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Vida de Santo Eustáquio de Antioquia e Santo Atenógenes (16 de julho)

  • 16 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura




Santo Atenógenes?
Santo Atenógenes (?)

O Martirológio Romano diz no dia 18 de janeiro:


“No Ponto, o nascimento para o céu de Santo Atenógenes, ancião teólogo, o qual, estando prestes a consumar seu martírio pelo fogo, cantou um hino de júbilo e o deixou escrito a seus discípulos.”


No dia 16 de julho diz:


“Em Sebaste da Armênia, o nascimento para o céu dos santos mártires Atenógenes, bispo, e seus dez discípulos, na perseguição do imperador Diocleciano.”


Como se vê, há uma dupla comemoração de Santo Atenógenes, cujo hino é elogiado por São Basílio em seu tratado sobre o Espírito Santo. Segundo se diz, São Gregório, o Iluminador, instituiu na Armênia uma festa em honra de Santo Atenógenes e São João Batista para suprimir uma festividade pagã.


A melhor prova da autenticidade do culto de Santo Atenógenes é que seu nome aparece no martirológio sírio e no Hieronymianum. Ver Delehaye, Les Origines du Culte des Martyrs, pp. 177-178; DAC, vol. I, col. 3104-3105, e DHG, vol. I, col. 44-46. Santo Atenógenes professava em seu hino a fé na divindade do Espírito Santo; mas não se trata do phós hilarón das vésperas bizantinas.1




Santo Eustáquio de Antioquia, de Ikonopisatel
Santo Eustáquio de Antioquia, de Ikonopisatel

Santo Eustáquio nasceu em Side, na Panfília. Segundo afirma Santo Atanásio, confessou diante dos perseguidores a fé em Cristo. Era um homem sábio, eloquente e virtuoso. Eleito bispo de Beroia, na Síria, atraiu sobre si as atenções da Igreja. Mais tarde, foi transferido à sede de Antioquia, que só cedia em dignidade às de Roma e Alexandria, sendo a terceira do mundo. Pouco depois de assumir, assistiu ao Concílio de Niceia, onde foi recebido com grandes honras e se destacou por sua oposição ao arianismo. No meio de seus trabalhos pelos outros, não esquecia que a verdadeira caridade começa por si mesmo e trabalhou, antes de tudo, por sua própria santificação. Mas não por cuidar de seu jardim guardava para si toda a água da graça, e sim a deixava correr também pelos hortos dos seus irmãos, para que levasse a fecundidade por toda parte. Nas dioceses que lhe estavam confiadas, distribuiu homens capazes de instruir e sustentar os fiéis.


O santo alarmou-se ao saber que Eusébio, o bispo de Cesareia, favorecia a nova heresia (trata-se do Eusébio conhecido como “o pai da história eclesiástica”). A desconfiança que Santo Eustáquio demonstrou em relação à doutrina dele e de outros bispos, bem como sua acusação de que haviam alterado o Credo de Niceia, provocaram contra ele a ira dos arianos, que conseguiram depô-lo por volta do ano 330.


Antes de sair de Antioquia, o pastor reuniu seu rebanho e o exortou a manter-se fiel à verdadeira doutrina. A exortação foi tão eficaz que se formou um grupo de “eustacianos” para preservar a pureza da fé e negar reconhecimento a todos os bispos enviados pelos arianos. Infelizmente, essa lealdade degenerou mais tarde em sectarismo contra prelados ortodoxos. Santo Eustáquio foi exilado com alguns sacerdotes e diáconos a Trajanópolis, na Trácia. Não se sabe ao certo o local nem a data de sua morte. A maioria de seus abundantes escritos se perdeu. Entre as obras que se conservaram, a principal é uma dissertação contra Orígenes, na qual critica os poderes da pitonisa de Endor (I Sm. 28, 7-23). Sozómeno recomenda as obras de Santo Eustáquio por seu estilo e conteúdo. Mas nada demonstra melhor a virtude do santo do que a paciência com que suportou as acusações caluniosas em assuntos graves e, depois, a deposição e o exílio. Santo Eustáquio foi maior na desgraça do que havia sido quando suas virtudes brilhavam pacificamente no governo de sua sede. Seu nome aparece no cânon das Missas síria e maronita.


A partir do estudo do cônego Venables (DCB, vol. II), muito se escreveu sobre as controvérsias em que Santo Eustáquio participou de forma tão destacada. Basta mencionar aqui as bibliografias do DTC, vol. V, col. 1554-1565 e do Lexikon für Theologie und Kirche, vol. II, col. 864. Ver, sobretudo, F. Cavallera, Le schisme d’Antioche (1905); L. Duchesne, History of the Early Church, vol. I (1912); e R. V. Sellers, Eustathius of Antioch (1928).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 117-118.

2. Ibid. pp. 118-119.



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