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Vida de São Eusébio de Vercelli e Santa Adelaide (16 de dezembro)





Estampa devocional de São Eusébio de Vercelli
Estampa devocional de São Eusébio de Vercelli

São Eusébio nasceu na Sardenha. Segundo se diz, seu pai esteve ali prisioneiro por causa da fé. Quando sua mãe ficou viúva, transferiu-se para Roma com Eusébio e sua irmã. Eusébio foi educado ali e recebeu a ordem do leitorado. Mais tarde, foi enviado a Vercelli, no Piemonte, onde se distinguiu tanto no serviço da Igreja, que o clero e o povo o elegeram para governar a sede. São Eusébio é o primeiro bispo de Vercelli de cujo nome se tem memória. Santo Ambrósio conta que foi o primeiro personagem do Ocidente que uniu a disciplina monástica à clerical, pois vivia em comunidade com uma parte de seu clero. Por isso, os cônegos regulares veneram especialmente São Eusébio. O santo compreendeu que o primeiro e melhor dos meios para trabalhar eficazmente pela santificação de seu rebanho consistia em formar pessoalmente seu clero na virtude, piedade e zelo pelas almas. Nessa tarefa teve tanto êxito que seus discípulos foram eleitos bispos de outras dioceses, e muitos deles brilharam como faróis na Igreja de Deus. São Eusébio ocupava-se também da instrução do povo com grande diligência, e muitos pecadores mudaram de vida graças à força da verdade que o santo pregava e ao seu exemplo de bondade e caridade.


No ano 354, foi chamado ao serviço da Igreja universal e, durante os dez anos seguintes, distinguiu-se como confessor da fé e sofreu por ela. Com efeito, no ano 354 o Papa Libério designou São Eusébio e Lúcifer de Cagliari para irem pedir ao imperador Constâncio que reunisse um concílio e tratasse de pôr fim à contenda entre católicos e arianos. Constâncio concordou, e o concílio reuniu-se em Milão, no ano 355. Eusébio, vendo que os arianos, embora menos numerosos que os católicos, iam impor-se pela força, recusou-se a assistir ao concílio até que Constâncio o obrigou. Quando os bispos receberam a ordem de assinar um documento que condenava Santo Atanásio, Eusébio recusou-se a fazê-lo e, colocando sobre a mesa o Credo de Niceia, exigiu que todos o subscrevessem antes de discutir o caso de Santo Atanásio. Isso provocou um verdadeiro tumulto. Finalmente, o imperador mandou chamar São Eusébio, São Dionísio de Milão, Lúcifer de Cagliari, e exigiu que condenassem Atanásio. Eles insistiram em que era inocente e que não havia direito de condená-lo sem ouvi-lo, e protestaram contra a intervenção do braço secular nas decisões eclesiásticas. O imperador enfureceu-se e ameaçou-os de morte; mas contentou-se em desterrá-los. São Eusébio foi desterrado pela primeira vez para Escitópolis, na Palestina, onde ficou sob a vigilância de Patrófilo, o bispo ariano.


São Eusébio de Vercelli
São Eusébio de Vercelli

No início, hospedou-se na casa de São José da Palestina, cuja família era a única “ortodoxa” da população. São Epifânio e outros personagens ilustres o consolaram visitando-o, e alguns mensageiros foram de Vercelli levar-lhe auxílio pecuniário. Mas a paciência do santo foi submetida a duras provas. Depois da morte do conde José, os arianos insultaram São Eusébio, arrastaram-no quase nu pelas ruas e, durante quatro dias, mantiveram-no encerrado num pequeno aposento, molestando-o continuamente para que aceitasse os princípios arianos. Como nem seus diáconos nem os outros cristãos podiam visitá-lo, o santo escreveu a Patrófilo uma carta encabeçada da seguinte maneira: “Eusébio, servo de Deus, e os outros servos de Deus que sofrem com ele pela fé, ao perseguidor Patrófilo e seus sequazes.” Depois de descrever o que havia sofrido, pedia que fosse concedida a seus diáconos permissão para visitá-lo. São Eusébio fez uma espécie de “greve de fome”. Quando já levava quatro dias sem provar alimento, os arianos enviaram-no de volta à sua casa. Mas três semanas mais tarde, invadiram novamente a casa e o arrastaram para fora, depois de roubar seus bens, espalhar suas provisões e expulsar seu séquito. São Eusébio conseguiu escrever ao seu rebanho uma carta em que relatava o ocorrido. Mais tarde, foi transferido de Escitópolis para a Capadócia, e depois para a Tebaida superior. Conserva-se uma carta que escreveu do Egito a Gregório, bispo de Elvira, na qual o louva pela constância com que resistira aos inimigos da fé da Igreja e expressava seu desejo de morrer sofrendo pelo Reino de Deus.


Constâncio morreu por volta do ano 361. Juliano permitiu que os bispos desterrados retornassem às suas respectivas sedes. São Eusébio foi então a Alexandria falar com Santo Atanásio sobre os remédios que deveriam ser aplicados aos males da Igreja. Ali tomou parte num concílio e, depois, transferiu-se para Antioquia, como legado conciliar, para fazer com que se reconhecesse São Melécio como bispo e para tentar pôr fim ao cisma eustaciano. Infelizmente, Lúcifer de Cagliari acabara de lançar lenha na fogueira, nomeando Paulino bispo dos eustacianos. Eusébio repreendeu-o pela leviandade com que procedera. O fogoso Lúcifer vingou-se rompendo a comunhão com ele e com todos aqueles que, obedecendo aos decretos do concílio de Alexandria, aceitavam os bispos convertidos do arianismo. Assim teve origem o cisma de Lúcifer, cujo orgulho o fez perder o fruto do zelo que até então havia demonstrado e do que sofrera pela fé.


Não podendo fazer nada em Antioquia, São Eusébio percorreu o Oriente até a Ilíria, confirmando na fé os que nela vacilavam e reconciliando muitos que se haviam afastado da Igreja. Na Itália encontrou Santo Hilário de Poitiers e, juntos, combateram Auxêncio de Milão, que queria impor o arianismo. São Jerônimo diz que a cidade de Vercelli “tirou as vestes de luto” quando voltou seu bispo após tão longa ausência. Nada sabemos sobre os últimos anos de São Eusébio. Morreu em 1º de agosto, dia em que o Martirológio Romano o comemora, qualificando-o de mártir; mas o Breviário observa que foi mártir por seus sofrimentos e não por sua morte. Na catedral de Vercelli há um manuscrito dos Evangelhos, escrito, segundo se diz, pela própria mão do santo. O rei Berengário mandou revesti-lo com lâminas de prata há quase mil anos, pois já estava muito gasto. Esse manuscrito é o “códice” mais antigo que se conserva da versão latina. São Eusébio é um dos vários personagens aos quais se atribuiu o Credo Atanasiano.


O Martírio de São Eusébio, por Gaetano Gandolfi
O Martírio de São Eusébio, por Gaetano Gandolfi

Os Padres da Igreja, que com seu zelo e saber mantiveram intacta a verdade da fé, fizeram da humildade o fundamento de sua atividade. Sabendo que estavam sujeitos ao erro, repetiam com Santo Agostinho:


“Posso errar, mas nunca serei herege.”

A prudência e a humildade não são menos necessárias nos estudos profanos do que nos religiosos. Alguns perdem o contato com a realidade em suas elucubrações e desperdiçam seu talento dedicando-se a estudos que estão acima de suas forças. Cícero tem razão quando diz que não há doutrina, por mais absurda que seja, que não tenha sido defendida por algum filósofo. Por isso, o Apóstolo afirma que “a ciência incha”, não porque seja má em si mesma, mas porque o coração humano é muito propenso ao orgulho. Geralmente, os mais ignorantes são os que caem mais facilmente no defeito de exagerar seus conhecimentos e qualidades.


Dado que não existe nenhuma biografia propriamente dita de São Eusébio (pois a que publicou Ughelli é muito posterior e de pouco valor histórico), as principais fontes são as cartas do santo, um artigo dos Viri illustres de São Jerônimo e a literatura polêmica da época. Os principais acontecimentos da vida de São Eusébio estão relacionados com a história geral da Igreja. Veja-se, por exemplo, Hefele-Leclercq, Histoire des Conciles, vol. I, pp. 872 ss. e 961 ss.; Duchesne, Hist. ancienne de l’Église, vol. II, pp. 341-350; Bardenhewer, Geschichte der altkirchlichen Literatur, vol. II, pp. 486-487; e sobretudo Savio, Gli antichi vescovi d’Italia, vol. I, pp. 412-420 e 514-544.1




Santa Adelaide, rainha da Itália, imperatriz da Alemanha, por Abel Terral
Santa Adelaide, rainha da Itália, imperatriz da Alemanha, por Abel Terral

No ano de 933, Rodolfo II da Borgonha Superior concluiu um tratado com Hugo da Provença. Ambos os príncipes haviam lutado até então pela coroa da Itália (Lombardia). Uma das cláusulas estipulava que a filha de Roberto, Adelaide, que então tinha dois anos, deveria contrair matrimônio com Lotário, filho de Hugo. Catorze anos mais tarde, Conrado da Borgonha, irmão de Adelaide, fez executar a cláusula. Para então, Lotário era já nominalmente rei da Itália; mas o poder estava realmente nas mãos de Berengário de Ivrea. O casal teve uma filha, Ema, que mais tarde se casou com Lotário II da França. Lotário da Itália morreu no ano de 950. Não é impossível que tenha sido assassinado por seu sucessor, Berengário. Este tentou obrigar Adelaide a contrair matrimônio com seu filho. Como ela se recusasse, tratou-a brutal e indignamente e encarcerou-a num castelo do Lago de Garda. Por então, Otão, o Grande, da Alemanha, invadiu o norte da Itália para restabelecer a ordem e derrotou Berengário. Adelaide foi posta em liberdade ou, como dizem outros, escapou da prisão e foi reunir-se com Otão. Para consolidar sua autoridade na Itália, Otão contraiu matrimônio com Adelaide, que era vinte anos mais jovem que ele, no dia de Natal do ano de 951, em Pavia. Tiveram cinco filhos. Ludolfo, filho do primeiro matrimônio de Otão, que estava ciumento da influência de sua madrasta e de seus meio-irmãos, pôs-se à frente de todos os descontentes e rebeldes. Mas a boa e graciosa Adelaide conquistou logo o carinho dos alemães. Otão foi coroado imperador em Roma no ano de 962. Nada sabemos sobre a vida de Adelaide nos dez anos seguintes, até 973, quando morreu seu esposo e subiu ao trono seu filho mais velho.


Otão II era um homem bom e brilhante, mas leviano e orgulhoso. Pouco depois de sua ascensão ao trono, mal aconselhado por sua esposa, a bizantina Teófana, e por outros personagens da corte, voltou-se contra sua mãe. Adelaide abandonou a corte e refugiou-se em Vienne, junto de seu irmão Conrado. A santa pediu auxílio a São Maíolo (ou Mayeul) de Cluny, a quem ela havia desejado ver cingir a tiara pontifícia quando Bento VI foi assassinado no ano de 974, e o abade de Cluny conseguiu efetuar a reconciliação; com efeito, mãe e filho reuniram-se em Pavia, e Otão pediu de joelhos perdão a Adelaide pela maneira como havia procedido. A santa enviou vários presentes ao santuário de São Martinho de Tours, entre outras coisas a melhor túnica de Otão, e pediu que se intercedesse por seu filho junto ao santo “que teve a glória de cobrir com seu manto Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de um mendigo.”


Santa Adelaide de Borgonha
Santa Adelaide de Borgonha

As dificuldades repetiram-se no ano de 983, à morte de Otão II. Como Otão III ainda fosse uma criança de colo, Teófana assumiu a regência. Teófana possuía o senso político das grandes princesas bizantinas e, nesse aspecto, era muito superior a Santa Adelaide, que voltou a abandonar a corte. Mas Teófana faleceu subitamente no ano de 991, e a idosa imperatriz assumiu então a regência. Embora tivesse como conselheiro São Willigis de Mainz, a regência era uma tarefa pesada demais para seu temperamento pacífico. A santa soubera durante toda a vida perdoar generosamente seus inimigos e fora dócil à direção sucessiva de São Adalberto de Magdeburgo, São Maíolo (ou Mayeul) e São Odilão de Cluny. Este último qualificou-a como “maravilha de beleza e de graça”. Santa Adelaide fundou e restaurou vários mosteiros de monges e de religiosas e mostrou-se particularmente solícita pela conversão dos eslavos, que perturbaram os últimos anos de sua regência com suas incursões pela fronteira oriental do Império. Santa Adelaide regressou finalmente à Borgonha. A morte surpreendeu-a num mosteiro que havia fundado em Seltz, às margens do Reno, perto de Estrasburgo, no dia 16 de dezembro de 999. Embora a santa nunca tenha sido formalmente canonizada, sua festa é celebrada em várias dioceses da Alemanha e de outros países.


A fonte mais fidedigna é o Epitaphium de São Odilão de Cluny. Pode ser visto em MGH., Scriptores, vol. IV, pp. 635-649, e em Migne, PL., vol. CXL, col. 967-992. Encontram-se muitos outros dados dispersos nas crônicas da época. Em alemão existe a biografia de F. P. Wimmer, Kaiserin Adelheid (1897). Veja-se também DHG., vol. I, col. 516-517.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 571-573.

2. Ibid. pp. 573-574.



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