Vida de São Diogo de Alcalá e São Estanislau de Kostka (13 de novembro)
- Sacra Traditio

- 13 de nov. de 2025
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Atualizado: 13 de nov. de 2025

Diogo nasceu na pequena aldeia de São Nicolau do Porto, na diocese de Sevilha. Seus pais eram pobres. Perto de São Nicolau havia um santo sacerdote eremita. Diogo conseguiu que ele o aceitasse como discípulo, apesar de ainda ser muito jovem e, desde então, começou a imitar as austeridades e práticas de devoção de seu mestre. Juntos cultivavam uma pequena horta e trabalhavam na fabricação de colheres, garfos e outros utensílios de madeira. Após alguns anos, Diogo teve de voltar para casa; mas pouco depois tomou o hábito de irmão leigo em um convento dos frades menores observantes, em Arrizafa.
Depois de sua profissão, os superiores o enviaram para a missão de sua ordem nas Ilhas Canárias, onde trabalhou com sucesso na instrução e conversão do povo. Em 1445, foi nomeado guardião do convento de Fuerteventura, que era o principal das Ilhas Canárias, embora fosse apenas irmão leigo. Quatro anos mais tarde, voltou à Espanha e viveu com grande fervor e recolhimento em diversos conventos nos arredores de Sevilha. Em 1450, celebrou-se um jubileu em Roma. Como a canonização de São Bernardino de Sena ocorreu nesse ano, muitos franciscanos acorreram à Cidade Eterna.
Diogo, que acompanhou o Pe. Alonso de Castro, cuidou dele durante uma perigosa enfermidade. A diligência com que assistiu ao doente chamou a atenção de seus superiores, que lhe confiaram o cuidado da enfermaria do convento de Ara Coeli, onde havia muitos frades enfermos. São Diogo desempenhou esse ofício durante três meses, e diz-se que restituiu milagrosamente a saúde a vários enfermos. Os treze anos que lhe restavam de vida passou-os na Espanha, sobretudo nos conventos castelhanos de Salcedo e Alcalá.

Em 1463, estando em Alcalá, sobreveio-lhe sua última enfermidade. Quando já se encontrava moribundo, pediu uma corda como as que os franciscanos usam para cingir-se, colocou-a ao pescoço, tomou em suas mãos o crucifixo e pediu perdão a todos os seus irmãos. Em seguida, fixando os olhos no crucifixo, repetiu com grande ternura as palavras do hino da cruz: “Dulce lignum, dulces clavos, dulce pondus sustinet” (“Doce madeira, doces cravos, doce peso sustém”) e entregou serenamente a alma a Deus. Era o dia 12 de novembro. Ainda em vida lhe foram atribuídos vários milagres, que se multiplicaram após sua morte. Filipe II, que obteve um milagre por intercessão do irmão Diogo em favor de seu filho, solicitou sua canonização. Esta teve lugar em 1588.
Não existe, ao que parece, nenhuma biografia medieval de São Diogo, mas as diversas crônicas franciscanas de datas posteriores fornecem abundantes informações. Por exemplo, o padre Marco de Lisboa (+1591) dedica uma ampla seção de sua obra a São Diogo (ver a tradução italiana de 1591, vol. III, fol. 155 e ss.). Entre as biografias propriamente ditas, devemos mencionar a de Moreno de la Rea, Vida del Santo Fray Diego (1602), assim como dois breves esboços mais recentes, por Berguin e Chappuis, escritos em francês em 1901, e outra biografia breve em italiano, por A. Gioia (1907). A canonização de São Diogo (1588) foi motivo de grandes festas na Espanha. No Museu Britânico conservam-se um ou dois folhetos com os panegíricos pronunciados nessa ocasião.1

O Martirológio Romano, ao comemorar a morte de São Estanislau de Kostka em 15 de agosto, afirma com razão que “com a inocência de sua vida, alcançou em pouco tempo a perfeição de uma longa existência”. Estanislau era o segundo filho de João Kostka, senador da Polônia, e de Margarida Kryska. Nasceu no castelo de Rostkovo, em 1550. Fez seus primeiros estudos em casa, sob a direção de João Bilinsky, junto com seu irmão mais velho, Paulo. Aos quatorze anos, Estanislau ingressou no colégio dos jesuítas de Viena. Costumava consagrar à oração e ao estudo todo o tempo possível, e a rudeza das conversas o incomodava profundamente. Quando havia hóspedes indiscretos em casa, o pai de Estanislau dizia-lhes: “Não contem suas histórias diante de Estanislau.” No internato do colégio de Viena, o recolhimento e a devoção do jovem surpreendiam a todos. Oito meses após sua chegada, o imperador Maximiliano II retirou dos jesuítas a casa que Fernando I lhes havia concedido para o internato. Paulo Kostka, dois anos mais velho que Estanislau, era um jovem alegre e amante das diversões, que conseguiu permissão de Bilinsky para hospedar-se na casa de alguns luteranos. Como tal situação desagradava a Estanislau, Paulo zombava de sua piedade e recolhimento.
Certo dia, cansado dos maus-tratos do irmão, Estanislau proferiu a ameaça típica das crianças: “Acabarei fugindo e não voltarei mais; e então, tu terás de dar conta a papai e mamãe.” Estanislau comungava todos os domingos e dias santos, e sempre jejuava na véspera da comunhão. Quando não estava na igreja ou no colégio, permanecia em seu quarto, entregue ao estudo e à oração. Vestia-se modestamente, praticava mortificações corporais e detestava as aulas de dança. A antipatia de Paulo por ele aumentava cada vez mais. Por sua vez, Bilinsky, embora sensato, não tinha por Estanislau um afeto particular.

Certo dia, Estanislau caiu enfermo e pediu o viático, mas o luterano em cuja casa morava não permitiu que o Santíssimo Sacramento entrasse ali. Então, profundamente aflito, Estanislau encomendou-se com fervor a Santa Bárbara, de cuja confraria era membro, e teve uma visão na qual dois anjos lhe trouxeram a comunhão.
Conta-se também que, em outra ocasião, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e lhe disse que ainda não era chegada a hora de sua morte e que deveria entrar na Companhia de Jesus. Estanislau, que já antes havia desejado fazê-lo, pediu admissão assim que recuperou a saúde. O Pe. Maggi, provincial de Viena, recusou por temor de ofender seu pai. Então, Estanislau decidiu ir a pé até Roma, se necessário, para pedir admissão diretamente ao Padre Geral. Partiu, portanto, em direção a Augsburgo e depois a Dillingen, para encontrar-se com São Pedro Canísio, provincial da Alta Alemanha. Para essa viagem de quase 500 quilômetros, vestiu-se pobremente. Quando seu irmão e Bilinsky souberam da fuga, saíram em sua perseguição, mas não conseguiram reconhecê-lo, por motivos que variam segundo os autores. São Pedro Canísio o acolheu com bondade e o colocou a serviço dos estudantes, servindo à mesa e limpando os quartos; o jovem cumpriu essas tarefas com tamanha reverência e humildade que todos ficaram admirados, embora não soubessem quem ele era. Após três semanas, São Pedro Canísio o enviou a Roma com dois companheiros. Na Cidade Eterna, Estanislau encontrou-se com São Francisco de Borja e expôs-lhe o motivo de sua viagem. São Francisco o admitiu no noviciado em 1567, aos dezessete anos. Nesse tempo, Estanislau recebeu uma dura carta de seu pai, ameaçando expulsar os jesuítas da Polônia e repreendendo-o por ter tomado “uma veste desprezível e abraçado uma profissão indigna de sua nobreza”. Estanislau respondeu com respeito filial, mas afirmou firmemente sua decisão de servir a Deus na vocação a que Ele o chamara. Em seguida, confiando o assunto a Deus, dedicou-se tranquilamente ao cumprimento de seus deveres.

Segundo o Pe. Fazio, mestre de noviços de Estanislau, o principal objetivo do santo era santificar-se perfeitamente na vida comum. O único limite de sua mortificação era a obediência ao diretor espiritual. Embora exagerasse suas faltas com sincera humildade, levava no noviciado uma vida de oração constante. Seu amor a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento era tão ardente que, ao entrar na igreja, seu rosto se iluminava; frequentemente era arrebatado em êxtase durante a Missa e após a Comunhão. Mas aquele noviço exemplar estava destinado a viver apenas nove meses.

Com efeito, o calor do verão romano lhe fez muito mal e lhe causou frequentes desmaios, de modo que o jovem compreendeu que morreria em breve. No dia da Festa da Dedicação de Santa Maria Maior, conversando com o Pe. Manuel de Sá sobre a Assunção da Santíssima Virgem, Estanislau disse: “Que dia tão feliz deve ter sido para todos os Santos aquele em que Maria entrou no Céu! Talvez eles o celebrem com especial alegria, como o fazemos nós na terra. Espero estar entre eles em sua próxima celebração”. Por ora, ninguém deu importância a essas palavras, cujo verdadeiro sentido se revelou dez dias depois. No dia da Festa de São Lourenço, Estanislau sentiu-se mal. Dois dias mais tarde, quando o tiraram da cama para colocá-lo em um leito mais confortável, ele fez o sinal da cruz sobre ele e disse que nunca mais se levantaria. O Pe. Fazio sorriu paternalmente e lhe disse: “Homem de pouca fé, abandonais toda esperança por uma enfermidade tão leve?” Estanislau replicou: “É verdade que sou um homem de pouca fé, mas a enfermidade não é leve e ela me matará.” Ao amanhecer do dia da Assunção, o jovem sussurrou ao ouvido do Pe. Ruiz a notícia de que contemplava a Santíssima Virgem rodeada pelos anjos. Depois, morreu serenamente.
Um mês depois, Paulo Kostka chegou a Roma com instruções de seu pai para que Estanislau voltasse a todo custo à Polônia. Ao saber da morte do irmão, Paulo reconheceu o quanto havia sido injusto com ele e tornou-se um dos principais testemunhos no processo de beatificação. Outro testemunho foi o de Bilinsky, que declarou, entre outras coisas: “Paulo jamais disse uma palavra amável a seu bendito irmão. Tanto ele como eu tínhamos plena consciência da santidade de todos os atos de Estanislau.” Paulo viveu atormentado pelos remorsos até o fim e, aos sessenta anos, pediu para ser admitido na Companhia de Jesus. São Estanislau foi canonizado em 1726 e é venerado como Patrono Menor da Polônia.

Os biógrafos do santo utilizaram as declarações das testemunhas e outros documentos do processo de beatificação. Contudo, alguns desses documentos só foram publicados muito recentemente. Por exemplo, a biografia escrita por S. Varsevicki, que conheceu o santo no noviciado, veio a público em 1895. A biografia antiga mais completa é provavelmente a do Pe. Ubaldini, publicada em partes na Analecta Bollandiana, vol. IX (1890) e seguintes. No entanto, São Estanislau não deixou de ter biógrafos anteriores. O pequeno livro latino do Pe. Sacchini foi publicado em 1609. As biografias dos Padres Bartoli e d’Orléans, também escritas no século XVII, foram reeditadas muitas vezes. Os Padres Michel, Grü̈ber e Goldie apresentam os mesmos fatos, mas de forma mais moderna. Entre as obras mais atraentes do ponto de vista literário, destacam-se as do Pe. C. Martindale, Christ’s Cadets (1913), e da Madre Maud Monahan, On the King’s Highway (1927). Veja-se também Life of St. Peter Canisius, do Pe. James Brodrick (1935), pp. 674–676.2
Referência:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 325-326.
2. Ibid. pp. 332-334.


























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