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Vida de Sofrônio de Jerusalém e São Eulógio de Córdoba (11 de março)

  • há 6 horas
  • 8 min de leitura




Afresco iconográfico atonita de São Sofrônio de Jerusalém, séculos XIV–XV
Afresco iconográfico atonita de São Sofrônio de Jerusalém, séculos XIV–XV

Sofrônio nasceu em Damasco e desde pequeno estudou de maneira tão excessiva que esteve a ponto de ficar cego; mas graças a isso o santo chegou a ser tão versado na filosofia grega que recebeu o sobrenome de “o sofista”. Junto com seu amigo, o célebre eremita João Mosco, viajou muito pela Síria, Ásia Menor e Egito, onde tomou o hábito de monge, no ano 580. Os dois amigos viveram juntos durante vários anos na “laura” de São Sabas e no mosteiro de Teodósio, perto de Jerusalém. Seu desejo de maior mortificação os levou a visitar os famosos eremitas do Egito. Depois foram a Alexandria, onde o patriarca São João, o Esmoler, lhes rogou que permanecessem dois anos em sua diocese para ajudá-lo a reformá-la e a combater a heresia. Nessa cidade foi onde João Mosco escreveu o “Prado Espiritual”, que dedicou a São Sofrônio. João Mosco morreu por volta do ano 620, em Roma, para onde havia ido em peregrinação. São Sofrônio retornou à Palestina e foi eleito patriarca de Jerusalém, por sua piedade, saber e ortodoxia.


Assim que tomou posse da sede, convocou todos os bispos do patriarcado para condenar a heresia monotelita e compôs uma carta sinodal na qual expunha e defendia a doutrina católica. Essa carta, que foi mais tarde ratificada pelo sexto Concílio Ecumênico, chegou às mãos do Papa Honório e do patriarca de Constantinopla, Sérgio, que havia aconselhado o Papa a escrever em termos evasivos acerca da questão das duas vontades de Cristo. Parece que Honório nunca se pronunciou sobre o problema; seu silêncio foi muito pouco oportuno, pois produzia a impressão de que o Papa estava de acordo com os hereges. Sofrônio, vendo que o imperador e muitos prelados do Oriente atacavam a verdadeira doutrina, sentiu-se chamado a defendê-la com maior zelo do que nunca. Levou ao Monte Calvário seu sufragâneo Estêvão, bispo de Dor, e ali o conjurou, por Cristo Crucificado e pela conta que teria de dar a Deus no dia do juízo, “a ir à Sé Apostólica, base de toda a doutrina revelada, e importunar o Papa até que se decidisse a examinar e condenar a nova doutrina.” Estêvão obedeceu e permaneceu em Roma dez anos, até que o Papa São Martinho I condenou a heresia monotelita no Concílio de Latrão, no ano 649.


São Sofrônio de Jerusalém, Menológio de Basílio II.
São Sofrônio de Jerusalém, Menológio de Basílio II.

Logo São Sofrônio teve de enfrentar outras dificuldades. Os sarracenos haviam invadido a Síria e a Palestina; Damasco havia caído em seu poder em 636; e Jerusalém em 638. O santo patriarca havia feito tudo o que estava em seu poder para ajudar e consolar seu rebanho, mesmo com risco de sua vida. Quando os maometanos sitiavam a cidade, São Sofrônio teve de pregar em Jerusalém o sermão de Natal, pois era impossível ir a Belém naquelas circunstâncias. O santo fugiu depois da queda da cidade e, ao que parece, morreu pouco tempo depois, provavelmente em Alexandria. Além da carta sinodal, São Sofrônio escreveu várias biografias e homilias, assim como alguns hinos e odes anacreônticas de grande mérito. Perdeu-se a “Vida de João, o Esmoler”, que compôs em colaboração com João Mosco; também se perdeu outra obra muito volumosa na qual citava 600 passagens dos Padres para provar que em Cristo havia duas vontades.


Discute-se a identidade de Sofrônio “o sofista” com o patriarca de Jerusalém: ver S. Vailhé, em Revue de l’Orient chrétien, vols. VI e VIII (1902-1903). Tampouco existe nenhuma prova segura de que o patriarca de Jerusalém tenha conhecido João Mosco. Contudo, até agora se havia suposto geralmente que “o sofista” que viajou com João Mosco se identificava com o patriarca de Jerusalém; ver p.ex. Acta Sanctorum, março, vol. II. Cf. Bardenhewer, Patrology (trad. inglesa), pp. 559-561 e 564-565; e DCB, vol. IV, pp. 719-721.1




São Eulógio, Capela de São Eulógio, Mesquita-Catedral de Córdoba.
São Eulógio, Capela de São Eulógio, Mesquita-Catedral de Córdoba.

Disse-se que São Eulógio foi a maior glória da Espanha no século IX. Era descendente de uma família que havia possuído propriedades em Córdoba desde a época dos romanos. O santo tinha três irmãos e duas irmãs. Córdoba encontrava-se então ocupada pelos mouros, que a haviam transformado em sua capital. Os mouros toleravam os cristãos, embora lhes impusessem condições vexatórias. O culto público lhes era permitido mediante o pagamento de um imposto mensal; mas o proselitismo era castigado com a pena de morte. Entretanto, muitos cristãos ocupavam cargos importantes; por exemplo, José, irmão mais novo de São Eulógio, desempenhava um alto cargo na corte de Abderramão II.


Eulógio foi educado com os sacerdotes de São Zoilo. Uma vez que aprendeu tudo o que eles podiam ensinar-lhe, colocou-se sob a direção do ilustre escritor Esperandeo, abade de um mosteiro. Ali conheceu Paulo Álvares, de quem se tornou muito amigo e que mais tarde escreveu a biografia do santo. Ao terminar seus estudos, São Eulógio recebeu a ordenação sacerdotal, enquanto Álvares se casou e abraçou a carreira de escritor. Os dois amigos mantiveram uma abundante correspondência, mas destruíram por mútuo acordo as cartas, que eram demasiado íntimas e não suficientemente trabalhadas. Em sua “Vida de São Eulógio”, Álvares o descreve como muito piedoso e mortificado, versado em todos os ramos do saber, especialmente na Sagrada Escritura; de rosto agradável; tão humilde que com frequência se atinha às opiniões de outros muito menos sábios que ele, e tão amável que conquistou o carinho de todos quantos o trataram. Seu grande descanso consistia em visitar os mosteiros e os hospitais. Os monges o tinham em tão grande estima que frequentemente lhe pediam que redigisse suas regras. Dessa forma, o santo esteve em muitas casas religiosas da Espanha e visitou os mosteiros de Navarra e Pamplona para revisar suas constituições e escolher as melhores regras.


Perseguição dos cristãos de Córdoba pelo Emir Abd al-Rahman II.
Perseguição dos cristãos de Córdoba pelo Emir Abd al-Rahman II.

No ano 850, estourou uma súbita perseguição contra os cristãos de Córdoba, seja porque estes tivessem combatido abertamente os maometanos, seja porque tentassem converter alguns deles. A situação dos cristãos complicou-se, pois um bispo andaluz chamado Recaredo, em vez de defender seu rebanho, incitou contra ele os mouros. Não sabemos por que procedeu dessa forma; talvez se tratasse de um “moderado” que preferia a paz e a tolerância à perseguição e ao zelo missionário. Em todo caso, tal prelado foi o responsável pela prisão do bispo de Córdoba e de alguns membros de seu clero. Na prisão, Eulógio ocupou-se em ler a Bíblia a seus companheiros e em exortá-los a permanecer fiéis à fé. Também escreveu então sua “Exortação ao Martírio”, dedicada às virgens Flora e Maria. Nela dizia:


Sei que estais ameaçadas de ser vendidas como escravas e de perder a virgindade; mas podeis estar seguras de que não é possível manchar a virgindade de vossas almas, por muito que atormentem vossos corpos. Alguns cristãos covardes vos dirão, para vos desanimar, que as igrejas estão silenciosas, vazias e sem culto por causa de vossa obstinação, e que se cederdes durante algum tempo, vos deixarão praticar livremente vossa religião. Rogo-vos que não esqueçais que o sacrifício que verdadeiramente agrada a Deus é a contrição do coração e que não tendes o direito de voltar atrás e renunciar à fé que confessastes.”

Afresco de Santo Eulógio de Córdova
Afresco de Santo Eulógio de Córdova

As donzelas não perderam a virgindade e, antes de serem decapitadas, declararam que, quando chegassem à presença de Jesus Cristo, lhe pediriam que seus irmãos alcançassem a liberdade. Seis dias depois de sua morte, os prisioneiros ficaram livres. São Eulógio compôs então uma narração em verso do martírio das duas virgens para animar os cristãos a seguir seu exemplo. Seu irmão José foi despedido da corte e São Eulógio foi obrigado a viver com o traidor Recaredo, mas nem por isso deixou de continuar instruindo e animando os fiéis com a pregação e com a pena.


No ano 852, outros cristãos foram martirizados. No mesmo ano, o Concílio de Córdoba proibiu entregar-se espontaneamente aos perseguidores. O sucessor de Abderramão levou adiante a perseguição com maior violência que seu pai; isso não fez senão aumentar o zelo de São Eulógio, que evitou que muitos cristãos fracos apostatassem e encorajou muitos outros ao martírio. Nos três volumes de sua obra intitulada “Memorial dos Santos”, descreveu os sofrimentos e a morte dos mártires da perseguição. Também escreveu uma “Apologia” contra os que negavam que as vítimas daquela perseguição fossem verdadeiros mártires, alegando que não haviam operado milagres, que se haviam entregado espontaneamente, que não haviam sido torturados, mas apenas decapitados, e que os perseguidores não eram idólatras, mas criam no verdadeiro Deus. São Eulógio defendia-se também a si mesmo, pois havia aprovado e encorajado os mártires.


Quando morreu o arcebispo de Toledo, o clero e o povo escolheram São Eulógio para sucedê-lo; mas o santo foi executado antes de sua consagração.


O martírio de São Eulógio de Córdoba, na Catedral de Córdoba, por um artista desconhecido do século XVII.
O martírio de São Eulógio de Córdoba, na Catedral de Córdoba, por um artista desconhecido do século XVII.

Havia em Córdoba uma jovem chamada Leocrícia, convertida e batizada por um parente, embora seus pais fossem maometanos. Isso constituía um crime castigado com a pena de morte. Quando os pais da jovem souberam do ocorrido, bateram nela e a maltrataram cruelmente para fazê-la apostatar. A jovem contou suas aflições a São Eulógio, que com a ajuda de sua irmã Anulona a ajudou a escapar e a escondeu na casa de alguns amigos. As autoridades descobriram o lugar onde a jovem se encontrava e levaram diante do cadí todos os que a haviam ajudado a escapar. Sem se intimidar por isso, Eulógio disse ao juiz que estava disposto a mostrar-lhe o verdadeiro caminho do Céu e declarou que Maomé era um impostor. O cadí o ameaçou com fazê-lo perecer a chicotadas. O santo respondeu que nada o faria renegar de sua religião. Então um dos presentes falou em particular a São Eulógio, dizendo-lhe:


“Está bem que os ignorantes se precipitem para a morte; mas um homem de tua ciência e de tua posição não deveria encorajá-los com seu exemplo. Ouve-me; adapta-te às circunstâncias e diz apenas uma palavra. Depois poderás praticar livremente tua religião e prometo-te que não te incomodaremos mais.”


Eulógio respondeu sorrindo:


“Se ao menos suspeitasses da recompensa que espera aqueles que perseveram até o fim na fé, trocarias imediatamente todas as tuas dignidades por ela.”


Em seguida começou a pregar ousadamente o Evangelho aos presentes. Para evitá-lo, o juiz o condenou imediatamente à morte. Um dos guardas que o conduziram ao lugar da execução deu-lhe uma bofetada por ter falado contra Maomé; o santo apresentou com grande mansidão a outra face e recebeu outro golpe. Ao chegar ao lugar do martírio, São Eulógio apresentou o pescoço ao verdugo. Santa Leocrícia sofreu o martírio quatro dias depois.


Como já fizemos notar no artigo, quase a única fonte que possuímos sobre São Eulógio é a curta biografia latina escrita por seu amigo Álvares ou Álvaro. Pode-se ler essa biografia em Acta Sanctorum, março, vol. I, e também em Migne, PL., vol. CXV, cols. 705-720 e em outras coleções. Ver igualmente Gams, Kirchengeschichte von Spanien, vol., pp. 299-338, e o artigo Eulogius no Kirchenlexikon. Cf. Dozy, Histoire des Musulmans d’Espagne, vol. II, pp. 1-174; e W. von Baudissin, Eulogius und Alvar (1872); J. Pérez de Urbel, Un Santo de la dominación Musulmana (1937).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 525-526.

2. Ibid. pp. 527-529.



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