Festa de Nossa Senhora da Guadalupe e a Vida de São Finiano de Clonard e São Vecelino (12 de dezembro)
- Sacra Traditio

- 12 de dez. de 2025
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Nenhuma das nações latinas que formam o novo mundo cristão pode queixar-se de não ter tido sempre a pronta proteção da Santíssima Virgem Maria; ao contrário, em todas elas Ela manifestou ser verdadeira Mãe dos pecadores e ofereceu exemplos, às vezes extraordinários, de que os povos da América Latina ocupam um lugar especial em sua misericórdia. O México apresenta um desses casos de exceção em que a Mãe de Deus desceu das moradas celestiais para premiar os habitantes daquelas terras, fiéis devotos seus, com seus inumeráveis benefícios e honrá-los com sua presença.
Com efeito, apenas consumada a conquista de Cortés nos territórios que hoje formam a República Mexicana, quando a religião de Cristo tomava posse do país desconhecido, ao mesmo tempo em que se estabelecia o domínio do rei católico da Espanha, a Virgem Maria, vendo do alto trono da glória que os novos discípulos do Evangelho, os indígenas mexicanos convertidos, já formavam uma Igreja respeitável, quis dispensar-lhes suas misericórdias, desceu visivelmente do céu para aparecer a um índio simples e temente a Deus, chamado Juan Diego, e deixou para sempre sua verdadeira imagem aos mexicanos, como testemunho de seu amor. Aquela aparição esteve tão cheia de prodígios e circunstâncias tão singulares que, testemunhada pela tradição constante do povo e pelos escritos dos próprios indígenas, mereceu uma devoção firme, uma fama que ultrapassou fronteiras e uma atenção muito particular por parte da Igreja de Roma.
A festividade das aparições da Virgem de Guadalupe do México é a que se celebra neste dia. Sua história autêntica, deduzida brevemente do que escreveu em náuatle um contemporâneo dos fatos chamado Antonio Valeriano e do que relatou outro testemunho insuperável, o bacharel Becerra Tanco, diz o que segue:

Apenas se contavam dez anos e alguns meses do domínio dos espanhóis nas terras mexicanas quando, num sábado, 9 de dezembro de 1531, saiu um índio batizado com o nome de Juan Diego do povoado de Cuautitlán, dirigindo-se ao templo de Santiago, em Tlaltelolco (hoje um dos setores da Cidade do México), para assistir à Missa. Era esse índio humilde, simples, pobre, de costumes inocentes e de tão profunda devoção que, quase diariamente, deixava o leito antes da aurora e caminhava a pé cerca de quarenta quilômetros para ver celebrar o Santo Sacrifício. Naquele dia, ao romper da aurora, chegou ao sopé de um pequeno monte chamado Tepeyac, no topo do qual ouviu uma música muito suave, como o canto de muitos pássaros. Levantou os olhos e viu uma nuvem resplandecente da qual saía uma voz que o chamava pelo nome. Subiu a encosta sem sobressalto e às pressas, e pôde contemplar, no meio da claridade de resplendores celestiais, uma belíssima Senhora que parecia acenar para que se aproximasse.
Ao aproximar-se Juan Diego, a aparição deu-se a conhecer com estas palavras:
“Sabe, meu filho muito amado, que sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, Senhor do céu e da terra”.
Em seguida expôs suas intenções:
“É meu desejo”, disse Ela, “que se levante um templo neste lugar, onde, como Mãe piedosa, mostrarei minha clemência àqueles que me amam e me buscam e a todos os que solicitarem meu amparo”.
Feitas essas declarações, a Santíssima Virgem pediu a Juan Diego que fosse imediatamente à cidade do México, como enviado seu, para expor seu desejo ao bispo.
Juan Diego obedeceu prontamente e foi direto ao palácio do bispo, que era então frei Juan de Zumárraga e, após longa espera, foi introduzido à presença do prelado. A este transmitiu, simples e verdadeiramente, a mensagem que lhe enviava a Mãe de Deus; mas frei Juan agiu com toda a prudência que se podia esperar de sua virtude e bom juízo em assunto tão delicado e, sem desprezar nem encorajar o índio, despediu-o pedindo que voltasse mais tarde, enquanto ele consideraria melhor o caso.

Juan Diego voltou à tarde ao mesmo local em que tinha visto a Virgem pela manhã e ali encontrou a Senhora que esperava sua resposta. Com simplicidade e reverência, relatou tudo o que havia acontecido com o bispo e o fracasso de sua missão. A Senhora ouviu com benevolência as palavras do índio e depois ordenou que ele voltasse uma segunda vez e desse a mesma mensagem. No domingo, 10 de dezembro, pela manhã, apresentou-se Juan Diego no palácio do bispo, e os familiares deste o receberam com frieza e desprezo, mas não o prelado, que ouviu com grande atenção o relato do índio sobre as recomendações da Santíssima Virgem e até o interrogou minuciosamente a respeito das palavras da Senhora. Por fim, a decisão do bispo foi que o índio pedisse à Senhora um sinal para comprovar que era verdadeiramente a Mãe de Deus quem o enviava.
Naquela ocasião, ao partir Juan Diego, alguns dos criados do bispo o seguiram para observá-lo, mas, chegando ele às proximidades do monte, desapareceu da vista de seus perseguidores, que não puderam encontrá-lo por mais que o procurassem. Sem dúvida, o Céu não queria outro testemunho daquelas aparições além dele, pois naquele momento Juan Diego conversava com a Virgem do Tepeyac. Ele lhe dizia como o bispo tinha pedido uma prova evidente de que era a Santíssima Virgem quem o enviava e que era vontade dela que se construísse um templo. Com palavras muito carinhosas, respondeu a Senhora e encarregou Juan Diego de voltar no dia seguinte, sem falta, para receber o sinal pelo qual seria acreditado.
Não pôde ele cumprir a ordem no dia seguinte, pois seu tio Juan Bernardino havia caído gravemente enfermo e pediu ao sobrinho que fosse buscar um sacerdote para administrar-lhe os sacramentos. Em tais cuidados passou a segunda-feira, 11 de dezembro, e, na madrugada do dia 12, partiu de Cuautitlán rumo ao convento de Santiago com a intenção de trazer consigo o religioso que desse os consolos espirituais ao seu tio.

Ao sair o sol, chegou à encosta do Tepeyac e então, recordando sua infidelidade para com a Senhora, sentiu tanta tristeza que, para evitar encontrá-la, pôs-se a caminhar por um atalho que rodeava o pequeno monte. Ia por ali Juan Diego apressado, quando viu descer a Mãe de Deus para vir ao seu encontro. “Para onde vais, filho meu, e que caminho é este que seguiste?”, perguntou a Virgem. E Juan Diego, cheio de perturbação, prostrou-se a seus pés, fez-lhe um relato minucioso da doença de seu tio e pediu perdão por ter faltado ao encontro. A Santíssima Virgem aceitou suas desculpas e, assegurando-lhe que naquela mesma hora seu tio já se encontrava curado, ordenou-lhe que subisse ao cume do cerro e recolhesse em sua “tilma” ou capa com que ia coberto, as rosas que encontrasse ali e as trouxesse. Embora soubesse Juan Diego que naquelas pedras e em pleno inverno não podia haver flores, obedeceu sem replicar e nem sequer se admirou ao encontrar sobre o cerro um campo de rosas frescas e perfumadas. Cortou quantas cabiam na tilma que levava sobre os ombros e, de joelhos diante da Mãe de Deus, mostrou-lhe as flores. Então a Senhora as tomou com suas mãos e, ao deixá-las cair na tilma, disse-lhe:
“Este é o sinal que hás de levar ao bispo. Só a ele a mostrarás e lhe dirás que deve fazer o que ordenei.”
Ao chegar o índio ao palácio do bispo, pediu, como das outras vezes, para ser recebido e, de novo, fizeram-no esperar. Os criados perceberam que ele levava algo envolto na tilma, algo que tentava ocultar, e, despertada sua curiosidade, começaram a importuná-lo para que lhes mostrasse. Como o índio resistiu com firmeza, foram os criados dar notícia ao bispo, e assim entrou Juan Diego sem mais demora à presença de frei Juan e lhe entregou o recado da parte de Maria Santíssima, dizendo-lhe: “Este é o sinal que Ela me deu de que é Sua vontade que se lhe edifique um templo.” Ao mesmo tempo em que falava, desdobrou a tilma e apareceu nela uma belíssima imagem de Maria Santíssima, como pintada ou tecida no tecido.

Ficou o bispo maravilhado ao ver tão grande prodígio e, imediatamente, reconheceu que em todas aquelas coisas atuava o dedo de Deus. De joelhos, venerou a imagem milagrosa e mandou colocá-la em seu oratório.
Todo aquele dia, 12 de dezembro, Juan Diego permaneceu na casa de frei Juan e a todas as perguntas que lhe foram feitas respondeu com sua habitual simplicidade e sinceridade. No dia seguinte, o próprio prelado foi em sua companhia para que lhe indicasse o lugar em que a Senhora lhe havia aparecido e onde havia ordenado que se edificasse o templo. Assim que Juan Diego indicou os lugares, manifestou ao bispo a preocupação que sentia pela saúde de seu tio Juan Bernardino e pediu-lhe licença para ir vê-lo. Quando o índio chegou a Cuautitlán e encontrou Juan Bernardino completamente curado, como havia assegurado a Virgem, já a fama do prodígio se havia espalhado por todas as partes. Frei Juan de Zumárraga levou consigo os dois indígenas que haviam participado da manifestação milagrosa e conservou em seu oratório a imagem, mas só por pouco tempo, pois a imensa multidão de pessoas que acorria para venerá-la obrigou-o a trasladá-la à igreja maior, onde permaneceu até que se edificou uma capela no Tepeyac.

Concluída esta, antes de se completar um ano das aparições, trasladou-se para ela a imagem milagrosa em uma procissão muito solene em que participaram as autoridades eclesiásticas e civis e centenas de fiéis. Com o correr do tempo e o aumento da devoção, edificaram-se novas e mais amplas igrejas no mesmo lugar, enquanto a rústica tela da tilma de Juan Diego, com a imagem, era objeto de todo tipo de investigações e de um fervor popular extraordinário que crescia dia após dia e se manifestava nas riquezas que seus incontáveis devotos depositavam constantemente em seu santuário, como sinal de agradecimento pelos favores que a Santíssima Virgem derramava sem cessar sobre seus dilectos filhos. No final do século XVII, começou-se a construir a suntuosa e monumental basílica que subsiste até hoje e, já então, os Pontífices da Igreja Universal lhe haviam dado pleno reconhecimento e, não satisfeitos com ter concedido ao México que celebrasse com festividade particular essa maravilhosa aparição de sua patrona celestial no dia 12 de dezembro, deram-lhe o título de Rainha e a coroaram como tal com toda a solenidade. Desde então, no mesmo tosco sayal onde aprouve à Virgem deixar sua imagem e no mesmo lugar onde ela apareceu, os mexicanos têm recebido tantos favores de sua misericordiosa Mãe, a quem desde o princípio invocaram com o nome de Nossa Senhora de Guadalupe, que veem perfeitamente cumpridas as promessas que a Mãe de Deus fez ao venturoso índio Juan Diego.
Tudo o essencial desta narração foi tomado da crônica escrita por volta de 1533, portanto em data contemporânea à aparição da Virgem de Guadalupe, por Antonio Valeriano, indígena de nobre linhagem. O relato de Valeriano, em língua náuatle, intitulado Nicam Mopohua, foi publicado no México, traduzido ao castelhano por Primo Feliciano Velázquez por volta do ano de 1649. Também foi consultada a obra Origen Milagroso del Santuario de Nuestra Señora de Guadalupe, do bacharel Luis Becerra Tanco, presbítero do arcebispado do México, que apresentou esse escrito nas informações jurídicas de 1666 e que tem, portanto, força de testemunho juramentado.1
SÃO FINIANO DE CLONARD, BISPO (c. 549 d.C.)

Finiano de Clonard foi o mais distinto dos santos da Irlanda no período imediatamente posterior ao de São Patrício. Os relatos de sua vida estão cheios de contradições e anacronismos. Três séculos depois de sua morte, acreditava-se que havia passado longo tempo no País de Gales, já como monge. Conta-se que esteve algum tempo no mosteiro de São Cadoc de Nantcarfan e que acabou milagrosamente com as pragas que arruinavam as colheitas da ilha situada no estuário do Severn, atualmente chamada Flatholm. Entre muitos outros milagres que lhe são atribuídos, diz-se que salvou seus hóspedes dos piratas saxões, fazendo com que um terremoto engolisse o acampamento dos invasores. São Finiano tinha a intenção de fazer uma peregrinação a Roma com São Cadoc; mas um anjo o dissuadiu disso e ordenou-lhe que voltasse à Irlanda. Embora seja impossível comprová-lo em detalhes, parece que São Finiano esteve sob a influência de São Cadoc, São Gildas e outros monges britânicos, pela importância que atribuía aos estudos e pelo ênfase que colocava na superioridade da vida monástica.
Ao regressar à Irlanda, o santo fundou várias igrejas em Leinster e as escolas e mosteiros de Aghowle e Mugna. Neste último mosteiro tramou-se contra ele uma conspiração; com efeito, Cormac, filho do pequeno rei do lugar, induziu seu irmão mais velho, Crimtan, a perseguir o santo, na esperança de que este perecesse na empreitada. O sinistro plano de Cormac teve êxito até certo ponto, pois Crimtan tentou expulsar São Finiano à força e, ao fazê-lo, quebrou a perna.

O mosteiro mais importante de São Finiano situava-se em Clonard, em Meath. Pouco depois da chegada do santo a esse local, foi visitá-lo um pagão de certa idade chamado Fraechan, que era um mago muito famoso. São Finiano perguntou-lhe se sua arte procedia de Deus ou de outro alguém. Fraechan replicou: “A vós cabe descobri-lo”. Finiano respondeu: “Muito bem. Dizei-me então onde está o lugar da minha ressurreição”. “Não na terra, mas no Céu”, foi a resposta. O santo lhe disse: “Tentai outra vez adivinhá-lo”. Fraechan voltou a dar a mesma resposta. “Tentai outra vez”, disse Finiano, levantando-se de seu assento. Então o mago, compreendendo que São Finiano zombava dele, respondeu: “O lugar da tua ressurreição é o lugar em que estavas sentado”.
A réplica do mago revelou-se verdadeira, pois a sede de Finiano era Clonard, onde o santo teve muitos discípulos, e seus ensinamentos produziram uma verdadeira ressurreição da religião e do saber. Segundo se diz, chegou a ter 3.000 discípulos, razão pela qual foi chamado “o mestre dos santos da Irlanda”, ou simplesmente “o mestre”, e disse-se dele que irradiava bondade e sabedoria para iluminar o mundo, assim como o sol desde as alturas do céu. Vários santos muito posteriores deveram sua santidade aos ensinamentos de São Finiano. Foi famoso pelo seu conhecimento da Sagrada Escritura, e sua celebridade como exegeta perpetuou-se durante muitos séculos em Clonard. Mas a escola bíblica sofreu muito durante as invasões dos dinamarqueses e dos normandos; finalmente, no início do século XII, o mosteiro de Clonard deixou de ser o centro religioso da diocese de Meath e transformou-se em mosteiro agostiniano, em cujas mãos permaneceu até o século XVI. Tanto em suas viagens missionárias como durante sua estada em Clonard, São Finiano realizou muitos milagres surpreendentes, sobretudo quando se tratava de converter algum pequeno rei obstinado em seus erros. São Finiano, que morreu durante a epidemia de febre amarela, em meados do século VI, ofereceu sua vida por seus compatriotas. A festa de São Finiano de Clonard celebra-se em toda a Irlanda. Embora geralmente seja venerado como bispo, é duvidoso que o tenha sido.
Existe uma biografia irlandesa, que foi editada por Whitley Stokes em Lives of Saints from the Book of Lismore (Anecdota Oxoniensia), pp. 75-83 e 222-230. De Smedt publicou, em Acta SS. Hiberniae Cod. Sal., cc. 189-210, uma biografia latina que se encontra no Codex Salmanticensis. Wade-Evans traduziu alguns fragmentos dessa biografia em Life of St David, pp. 43-46; encontrar-se-ão outras referências em R. A. S. Macalister, The Latin and Irish Lives of Ciaran (1921), sobretudo pp. 76-79. Veja-se também J. Ryan, Irish Monasticism, pp. 115-117 e passim; L. Gougaud, Christianity in Celtic Lands, pp. 67-70; e J. F. Kenney, Sources for the Early History of Ireland, vol. I. O Penitencial atribuído a Vinnianus é talvez obra de São Finiano de Clonard; mas veja-se a nota bibliográfica de São Finiano de Moville (10 de set.). A Srta. Kathleen Hughes estudou profundamente tudo o que se relaciona com São Finiano; veja-se seu artigo sobre o culto do santo, em Irish Historical Studies, vol. IX (1954), pp. 13 ss., e seu artigo sobre o valor histórico das biografias, em English Historical Review, vol. LXIX (1954), pp. 353 ss.2
SÃO VICELINO, BISPO DE STAARGARD (1154 d.C.)

Vicelino, o futuro apóstolo dos wendos no atual distrito de Holstein, nasceu em Hameln, às margens do Weser, por volta do ano 1086. Estudou na escola da catedral de Paderborn e chegou a ser diretor da escola de Bremen e cônego da catedral dessa cidade. Embora não conste com certeza, diz-se que estudou também em Laon, na França. Depois de receber a ordenação sacerdotal das mãos de São Norberto, em Magdeburgo, começou a evangelizar os wendos e outras tribos em 1126. Seu apostolado durou mais de vinte anos.
São Vicelino estabeleceu-se primeiramente em Lübeck e ali fundou a primeira igreja. Essa cidade encantadora foi uma das primeiras vítimas dos bombardeios de saturação durante a Segunda Guerra Mundial. Pouco depois da chegada de São Vicelino, morreu seu protetor, de modo que o santo teve de emigrar para Wippenthorp, perto de Bremen. Era incansável na pregação e no ensino e teve grande sucesso na evangelização, mas as guerras o obrigaram a recomeçar várias vezes o trabalho, como sucedeu a tantos outros missionários da época. Com o desejo de estabelecer um centro permanente, São Vicelino fundou em Holstein o mosteiro de cônegos agostinianos, que mais tarde se chamou Neumünster. Um dos discípulos que teve ali foi o cronista Helmold. Mais tarde, o santo fundou outro mosteiro em Högersdorf e começou a construir um terceiro em Segberg. Os missionários realizaram numerosas conversões. Tudo ia bem, quando uma súbita catástrofe destruiu sua obra. Com efeito, os piratas obotritas invadiram a região, devastaram-na, saquearam-na e incendiaram as casas, ensaizando-se particularmente contra os cristãos, que mataram ou expulsaram do país. Os missionários de Lübeck conseguiram fugir a tempo e esconderam-se nos pântanos, com água até o pescoço, até chegarem sãos e salvos a Bishorst. Porém, o Beato Volkrio, qualificado como “irmão de grande simplicidade”, pereceu pela espada. Os outros monges conseguiram escapar com os livros e relíquias do mosteiro, que foi arrasado. Apesar da oposição de Frederico Barba-Ruiva, São Vicelino foi eleito bispo de Staargard (atualmente Oldenburg) de Holstein, em 1149. Não consta que tenha chegado a tomar posse da sede. Seja como for, uma paralisia imobilizou São Vicelino três anos mais tarde. Passou os dois últimos anos de sua vida amargurado pela doença e pelo sofrimento, na abadia de Neumünster, onde morreu em 12 de dezembro de 1154. É curioso que seu nome não figure no Martirológio Romano. Sua festa continua sendo celebrada no noroeste da Alemanha.

Helmold, a quem mencionamos no artigo, fala da obra missionária de São Vicelino em sua Chronica Slavorum; muitos dos dados de Helmold provêm do próprio São Vicelino. Esse relato encontra-se em M.G.H., Scriptores, vol. XXI. Veja-se também Kreusch, Kirchengeschichte der Wendenlande (1902); Krimphove, Die Heiligen und Seligen des Westfalenlandes; A. Hauck, Kirchengeschichte Deutschlands, vol. IV; e os Acta Sanctorum, março, vol. I (Beato Volkerio).3
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 541-545.
2. Ibid. pp. 545-547.
3. Ibid. pp. 547-548.


























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