top of page

Vida de São Pedro de Verona e São Roberto de Molesmes (29 de abril)

  • 28 de abr.
  • 6 min de leitura




São Pedro de Verona, mártir, por Lorenzo Lotto (1480–1556)
São Pedro de Verona, mártir, por Lorenzo Lotto (1480–1556)

Pedro nasceu em Verona, em 1205. Seus pais pertenciam à seita dos cátaros, uma heresia muito semelhante à dos albigenses, que negava, entre outras coisas, que Deus tivesse criado a matéria. Pedro frequentou uma escola católica, apesar da indignação de um tio seu, quando soube que o menino não só havia aprendido o Símbolo dos Apóstolos, mas também defendia o artigo “Criador do céu e da terra”. Na Universidade de Bolonha, Pedro teve de enfrentar todas as tentações, pois seus companheiros eram muito licenciosos. Logo decidiu pedir admissão na Ordem de São Domingos e, assim que tomou o hábito, o jovem noviço entregou-se ardentemente às práticas da vida religiosa, que incluíam o estudo, a leitura, a oração, o cuidado dos enfermos e a limpeza da casa.


Mais tarde, encontramos Pedro dedicado à atividade de pregar na Lombardia. Uma de suas maiores provações foi ter sido proibido de ensinar e enviado a um convento remoto, pois havia sido falsamente acusado de receber estranhos e até mulheres em sua cela. Um dia, ajoelhado diante do crucifixo, exclamou: “Senhor, Tu sabes que não sou culpado. Por que permites que me caluniem?” A resposta do crucifixo não demorou: “E o que fiz eu, Pedro, para merecer a paixão e a morte?” Envergonhado e ao mesmo tempo consolado, o frade recuperou a coragem e, pouco depois, sua inocência foi provada. A partir de então, sua pregação teve ainda mais sucesso. Pedro ia de povoado em povoado para despertar os negligentes, converter os pecadores e reconquistar aqueles que haviam abandonado a religião. À fama de sua eloquência logo se juntou a reputação de seus milagres. Assim que aparecia em público, a multidão se apertava ao seu redor para pedir sua bênção, apresentar-lhe os enfermos e ouvir a Palavra de Deus.


O milagre do fogo de São Pedro de Verona, Antonio Vivarini
O milagre do fogo de São Pedro de Verona, Antonio Vivarini

Por volta do ano 1234, o Papa Gregório IX nomeou Pedro inquisidor geral para os territórios milaneses. O santo desempenhou seu ofício com tal zelo e eficácia — em Cremona, Ravena, Gênova, Veneza e até na Marca de Ancona — pregando a fé, que sua jurisdição chegou a estender-se por quase todo o norte da Itália. Em Bolonha, discutiu com os hereges, desmascarou os erros e reconciliou com a Igreja aqueles que a haviam abandonado. No entanto, Pedro sabia perfeitamente que seus êxitos também lhe haviam conquistado muitos inimigos e, frequentemente, pedia a Deus a graça do martírio. Em um sermão que pregou no Domingo de Ramos de 1252, anunciou publicamente que se tramava uma conspiração contra ele e que sua cabeça tinha sido posta a prêmio. “Deixai-os tranquilos — acrescentou —; depois de morto serei ainda mais poderoso.”


Duas semanas depois, quando viajava de Como a Milão, dois assassinos o atacaram em um bosque nos arredores de Barlassina. Um deles, chamado Carino, golpeou-o na cabeça e depois lançou-se sobre seu companheiro, um frade chamado Domingos. Embora gravemente ferido, o santo não perdeu a consciência e ainda teve tempo de recomendar a si mesmo e a seu assassino a Deus, usando as palavras de Santo Estêvão. Depois, segundo a tradição, molhou um dedo em seu próprio sangue e começou a escrever as palavras “Creio em Deus”. Nesse momento, um dos assassinos deu-lhe o golpe final na cabeça. Era 6 de abril de 1252. O mártir acabava de completar quarenta e seis anos. O irmão Domingos sobreviveu-lhe apenas alguns dias.


O Martírio de São Pedro (de Verona), por Domenico Zampieri (1581–1641)
O Martírio de São Pedro (de Verona), por Domenico Zampieri (1581–1641)

O Papa Inocêncio IV canonizou São Pedro de Verona no ano seguinte à sua morte. Carino fugiu para Forlì, onde se arrependeu de seu crime, abjurou a heresia, entrou na Ordem de São Domingos e morreu tão santamente que o povo começou a venerá-lo. Em 1934, os restos de Carino foram trasladados de Forlì para Balsamo, sua cidade natal, nas proximidades de Milão, onde recebe certo culto.


Em Acta Sanctorum, abril, vol. III, há vários documentos sobre São Pedro de Verona; entre outros, a bula de canonização e uma biografia escrita por seu contemporâneo Frei Tomás Agni de Lentino. Ver também Mortimer, Maîtres Généraux O.P., vol. III, pp. 140-166; Monumenta Historica O.P., vol. I, p. 236 ss. No Catalogus Hagiographicus O.P. de Taurisano, p. 13, há uma biografia mais completa. Fra Angelico imortalizou São Pedro de Verona em um famoso quadro no qual aparece com a cabeça ferida e o dedo sobre os lábios; mas existem muitas outras representações do santo: cf. Künstle, Ikonographie, vol. II. Ver S. Orlandi, S. Pietro martire da Verona: Legenda di fr. Tommaso Agni... (1952), e outras obras mais recentes.1




São Roberto de Molesmes, por Tommaso Dolabella (1570–1650)
São Roberto de Molesmes, por Tommaso Dolabella (1570–1650)

Roberto de Molesmes, um dos fundadores da Ordem Cisterciense, nasceu por volta de 1024, no seio de uma família nobre, perto de Troyes, na Champanha. Aos quinze anos, tomou o hábito beneditino em Moutier-la-Celle. Tão rápidos foram seus progressos que foi nomeado prior antes de terminar o noviciado, embora fosse o mais jovem de toda a comunidade. Mais tarde, foi nomeado abade da filial de São Miguel de Tonnerre, onde a disciplina havia se relaxado um pouco. Em vão lutou para reformar o convento, quando alguns eremitas do bosque de Collan lhe pediram que fosse instruí-los na Regra de São Bento. O santo teria aceitado de bom grado, mas seus monges não o deixaram partir e, pouco depois, teve de voltar a Moutier-la-Celle. Entretanto, os eremitas haviam pedido autorização a Roma e o Papa Alexandre II nomeou Roberto superior da comunidade. Uma das primeiras tarefas do santo foi fazer com que a comunidade emigrasse de Collan, que era um lugar insalubre, para o bosque de Molesmes. Ali se construíram, em 1075, várias celas de madeira e um modesto oratório.


A austeridade e pobreza dos monges eram tão grandes que frequentemente não tinham o que comer. Mas logo começou a difundir-se pelos arredores a fama de sua santa vida. Liderados pelo bispo de Troyes, os nobres da região disputavam a honra de prover às necessidades dos monges, e o número de noviços começou a aumentar. Contudo, a prosperidade não foi benéfica; alguns candidatos eram inadequados para a vida religiosa, e pequenos abusos em matéria de pobreza produziram, pouco a pouco, uma relaxação da disciplina. Desencorajado diante da desobediência de seus súditos, Roberto retirou-se por algum tempo para uma ermida. Mas seus monges, que não haviam prosperado durante sua ausência, chamaram-no novamente a Molesmes e prometeram obedecer-lhe fielmente. No entanto, como o haviam chamado movidos apenas por interesses temporais, o retorno de Roberto não produziu frutos duradouros. Um pequeno grupo da comunidade, liderado por Santo Alberico e São Estêvão Harding, pediu permissão a São Roberto para emigrar para outro lugar, onde pudessem viver à altura de sua vocação. São Roberto mostrou-se disposto a segui-los e, juntos, foram a Lyon consultar o arcebispo Hugo, que era delegado pontifício. O prelado não apenas aprovou o projeto, mas também os incentivou a abandonar Molesmes e perseverar na decisão de praticar, com todo o rigor, a Regra de São Bento. Assim, Roberto renunciou oficialmente ao báculo abacial e partiu, com outros vinte monges, para Cistercium (Citeaux), uma região boscosa banhada por um riacho, a cinco léguas de Dijon. Ali começaram a construir, em 21 de março de 1098, algumas cabanas de madeira e comprometeram-se a seguir, em toda a sua pureza, a Regra de São Bento. Walter, bispo de Chalon, elevou a nova fundação à categoria de abadia e nomeou Roberto abade. Esses foram os inícios da grande Ordem do Cister.


São Roberto de Molesmes, por Enguerrand Quarton (1411–1466)
São Roberto de Molesmes, por Enguerrand Quarton (1411–1466)

Um ano mais tarde, os monges de Molesmes enviaram uma delegação a Roma para pedir que Roberto voltasse à abadia. Alegavam que a disciplina religiosa havia decaído muito desde sua partida e que o bem das almas e a prosperidade da abadia dependiam de seu retorno. O Papa Urbano II deixou a decisão nas mãos do arcebispo Hugo. São Roberto voltou, então, a Molesmes com outros dois monges, “aos quais não agradava a solidão de Citeaux”. Parece que São Roberto também se alegrou ao deixar o Cister, mas mais tarde lamentou isso em uma carta que escreveu aos cistercienses: “Ficaríeis muito tristes se eu pudesse usar minha língua como pena, minhas lágrimas como tinta e meu coração como papel... Meu corpo está aqui por obediência, mas minha alma está convosco”. No entanto, o retorno de Roberto a Molesmes produziu frutos maduros, pois os monges já haviam aprendido a lição e mostraram-se submissos a Roberto até sua morte, ocorrida em 21 de março de 1110, quando tinha noventa e dois anos.


Em Acta Sanctorum, abril, vol. II, pode-se ler uma biografia de Roberto escrita no século XII por um monge anônimo de Molesmes. Ver também Dalgairns, Life of St Stephen Harding (1898), Duplus, Saints de Dijon; e um artigo de Y. Williams no Journal of Theological Studies, vol. XXXVII (1936), pp. 404-412.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 177-178.

2. Ibid. pp. 180-181.



REZE O ROSÁRIO DIARIAMENTE!

Comentários


  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • YouTube
linea-decorativa

“O ROSÁRIO
é a ARMA
para esses tempos.”

- Padre Pio

 

santa teresinha com rosas

Enquanto a modéstia não
for colocada
em prática a sociedade vai continuar
a degradar,

a sociedade

fala o que é

pelasroupas

que veste.

- Papa Pio XII

linea-decorativa
jose-de-paez-sao-luis-gonzaga-d_edited.j

A castidade
faz o homem semelhante
aos anjos.

- São Gregório de Nissa

 

linea-decorativa
linea-decorativa
São Domingos

O sofrimento de Jesus na Cruz nos ensina a suportar com paciência
nossas cruzes,

e a meditação sobre Ele é o alimento da alma.

- Santo Afonso MARIA
de Ligório

bottom of page