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Vida de São Victorino de Pettau e São Marciano (2 de novembro)

há 4 horas
3 min de leitura




São Vitorino de Pettau
São Vitorino de Pettau

São Jerônimo fala em termos elogiosos sobre este exegeta. Alban Butler resume suas palavras e diz que “as obras de Victorino eram sublimes, embora seu latim não fosse muito bom, pois o autor nascera na Grécia”. São Victorino já era retórico quando foi eleito bispo de Pettau, no norte da Panônia. Escreveu comentários sobre vários livros do Antigo e do Novo Testamento. São Jerônimo costumava citá-los, mas não sem matizar a boa opinião que tinha do bispo. São Victorino combateu diversas heresias de seu tempo, mas ele próprio foi acusado de “milenarismo”, isto é, de esperar que no ano 1000 Cristo estabeleceria Seu Reino na Terra. Diz-se que o santo bispo foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano. Em certa época, acreditou-se que ele havia sido o primeiro bispo de Poitiers, devido a uma latinização errônea do nome de sua diocese.


Não se conservam as atas do martírio de São Victorino; o pouco que sabemos sobre ele provém de certas referências ocasionais encontradas nas obras de São Jerônimo, Optato de Milevi e Cassiodoro. Veja-se Acta Sanctorum, novembro, vol. I. Ao que parece, o Hieronymianum não mencionava este santo; mas Floro de Lyon supunha que a comemoração de São Vítor, em 2 de novembro, referia-se a ele. Veja-se Quentin, Martyrologes historiques, pp. 310 e 380; e Bardenhewer, Geschichte der altkirchlichen Literatur, 2ª edição, vol. II, pp. 657-663.1




São Marciano
São Marciano

São Marciano nasceu em Cirro, na Síria. Seu pai pertencia a uma família patrícia. Marciano abandonou a casa paterna e partiu de sua pátria. Como não gostava de fazer as coisas pela metade, retirou-se para um deserto entre Antioquia e o Eufrates. Ali escolheu o canto mais escondido e se fechou em uma estreita cela, tão baixa e tão pequena, que não podia ficar de pé nem deitado sem se encolher. Tal solidão era para ele como um paraíso, pois podia consagrar-se inteiramente ao canto dos Salmos, à leitura espiritual, à oração e ao trabalho. Alimentava-se apenas de pão e, mesmo assim, em pequena quantidade; no entanto, jamais passava o dia inteiro sem comer, pois queria ter forças para fazer o que Deus lhe pedia. A luz sobrenatural que recebia na contemplação lhe concedia amplo conhecimento das grandes verdades e mistérios da fé. Apesar de seu grande desejo de viver ignorado pelos homens, sua fama chegou a outros países e, por fim, teve de aceitar como discípulos Eusébio e Agapito. Com o tempo, o número de seus discípulos aumentou, e ele nomeou Eusébio como abade. Certa vez, recebeu a visita de São Flaviano, patriarca de Antioquia, e de outros bispos, que lhe pediram uma exortação, como era seu costume. A dignidade de seus ouvintes impressionou Marciano, que por alguns momentos não soube o que dizer. Quando os bispos insistiram para que falasse, ele lhes disse:


“Deus nos fala a cada instante por meio das criaturas e do universo que nos cerca. Fala-nos também pelo seu Evangelho, no qual nos ensina a cumprir nosso dever para com os outros e conosco mesmos. Que outra coisa poderia eu dizer-vos?”


São Marciano realizou vários milagres, mas sua fama de taumaturgo o incomodava profundamente, de modo que nunca dava atenção àqueles que recorriam à sua intercessão para obter um milagre. Assim, certa vez, quando um habitante de Beréia lhe pediu que abençoasse um pouco de azeite para curar sua filha enferma, o santo recusou terminantemente; contudo, a doente recuperou a saúde naquele mesmo instante. Marciano viveu até idade muito avançada. Nos últimos anos, sofreu muito por causa da insistência dos que queriam conservar seu corpo após a morte. Alguns deles, entre os quais se encontrava seu sobrinho Alípio, chegaram inclusive a construir capelas em diferentes lugares para lhe dar sepultura.


São Marciano resolveu o problema pedindo a Eusébio que o sepultasse em um local secreto. O lugar de sua sepultura só foi descoberto cinquenta anos depois de sua morte. Então, suas relíquias foram trasladadas para um sítio que se converteu em lugar de peregrinação.


Tudo o que sabemos sobre São Marciano procede da História Religiosa de Teodoreto. Pode-se ver o texto grego, com tradução latina comentada, em Acta Sanctorum, novembro, vol. I.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 247-248.

2. Ibid. pp. 248-249.



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