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Vide do Papa São Júlio I e São Sabas, o Godo (12 de abril)

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Papa São Júlio I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Júlio I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

O Martirológio Romano menciona São Júlio no dia de hoje e diz que trabalhou muito pela fé católica contra os arianos. Era filho de um cidadão romano chamado Rústico; sucedeu ao Papa São Marcos no ano 337. No ano seguinte, Santo Atanásio, que havia sido desterrado pelas intrigas dos arianos, voltou à sua sede de Alexandria; mas o bispo Eusébio de Nicomédia havia conseguido introduzir no patriarcado um hierarca ariano ou semiarriano, o qual criou graves dificuldades a Santo Atanásio. A pedido dos partidários de Eusébio, o Papa Júlio convocou um concílio para que esclarecesse a situação, mas os mesmos que haviam solicitado a reunião do concílio recusaram-se a comparecer a ele. No entanto, a assembleia não deixou por isso de examinar a fundo o caso de Santo Atanásio. Em consequência disso, o Papa escreveu uma carta aos bispos eusebianos do oriente, escrito que Tillémont qualifica como “um dos maiores monumentos eclesiásticos da antiguidade” e Mons. Batiffol como “modelo de equilíbrio, prudência e caridade.” Nessa carta, o Papa discute com grande serenidade e imparcialidade as acusações dos eusebianos e as refuta uma por uma. Por fim explica como deveriam ter procedido:


“Não sabeis que existe o costume de escrever primeiro a Nós para que façamos justiça?... Em vez disso, pretendeis que aprovemos uma condenação na qual não tivemos parte alguma. Isso se opõe aos preceitos de São Paulo e à tradição dos Padres e é uma maneira nova e estranha de proceder. Não vos ofendais por eu falar assim; o que escrevo, escrevo pensando no interesse comum e meu modo de ver coincide com a tradição recebida do bem-aventurado Apóstolo Pedro.”


Papa São Júlio I (de The Lives and Times of the Popes), por Chevalier Artaud
Papa São Júlio I (de The Lives and Times of the Popes), por Chevalier Artaud

Em 342, os imperadores do oriente e do ocidente reuniram o Concílio de Sárdica (Sofia), que reabilitou Santo Atanásio e ratificou o decreto de São Júlio, segundo o qual, qualquer bispo deposto por um sínodo provincial tinha direito de apelar ao bispo de Roma. Apesar disso, Santo Atanásio não pôde voltar a Alexandria senão até o ano 346. A caminho para lá, deteve-se em Roma, onde São Júlio o recebeu cordialmente e escreveu uma carta ao clero e aos fiéis de Alexandria, na qual os felicitava pelo retorno de seu bispo, falava da acolhida que iriam lhe dar e pedia a Deus que derramasse suas bênçãos sobre eles e seus filhos.


São Júlio construiu em Roma várias igrejas; entre outras, a basílica Júlia (atualmente a igreja dos Doze Apóstolos) e a basílica de São Valentim na Via Flamínia. O santo Pontífice morreu no dia 12 de abril de 352. Foi primeiro sepultado no cemitério de Calepódio e mais tarde trasladado para a igreja de Santa Maria in Transtévere, que havia ampliado e embelezado.


A vida de São Júlio faz parte da história geral da Igreja; há estudos muito bons sobre ela em obras como as de Hefele-Leclercq, Histoire des Conciles; Grisar, Geschichte Roms und der Päpste (trad. ingl.); Duchesne, Liber Pontificalis e Histoire ancienne de l’Église; J. P. Kirsch, Die Kirche in der antiken griechisch-römischen Kulturwelt; e P. Batiffol, La paix constantinienne.1




O Martírio de São Sabas, o Godo, por Piotr Skarga (?)
O Martírio de São Sabas, o Godo, por Piotr Skarga

No século II, os godos atravessaram o Danúbio e estabeleceram-se nas províncias romanas da Dácia e Mésia. Dali partiam para suas expedições à Ásia Menor, especialmente à Galácia e Capadócia, de onde traziam muitos escravos cristãos, tanto sacerdotes quanto leigos. Os prisioneiros começaram logo a converter seus senhores e construíram várias igrejas. No ano 370, um dos chefes godos iniciou uma perseguição contra os cristãos para se vingar, ao que se crê, da declaração de guerra do imperador romano. Os martirológios gregos comemoram cinquenta e um mártires dessa perseguição; os dois mais famosos são São Sabas e São Nicetas. Sabas, que havia se convertido ao cristianismo quando era muito jovem, trabalhava como cantor ou leitor na igreja. No início da perseguição, os magistrados deram a ordem de que os cristãos comessem a carne oferecida aos ídolos; mas alguns pagãos, que queriam salvar seus parentes cristãos, persuadiram os guardas a fazê-los comer carne que não havia sido oferecida aos ídolos. Sabas denunciou valentemente esse método ambíguo; não só se recusou a comer a carne, como também declarou que quem a comia era réu de traição. Alguns cristãos aplaudiram sua maneira de proceder, mas outros se rebelaram e o obrigaram a sair da cidade. No entanto, o santo pôde voltar em breve. No ano seguinte, a perseguição voltou a desencadear-se e alguns dos principais personagens da cidade ofereceram-se para jurar que já não restava nenhum cristão. Quando estavam prestes a fazer o juramento, apresentou-se Sabas e disse: “Não jureis por mim, pois eu sou cristão.” O juiz perguntou aos presentes se Sabas era rico; ao saber que a única coisa que possuía eram as roupas que vestia, deixou-o em liberdade, dizendo com desprezo: “Este pobre diabo não pode nos fazer bem nem mal.”


Dois ou três anos mais tarde, a perseguição recrudesceu novamente. Três dias depois da Páscoa, chegou à cidade um pelotão de soldados, sob o comando de um tal Atarídio. Imediatamente correram para a casa do sacerdote Sansala, onde Sabas se encontrava descansando, depois das festas. Os soldados amarraram Sansala ao leito e o lançaram em um carro; a Sabas também tiraram da cama, arrastaram-no nu sobre arbustos espinhosos e espancaram-no brutalmente. Na manhã seguinte, Sabas disse aos perseguidores: “Não é verdade que me arrastastes ontem à noite sobre os espinhos? Pois, como vedes, não há em meu corpo nenhuma ferida nem cicatriz.” Os perseguidores, de fato, não puderam descobrir o menor arranhão em sua pele. Decididos a fazê-lo sofrer, amarraram-no de braços e pernas às grades de um carro e o torturaram durante grande parte da noite. Quando se cansaram disso, a mulher em cuja casa estavam hospedados, movida de compaixão, desatou São Sabas, mas este se recusou a fugir. Na manhã seguinte, os verdugos o amarraram pelas mãos a uma das vigas da casa. Depois colocaram diante de Sabas e Sansala a carne oferecida aos ídolos. Ambos se recusaram a comê-la e Sabas exclamou: “Esta carne é tão suja e impura como Atarídio, que nos a enviou.” Então um dos soldados o golpeou com sua lança, com tanta violência que todos pensaram que o havia matado. Mas o servo de Deus não sentiu o golpe e disse: “Pensavas ter-me matado? Pois te confesso que, se tua lança fosse de lã, não me teria causado mais dano.”


O Martírio de São Sabas, o Godo
O Martírio de São Sabas, o Godo

Assim que Atarídio soube do ocorrido, ordenou que afogassem São Sabas no rio. Ao chegar à margem, um dos soldados disse a seus companheiros: “Deixemos escapar este inocente, pois sua morte não trará nenhum benefício a Atarídio.” Mas Sabas repreendeu o soldado que não queria cumprir as ordens que havia recebido, dizendo-lhe: “Eu vejo o que tu não vês. Do outro lado do rio há uma multidão que está esperando minha alma para conduzi-la à glória; só falta que minha alma se separe do corpo.” Então os verdugos o mergulharam no rio e o mantiveram debaixo d’água com uma pedra amarrada ao pescoço. Ao que parece, o martírio de São Sabas teve lugar em Targovisto, ao noroeste da atual cidade de Bucareste.


O relato do martírio de São Sabas, em forma de carta, recorda certas frases da carta em que os habitantes de Esmirna descreveram o martírio de São Policarpo; no entanto, Delehaye considera que o documento é substancialmente autêntico e fidedigno. O referido autor publicou uma revisão crítica do texto grego em Analecta Bollandiana, vol. XXXI (1912), pp. 216-221; nas pp. 288-291 há alguns comentários importantes. O P. Delehaye demonstrou, entre outras coisas (cf. Analecta Bollandiana, xx (1904), pp. 96-98), que a hipótese de H. Boehmer-Romundt de que o autor das atas de São Sabas é Ulfilas, Neue Jahrbücher, etc., vol. X1, p. 275, é inadmissível. O texto pode ser visto também na edição feita por G. Krüger das Ausgewählte Martyrerakten de R. Knopf, em 1929.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 74-75.

2. Ibid. pp. 76-78.



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