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Vida de Santa Etelburga de Barking e São Serafim de Montegranaro (12 de outubro)

há 52 minutos
4 min de leitura




Santa Etelburga por Gabriel Ehinger
Santa Etelburga, por Gabriel Ehinger

Diz-se que Santa Etelburga nasceu em Stallington do Lindsey. Era irmã de Santo Erconvaldo, e conta-se que “estavam unidos pelos laços do amor fraternal e eram como um só coração e uma só alma”. Inflamada pelo exemplo do irmão, Santa Etelburga decidiu consagrar-se a Deus na vida religiosa, e nada pôde fazê-la vacilar em sua resolução, pois o mundo perde todo o poder sobre aqueles que estão sinceramente possuídos pelas verdades eternas. Antes de ser eleito bispo de Londres, São Erconvaldo fundou um mosteiro em Chertsey e outro em Barking, em Essex. Este último era um mosteiro duplo, do qual Santa Etelburga foi a primeira abadessa. Mas, como ela e as demais religiosas careciam de experiência, Santa Hildelita foi enviada de uma abadia da França para supervisionar os primeiros passos da comunidade. Diz-se que entre Santa Hildelita e Santa Etelburga havia uma espécie de santa emulação em matéria de austeridade. Quando Santa Etelburga ficou como única superiora, soube conduzir suavemente suas religiosas pelo caminho da virtude e da perfeição cristã. “Mostrava-se em tudo digna irmã de São Erconvaldo, observava escrupulosamente a regra, era muito devota e ordenada, e o Céu ilustrou com alguns milagres seu sábio governo.” São Beda relata vários milagres de Santa Etelburga.


Durante uma epidemia, morreram vários monges do mosteiro, que foram sepultados na igreja. Então, as religiosas começaram a discutir se as monjas deveriam ser enterradas no mesmo local. Como não chegassem a um acordo, decidiram confiar a Deus a solução do problema. Uma manhã, enquanto oravam junto à tumba dos irmãos, após os maitines, um raio de luz — que, segundo a descrição de Beda, era tão brilhante quanto o sol — pousou sobre o túmulo dos monges, enquanto outro raio de igual intensidade indicava outro local na igreja. As religiosas compreenderam que esse prodígio “mostrava o lugar onde seus corpos deveriam repousar à espera do dia da ressurreição”. São Beda conta também a história comovente de um menino de três anos, acolhido pelas religiosas, que morreu pronunciando o nome de uma delas, chamada Edith, a qual logo depois o seguiu à tumba. Outra religiosa, cujo nome o menino também havia pronunciado, entrou em agonia à meia-noite e pediu uma tocha, dizendo: “Certamente pensais que estou louca, mas não estou. Vejo este quarto iluminado por uma luz tão intensa que a chama da tocha me parece escuridão.” Como suas irmãs não atendessem ao pedido, a moribunda exclamou: “Está bem, deixai brilhar vossa tocha; mas sua luz não é certamente a que vai iluminar-me ao amanhecer.” E, de fato, Deus a chamou ao Céu ao despontar do dia.


Santo Earconvaldo, bispo de Londres, fundador da Abadia de Barking e irmão de Santa Etelburga.
Santo Earconvaldo, bispo de Londres, fundador da Abadia de Barking e irmão de Santa Etelburga.

Uma religiosa chamada Teogirita, que estivera acamada por nove anos, teve uma revelação sobre a próxima morte de Santa Etelburga. A santa levara uma vida tão edificante “que nenhum dos que a conheciam tinha a menor dúvida de que sua alma iria diretamente ao Céu”, diz Beda. Três anos depois, pouco antes de morrer, Teogirita perdeu a fala, mas subitamente a recuperou e disse: “Vossa vinda é para mim motivo de grande alegria. Sede bem-vinda.” Em seguida, conversou longamente com a visitante invisível e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava de vida. Os presentes lhe perguntaram com quem falava, e ela respondeu: “Com minha queridíssima mãe Etelburga.” A diocese de Brentwood celebra a Festa de Santa Etelburga.


Muito pouco se pode acrescentar ao relato que nos deixou Beda em sua Historia Ecclesiastica, liv. IV (edição e notas de Plummer); contudo, os bolandistas também publicaram a biografia escrita por Capgrave. Nos calendários medievais (Stanton, Menology, p. 486) e em certas antífonas, etc. (Hardy, Materials, vol. I, p. 385), há vestígios do culto medieval de Santa Etelburga. Acerca da biografia de Goscelino de Cantuária, conservada no manuscrito de Gotha, veja-se Analecta Bollandiana, vol. LVI (1940), p. 101.1




São Serafim de Montegranaro
São Serafim de Montegranaro.

Exteriormente, a vida de São Serafim foi tão pouco notável quanto pode ser a de um simples irmão leigo; contudo, por meio dela, atingiu os cumes da vida espiritual, e contam-se numerosos milagres realizados por ele. Nasceu de pais muito humildes em Montegranaro, em 1540. Como tantos outros santos, Serafim foi pastor em sua infância. Ao ficar órfão, passou a trabalhar com um irmão pedreiro, que o tratava com brutalidade. Aos dezesseis anos, Serafim fugiu de casa e ingressou como irmão leigo no convento dos capuchinhos. Sempre fora bom e devoto, e logo começou a progredir rapidamente no caminho da virtude heroica. Todas as noites passava três horas diante do Santíssimo Sacramento e só se deitava após os maitines. Com sua bondade e mansidão, converteu muitos pecadores e conquistou o afeto dos pobres. Se seus superiores o tivessem permitido, Serafim teria ido pregar entre os infiéis, como seu pai São Francisco; mas Deus o quis oculto, e o bom irmão aceitou essa vontade sem murmurar.


O decreto de canonização, publicado em 1767, relata dois de seus milagres. Durante uma peregrinação a Loreto, São Serafim atravessou o rio Potenza — que estava muito cheio — sem molhar-se. 


Em outra ocasião, o superior o repreendeu por ter colhido as verduras do horto do convento para distribuí-las aos pobres; no dia seguinte, as verduras haviam crescido novamente, como se nunca tivessem sido cortadas. 


São Serafim costumava curar os enfermos fazendo sobre eles o sinal da cruz. Possuía ainda grande discernimento dos espíritos e o dom de predizer o futuro, de modo que dignitários civis e eclesiásticos costumavam consultá-lo. Morreu em Ascoli Piceno, em outubro de 1604.


Nos Annales Ordinis Capuccini (1639), Z. Boviero narra com certo detalhe a vida de São Serafim; seu relato foi reproduzido nos Acta Sanctorum, outubro, vol. VI, juntamente com o texto da bula de canonização. Existem também biografias de C. de Harenberg (1642), P. B. Joannini (1709) e Mons. Svampa (1904). Veja-se ainda Ernest de Beaulieu, Deux émules de St. Félix de Cantalice (1919). Na obra de Giuseppe da Iermo, Gli Scrittori Capuccini delle Marche (1928), encontram-se outros dados bibliográficos.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 93-95.

2. Ibid. pp. 103-104.



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