Vida de Santo André Corsini de Fiesole e São José de Leonessa (4 de fevereiro)
- Sacra Traditio

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A este santo deram o nome de André em honra do apóstolo do mesmo nome, em cujo dia nasceu, em Florença, no ano de 1302. Pertencia à distinta família Corsini, e dizem que seus pais o consagraram a Deus antes de seu nascimento; mas, apesar de todos os seus cuidados, a primeira parte de sua juventude ele a passou no vício e na dissipação, entre más companhias. Sua mãe não deixava de rezar por sua conversão e, certo dia, na amargura de sua dor, disse: “Vejo que verdadeiramente és o lobo que vi em meu sonho”, e explicou que, antes de ele nascer, havia sonhado que dera à luz um lobo que entrou correndo numa igreja e ali se transformou em cordeiro. Acrescentou que ela e seu pai o haviam consagrado ao serviço de Deus, sob a proteção da Santíssima Virgem, e que esperavam que ele levasse uma vida muito diferente da que levava. Essas repreensões lhe causaram profunda impressão. Cheio de vergonha, André foi no dia seguinte à igreja dos frades carmelitas e, depois de ter rezado fervorosamente no altar de Nossa Senhora, a graça de Deus o tocou de tal modo que resolveu abraçar a vida religiosa naquele convento. Todos os artifícios de seus antigos camaradas e as solicitações de seu tio, que tentou reconduzi-lo ao mundo, foram inúteis para mudar seu propósito: nunca abandonou o primeiro fervor de sua conversão.
André foi ordenado no ano de 1328; mas, para escapar à festa e à música que sua família havia preparado, segundo o costume da época para o dia em que celebraria sua primeira Missa, retirou-se para um pequeno convento, a sete quilômetros da cidade, e ali, desconhecido e com grandíssima devoção, ofereceu a Deus Todo-Poderoso os primeiros frutos de seu sacerdócio. Depois de dedicar algum tempo à pregação em Florença, foi enviado a Paris, onde frequentou as escolas por três anos. Continuou seus estudos por algum tempo em Avinhão com seu tio, o cardeal Corsini, e em 1332, quando regressou a Florença, foi eleito prior de seu convento. Deus recompensou sua virtude com o dom da profecia, e também lhe eram atribuídos milagres de cura. Entre os prodígios de ordem moral e a conquista de almas endurecidas, foi especialmente notável a conversão de seu primo João Corsini.

Quando o bispo de Fiesole morreu, em 1349, o capítulo elegeu por unanimidade André Corsini para ocupar a sé vacante. Contudo, assim que foi informado do que se passava, escondeu-se imediatamente entre os cartuxos de Enna. Os cônegos, já desesperados por não o encontrarem, iam proceder a uma segunda eleição, quando seu esconderijo foi revelado por uma criança. Após sua consagração como bispo, redobrou as austeridades que já praticava. Diariamente se submetia a uma severa disciplina enquanto rezava a ladainha, e sua cama consistia em ramos de videira espalhados no chão. Dizia que o descanso de seus trabalhos era meditar e ler as Sagradas Escrituras. Evitava o mais possível falar com mulheres e recusava ouvir aduladores ou delatores. Sua ternura e cuidado para com os pobres eram extremos, e era particularmente solícito em procurar aqueles que tinham vergonha de que sua miséria fosse conhecida; a estes ajudava com a maior discrição possível. Santo André também possuía talento para apaziguar disputas e frequentemente conseguia restabelecer a ordem onde surgiam tumultos populares. Por essa razão, o Beato Urbano V o enviou a Bolonha, onde a nobreza e o povo se encontravam lamentavelmente divididos. Depois de sofrer muitas humilhações, conseguiu apaziguá-los, e permaneceram em paz durante todo o resto de sua vida. Todas as quintas-feiras lavava os pés dos pobres e nunca despedia nenhum mendigo sem lhe dar esmola.
Enquanto cantava a Missa da noite de Natal de 1373, Santo André adoeceu e morreu na Epifania seguinte, com setenta e um anos de idade. Imediatamente, pela voz do povo, foi proclamado santo, e o Papa Urbano VIII o canonizou solenemente em 1629. André foi sepultado na igreja carmelita de Florença; e o Papa Clemente XII, pertencente à família Corsini, construiu e dotou uma capela em honra de seu parente na basílica de Latrão. O arquiteto dessa capela, na qual o próprio Clemente foi sepultado, foi Alexandre Galilei. Em 1737, o mesmo Papa acrescentou Santo André Corsini ao calendário geral da Igreja ocidental.
As duas principais vidas em latim de Santo André estão impressas no Acta Sanctorum, janeiro, vol. II; veja-se também S. Mattei, Vita di S. Andrea Corsini (1872), e a biografia do Pe. Caioli (1929), que utiliza certos documentos florentinos inéditos.1

Este santo nasceu em 1556, em Leonessa, na Úmbria, e aos dezoito anos fez sua profissão como frade capuchinho em sua cidade natal, tomando o nome de José em lugar de Eufrânio, seu nome de batismo.
Era humilde, obediente e mortificado em grau heroico, e três dias por semana não tomava outro sustento senão pão e água. Geralmente pregava com um crucifixo na mão, e o fogo de suas palavras inflamava o coração de seus ouvintes. Em 1587 foi enviado à Turquia como missionário entre os cristãos de Pera, subúrbio de Constantinopla. Ali animava e servia os escravos cristãos das galés com maravilhosa dedicação, especialmente durante uma peste maligna, da qual se contagiou, embora depois tenha recuperado a saúde. Converteu muitos apóstatas e expôs-se ao rigor da lei turca ao pregar a fé aos muçulmanos. José foi encarcerado duas vezes e, na segunda, foi condenado a uma morte cruel.
Por meio de afiados ganchos que atravessavam uma de suas mãos e um de seus pés, foi suspenso numa forca. No entanto, depois de ter sido torturado por muitas horas, foi posto em liberdade e sua sentença foi comutada pelo desterro. Desembarcou em Veneza e, após uma ausência de dois anos, regressou novamente a Leonessa, onde retomou seus trabalhos com extraordinário zelo. No fim de sua vida sofreu muito por causa de um tumor. Para extirpá-lo, foi submetido a duas operações, durante as quais não soltou o menor gemido ou queixa, sustentando todo o tempo um crucifixo sobre o qual mantinha fixos os olhos. Quando se sugeriu que antes da operação deveria ser amarrado, apontou para o crucifixo, dizendo: “Este é o laço mais forte; ele me prenderá melhor do que qualquer corda”. A operação não teve êxito e São José morreu santamente em 4 de fevereiro de 1612, aos cinquenta e oito anos de idade. Foi canonizado em 1745.
Veja-se Giacinto de Belmonte, Vita di S. Giuseppe di Leonessa (1896); Auréole séraphique (tradução inglesa) de Léon, vol. I; e uma útil obra popular de Fr. Ernest-Marie, Le protégé des anges (1936). Duas cartas do santo foram publicadas na Miscellanea Francescana, vol. IX.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 254-255.
2. Ibid. pp. 260-261.


























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