Vida de Santa Inês de Montepulciano e São Marcelino de Embrun (20 de abril)
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São Marcelino, primeiro bispo de Embrun, era um sacerdote africano. Junto com São Vicente e São Domnino, evangelizou boa parte da região que mais tarde se chamou Delfinado. Marcelino fez de Embrun seu centro de ação: primeiro construiu um oratório em um penhasco que se eleva junto à cidade e, mais tarde, uma grande igreja, capaz de abrigar todos os habitantes convertidos por sua pregação. No batistério da igreja realizaram-se muitas curas milagrosas. São Gregório de Tours e Santo Adão de Vienne afirmam que, em sua época, a fonte enchia-se sozinha até as bordas no Sábado Santo e no dia de Natal, e que a água possuía propriedades medicinais extraordinárias. Seu zelo e santidade mereceram a São Marcelino a elevação à dignidade episcopal. Como São Eusébio de Vercelli, que havia sido exilado, São Marcelino também foi perseguido pelos arianos em seus últimos anos; finalmente, o idoso bispo conseguiu escapar e passou o resto da vida escondido nas montanhas da Auvérnia; de vez em quando descia à noite a Embrun para aconselhar e encorajar o clero e o povo.
A breve biografia de São Marcelino que se encontra em Acta Sanctorum (abril, vol. II) é um documento antigo e fidedigno. Ver Duchesne, Fastes Episcopaux, vol. I, pp. 290-291.1

Na pequena localidade toscana de Gracchiano-Vecchio, a cerca de cinco quilômetros de Montepulciano, nasceu, por volta de 1268, uma menina destinada a tornar-se uma das grandes figuras femininas da Ordem de São Domingos. Descendia de família abastada. Aos nove anos, conseguiu que seus pais confiassem sua educação às austeras religiosas de um convento de Montepulciano. O povo chamava essas religiosas de “as saquinas”, porque seus hábitos eram feitos de tecido de saco. A tutora da santa era a madre Margarida, religiosa de grande experiência. Inês começou muito cedo a edificar suas companheiras por seus rápidos progressos. Como possuía uma prudência muito superior à sua idade, aos quatorze anos foi encarregada da portaria. Algum tempo depois, as autoridades de Procena pediram ao convento que enviasse uma religiosa para ser superiora de um novo convento na cidade. A escolhida foi a madre Margarida, que aceitou com a condição de que Inês fosse sua assistente. Assim que se soube que Inês estava em Procena, várias jovens pediram admissão no novo convento. Pouco depois, Inês foi eleita abadessa. Para isso, foi necessário solicitar dispensa ao Papa Nicolau IV, pois Inês tinha apenas quinze anos. Desde então, a santa redobrou suas austeridades. Durante quinze anos viveu a pão e água, dormindo no chão com uma pedra por travesseiro. Somente depois de uma grave doença, que suportou com admirável paciência, consentiu em suavizar suas penitências.

Deus lhe concedeu graças extraordinárias. Em uma visão, a santa teve o Menino Jesus em seus braços. Conta-se que em várias ocasiões um anjo lhe levou a comunhão, e as religiosas do convento declararam tê-la visto muitas vezes em êxtase, elevada a certa altura do chão. Também deram testemunho de muitos milagres realizados por Inês, em particular da multiplicação do pão e do azeite do convento em um período de grande pobreza. Uma das manifestações preternaturais mais curiosas ocorria em certas ocasiões, quando Inês era arrebatada em êxtase e, sobre seu manto e no lugar onde estivera ajoelhada, apareciam flocos de um “maná” branco. Parecia, segundo os cronistas, que a santa havia atravessado uma densa tempestade de neve.
Enquanto isso, os habitantes de Montepulciano começaram a fazer esforços para que voltasse à cidade uma religiosa de tão grande fama. Inês aceitou a proposta de assumir a direção de um convento em Montepulciano, construído especialmente para ela. Como já havia compreendido o quanto era difícil a sobrevivência de comunidades como a sua, que não pertenciam a nenhuma das grandes ordens, embora seguissem a regra de Santo Agostinho, sugeriu às autoridades de Montepulciano que anexassem o novo convento à Ordem de São Domingos. O convento foi construído no local onde antes existiam várias casas de má reputação, que haviam sido motivo de escândalo para a cidade. Assim que ficou pronto, Inês partiu de Procena.

Em Montepulciano foi imediatamente nomeada abadessa, cargo que exerceu até a morte. Nessa fase de sua vida situam-se algumas das mais notáveis profecias e curas da santa. O convento floresceu sob seu governo. A santa sofreu uma dolorosa enfermidade em seus últimos anos, mas não deixou por isso de cumprir fielmente seus deveres. Antes dessa doença, um anjo lhe havia aparecido, conduzindo-a sob uma oliveira e oferecendo-lhe um cálice com estas palavras: “Bebe, esposa de Cristo, este cálice que o Senhor Jesus bebeu por ti”. Atendendo aos desejos de suas súditas e como o convento não era de clausura estrita, Inês foi a fontes curativas da região; mas isso não lhe trouxe benefício algum, e a santa voltou a Montepulciano para morrer. Vendo suas filhas chorarem ao redor de seu leito, disse-lhes sorrindo: “Se me amásseis verdadeiramente, estaríeis contentes de me ver partir para a glória do meu Esposo. Não choreis minha morte; eu não vos esquecerei; vós sofrereis, mas me tereis convosco para sempre”. Santa Inês tinha quarenta e nove anos ao morrer.

Entre os inúmeros peregrinos que visitaram seu túmulo estavam o imperador Carlos IV e Santa Catarina de Sena; ambos tinham grande veneração por Santa Inês. Conta-se que, quando Santa Catarina de Sena se inclinou para beijar o pé do corpo de Inês, que se encontrava incorrupto em seu santuário, a perna se levantou para aproximar o pé de seus lábios. Vários pintores tornaram esse episódio famoso. Santa Inês foi canonizada em 1726.
Devido à época relativamente tardia da canonização de Inês, quase todos os documentos do processo encontram-se impressos. O principal é uma biografia escrita pelo Beato Raimundo de Cápua, que foi confessor no convento da santa cerca de cinquenta anos após sua morte. Essa biografia pode ser lida também em Acta Sanctorum, abril, vol. II. Existem várias biografias posteriores, quase todas em italiano; por exemplo, a de G. Bartoli, Storia di S. Agnese di Montepulciano (1779). A. Walz escreveu uma biografia em alemão (1922). Ver também Künstle, Ikonographie, vol. II, pp. 42-43, e Procter, Lives of Dominican Saints, pp. 100-103.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 127-128.
2. Ibid. pp. 129-130.






















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