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Vida de São Gregório Nazianzeno e São Gerôncio de Cervia (9 de maio)

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São Gregório Nazianzeno, por Francesco Bartolozzi (1728–1815)
São Gregório Nazianzeno, por Francesco Bartolozzi (1728–1815)

São Gregório de Nazianzo foi declarado Doutor da Igreja e apelidado de “o teólogo” (título que compartilha com o Apóstolo São João), pela habilidade com que defendeu a doutrina do Concílio de Niceia. Nasceu por volta do ano 329, em Arianzo da Capadócia. Era filho de Santa Nona e São Gregório, o Maior. Seu pai era um antigo proprietário e magistrado que, depois de converter-se ao cristianismo juntamente com a esposa, recebeu o sacerdócio e governou durante quarenta e cinco anos a diocese de Nazianzo. Seus filhos, Gregório e Cesário, receberam excelente educação. Depois de realizar seus primeiros estudos em Cesareia da Capadócia, onde conheceu São Basílio, São Gregório de Nazianzo, que desejava ser advogado, passou a Cesareia da Palestina, onde havia uma famosa escola de retórica. Mais tarde voltou a reunir-se com seu irmão em Alexandria. Naquela época, os estudantes passavam facilmente de uma escola para outra; São Gregório, depois de uma curta permanência no Egito, decidiu ir terminar seus estudos em Atenas. Uma furiosa tempestade que sacudiu durante vários dias o navio em que viajava Gregório fez-lhe perceber o risco em que se encontrava de perder a alma, já que ainda não havia recebido o batismo. Contudo, só foi batizado vários anos depois, provavelmente porque compartilhava a crença de sua época de que era muito difícil obter o perdão dos pecados cometidos após o batismo.


Gregório passou dez anos em Atenas; quase todo esse tempo esteve com São Basílio, de quem se tornou íntimo amigo. Outro de seus companheiros, embora não amigo, foi o futuro imperador Juliano, cuja afetação e extravagância desagradavam muito aos jovens capadócios. Gregório partiu de Atenas aos trinta anos de idade, depois de aprender tudo quanto seus mestres podiam ensinar-lhe. Não sabemos exatamente o que pretendia fazer em Nazianzo; de qualquer modo, se tinha intenção de exercer a advocacia ou ensinar retórica, mudou seus planos. Gregório sempre fora muito piedoso; porém então abraçou uma forma de vida muito mais austera, transformado, ao que parece, por uma profunda experiência religiosa, que talvez tenha sido o batismo. Basílio, que vivia como solitário no Ponto, às margens do rio Íris, convidou-o a juntar-se a ele, e Gregório aceitou imediatamente. Em meio àquela bela paisagem solitária, da qual São Basílio nos deixou uma lindíssima descrição, os dois amigos passaram um par de anos consagrados à oração e ao estudo; durante esse tempo, fizeram uma coleção de trechos das obras de Orígenes e lançaram os fundamentos da vida monástica do Oriente, cuja influência se faria sentir também no Ocidente através de São Bento.


São Gregório Nazianzeno mosaico do século XII
São Gregório Nazianzeno mosaico do século XII

Gregório teve de arrancar-se daquele refúgio de paz para ir ajudar seu pai, que já tinha oitenta anos, na administração da diocese e dos bens. Porém o ancião, a quem não satisfazia plenamente a ajuda que o filho prestava como leigo, ordenou-o sacerdote mais ou menos à força, com a ajuda de alguns fiéis. Aterrorizado ao ver-se elevado à dignidade sacerdotal, da qual a consciência de sua indignidade o mantivera afastado até então, São Gregório deixou-se levar pelo primeiro impulso e fugiu em busca de seu amigo Basílio. Contudo, dez semanas depois, voltou à casa do pai, decidido a aceitar as responsabilidades de sua vocação. A apologia que escreveu sobre sua fuga é, na realidade, um tratado sobre o sacerdócio, no qual se fundamentaram todos os que posteriormente escreveram sobre o tema, começando por São João Crisóstomo. Um incidente logo demonstrou quão necessária era a presença de Gregório em Nazianzo. Seu pai e muitos outros prelados haviam aceitado as decisões do Concílio de Rimini, na esperança de conquistar assim os semiarianos. Isso provocou violenta reação entre os melhores católicos, especialmente entre os monges, e somente a habilidade de São Gregório conseguiu evitar o cisma. Ainda se conserva o discurso que pronunciou no dia da reconciliação, assim como duas orações fúnebres da mesma época: a de seu irmão São Cesário, que havia sido médico do imperador em Constantinopla, no ano 369, e a de sua irmã Santa Gorgônia.



No ano 370, São Basílio foi eleito metropolita de Cesareia. Naquela época, o imperador Valente e o procurador Modesto faziam todo o possível para introduzir o arianismo na Capadócia, e São Basílio tornou-se o principal obstáculo para a realização de seus planos. Com o objetivo de diminuir a influência deste último, Valente dividiu a Capadócia em duas províncias e fez da cidade de Tiana a capital da nova. O bispo de Tiana, Antimo, reclamou imediatamente a jurisdição arquiepiscopal sobre a nova província; porém São Basílio argumentou que a nova divisão política em nada afetava sua autoridade de metropolita. A fim de consolidar sua posição, contando com um amigo no território em disputa, São Basílio nomeou São Gregório bispo da nova diocese de Sásima, cidade insalubre e miserável, situada na fronteira das duas províncias. Gregório aceitou contra a vontade a consagração, mas jamais se transferiu para Sásima, cujo governador era seu inimigo declarado. São Basílio acusou São Gregório de covardia, ao que este respondeu que não estava disposto a lutar por uma diocese. Embora mais tarde os dois amigos tenham se reconciliado, São Gregório ficou ferido, e sua amizade nunca mais voltou a ser tão íntima quanto antes. São Gregório permaneceu, portanto, em Nazianzo, atuando como coadjutor de seu pai, que morreu no ano seguinte. Apesar do desejo de retirar-se para a solidão, São Gregório teve de aceitar o governo da diocese até que fosse nomeado o novo bispo. Porém a doença obrigou-o a retirar-se para Selêucia, no ano 375, e ali permaneceu cinco anos.


São Gregório de Nazianzo, São Basílio Magno e São João Crisóstomo. ícone do século XVII proveniente de Lipie, Museu Histórico de Sanok, Polônia.
São Gregório de Nazianzo, São Basílio Magno e São João Crisóstomo. ícone do século XVII proveniente de Lipie, Museu Histórico de Sanok, Polônia.

À morte do imperador Valente, cessou a perseguição contra a Igreja. Naturalmente, os bispos decidiram enviar às cidades e províncias que mais haviam sofrido com a perseguição os homens mais zelosos e cultos de que dispunham. A Igreja de Constantinopla era, sem dúvida, a que se encontrava em pior estado, já que esteve submetida à influência dos arianos durante trinta ou quarenta anos e não possuía sequer uma igreja para reunir os que haviam permanecido fiéis ao catolicismo. Um conselho episcopal convidou São Gregório a encarregar-se da restauração da fé em Constantinopla. Este, cujo temperamento sensível e pacífico o fazia temer aquele redemoinho de intrigas, corrupção e violência, recusou-se a princípio a deixar o retiro, mas finalmente aceitou. Suas provações começaram desde a chegada a Constantinopla, pois a multidão, acostumada ao luxo e ao esplendor, recebeu com desconfiança aquele homemzinho mal vestido, calvo e “prematuramente encurvado”. São Gregório hospedou-se inicialmente na casa de alguns amigos, que logo foi transformada em igreja, recebendo o nome de “Anastásia”, isto é, o lugar onde a fé iria ressuscitar. Naquele pequeno santuário dedicou-se a pregar e instruir o povo. Foi ali que pronunciou seus célebres sermões sobre a Santíssima Trindade, que lhe valeram o título de “o teólogo”, pela profundidade com que compreendeu a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pouco a pouco sua fama cresceu e a capacidade da igreja tornou-se insuficiente. Por sua vez, os arianos e os apolinaristas não cessavam de espalhar insultos e calúnias contra ele. Em certa ocasião chegaram até mesmo a invadir a igreja para arrastar São Gregório aos tribunais. Mas o santo consolava-se ao saber que, se a força estava do lado dos inimigos, a verdade, em contrapartida, estava do seu lado; se eles possuíam as igrejas, ele tinha Deus; se o povo apoiava seus adversários, os anjos o sustentavam. São Gregório conquistou a estima dos maiores homens de seu tempo: Evágrio do Ponto transferiu-se para Constantinopla para ajudá-lo como arquidiácono, e São Jerônimo foi do deserto da Síria a Constantinopla para ouvir os ensinamentos de São Gregório.


Ícone de São GregórioAfresco da Igreja de São Salvador em Chora (atualmente o Museu Kariye), Constatinopla (atual Istambul), Turquia
Ícone de São GregórioAfresco da Igreja de São Salvador em Chora (atualmente o Museu Kariye), Constatinopla (atual Istambul), Turquia

Mas continuou a chuva de provações sobre o campeão de Cristo, tanto da parte dos hereges quanto dos próprios fiéis. Um certo Máximo, aventureiro a quem o santo dera ouvidos e elogiara publicamente, fez-se consagrar bispo por alguns prelados de passagem pela cidade e aproveitou uma enfermidade de São Gregório para apoderar-se da sede. Este conseguiu impor-se ao usurpador, porém o incidente o feriu profundamente, sobretudo quando soube que vários daqueles a quem considerava amigos haviam apoiado Máximo.


Nos primeiros meses do ano 380, o bispo de Tessalônica conferiu o batismo ao imperador Teodósio. Pouco depois, este promulgou um édito pelo qual obrigava os súditos bizantinos a praticar a fé católica, tal como a professavam o Papa e o arcebispo de Alexandria. Em Constantinopla, Teodósio colocou o bispo ariano diante da alternativa de aceitar a fé de Niceia ou abandonar a cidade. O prelado escolheu o exílio, e Teodósio decidiu instalar São Gregório em seu lugar, já que até então ele havia sido praticamente bispo em Constantinopla, mas não bispo de Constantinopla. Um sínodo confirmou a nomeação de São Gregório, que foi entronizado na catedral de Santa Sofia em meio às aclamações do povo. Contudo, seu governo durou apenas alguns meses. Seus antigos inimigos levantaram-se contra ele e a hostilidade só aumentou diante da decisão de São Gregório acerca da sede vacante de Antioquia. O povo começou a duvidar da validade da eleição do santo, que chegou a sofrer atentados. Sempre amante da paz e temendo que a agitação popular levasse ao derramamento de sangue, São Gregório decidiu renunciar ao cargo: “Se meu governo da diocese produz perturbações”, declarou diante da assembleia, “estou disposto, como Jonas, a deixar-me lançar ao mar para acalmar a tempestade, embora eu não a tenha provocado. Se todos seguissem meu exemplo, a Igreja logo gozaria de paz. Jamais aspirei à dignidade que ocupo e a aceitei contra minha vontade. Portanto, se julgais conveniente, estou disposto a partir.” O imperador acabou por consentir, e São Gregório pronunciou um nobre e comovente discurso de despedida. Sua tarefa ali estava concluída; a chama da fé, que havia se apagado em Constantinopla, fora novamente acesa e ele a manteve viva nas horas mais sombrias atravessadas pela Igreja. Um traço característico do santo foi ter mantido sempre relações cordiais com o sucessor, Nectário, que lhe era inferior em tudo, exceto na nobreza da linhagem.


São Gregório Nazianzeno, por Peter Paul Rubens (1577–1640)
São Gregório Nazianzeno, por Peter Paul Rubens (1577–1640)

São Gregório passou algumas temporadas nas propriedades que herdara e em Nazianzo, onde ainda não havia sido instalado o sucessor de seu pai. Porém, no ano 383, depois de conseguir que seu primo Eulálio fosse eleito para ocupar a sede vacante, retirou-se completamente para a vida privada, na paz de seu belo parque, onde havia um bosque e uma fonte. Mas mesmo ali praticava a mortificação, pois jamais usava calçados nem acendia fogo. Perto do fim da vida escreveu uma série de poemas religiosos, tão belos quanto edificantes. Esses poemas são muito interessantes do ponto de vista biográfico e literário, já que o santo narra neles sua vida e sofrimentos; sua forma requintada chega, por vezes, ao sublime. A fama literária de que São Gregório desfruta até hoje deve-se a esses poemas, aos sermões e às suas encantadoras cartas. São Gregório morreu em seu retiro, no ano 390. Seus restos, que primeiro foram trasladados de Nazianzo para Constantinopla, repousam atualmente em São Pedro de Roma.


São Gregório gostava de falar da condescendência que Deus havia demonstrado aos homens. Em uma de suas cartas escreveu:


“Admirai a extraordinária bondade de Deus, que se digna considerar nossos desejos como se tivessem grande valor. Deseja ardentemente que O busquemos e amemos, e recebe nossas súplicas como se fossem um favor ou benefício que os homens lhe prestassem. Deus sente mais alegria em dar do que nós em receber. A única coisa que não suporta é que lhe peçamos friamente e que imponhamos limites às nossas petições. Pedir-lhe coisas frívolas seria ofender a liberalidade com que Deus está disposto a ouvir-nos.

As cartas e escritos de São Gregório, especialmente o longo poema De Vita Sua (que possui quase dois mil versos), são nossa principal fonte de informação sobre sua vida. Infelizmente, a publicação da grande edição beneditina de suas obras sofreu muitos atrasos. Vários dos editores morreram sucessivamente e o primeiro volume dos sermões só veio a público em 1778. Quando se preparava o segundo volume, eclodiu a Revolução Francesa, de modo que ele só foi publicado em 1840. A Academia de Cracóvia empreendeu uma nova edição crítica. Muitos dos antigos manuscritos das obras de São Gregório, alguns dos quais datam do século IX, estão adornados com belíssimas miniaturas. Veja-se sobre eles o artigo de Dom Leclercq (DAC., vol. VI, cc. 1667-1710), com numerosas reproduções dessas miniaturas. Em inglês, o ensaio do Cardeal Newman em Historical Sketches, vol. II, pp. 50-94, e o artigo de H. W. Watkins em DCB., vol. II, pp. 741-761, conservam todo o seu valor. Ver também C. Ullmann, Gregory of Nazianzus (1851); A. Benoit, S. Grégoire de Nazianze (1885) e as biografias de M. Guignet (1911) e P. Gallay (1943); E. Fleury, Hellénisme et christianisme: S. Grégoire et son temps (1930); e L. Duchesne, History of the Early Church, vol. II, 1912. Encontrar-se-á bibliografia mais abundante nas obras de Bardenhewer, Patrologie e Geschichte der altkirchlichen Literatur, vol. III (2ª ed.), pp. 162-188 e 671.1




São Gerôncio de Cervia. Detalhe do retábulo de Luigi Garzi, de 1704. Basílica Catedral de Cagli.
São Gerôncio de Cervia. Detalhe do retábulo de Luigi Garzi, de 1704. Basílica Catedral de Cagli.

Tudo o que sabemos sobre São Gerôncio reduz-se ao fato de que foi bispo de Cervia (Ficocle), na arquidiocese de Ravena. A Enciclopédia diz que ele regressava com Viticano, bispo de Cagli, do concílio romano realizado em 501 para tratar das acusações feitas contra o Papa Símaco, quando foi atacado e morto por bandoleiros [A lenda afirma que foram “hereges”, talvez godos ou, mais provavelmente, hérulos do exército de Odoacro.]2 na Via Flamínia, perto de Ancona, quando regressava do sínodo presidido em Roma pelo Papa São Símaco.


Numa outra versão, que faz mais sentido, diz que ele foi decapitado, perto da cidade de Cagli, pelos cismáticos que apoiavam o antipapa Lourenço, após ele defender o verdadeiro papa, São Símico. Mais tarde, construiu-se no local em que foi assassinado uma abadia beneditina em sua honra. A Igreja o venera como mártir.


O que os bolandistas dizem sobre São Gerôncio refere-se mais ao seu culto do que à sua vida. Ver Acta Sanctorum, maio, vol. II, e Ughelli, Italia Sacra, vol. II, c. 486. Em sua pátria, São Gerôncio é muito venerado.3



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 244-247.

2. Catholic Encyclopedia, Cervia, vol. 3.

3. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 250-251.



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