes of the Rise and Success of Arianism. Há também um brilhante capítulo sobre Santo Atanásio em The Greek Fathers (1908), de A. Fortescue. Em francês existem duas excelentes obras curtas: a de F. Cavallera (1908) e a de G. Bardy (1914), na coleção Les Saints. Devem-se citar também quatro valiosos artigos de E. Schwartz, em Nachrichten da Academia de Göttingen (1904 e 1911). Quem desejar uma bibliografia mais extensa pode consultar Bardenhewer, Patrologie e Geschichte der altkirchlichen Literatur; as obras mais recentes estão citadas em The Study of St Athanasius (1945).1




Santa Mafalda salva o convento do incêndio, por Giovanni Odazzi (1663–1731)
Santa Mafalda salva o convento do incêndio, por Giovanni Odazzi (1663–1731)

No ano de 1215, aos onze anos de idade, a princesa Mafalda ou Matilde, filha do rei Sancho I de Portugal, casou-se com seu parente, o rei Henrique I de Castela, que também era menor de idade. O matrimônio foi anulado no ano seguinte, por causa do parentesco dos cônjuges, e Matilde voltou à sua pátria, onde tomou o véu no convento beneditino de Arouca. Como a disciplina religiosa estivesse muito relaxada, Matilde persuadiu a comunidade a adotar a regra cisterciense. A santa era extraordinariamente austera. Consagrou sua grande herança a obras de piedade e caridade. Entre outras coisas, restaurou a catedral do Porto, fundou um albergue para peregrinos, construiu uma ponte sobre o Talmeda e instituiu uma fundação para o sustento de doze viúvas, em Arouca.


Quando compreendeu que se aproximava sua última hora, pediu que a deitassem sobre um monte de cinzas, segundo o costume medieval. Suas últimas palavras foram: “Senhor, espero em Ti.” Seu corpo resplandeceu com um brilho misterioso e, quando foi exumado, em 1617, estava tão fresco e flexível como se tivesse acabado de morrer. O culto a Santa Matilde foi confirmado em 1793.


Em Acta Sanctorum, maio, vol. 1, há um artigo sobre Santa Matilde, baseado principalmente em documentos cistercienses. Há também uma biografia das santas Matilde, Teresa e Sancha em Portugal glorioso e illustrado, etc., de J. P. Bayão (1727).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 197-202.

2. Ibid. p. 203.



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- São Gregório de Nissa

 

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