Vida de São Fidélis de Como e Santa Anastásia e São Cirilo (28 de outubro)

O cardeal Barônio introduziu no Martirológio Romano o seguinte parágrafo, que se lê na data de hoje: “Em Roma, o martírio dos santos Anastásia, a maior, virgem, e Cirilo. Durante a perseguição de Valeriano, o prefeito Probo mandou acorrentar essa virgem e ordenou que fosse golpeada e torturada com ganchos e com fogo. Como permanecesse firme na confissão de Cristo, cortaram-lhe os seios, arrancaram-lhe as unhas, quebraram-lhe os dentes e cortaram-lhe as mãos e os pés. Finalmente, foi decapitada e passou assim ao Esposo Celestial, adornada com as joias de tantos sofrimentos. Cirilo deu de beber a Anastásia quando ela pediu água, e em prêmio por isso foi martirizado.”
A tradição romana não fala desses mártires, que começaram a ser venerados no Oriente. O texto grego que relata o martírio diz que Anastásia era uma donzela patrícia de vinte anos e vivia em uma comunidade de virgens consagradas. Os soldados do prefeito invadiram o mosteiro e levaram Anastásia à presença do prefeito Probo, que mandou que a despíssem. Como a santa replicasse que isso seria uma vergonha maior para Probo do que para ela, foi torturada da forma que indica o Martirológio. Seus restos foram mais tarde trasladados a Constantinopla.
As atas do martírio conservam-se em grego e em latim, como pode ser visto em Acta Sanctorum, outubro, vol. XI. J. P. Kirsch inclina-se a crer que a única mártir histórica foi a que morreu em Sirmium (25 de dezembro); mas, como sua Festa era celebrada em data diferente no Oriente, algum hagiógrafo grego achou por bem inventar uma nova lenda de uma virgem com o mesmo nome e a adornou com os detalhes fantásticos que citamos em nosso artigo. Veja-se Lexikon für Theologie und Kirche, vol. I (1930), c. 389.1

Durante a perseguição de Maximiano, um oficial chamado Fidélis foi visitar e servir os cristãos que estavam prisioneiros em Milão, segundo refere uma lenda que não merece crédito algum. Fidélis ajudou cinco cristãos a escapar e partiu com eles e dois soldados, chamados Carpóforo e Exanto, com a intenção de cruzar os Alpes. Os fugitivos foram capturados em Como, e somente Fidélis conseguiu escapar com vida. Mas os perseguidores o seguiram em uma barca e o prenderam em Samólito, do outro lado do lago. Imediatamente, foi açoitado e decapitado.
Outra versão relata que Fidélis, Carpóforo e Exanto eram soldados cristãos. Quando a perseguição estourou, abandonaram as armas e fugiram para Como, onde foram presos e executados. Em Como, São Fidélis é venerado desde tempos muito antigos.
O texto das atas, relativamente sóbrio, pode ser visto em Acta Sanctorum, vol. XIV; foi extraído de um manuscrito do século XIV. Enódio, que viveu no século VI, conhecia o túmulo de São Fidélis em Como; além disso, foram encontrados, perto do lago, os restos de uma basílica.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 218-219.
2. Ibid. p. 219.






















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