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Vida de Santa Bibiana, Mártir e São Cromácio (2 de dezembro)





Escultura em mármore de Santa Bibiana, por Gian Lorenzo Bernini.
Escultura em mármore de Santa Bibiana, por Gian Lorenzo Bernini.

A igreja romana de Santa Bibiana já existia no século V. O “Liber Pontificalis” afirma que foi dedicada pelo Papa São Simplício e que nela se encontravam os restos da santa. Contudo, nada se sabe com certeza acerca da época e das circunstâncias de seu martírio. Os dados que o Martirológio Roma no e as lições do Breviário fornecem sobre ela e sua família são tomados de uma lenda posterior, que não merece crédito algum. Segundo essa lenda, Santa Bibiana foi martirizada no tempo de Juliano, o Apóstata. Tinha nascido em Roma. Era filha de Dafrosa e de Flaviano, prefeito da cidade. Seus pais eram muito bons cristãos. Os perseguidores prenderam Flaviano, queimaram-lhe o rosto com um ferro em brasa e o desterraram para Acquapendente, como se lê no Martirológio Romano, no dia 22 deste mês. Após a morte de Flaviano, Dafrosa, que se mostrou tão fiel a Cristo quanto o marido, foi mantida algum tempo presa em sua própria casa e finalmente decapitada. Bibiana e sua irmã Demétria foram castigadas com a confiscação de todos os seus bens, de modo que durante cinco meses sofreram extrema pobreza. As duas virgens passaram esse tempo em casa, orando e jejuando. Durante o julgamento, Demétria caiu morta diante do juiz. Este confiou Bibiana aos cuidados de Rufina, mulher muito astuta, para que aos poucos a fizesse mudar de opinião. Mas as lisonjas de Rufina nada puderam contra a constância de Bibiana. Vendo que não conseguia afastá-la da fé e da prática da castidade, Rufina começou a empregar métodos brutais, igualmente infrutíferos. Finalmente, a santa morreu atada a uma coluna, enquanto era açoitada com chicotes munidos de chumbo. Os verdugos abandonaram o corpo para que fosse comido pelos cães. Porém, passados dois dias, como os cães não se aproximassem do cadáver, um sacerdote chamado João o retirou durante a noite e o sepultou perto do palácio de Licínio, na mesma casa em que estavam enterradas sua mãe e sua irmã.


O martírio de Santa Bibiana, por Stefano Maria Legnani
O martírio de Santa Bibiana, por Stefano Maria Legnani

A tradição associou o nome de João ao de São Pimenio, que foi tutor de Juliano, o Apóstata, antes de este abandonar a Igreja. Quando Juliano começou a perseguir os cristãos, Pimenio fugiu para a Pérsia. Mais tarde, voltou a Roma e encontrou o imperador na rua. Este exclamou ao vê-lo: “Glória seja dada aos meus deuses e deusas por ver-vos novamente!” O santo respondeu: “Glória seja dada a meu Senhor Jesus Cristo, o nazareno que foi crucificado, porque não vos via há muito tempo!” Juliano mandou lançá-lo imediatamente no Tibre. Como demonstrou Delehaye, essa lenda procede de fábulas hagiográficas um pouco mais antigas, em particular das relacionadas com a vida dos santos João e Paulo. Por outro lado, não é impossível que o nome Pimenio derive da palavra grega “poimén”, que significa pastor; nesse caso, tratar-se-ia da lenda de “Santo Pastor”.


“O corpo insepulto de Santa Bibiana permanece ileso por dois dias no Fórum do Touro”, por Agostino Ciampelli
“O corpo insepulto de Santa Bibiana permanece ileso por dois dias no Fórum do Touro”, por Agostino Ciampelli.

O Pe. Delehaye estudou muito profundamente a lenda de Santa Bibiana em Étude sur le légendier romain (1936), pp. 124-143; em um apêndice, publica dois textos de particular importância (pp. 259-268), intitulados Passio Sancti Pygmenii e Vita Sancti Pastoris. Na realidade, o personagem principal dessa lenda é Pimenio ou Pigmenio, e não Bibiana. O Hieronymianum menciona esta última. Veja-se também o artigo de M. E. Donckel, Studien über den Kultus der hl. Bibiana, na Römische Quartalschrift, vol. XLIII (1935), pp. 22-33; e Quentin, Les martyrologes historiques, pp. 494-495. Como a lenda relata que Santa Bibiana esteve encarcerada com alguns loucos, antigamente era muito venerada como padroeira dos epilépticos e dos doentes mentais.1



SÃO CROMÁCIO, BISPO DE AQUILEIA (c. 407 d.C.)


São Cromácio, por Patriarcato Udine
São Cromácio, por Patriarcato Udine

Cromácio foi educado na cidade de Aquileia, onde provavelmente havia nascido. Ali viveu com sua mãe (a boa opinião que São Jerônimo tinha dessa viúva pode ser vista na carta que lhe escreveu no ano 374), com seu irmão, que também chegou a ser bispo, e com suas irmãs solteiras. Após sua ordenação sacerdotal, São Cromácio tomou parte no sínodo de Aquileia contra o arianismo (381), batizou Rufino quando este ainda era jovem e adquiriu grande reputação. No ano 388, à morte de São Valeriano, foi eleito bispo de Aquileia e tornou-se um dos prelados mais distintos de seu tempo. Foi grande amigo de São Jerônimo, com quem manteve correspondência epistolar e a quem dedicou várias de suas obras. Nem por isso deixou de ser amigo de Rufino e procurou agir como pacificador e moderador na controvérsia origenista. Foi precisamente São Cromácio quem incentivou Rufino a traduzir a “História Eclesiástica” de Eusébio e outras obras e, por seu conselho, Santo Ambrósio escreveu seu comentário sobre a profecia de Balaão.


O santo ajudou também Santo Heliodoro de Altino a financiar a tradução da Bíblia feita por São Jerônimo. Cromácio foi um defensor enérgico e valioso de São João Crisóstomo, que lhe tinha grande estima. O bispo de Aquileia escreveu ao imperador Honório para protestar contra a perseguição de que era alvo São João Crisóstomo, e Honório transmitiu o protesto a seu irmão Arcádio. Infelizmente, os esforços de São Cromácio não produziram efeito algum. O santo foi um comentador autorizado da Sagrada Escritura; conservam-se dezessete de seus estudos sobre algumas passagens do Evangelho de São Mateus e uma homilia sobre as Bem-aventuranças. São Cromácio morreu por volta do ano 407. Seu nome figura no Martirológio Romano. Sua Festa é celebrada nas dioceses de Gorizia e da Ístria, que antigamente faziam parte da província de Aquileia.


São Cromácio pregando na Basílica de Aquileia, por Duomo de Udine.
São Cromácio pregando na Basílica de Aquileia, por Duomo de Udine.

Ao que parece, não existe nenhuma biografia propriamente dita. Nos últimos anos, a figura do santo tem sido estudada com certo interesse, em razão das obras que lhe são atribuídas. Veja-se Bardenhewer, Geschichte der altkirchlichen Literatur, vol. II, pp. 548-551; P. de Puniet, na Revue d’histoire ecclésiastique, vol. VI (1905), pp. 15-32, 304-318; P. Paschini, na Revue Bénédictine, vol. XXVII (1909), pp. 469-475. As obras que se atribuem a São Cromácio podem ser vistas em Migne, PL., vol. XX, cc. 247-436; porém, o texto é muito pouco satisfatório. Ao santo deve-se atribuir provavelmente a Expositio de oratione dominica, publicada por M. Andrieu em Les Ordines romani du haut moyen âge, vol. I (1948), pp. 417-447.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 466-467.

2. Ibid. p. 467.



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