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Vida de São Simeão, Mártir e São Teotônio (18 de fevereiro)

  • há 27 minutos
  • 4 min de leitura


Quarta-feira de Cinzas: primeiro dia da Quaresma. Dia de jejum e abstinência de carne.




São Simeão de Jerusalém
São Simeão de Jerusalém

No capítulo XIII do Evangelho de São Mateus, São Simão ou Simeão é descrito como um dos "irmãos" ou parentes do Senhor. Seu pai era Cleofas, irmão de São José, e sua mãe, segundo alguns autores antigos, era irmã da Virgem Maria. Simeão era, pois, primo carnal do Senhor e, segundo a tradição, cerca de oito anos mais velho que Ele. Sem dúvida, Simeão é um dos irmãos do Senhor que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes, como se afirma nos Atos dos Apóstolos.


Santo Epifânio conta que, quando os judeus assassinaram Tiago, o Menor, Simeão lhes censurou a crueldade. Os apóstolos e discípulos reuniram-se para escolher o sucessor de Tiago na sede de Jerusalém e elegeram por unanimidade Simeão, que provavelmente havia ajudado seu irmão no governo dessa Igreja. No ano 66, estourou na Palestina a guerra civil, em consequência da oposição dos judeus aos romanos. Parece que os cristãos de Jerusalém receberam do Céu o aviso de que a cidade seria destruída e que deviam sair dela sem demora. Assim, antes da chegada de Vespasiano à Judeia, nesse mesmo ano, refugiaram-se com São Simeão na pequena cidade de Pela, na outra margem do Jordão. Depois da tomada e destruição de Jerusalém, os cristãos voltaram e estabeleceram-se entre as ruínas, até que o imperador Adriano arrasou até mesmo os escombros. Epifânio e Eusébio relatam que, depois disso, a Igreja floresceu grandemente e que numerosos judeus se converteram ao cristianismo, por causa dos milagres realizados pelos santos.


Vespasiano e Domiciano mandaram matar todos os membros da raça de Davi, mas São Simeão conseguiu escapar. Contudo, durante a perseguição de Trajano, foi denunciado como descendente de Davi e como cristão, e compareceu diante do governador romano, Ático. Sentenciado à morte, foi torturado e crucificado. Embora fosse muito idoso — a tradição diz que tinha cento e vinte anos —, São Simeão suportou o suplício com tal fortaleza que provocou a admiração do próprio Ático.


Martírio de São Simeão. Menológio de Basílio II.
Martírio de São Simeão. Menológio de Basílio II.

Este relato da vida de São Simeão, que se baseia no Martirológio Romano, presta-se às objeções da crítica. Ver Acta Sanctorum, fevereiro, vol. II, e Eusébio, Hist. Eccl., lib. III; até hoje não se conseguiu identificar com certeza os “irmãos” do Senhor. Ver, por exemplo, Cornely, Introd. in S. Scrip., vol. III, 2ª ed., pp. 595 ss.1




São Teotónio (século XV), por Nuno Gonçalves
São Teotónio (século XV), por Nuno Gonçalves

São Teotônio é muito venerado em Portugal. Era sobrinho de Crescônio, bispo de Coimbra, e havia sido destinado ao sacerdócio desde muito jovem. Depois de sua ordenação, foi enviado a Viseu e, em pouco tempo, tornou-se o diretor espiritual de todos os habitantes da cidade. A uma vida muito santa e austera unia grande eloquência, o que logo lhe trouxe muita fama. Renunciou ao cargo de arcipreste para fazer uma viagem à Terra Santa. Ao regressar, continuou trabalhando em Viseu. A rainha e seu esposo, Henrique, conde de Portugal, rogaram-lhe repetidas vezes que aceitasse o governo de uma diocese, mas o santo sempre recusou. São Teotônio nutria grande amor pelos pobres, bem como pelas almas do purgatório, em cuja honra celebrava uma Missa solene todas as sextas-feiras, seguida de uma procissão de todo o povo ao cemitério, durante a qual se recolhiam grandes somas para os pobres. O santo condenava o vício com grande liberdade de palavra e era muito respeitado, mesmo pelos principais personagens do lugar.


Certa vez, assistiram a um de seus sermões a rainha viúva e o conde Fernando, cujas relações eram escândalo na cidade. São Teotônio pronunciou então um sermão tão severo contra eles, embora sem nomeá-los, que ambos saíram apressadamente do templo, cheios de confusão. Em outra ocasião, quando se preparava para celebrar a Missa de Nossa Senhora, recebeu uma mensagem da rainha pedindo-lhe que abrevi­asse um pouco as cerimônias. Teotônio respondeu que a Missa era celebrada em honra de um Soberano maior que todos os da terra, e que a rainha estava livre para partir quando quisesse. Tal resposta encheu a soberana de santa confusão, e ela esperou até o fim da missa para pedir perdão e penitência ao santo.


São Teotónio celebrando a Missa perante D. Afonso Henriques e seu séquito
São Teotónio celebrando a Missa perante D. Afonso Henriques e seu séquito

Ao regressar de uma nova peregrinação à Terra Santa, Teotônio soube que seu antigo mestre, Telo, queria fundar em Coimbra um mosteiro de Cônegos Regulares de Santo Agostinho e decidiu ingressar nessa comunidade. Logo foi eleito prior, embora tivesse sido o décimo segundo a entrar. O rei Afonso, que tinha grande veneração pelo santo, cumulou de benefícios o mosteiro de Santa Cruz. O mesmo fez a rainha Mafalda, embora Teotônio não lhe permitisse penetrar na clausura. Em uma época de relaxamento, São Teotônio distinguiu-se por sua insistência na celebração exata e reverente dos divinos mistérios, e jamais consentiu que seus monges os celebrassem apressadamente. O rei atribuiu às suas orações as vitórias obtidas sobre os inimigos e também a recuperação de sua saúde; em prova de gratidão, prometeu libertar todos os prisioneiros cristãos moçárabes. São Teotônio tornou-se abade do mosteiro, no qual passou os últimos trinta anos de sua vida. Morreu aos oitenta anos de idade. Quando o rei Afonso recebeu a notícia de sua morte, exclamou: “Sua alma chegará ao Céu muito antes de que seu corpo toque a terra”.


A vida de São Teotônio, escrita por um de seus contemporâneos que foi monge do mosteiro de Santa Cruz, tão sabiamente governado pelo santo, dá a impressão de ser um documento muito equilibrado e fidedigno. Não há nela traços de milagres extravagantes, embora cada linha da biografia seja um testemunho de veneração. Essa biografia encontra-se em Acta Sanctorum, fevereiro, vol. I. Cf. também Flórez, España Sagrada, vol. XXIII, pp. 105 ss., e Carvalho da Silva, Vida do admirável Padre S. Theotonio (1764).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 366-367.

2. Ibid. pp. 373-374.



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