Vida de São Pancrácio e São Nereu, Santo Aquileu e Santa Domitila (12 de maio)
- 12 de mai. de 2025
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Atualizado: 12 de mai.

Como muitos outros santos menos conhecidos, os quais foram lamentavelmente esquecidos pela hierarquia modernista após a destruição do Calendário Litúrgico tradicional em 1969 pelo antipapa Paulo VI, os santos que a Igreja sempre venerou no dia 12 de maio — Santos Nereu, Aquileu, Domitila e Pancrácio — não constituem exceção.
Contudo, sua extraordinária importância permanece gravada na própria pedra da Cidade Eterna. Uma inscrição no Arco de Constantino, em Roma, dá testemunho do triunfo espiritual desses mártires:
“A Flávia Domitila, Nereu e Aquileu, o Senado e o Povo de Roma. Neste caminho sagrado, onde tantos imperadores romanos receberam honras triunfais por terem submetido várias províncias ao povo romano, estes mártires recebem hoje um triunfo mais glorioso, pois, com um maior coragem, conquistaram, com sua fé, os próprios conquistadores.”
Foi sob a perseguição de Domiciano — o mesmo que condenou São João Evangelista (cf. o artigo do dia 6 de maio) a ser queimado vivo num caldeirão de óleo fervente — que Flávia Domitila foi honrada com o exílio e a morte por amor ao nosso Redentor, a quem ela havia escolhido como Esposo.
Ela pertencia à família imperial, sendo sobrinha de Flávio Clemente, que enobrecera a dignidade consular com o martírio. Era uma das cristãs que pertenciam à corte do imperador Domiciano, mostrando-nos com que rapidez a religião dos pobres e humildes penetrava as mais altas classes da vida romana. Poucos anos antes disso, São Paulo enviava aos cristãos de Filipos as saudações dos cristãos do palácio de Nero (Filipenses 4,22).

Ainda hoje existe, não longe de Roma, na Via Ardeatina, o magnífico cemitério subterrâneo que Flávia Domitila mandou escavar em seu prædium (propriedade), e no qual foram sepultados os dois mártires, Nereu e Aquiles, que a Igreja honra hoje juntamente com a nobre virgem, que lhes deve sua coroa.
Nereu e Aquiles estavam a serviço de Domitila. Os atos desses dois santos — redigidos muito tempo após o martírio deles, e sobre os quais se basearam as leituras do Ofício de hoje — chamam-nos de "eunucos", mas isso é um erro do compilador, que pertence ao século V ou VI. A introdução de eunucos na corte imperial e nas famílias romanas é posterior ao reinado de Domiciano.
Ouvindo-os, certo dia, falarem sobre o mérito da virgindade, ela, naquele instante, renunciou a todos os prazeres mundanos e aspirou à honra de ser esposa de Cristo. Recebeu o véu das virgens consagradas das mãos do Papa São Clemente; Nereu e Aquiles haviam sido batizados pelo próprio São Pedro. Que lembranças gloriosas para um só dia!
Os corpos desses três santos repousaram durante vários séculos na basílica chamada Fasciola, na Via Ápia; e temos uma homilia que São Gregório Magno pregou naquela igreja em sua festa. O santo pontífice discorreu sobre a vaidade dos bens terrenos; e encorajou sua audiência a desprezá-los, pelo exemplo dos três mártires, cujas relíquias estavam debaixo do altar ao redor do qual todos estavam reunidos naquele dia.
“Esses santos,” disse ele, “diante de cujo túmulo agora estamos, pisaram com desprezo na alma o mundo e suas flores. A vida era então longa, a saúde era constante, as riquezas eram abundantes, os pais tinham muitos filhos; e ainda assim, embora o mundo florescesse exteriormente, ele há muito era algo murchado em seus corações.” (Homilia 28, sobre o Evangelho).
Mais tarde, a Fasciola tendo sido quase reduzida a ruínas pelas desgraças que caíram sobre Roma, os corpos dos três santos foram transladados, no século XIII, para a igreja de Santo Adriano, no Fórum. Lá permaneceram até o final do século XVI, quando o grande Barônio, tendo sido elevado ao cardinalato com o título de Santos Nereu e Aquileu (ou Aquiles), decidiu restaurar a igreja que lhe fora confiada.

Por sua munificência, as naves foram restauradas; a história dos três mártires foi pintada nas paredes; o púlpito de mármore, do qual São Gregório pregou a homilia, foi trazido de volta, e a homilia foi gravada, do início ao fim, na parte de trás; e a cripta (confissão) foi enriquecida com mosaicos e mármores preciosos, em preparação para receber as relíquias sagradas, das quais estivera privada por trezentos anos.
Barônio sentia que era mais que hora de pôr fim ao longo exílio dos santos mártires, cuja honra lhe era tão particularmente cara. Organizou um triunfo formal para o retorno deles. A Roma cristã é exímia na arte de unir as formas da antiguidade clássica com os sentimentos inspirados pela fé. O carro, conduzindo um magnífico dossel, sob o qual repousavam as relíquias dos três mártires, foi conduzido primeiramente ao Capitólio.
Ao atingir o topo do Clivus Capitolinus (Aclive Capitolino), avistavam-se duas inscrições paralelas. Numa estava escrito:
“A Santa Flávia Domitila, virgem e mártir de Roma, o Capitólio, purificado do culto maligno dos demônios e restaurado mais perfeitamente do que por Flávio Vespasiano e Domiciano, imperadores e parentes da virgem cristã.”
Na outra:
“O Senado e o povo de Roma a Santa Flávia Domitila, virgem e mártir de Roma, que, ao permitir ser morta pelo fogo pela fé em Cristo, trouxe mais glória a Roma do que seus parentes, os imperadores Flávio Vespasiano e Domiciano, quando, às suas próprias custas, restauraram o Capitólio duas vezes destruído pelo fogo.”
Os relicários dos mártires foram então colocados num altar erguido próximo à estátua equestre de Marco Aurélio. Após serem venerados pelos fiéis, foram recolocados no carro, que desceu pelo lado oposto do Capitólio. A procissão logo chegou ao arco triunfal de Septímio Severo, onde estavam penduradas duas inscrições:
“Aos santos mártires Flávia Domitila, Nereu e Aquiles, os melhores cidadãos, o Senado e o povo de Roma, por haverem honrado o nome romano com sua morte gloriosa e conquistado a paz para a república romana com o derramamento de seu sangue.”
“A Flávia Domitila, Nereu e Aquiles, os invencíveis mártires de Cristo Jesus, o Senado e o povo de Roma, por haverem honrado a cidade com o nobre testemunho prestado à fé cristã.”
Seguindo pela Via Sacra, a procissão logo chegou diante do arco triunfal de Tito, monumento da vitória de Deus sobre a nação deicida. De um lado, lia-se:
“Este arco triunfal, outrora dedicado ao imperador Tito Flávio Vespasiano por ter subjugado a rebelde Judeia ao jugo do povo romano, é agora, pelo Senado e povo de Roma, mais auspiciosamente dedicado e consagrado a Flávia Domitila, parente do mesmo Tito, por ter, com sua morte, engrandecido e promovido a religião cristã.”
Do outro lado:
“A Flávia Domitila, virgem e mártir de Roma, parente do imperador Tito Flávio Vespasiano, o Senado e o povo de Roma, por haver ela, ao derramar seu sangue e dar sua vida pela fé, prestado mais glorioso testemunho à morte de Cristo do que o próprio Tito, ao destruir Jerusalém para vingar essa mesma morte.”
Deixando à esquerda o Coliseu — solo sagrado onde tantos mártires combateram o bom combate da fé —, passaram sob o arco triunfal de Constantino, que fala tão eloquentemente da vitória do Cristianismo, tanto em Roma quanto no Império, e que ainda ostenta o nome da família Flávia, à qual pertenceu o primeiro imperador cristão. Duas inscrições estavam afixadas ao arco, uma na qual já vimos acima e outra, a saber:
“A Flávia Domitila, o Senado e o povo de Roma. Doze imperadores, seus parentes, conferiram honra à família Flávia e à própria Roma por seus feitos; mas ela, ao sacrificar todas as honras humanas e a própria vida por amor a Cristo, prestou maior serviço à família e à cidade do que eles.”
A procissão continuou pela Via Ápia até finalmente chegar à basílica. Barônio, assistido por numerosos cardeais, recebeu as preciosas relíquias e levou-as com grande reverência até a confissão do altar-mor. Enquanto isso, o coro cantava esta antífona do Pontifical:
“Entrai, santos de Deus! Pois uma morada vos foi preparada pelo Senhor. O povo fiel vos seguiu em vosso caminho, para que intercedais por eles diante da majestade do Senhor. Aleluia!”

A seguir, o relato dos nossos três mártires, segundo a liturgia:
“Nereu e Aquiles, irmãos, estavam a serviço de Flávia Domitila, e foram batizados, juntamente com ela e sua mãe Plautila, por São Pedro. Persuadiram Domitila a consagrar sua virgindade a Deus; por isso, foram acusados de serem cristãos por Aureliano, a quem ela estava prometida. Fizeram uma admirável confissão de fé e foram exilados para a ilha de Pôncia. Ali foram novamente interrogados e condenados a serem flagelados.
Logo depois, foram levados a Terracina e, por ordem de Minúcio Rufo, estendidos no cavalete e torturados com tochas acesas. Declarando resolutamente que, tendo sido batizados pelo bem-aventurado Pedro Apóstolo, nenhum suplício os induziria a sacrificar aos ídolos, foram decapitados. Seus corpos foram levados a Roma por seu discípulo Auspício, tutor de Domitila, e sepultados na Via Ardeatina.
Flávia Domitila, dama romana e sobrinha dos imperadores Tito e Domiciano, recebeu o santo véu da virgindade das mãos do bem-aventurado Papa Clemente. Foi acusada de ser cristã por Aureliano, a quem estava prometida em casamento, e que era filho do cônsul Tito Aurélio. O imperador Domiciano baniu-a para a ilha de Pôncia, onde sofreu longo martírio na prisão.
Foi finalmente levada a Terracina, onde novamente confessou a Cristo. Vendo que sua constância era inabalável, o juiz ordenou que a casa onde ela se hospedava fosse incendiada; e assim ela, juntamente com duas virgens, suas irmãs de criação, Teodora e Eufrosina, completou seu glorioso martírio no nono dia antes das nonas de maio (7 de maio), durante o reinado do imperador Trajano.
Seus corpos foram encontrados íntegros e sepultados por um diácono chamado Cesário. Mas é neste dia que os corpos dos dois irmãos e o de Domitila foram transladados da diaconia de Santo Adriano para a basílica chamada Fasciola.
Quão grandioso foi o triunfo que Roma vos concedeu, santos mártires, tantos séculos após vossas gloriosas mortes! Quão verdadeira é esta realidade: não há glória nesta terra que se compare à dos santos!
Onde estão agora aqueles doze imperadores, teus parentes, ó Domitila? Quem se importa com seus restos mortais? Quem sequer guarda sua memória? Um deles foi apelidado de “delícia do gênero humano”; e agora, quantos há que jamais ouviram seu nome? Outro, o último dos doze, teve a glória de proclamar a vitória da Cruz sobre o Império Romano; Roma cristã honra e ama seu nome; mas a homenagem da devoção religiosa não é dada a ele, mas a ti, ó Domitila, e aos dois mártires cujos nomes agora se associam ao teu.

Quem não reconhece o poder da ressurreição de Jesus, no amor e entusiasmo com que um povo inteiro acolhe vossas relíquias santas, ó mártires do Deus vivo? Mil e quinhentos anos haviam se passado, e, mesmo assim, vossos restos inanimados foram recebidos com júbilo, como se estivésseis presentes, vivos. Isso porque nós, cristãos, sabemos que Jesus, o primogênito dentre os mortos (Ap 1,5), ressuscitou; e que vós também ressuscitareis gloriosos como Ele.
Por isso, os fiéis honram por antecipação a imortalidade que, no futuro, será dada a vossos corpos, mortos por causa de Jesus; já veem, pela fé, o esplendor que será dado a vossa carne; e, nisso tudo, proclamam a dignidade que a redenção concedeu ao homem, para quem a morte já não é senão passagem à verdadeira vida, e o túmulo apenas um descanso onde o corpo é lançado, como semente à terra, para ressurgir em beleza centuplicada.
Felizes os que, como diz a profecia, “lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro!” (Ap 7, 14) Mas mais felizes ainda, diz a santa Igreja, os que, depois de purificados, misturaram seu próprio sangue ao da Vítima divina! Pois assim fazendo, “completaram em sua carne o que falta às tribulações de Cristo.” (Col 1, 24). Por isso, sua intercessão é poderosa, e devemos dirigir-lhes nossas preces com amor e confiança.
Sede, pois, nossos amigos, santos mártires Nereu, Aquiles e Domitila! Obtende-nos um amor ardente por Jesus ressuscitado; perseverança na vida nova que Ele nos deu; desapego das coisas do mundo e uma firme resolução de desprezá-las, se se tornarem um perigo para nossa salvação eterna. Rogai por nós, para que sejamos corajosos em resistir aos inimigos espirituais, prontos a defender nossa santa fé, e zelosos em buscar aquele reino “que se conquista pela força” (Mt 11, 12).
Sede defensores da Santa Igreja Romana, que celebra com fervor vossa memória a cada ano. Vós, Nereu e Aquiles, fostes convertidos por Pedro; e tu, Domitila, foste filha espiritual de Clemente, sucessor de Pedro: protegei o pontífice que hoje governa a Igreja — o pontífice em quem Pedro ainda vive — o pontífice, sucessor de Clemente. Dissipai as tempestades que ameaçam a Cruz no Capitólio, e rogai pelos habitantes de Roma, para que permaneçam firmes na fé.” 1
SÃO PANCRÁCIO, MÁRTIR († c. 304 d.C.)

São Pancrácio era um órfão de origem síria ou frígia. Um tio o levou consigo para Roma, onde ambos se converteram ao cristianismo. Pancrácio foi decapitado pela fé aos catorze anos de idade, no tempo de Diocleciano, e sepultado no cemitério de Calepódio, que depois tomou seu nome. Por volta do ano 500, o Papa São Símaco construiu ou reconstruiu uma basílica sobre o túmulo de São Pancrácio. Santo Agostinho de Cantuária consagrou-lhe a primeira igreja que ergueu naquela cidade; cerca de cinquenta anos mais tarde, o Papa Papa São Vitaliano enviou ao rei Oswy, da Nortúmbria, parte das relíquias do mártir, cuja distribuição ajudou a difundir seu culto na Inglaterra. São Gregório de Tours, que chamou São Pancrácio de “o vingador do perjúrio”, afirmava que Deus realizava o milagre contínuo de castigar visivelmente todos os falsos juramentos feitos na presença das relíquias do santo.
O túmulo do santo encontrava-se na Via Aurélia, a dois quilômetros de Roma. O Papa Honório (625-638) restaurou elegantemente a igreja construída pelo Papa São Símaco; ainda se conserva a inscrição mandada colocar por ele nessa ocasião. O Papa São Gregório Magno havia construído um mosteiro beneditino em honra de São Pancrácio; provavelmente, Santo Agostinho de Cantuária dedicou ao santo a igreja acima mencionada em memória do convento onde vivera em Roma. Outro cemitério muito conhecido que também levava o nome de São Pancrácio era o de Londres, onde foram sepultados muitos mártires católicos; o bairro e a estação ferroviária tomaram dessa igreja o nome do santo.
Na opinião de Butler, ele diz que “não possuímos dados certos sobre São Pancrácio“, cujo martírio se celebra no dia de hoje. E que “a versão habitualmente apresentada de sua vida baseia-se nas chamadas 'atas', as quais foram inventadas muito tempo depois da morte do santo e contêm sérios anacronismos.“ Mas isso levaria as pessoas a duvidarem da autenticidade da existência ou santidade dele, mesmo após tantos santos e papas promoverem a sua devoção.
Existem várias recensões das atas, tanto em latim quanto em grego; podem ser vistas em Acta Sanctorum, maio, vol. II. Pio Franchi de Cavalieri discute o texto grego em Studi e Testi, vol. XIX, pp. 77-120. Ver também Analecta Bollandiana, vol. IX, pp. 258-261.2
Referências:
1. The Liturgical Year, por Dom Prosper Gueranger (1841-1875).
2. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 263-264.
Tradução dos artigos Sts. Nereus, Achilleus, Domitilla And Pancras de acatholiclife e The martyrdom of Sts. Domitilla, Nereus, and Achilleus reminds us that discipleship is a sacrifice, LifeSite.






















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