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Vida de Santa Ana, Mãe da Virgem Maria, Santa Bartolomeia Capitanio e São Simão, o Armênio (26 de julho)

  • 26 de jul. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 25 de jul.





Santa Ana ensinando a Virgem Maria a ler, por Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682)
Santa Ana ensinando a Virgem Maria a ler, por Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682)

Nada sabemos com certeza sobre a mãe de Nossa Senhora. Só conhecemos seu nome e o de seu esposo, Joaquim, pelo testemunho do protoevangelho apócrifo de São Tiago. Embora a redação mais antiga seja muito antiga, não se trata de um documento fidedigno. O protoevangelho de São Tiago conta que os vizinhos de Joaquim zombavam dele por não ter filhos. Então, o santo retirou-se por quarenta dias ao deserto para orar e jejuar, enquanto Ana (cujo nome significa Graça) “se queixava em dois lamentos e lamentava em duas dores”. Quando Ana estava sentada orando sob um loureiro, apareceu-lhe um anjo e disse: “Ana, o Senhor ouviu tua oração: conceberás e darás à luz. Do fruto do teu ventre se falará em todo o mundo”. Ana respondeu: “Pela vida do Senhor, consagrarei o fruto do meu ventre, homem ou mulher, a Deus meu Senhor, e ele o servirá todos os dias da sua vida”. O anjo apareceu também a São Joaquim. No tempo devido, nasceu Maria, que um dia seria a Mãe de Deus. Note-se que essa narrativa se assemelha muito à concepção e nascimento de Samuel, cuja mãe também se chamava Ana (I Reis, 1). Os primeiros Padres da Igreja oriental viam aí um paralelismo. Na realidade, pode-se falar de um paralelismo entre a concepção de Samuel e a de São João Batista, mas neste caso a semelhança é tal que se trata claramente de uma imitação.


A melhor prova da antiguidade do culto a Santa Ana em Constantinopla é que, em meados do século VI, o imperador Justiniano lhe dedicou um santuário. Em Santa Maria Antiqua há dois afrescos que representam Santa Ana e datam do século VIII. Seu nome aparece também com destaque numa lista de relíquias pertencentes a Sant'Angelo de Pescheria, e sabe-se que o Papa São Leão III (795–816) presenteou a igreja de Santa Maria Maior com um ornamento no qual estavam bordadas a cena da Anunciação e as figuras de São Joaquim e Santa Ana. As provas históricas a favor da autenticidade das relíquias de Santa Ana que se encontram em Apt, na Provença, e em Diren, carecem totalmente de valor histórico. A verdade é que antes da metade do século XIV, o culto a Santa Ana não era muito popular, mas um século depois se popularizou enormemente, e Lutero, o heresiarca, o ridicularizou com amargura e atacou especialmente o costume de representar juntos Jesus, Maria e Ana, como uma espécie de trindade. Em 1382, Urbano VI publicou o primeiro decreto pontifício referente a Santa Ana; por ele concedia a celebração da festa da santa exclusivamente aos bispos da Inglaterra, conforme solicitado por alguns ingleses. Muito provavelmente a ocasião de tal decreto foi o casamento do rei Ricardo II com Ana da Boêmia, ocorrido nesse mesmo ano. A festa foi estendida a toda a Igreja do Ocidente em 1584.


Santa Ana, São João Batista e a Virgem Maria com o Menino Jesus, por Schelte a Bolswert (circa 1586–1659)
Santa Ana, São João Batista e a Virgem Maria com o Menino Jesus, por Schelte a Bolswert (circa 1586–1659)

O Protoevangelho de São Tiago é conhecido por diversos nomes. Os diferentes textos desse documento podem ser consultados na tradução inglesa de B. H. Cowper, Apocryphal Gospels (1874). Esse autor chama o texto em que nos baseamos de Protoevangelho de São Mateus. J. Orr reproduz a tradução de Cowper em N. T. Apocryphal Writings (1909). O texto grego pode ser visto no vol. 1 de Évangiles Apocryphes (1911, ed. H. Hemmer e P. Lejay). Ver também E. Amann, Le protoévangile de Jacques et ses remaniements (1910). A obra mais completa sobre Santa Ana e sua devoção é, sem dúvida, a do Pe. B. Kleinschmidt, Die hl. Anna (1930). Cf. igualmente H. M. Bannister, em English Historical Review, 1903, pp. 107–112; H. Leclercq, em DAC., vol. 1, col. 2162–2174; e V. P. Charland, Ste. Anne et son culte (3 vols.). M. V. Ronan, Ste. Anne: her Cult and her Shrines (1927), é uma obra pouco crítica.1




Retrato de Santa Bartolomeia Capitanio, autor desconhecido
Retrato de Santa Bartolomeia Capitanio, autor desconhecido

BartolomeIa tinha apenas vinte e seis anos quando morreu. No entanto, ao longo de sua breve vida, fundou uma congregação religiosa, semeou a virtude em inúmeras jovens e escreveu grande quantidade de notas espirituais e instruções. Seus escritos, publicados mais tarde sob o título de "Escritos Espirituais", formam dois volumosos tomos, sem contar as trezentas cartas publicadas separadamente. Bartolomeia nasceu em Lovere, nos Alpes de Bréscia, não muito longe de Castiglione, onde se situava a casa dos Gonzaga. Desde a infância foi muito devota de São Luís Gonzaga. Certamente não foi seu pai quem a instruiu na virtude, pois era um rude moleiro, entregue ao vício da bebida. Um dos maiores triunfos espirituais da jovem foi que, graças ao exemplo de paciência com que suportou uma enfermidade, transformou completamente o coração do pai, que morreu como fervoroso cristão. Sua mãe, ao contrário, era uma cristã exemplar que, com a colaboração das religiosas da escola local, ensinou-lhe a amar a Deus acima de todas as coisas e a aspirar a um elevado grau de perfeição. Como não conseguiu obter a permissão dos pais para ingressar na vida religiosa, Bartolomeia fez, com a aprovação de seu confessor, voto de virgindade perpétua. Depois de obter o diploma de professora, dedicou-se inteiramente à educação da juventude. Nesse apostolado organizou uma Congregação Mariana de São Luís Gonzaga, que se espalhou por toda a cidade e produziu admiráveis frutos espirituais. Sua simplicidade, retidão, prudência e firmeza de caráter exerciam profundo fascínio, como demonstra a influência que teve sobre muitas mulheres piedosas com quem manteve intensa correspondência.


Santa Bartolomeia Capitanio ensinando e cuidandos das crianças
Santa Bartolomeia Capitanio ensinando e cuidandos das crianças

Percebendo a necessidade de criar um instituto religioso que perpetuasse a obra de educação da juventude, Santa Bartolomeia uniu-se a outra mulher extraordinária da região, vinte anos mais velha, chamada Catarina Gerosa, conhecida na história como Santa Vicenta Gerosa. Catarina dedicava-se principalmente aos pobres enfermos, para os quais já havia fundado um hospital, reservando para si os trabalhos mais pesados. As duas santas decidiram unir a assistência aos doentes ao ensino da juventude. As autoridades eclesiásticas propuseram que adotassem a Regra das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo. Ambas aceitaram a ideia; contudo, como Lovere pertencia ao Império Austríaco, circunstâncias políticas dificultavam que uma comunidade situada em território austríaco dependesse de outra estabelecida no exterior. Assim, com o apoio do bispo, Bartolomeia e Catarina fundaram a nova congregação das Irmãs da Caridade, que mais tarde recebeu aprovação pontifícia. Atualmente, a congregação tem sua casa-mãe em Milão e não é muito numerosa. O hábito difere bastante do usado pelas Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, e suas constituições se aproximam mais daquelas redigidas por Santa Bartolomeia pouco antes de sua morte do que das constituições vicentinas. Santa Bartolomeia jamais impôs limites à sua dedicação ao próximo. Sua intensa correspondência e suas numerosas atividades quase não lhe deixavam tempo para descansar. Quatro meses antes de morrer, o médico obrigou-a a interromper a correspondência; a santa obedeceu, mas a recomendação veio tarde demais. Santa Bartolomeia morreu de tuberculose em 26 de julho de 1833 e foi canonizada em 1950.


Existe uma biografia muito completa escrita por L. I. Mazza (2 vols., 1905) e uma biografia em francês de C. Carminati (1934). Cf. Kempf, Holiness of the Church in the Nineteenth Century, pp. 204–207.2




Gravura de São Simão, o Armênio
Gravura de São Simão, o Armênio

Segundo se diz, São Simeão era armênio. No ano 982, fez uma peregrinação a Jerusalém e, depois, transferiu-se para Roma. Ali foi acusado de heresia, mas o Papa Bento VII, que mandou examinar sua doutrina, declarou-o ortodoxo. O santo viajou por algum tempo pela Itália, fez peregrinações aos santuários de Santiago de Compostela e São Martinho de Tours, e retornou à Lombardia. Nessa altura, já era muito famoso por sua caridade e por seus milagres. Os habitantes de Mântua ficaram admirados ao ver São Simeão brincando tranquilamente com o leão de um circo. O santo ingressou finalmente no mosteiro beneditino de Padilirone, da reforma cluniacense, onde passou o resto da vida. Os milagres atribuídos a São Simeão chamaram a atenção da Santa Sé, e o Papa Bento VIII aprovou oficialmente seu culto.


É possível que o autor da vida de São Simeão (Mabillon e Acta Sanctorum, julho, vol. VI) tenha sido contemporâneo do santo; em todo caso, era extremamente crédulo. Por isso, pode-se duvidar da veracidade da afirmação de que São Simeão chegou, em uma de suas viagens, até a Inglaterra.3



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 192–193.

2. Ibid. p. 193.

3. Ibid. pp. 193–194.



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“O ROSÁRIO
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a sociedade

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- Papa Pio XII

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A castidade
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O sofrimento de Jesus na Cruz nos ensina a suportar com paciência
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- Santo Afonso MARIA
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