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Vida de São Gerardo Sagredo e São Pacífico de San Severino (24 de setembro)

há 15 horas
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São Gerardo Sagredo, de Madonna dell'Orto
São Gerardo Sagredo, de Madonna dell'Orto

São Gerardo, algumas vezes chamado Sagredo, foi o apóstolo de um vasto distrito da Hungria. Era originário de Veneza, onde nasceu no início do século XI. Desde muito jovem, consagrou-se ao serviço de Deus no mosteiro beneditino de São Jorge Maior, em Veneza, mas, depois de algum tempo, deixou o convento para fazer uma peregrinação a Jerusalém. Ao passar pela Hungria, conheceu o rei Santo Estêvão, que ficou tão impressionado com as qualidades de Gerardo que o reteve para ser o tutor de seu filho, o Beato Emerico. Enquanto exercia suas funções de educador, o santo pregou a palavra de Deus com grande êxito. Quando Santo Estêvão fundou a sede episcopal de Csanád, nomeou Gerardo como seu primeiro bispo. A grande maioria dos habitantes do lugar era pagã, e os poucos que se diziam cristãos eram ignorantes, selvagens e brutais, mas São Gerardo trabalhou entre eles com frutos tão abundantes que, em pouco tempo, o cristianismo progrediu consideravelmente. Sempre que lhe era possível, Gerardo unia a perfeição no desempenho de suas funções episcopais ao recolhimento da vida contemplativa, que lhe dava forças para continuar seu ministério. Além disso, Gerardo foi estudioso e escritor; entre suas obras encontra-se uma dissertação inacabada sobre o Cântico dos Três Jovens (Daniel 3) e outros escritos que se perderam com o passar do tempo.


O Martírio de São Gerardo Sagredo, por Johann Carl Loth (1632–1698)
O Martírio de São Gerardo Sagredo, por Johann Carl Loth (1632–1698)

O rei Estêvão apoiou o zelo do bom bispo enquanto viveu, mas, após sua morte, ocorrida em 1038, o reino mergulhou na anarquia devido às disputas pela sucessão ao trono e, ao mesmo tempo, eclodiu uma rebelião contra o cristianismo. As coisas foram de mal a pior, a ponto de se declarar, na prática, uma perseguição aberta contra os cristãos. Nessa época, Gerardo celebrava a Missa na pequena igreja de uma aldeia junto ao Danúbio, chamada Giod, quando teve a premonição de que naquele mesmo dia receberia a coroa do martírio. Terminada a visita à aldeia, o bispo e sua comitiva partiram em direção à cidade de Buda. Quando se preparavam para atravessar o rio, foram detidos por um grupo de soldados comandados por um oficial, idólatra obstinado e ferrenho inimigo até da memória do rei Estêvão. Sem dizer uma palavra, os soldados começaram a atirar pedras contra São Gerardo e seus companheiros, que se encontravam dentro da embarcação, amarrada a uma estaca. Alguns deles entraram na água, viraram o barco e arrastaram o santo bispo para fora. Segurando-o pelos braços, Gerardo conseguiu ajoelhar-se e rezou em voz alta com as palavras de Santo Estêvão, o Protomártir: “Senhor, não lhes leveis em conta esta culpa!” Mal havia pronunciado essas palavras quando lhe atravessaram o peito com uma lança. Os soldados arrastaram seu corpo até a margem de um penhasco chamado Blocksberg e lançaram o cadáver no Danúbio. Era 24 de setembro de 1046. A morte heroica de São Gerardo causou profunda comoção entre o povo que, desde o primeiro momento, começou a venerá-lo como mártir. Suas relíquias foram colocadas em um santuário em 1083, juntamente com as de Santo Estêvão e de seu filho, o Beato Emerico. Em 1333, a República de Veneza obteve do rei da Hungria autorização para transferir a maior parte das relíquias de São Gerardo para a igreja de Nossa Senhora, na ilha de Murano, próxima a Veneza, onde o santo continua sendo venerado como protomártir daquela região onde nasceu.


A fonte de informação mais digna de crédito para a história de São Gerardo é a breve biografia publicada na Acta Sanctorum, setembro, vol. VI, pp. 722-724. Contrariamente ao que se havia presumido, essa biografia não é um resumo do estudo mais extenso de Endlich no livro Monumenta Arpadiana (pp. 205-234), embora tanto uma quanto o outro datem do século XII ou, no máximo, do final do século XI. A essa conclusão chegou R. F. Kaindl no Archiv für Österreichische Geschichte, vol. XVI (1902), pp. 1-58. As outras biografias, todas de épocas muito posteriores, foram baseadas nas duas mencionadas anteriormente e não são dignas de maior crédito. A vida e o episcopado de São Gerardo também foram estudados por C. Juhász, em Studien und Mitteilungen O.S.B., 1929, pp. 139-145 e 1930, pp. 1-35. Ver também C. A. Macartney, em Archivum Europae centroorientalis, vol. IV (1938), pp. 456-490, onde se encontra sua Vida de São Gerardo, e Medieval Hungarian Historians (1953).1




São Pacífico de São Severino
São Pacífico de São Severino

No ano de 1653, na cidade de San Severino da Marca de Ancona, nasceu do matrimônio formado por Antônio Divini e Maria Bruni um filho a quem batizaram com o nome de Carlos Antônio. Quando este tinha cinco anos morreram seu pai e sua mãe e ficou aos cuidados de seu tio, que era um homem rude e desagradável. Naquela casa, o menino era simplesmente um criado a quem não se tinha nenhuma consideração. Durante muito tempo, Carlos suportou com paciência e humildade extraordinárias aquela vida miserável até que, ao completar dezessete anos, ofereceu-se aos Frades Menores da Observância, que o aceitaram imediatamente. No ano de 1670 recebeu o hábito franciscano e o nome de Pacífico, no mosteiro de Forano. Após o costumeiro curso de estudos, foi ordenado sacerdote à idade de vinte e cinco anos. Imediatamente foi destinado a ensinar filosofia aos frades mais jovens e, ao cabo de dois anos, convenceu seus superiores de que a pregação era uma tarefa mais adequada às suas condições e foi enviado às aldeias e povoados da região para pregar. Seus sermões ternos e simples foram bem recebidos em toda parte e seu dom particular de ler na consciência de seus penitentes lhe deu grande ascendência entre as gentes. 


Conta-se que a um tal Giacomo Sconochia, da localidade de Cignoli, recordou que havia omitido a confissão de duas graves culpas de blasfêmia e outro penitente afirmou que o santo frade trouxe à sua memória várias ocasiões em que havia sido rude com sua mãe e outras em que havia consentido maus pensamentos. O apostolado público do irmão Pacífico só durou seis ou sete anos, porque à idade de trinta e cinco ficou surdo e cego. Ao mesmo tempo, uma estranha enfermidade que lhe produzia dolorosas úlceras nas pernas o condenou à quase completa imobilidade. Permaneceu no convento de Forano, dedicado à oração e à penitência. Durante algum tempo confiou-se a ele o ofício de vigário e guardião em San Severino, até que, no ano de 1705, regressou a Forano, onde passou o resto de sua vida.


São Pacífico de São Severino, por Heiliger
São Pacífico de São Severino, por Heiliger

Em várias ocasiões, São Pacífico deu mostras de possuir o dom da profecia, como por exemplo em 1717, quando predisse a vitória do príncipe Eugênio de Saboia na batalha de Belgrado contra os turcos. Como se não tivesse bastantes sofrimentos com os males de seu corpo, entregava-se a maiores mortificações no uso de disciplinas e camisas de cerdas e seus superiores tiveram de intervir para aliviar seus jejuns. Com frequência caía em êxtases quando celebrava a Missa e, às vezes, seus arroubos se prolongavam durante várias horas. No mês de julho de 1721 recebeu a visita do bispo de San Severino e, quando o prelado se retirava, terminada a entrevista, o irmão Pacífico gritou intempestivamente: “Meu senhor! O céu, o céu! Eu vos seguirei em breve...” Nos quinze dias seguintes morreu o bispo e, no dia 24 de setembro, o irmão Pacífico o seguiu à sepultura. Se durante sua vida operou milagres, estes se multiplicaram em sua tumba e, em 1752, abriu-se seu processo de canonização, no qual foram relatores o cardeal Henrique de York e Mons. Erskine, que também chegou a cardeal. O irmão Pacífico foi canonizado em 1839.


Publicaram-se várias biografias desde a data da canonização e podem-se destacar a de Melchiori (1839), a de Bernardino de Gajioli (1898) e a de Diotalevi (1910). Ver também Léon, em Auréole Séraphique, vol. III, pp. 224-229.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 655-656.

2. Ibid. pp. 656-657.



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