Vida do Papa São Leão II e Santo Anatólio de Laodiceia (3 de julho)
- 3 de jul. de 2025
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Atualizado: 2 de jul.

São Leão, que era originário da Sicília, foi eleito para suceder ao Papa Santo Agatão no início do ano 681. Seu breve pontificado passou principalmente para a história porque foi ele quem confirmou os atos do sexto Concílio ecumênico, que havia condenado os monotelitas e censurado o Papa Honório I* por não ter se mostrado suficientemente firme com relação a esses hereges. São Leão mandou transferir as relíquias de numerosos mártires das catacumbas para a capela que havia construído com esse fim. Mons. Duchesne demonstrou que São Leão construiu também a igreja de São Jorge in Velabro, que foi a igreja titular do cardeal Newman. O Liber Pontificalis louva o zelo que São Leão demonstrou como mestre e pregador, assim como sua caridade para com os necessitados. São Leão era um pregador eloquente e um músico muito habilidoso. O Liber Pontificalis observa que o santo Pontífice conhecia perfeitamente o grego e o latim; mas isso era algo comum entre os sicilianos do século VII.
Em 25 de julho de 1960, o antipapa João XXIII suprimiu do Calendário Romano a festa do Papa São Leão II.
Quase todos os dados que possuímos sobre São Leão II procedem do Liber Pontificalis (ed. Duchesne, vol. I, pp. 359-362). No DTC., vol. IX, col. 301-304, há um excelente artigo sobre este Papa. Veja-se também Mann, Lives of the Popes, vol. II, pp. 49-52.1

Santo Anatólio, que era originário de Alexandria, destacou-se pelos serviços que prestou aos seus concidadãos quando dirigia uma escola aristotélica em sua cidade natal. Naquela época estourou uma rebelião em Alexandria. As tropas romanas sitiaram o bairro de Bruchium, onde o santo vivia, e, em pouco tempo, a fome e a doença começaram a fazer estragos. Santo Anatólio entrou em contato com um diácono amigo seu, chamado Eusébio, que se encontrava fora do bairro sitiado pelas tropas romanas, e conseguiu que o general romano permitisse a evacuação dos habitantes. A princípio, os chefes da rebelião recusaram-se a deixar alguém sair, mas Santo Anatólio obteve que deixassem sair todos os civis. Mais tarde, o santo se transferiu para a Palestina e tornou-se auxiliar do bispo de Cesareia. Com a morte de Eusébio, que ocupava o cargo de bispo de Laodiceia, na Síria, Santo Anatólio foi eleito para sucedê-lo.
O santo destacou-se como filósofo, físico e matemático. Entre seus escritos, conservam-se fragmentos de dez tratados de aritmética. O Martirológio Romano afirma que “não apenas os cristãos, mas também os filósofos” admiram os escritos do santo.
O historiador da Igreja, Eusébio, é nossa principal fonte; mas também São Jerônimo fala de Santo Anatólio com grande apreço. Eusébio cita uma passagem bastante extensa do livro do santo sobre a Páscoa. O Liber Anatoli de ratione paschali, que se dizia ser uma tradução latina, é, na realidade, uma falsificação, composta provavelmente na Irlanda no século VI.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 12-13.
2. Ibid. p. 13.
Notas:
*O Papa João IV (640–643), segundo sucessor de Honório I, defendeu a ortodoxia de seu predecessor, esclarecendo que este não havia ensinado a heresia monotelita, mas apenas afirmado que em Cristo não há duas vontades contrárias como ocorre nos homens pecadores. O papa João IV atribuiu aos hereges a má interpretação das palavras de Honório:
“… Assim, pois, o supracitado predecessor meu [Honório] disse do mistério da encarnação de Cristo, que não havia n'Ele, como em nós pecadores, duas vontades contrárias da mente e da carne. Alguns, acomodando isto ao seu próprio gosto, suspeitaram que Honório ensinou que a divindade e a humanidade d'Ele não têm mais que uma só vontade, interpretação que é totalmente contrária à verdade.”
(Papa João IV, Dominus qui dixit, carta ao imperador Constantino, ano 641.).






















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