Vida de São Eleutério de Tournai e São Euquério de Orléans (20 de fevereiro)
- há 7 horas
- 4 min de leitura

O incêndio que destruiu a catedral de Tournai em 1902, consumiu também as relíquias de São Eleutério, primeiro bispo da cidade, e todos os documentos antigos sobre o santo. Muito pouco é o que sabemos dele, embora existam muitas lendas acerca de sua vida e de sua morte.
Conta-se que Eleutério nasceu em Tournai, de pais cristãos, e que pertencia a uma família convertida desde muito tempo atrás por São Pio. Foi consagrado bispo no ano 486, dez anos antes do batismo do rei Clóvis em Reims. Diz-se que era um grande pregador e que converteu muitos francos em sua diocese. Opôs-se também vigorosamente a certos hereges que negavam o mistério da Encarnação. Atacado por alguns deles ao sair de sua igreja, depois de celebrar a Missa, morreu cinco dias mais tarde, em consequência dos ferimentos que havia recebido na cabeça.
Uma biografia do século IX conta que Eleutério ressuscitou a filha do governador. Segundo essa extravagante lenda, a jovem, que estava apaixonada pelo jovem bispo, surpreendeu-o um dia em oração e lhe confessou seu amor. O bispo saiu fugindo e a jovem caiu morta. Eleutério prometeu ressuscitá-la, com a condição de que seu pai se convertesse. O governador aceitou, mas sem intenção de cumprir sua palavra, e as orações do santo não conseguiram devolver a vida à jovem. Ao terceiro dia, o governador arrependeu-se sinceramente e Eleutério pôde então ressuscitar a moça e batizá-la. No entanto, o governador não cumpriu sua palavra e ainda tentou afastar sua filha do cristianismo; mas o Céu lhe enviou um castigo que lhe ensinou a ser humilde e o governador foi finalmente instruído e batizado.
Ver Acta Sanctorum, fevereiro, vol. II. Em BHL., nn. 2455-2470, encontrará uma longa lista de documentos biográficos, mas todos eles pouco fidedignos. A chasse de São Eleutério é interessante do ponto de vista da arqueologia e tem sido muito discutida como uma amostra da arte medieval.1

Segundo seu biógrafo, que parece ter sido um contemporâneo, São Euquério levou desde a infância vida de santo. Nasceu em Orléans e entrou na abadia beneditina de Jumièges, por volta do ano 714. Seis ou sete anos depois morreu Soavarico, o bispo de Orléans, que era seu tio, e o senado, o povo e o clero da cidade enviaram uma deputação ao mordomo do palácio, Carlos Martel, para pedir-lhe permissão de eleger Euquério como bispo da cidade. Carlos Martel deu seu consentimento e enviou um de seus oficiais para escoltar o santo desde o mosteiro até Orléans.
Euquério resistiu a aceitar a princípio, rogando a seus monges que o retivessem para salvá-lo dos perigos que o ameaçavam no mundo. Mas os monges o exortaram a vencer sua repugnância e a antepor o bem do povo a seus próprios desejos. Euquério foi consagrado em 721 e, apesar da repugnância com que havia aceitado o cargo, foi um pastor exemplar e entregou-se de corpo e alma ao bem de seu rebanho, que lhe dispensou grande carinho e veneração.
No entanto, o favor de Carlos Martel não durou muito tempo. Esse príncipe tinha por costume apoderar-se das rendas das igrejas, incentivando outros a fazer o mesmo, para pagar as despesas de suas guerras e recompensar seus servidores. São Euquério opôs-se abertamente a tais confiscações e os maus conselheiros fizeram Carlos Martel acreditar que a intenção do bispo era a de ofendê-lo. No ano 737, quando o mordomo voltava a Paris, depois de haver derrotado os sarracenos na Aquitânia, entrou em Orléans, ordenou a Euquério que o seguisse até Verneuil-sur-Oise e dali o desterrou para Colônia.

A piedade e o caráter agradável do santo lhe granjearam tanta popularidade naquela cidade, que Carlos Martel mandou transferi-lo para uma fortaleza nas proximidades de Liège e o colocou sob a vigilância direta do governador do distrito. Mas o bispo conquistou novamente a todos, e o governador o nomeou esmoler e lhe deu permissão de retirar-se ao mosteiro de Saint-Trond, perto de Maastricht, onde Euquério passou o resto de sua vida em oração e contemplação.
A lenda que conta que São Euquério viu Carlos Martel no inferno foi interpolada posteriormente na biografia primitiva; fazemos menção dela, porque o episódio aparece em algumas imagens do santo.
Ver a biografia em Acta Sanctorum, fevereiro, vol. III, e em Mabillon. Cf. igualmente Duchesne, (Fastes Episcopaux, vol. II, p. 458), que observa que, embora o autor da biografia diga que Euquério foi o sucessor imediato de Soavarico, as listas episcopais de Orléans mencionam dois ou três bispos entre ambos. Existem além disso outras dificuldades de cronologia, que fazem duvidar de que o autor da biografia tenha sido um contemporâneo. Ver Saints de Saint-Trond, em Analecta Bollandiana, vol. XX (1954).2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 381-382.
2. Ibid. p. 382.


























Comentários