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Vida de São Fulberto de Chartres e São Miguel de Sanctis (10 de abril)

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura




Gravura de São Fulberto de Chartres
Gravura de São Fulberto de Chartres

O próprio São Fulberto afirmava que havia nascido de pais humildes, mas tudo o que sabemos de seus primeiros anos é que nasceu na Itália e ali passou a infância. Depois foi estudar em Reims, onde deve ter se destacado muito, pois o célebre Gerberto, que ali ensinava matemática e filosofia, mandou chamá-lo assim que subiu à cátedra de São Pedro com o nome de Silvestre II. Após a morte do Pontífice, Fulberto voltou à França. O bispo Odão, de Chartres, concedeu-lhe um canonicato e o nomeou chanceler de sua diocese. Também lhe confiou a direção das escolas da diocese de Chartres, das quais São Fulberto logo fez um dos centros educacionais mais importantes da França, para onde acorriam estudantes da Alemanha, Itália e Inglaterra. As pessoas consideravam Fulberto como a reencarnação de Sócrates e Platão, por sua extraordinária inteligência. O santo opôs-se firmemente às tendências racionalistas da época, mas ao menos um de seus discípulos, o célebre Berengário, caiu na heresia. Fulberto foi eleito para suceder ao bispo de Chartres, Rogério. Cheio de humildade, escreveu a Santo Odão de Cluny que tremia diante da ideia de ter que guiar outros no caminho da santidade, no qual ele próprio tropeçara tantas vezes; apesar disso, teve de aceitar o cargo.


A influência de Fulberto era imensa. Sem deixar de dirigir as escolas, tornou-se conselheiro natural dos chefes espirituais e temporais da França. O santo considerou-se até a morte inapto para exercer o alto cargo que ocupava; chamava a si mesmo “o pequeno bispo de uma grande Igreja”. Os assuntos administrativos não o impediam de cumprir seus deveres pastorais; pregava regularmente em sua catedral e lutou muito para difundir a instrução em sua jurisdição. A catedral de Chartres incendiou-se pouco depois da consagração de Fulberto, que a reconstruiu com tal magnificência que, até hoje, é uma das glórias da cristandade. Nessa obra, foi ajudado por diversas personalidades; entre outros, o rei Canuto da Inglaterra contribuiu com uma generosa quantia. São Fulberto tinha especial devoção à Santíssima Virgem, em cuja honra compôs vários hinos. Quando a bela catedral foi inaugurada, o santo determinou que se celebrasse nela e em toda a sua diocese a festa da Natividade de Nossa Senhora, que havia sido recentemente introduzida.


Estátua de São Fulberto na catedral de Chartres
Estátua de São Fulberto na catedral de Chartres

Como tantas outras grandes figuras da Igreja daquele século, opôs-se abertamente à simonia e à prática de conceder benefícios eclesiásticos aos leigos. São Fulberto morreu em 10 de abril de 1029, após quase vinte e dois anos de episcopado. Seus escritos incluem certo número de cartas, um pequeno penitencial, nove sermões, uma coleção de passagens da Bíblia referentes à Santíssima Trindade, à Encarnação, à Eucaristia, e alguns hinos e prosas.


Não existe nenhuma biografia antiga de São Fulberto; mas suas cartas e as crônicas da época contêm muitos elementos biográficos. Ver em particular A. Clerval, Les Ecoles de Chartres au moyen age (1895), pp. 30-102, e o artigo do mesmo autor em DTC., vol. VI (1920), cc. 964-967. Cf. também Pfister, De Fulberti Carnotensis ep. vita et operibus (1885). O hino de São Fulberto Chorus novae Hierusalem faz parte do Breviário Saro. As obras do santo encontram-se em Migne, PL., vol. CXLI. Em J. de Ghellinck, Le Mouvement Théologique du XIIe siècle (1914), pp. 31-38, encontram-se algumas observações importantes.1




São Miguel de Sanctis, por Johanas Prechtelis (1737-1799)
São Miguel de Sanctis, por Johanas Prechtelis (1737-1799)

Miguel nasceu em Vich, na Catalunha, em 1589 ou 1591. Aos seis anos de idade, anunciou que um dia seria monge. Como sua mãe lhe relatasse a vida de São Francisco de Assis, o menino passou a imitar o santo de modo exagerado. Naturalmente, seus pais moderaram um pouco seu fervor, mas ele não perdeu por isso a devoção a São Francisco. Com a morte de seus pais, Miguel ficou sob a tutela de um tio, que o colocou a serviço de um comerciante. Miguel cumpria perfeitamente suas obrigações, mas reservava todo o seu tempo livre para suas devoções. Sempre que podia, assistia ao ofício divino e rezava diariamente o ofício parvo de Nossa Senhora. O comerciante com quem trabalhava, muito edificado, apresentava Miguel como exemplo à própria família e não se opôs a que o jovem ingressasse no convento dos Trinitários de Barcelona. Miguel fez sua profissão religiosa no mosteiro de São Lamberto, em Saragoça, em 1607.


Por aquela época, muitos dos trinitários da Espanha haviam abraçado a reforma trinitária do Beato João Batista da Conceição. Esses religiosos demonstravam seu desejo de maior austeridade usando sandálias em vez de sapatos. Um desses frades foi receber as sagradas ordens no convento de São Lamberto, e seu exemplo levou Miguel a segui-lo nessa vida de penitência. Seus superiores lhe concederam a permissão necessária. Miguel entrou, então, no noviciado de Madrid e, algum tempo depois, renovou seus votos em Alcalá. Fez seus estudos em Sevilha e Salamanca, onde recebeu a ordenação sacerdotal. Duas vezes foi eleito superior do convento de Valladolid, por sua virtude e prudência. Seus religiosos o amavam como a um pai e o veneravam como a um santo. Miguel destacou-se por sua devoção ao Santíssimo Sacramento. Várias vezes foi arrebatado em êxtase durante a Missa. Deus operou por meio dele muitos milagres, tanto durante sua vida quanto depois de sua morte, ocorrida em 10 de abril de 1625, quando o santo tinha apenas trinta e seis anos. A canonização ocorreu em 1862. O Martirológio Romano diz que São Miguel de Sanctis “se distinguiu por sua inocência de vida, sua admirável penitência e seu amor a Deus.”


Em 1779, ano da beatificação de Miguel de Sanctis, o postulador da causa, Frei Niccolò della Vergine, publicou uma obra intitulada Ristretto istorico della vita, virtu e miracoli del B. Michele de Santi, na qual apresenta alguns detalhes sobre as levitações do santo. Frei Antonino da Assunção descobriu e publicou um tratado sobre A Paz da Alma, escrito por São Miguel. A Ordem Trinitária celebra sua festa no dia 5 de julho.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 63-64.

2. Ibid. pp. 64-65.



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