Vida de São Agrício de Tréveris e São Potito, Mártir (13 de janeiro)
- 13 de jan.
- 3 min de leitura

As atas apresentadas pelos bolandistas sobre este mártir descrevem Potito como natural da Sardenha, convertido ao cristianismo ainda na infância, sem que seu pai — que era idólatra — o soubesse. Ao tomar conhecimento da conversão do filho, este o lançou na prisão. Mas Potito, com suas orações e ensinamentos, conseguiu convertê-lo. Em seguida, não podendo resolver-se a viver entre pagãos, refugiou-se numa cidade que não pôde ser identificada (Valéria ou Gárgara). Ali curou da lepra a esposa de um senador chamado Agatão e converteu toda a sua família. A fama dessa conversão chegou até Roma. Mandaram trazer Potito, que libertou de um demônio a filha do imperador; mas essa cura foi atribuída à magia. Quiseram obrigar o jovem a adorar os deuses do império, porém ele recusou-se e morreu sob os tormentos, em Roma ou numa cidade do sul da Itália.
Os bolandistas não possuem melhores informações sobre o destino das relíquias do mártir. Diz-se que teriam sido trasladadas de Ásculo para a Sardenha juntamente com as de São Efísio, cuja festa se celebra no dia 15 de janeiro.
Ainda hoje se honra São Potito em Nápoles, onde lhe foi dedicada uma igreja. Os beneditinos, que celebravam o seu ofício nessa igreja, obtiveram do Papa Clemente XII um ofício especial em sua honra. Os hinos desse ofício foram editados pelos bolandistas.
A festa do santo mártir está assinalada apenas nos martirológios relativamente recentes, e em diversas datas do mês de janeiro. O Martirológio Romano fixou-a no dia 13 de janeiro.
Acta Sanctorum, em 13 de janeiro. Tillemont, Mémoires pour servir à l’hist. eccl., vol. II, p. 319 e 630.1

A vida de São Agrício (ou Agrecio) adquiriu particular interesse nestes últimos anos, devido às discussões sobre a autenticidade da “Santa Túnica de Tréveris”. Segundo a vida do santo, Agrício foi primeiro patriarca de Antioquia; depois, o Papa São Silvestre, a pedido da imperatriz Helena, mãe de Constantino, nomeou-o bispo de Tréveris. Essa região da Alemanha, que havia sido evangelizada quase dois séculos antes, recaíra praticamente no paganismo. São Agrício dedicou-se a construir ali igrejas e a estabelecer relações mais estreitas com o centro da cristandade. Santa Helena animou-o nessa tarefa e enviou-lhe parte das preciosas relíquias descobertas por ela na Terra Santa. Assim chegaram a Tréveris um dos cravos da cruz, o punhal da Última Ceia, a Santa Túnica os corpos dos santos Lázaro e Marta, e o que passava por ser a túnica inconsútil do Senhor. Mas o caráter pouco fidedigno da biografia de São Agrício, que narra esses fatos, [talvez] não constitui argumento em favor da autenticidade deles. Por outro lado, a placa de marfim de origem bizantina, que alguns interpretam como uma representação dos santos Silvestre e Agrício transportando num carro as relíquias para Tréveris, refere-se provavelmente a outra transladação de relíquias para Constantinopla, sob o imperador Leão I (457-474). Afirma-se também que São Silvestre concedeu a Tréveris, na pessoa de São Agrício, a primazia sobre todos os bispos da Gália e da Germânia. Na versão de 1965 do livro de Butler, diz "Postas de lado essas ficções, os únicos dados certos que possuímos sobre São Agrício são que ele assistiu, como bispo de Tréveris, ao Concílio de Arles, em 314, e que foi sucedido por São Maximino."
Ver Acta Sanctorum, 13 de janeiro; V. Sauerland, Trierer Geschichtsquellen des XI Jahrhunderts (1889), pp. 52-212; S. Beissel, Geschichte der Trierer Kirchen (1887), vol. I, pp. 71 ss.; E. Winheller, Die Lebensbeschreibungen der vorkarolingischen Bischöfe von Trier (1935), pp. 121-145; e DHG., vol. I, col. 1014. Sobre a placa, ver Kraus, Geschichte der christlichen Kunst, vol. I, p. 502, e as referências indicadas na nota 4. Kraus afirma que G. B. de Rossi concorda com sua interpretação da placa. Segundo Kraus, essa placa é considerada obra do século V; A. Maskell, Ivories, atribui-a aos séculos VII, VIII ou IX. Ambos os autores concordam em que a placa é bizantina.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 84-85.
2. Ibid. pp. 86-87.






















Comentários