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Vida de Santo André, Apóstolo e Santos Sapor e Isaac (30 de novembro)





Santo André, por Peter Paul Rubens (c. 1611)
Santo André, por Peter Paul Rubens (c. 1611)

Santo André nasceu em Betsaida, povoação da Galileia situada às margens do lago de Genesaré. Era filho do pescador Jonas e irmão de Simão Pedro. A Sagrada Escritura não especifica se era mais velho ou mais moço que este. A família tinha uma casa em Cafarnaum, e nela se hospedava Jesus quando pregava nessa cidade. Quando São João Batista começou a pregar a penitência, André tornou-se seu discípulo. Precisamente estava com seu mestre quando João Batista, depois de ter batizado Jesus, O viu passar e exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus!” André recebeu luz do céu para compreender essas palavras misteriosas. Imediatamente, ele e outro discípulo do Batista seguiram Jesus, o qual os percebeu com os olhos do espírito antes de vê-los com os do corpo. Voltando-Se, pois, para eles, disse-lhes: “Que buscais?” Eles responderam que queriam saber onde morava, e Jesus pediu que O acompanhassem à sua morada. André e seus companheiros passaram com Jesus as duas horas que restavam do dia. André compreendeu claramente que Jesus era o Messias e, desde aquele instante, resolveu segui-Lo. Assim, foi o primeiro discípulo de Jesus. Por isso, os gregos o chamam “Proclito” (o primeiro chamado). André levou depois seu irmão a conhecer Jesus, que o recebeu imediatamente como discípulo e lhe deu o nome de Pedro.


Desde então, André e Pedro foram discípulos de Jesus. No começo não O seguiam constantemente, como haviam de fazer mais tarde, mas iam ouvi-Lo sempre que podiam e depois regressavam junto de sua família para cuidar de seus negócios. Quando o Salvador voltou à Galileia, encontrou Pedro e André pescando no lago e os chamou definitivamente para o ministério apostólico, anunciando-lhes que faria deles pescadores de homens. Abandonaram imediatamente suas redes para segui-Lo e já não mais se separaram d’Ele. No ano seguinte, Nosso Senhor escolheu os doze Apóstolos; o nome de André figura entre os quatro primeiros nas listas do Evangelho. Também é mencionado a propósito da multiplicação dos pães (João, VI, 8-9) e dos gentios que queriam ver Jesus (João, XII, 20-22).


O Chamado dos Santos Pedro e André, de Caravaggio (1603–1606)
O Chamado dos Santos Pedro e André, de Caravaggio (1603–1606)

À parte algumas poucas palavras de Eusébio, que diz que Santo André pregou na Cítia, e o fato de certas “atas” apócrifas que levam o nome do apóstolo terem sido usadas pelos hereges, tudo o que sabemos sobre o santo procede de escritos apócrifos. No entanto, há uma curiosa menção de Santo André no documento conhecido com o nome de “Fragmento de Muratori”, que data do início do século III:


“O quarto Evangelho (foi escrito) por João, um dos discípulos. Quando os outros discípulos e bispos o instaram (a escrever), ele lhes disse: ‘Jejuai comigo a partir de hoje durante três dias, e depois falaremos uns com os outros sobre a revelação que tivermos tido, seja a favor ou contra’. Na mesma noite, foi revelado a André, um dos Apóstolos, que João devia escrever e que todos deviam revisar o que escrevesse”.

Teodoreto conta que André esteve na Grécia; São Gregório Nazianzeno especifica que esteve no Epiro, e São Jerônimo acrescenta que esteve também na Acaia. São Filástrio diz que do Ponto passou à Grécia, e que em sua época (século IV) os habitantes de Sinope afirmavam possuir um retrato autêntico do santo e conservar o ambão desde o qual ele havia pregado nessa cidade. Embora todos esses autores concordem em afirmar que Santo André pregou na Grécia, isso não é absolutamente certo.


Apóstolo Santo André representado em um ícone búlgaro.
Apóstolo Santo André representado em um ícone búlgaro.

Na Idade Média, era crença geral que Santo André estivera em Bizâncio, onde deixou como bispo seu discípulo Staquis (Rom. XVI, 9). A origem dessa tradição é um documento falso, escrito numa época em que convinha a Constantinopla atribuir-se uma origem apostólica para não ser menos que Roma, Alexandria e Antioquia. (O primeiro bispo de Bizâncio do qual há certeza histórica foi São Metrofânio, no século IV). O gênero de morte de Santo André e o local em que morreu também são incertos. A “paixão” apócrifa diz que foi crucificado em Patras da Acaia. Como não foi pregado à cruz, mas simplesmente amarrado, pôde pregar ao povo durante dois dias antes de morrer. Ao que parece, a tradição de que morreu numa cruz em forma de “X” não circulou antes do século IV. No tempo do imperador Constâncio II (+361), as supostas relíquias de Santo André foram trasladadas de Patras para a igreja dos Apóstolos, em Constantinopla. Os cruzados tomaram Constantinopla em 1204, e, pouco depois, as relíquias foram roubadas e trasladadas para a catedral de Amalfi, na Itália.


Santo André é o padroeiro da Rússia e da Escócia. Segundo uma tradição sem valor histórico, o santo teria ido evangelizar até Kiev. Ninguém afirma que tenha ido também à Escócia, e a lenda que se conserva no Breviário de Aberdeen e nos escritos de João de Fordun não merece crédito algum. Segundo essa lenda, um tal São Régulo, natural de Patras e encarregado de trasladar as relíquias do apóstolo no século IV, recebeu em sonho o aviso de um anjo de que devia transportar uma parte delas ao lugar que lhe seria indicado mais tarde. De acordo com as instruções, Régulo dirigiu-se rumo ao noroeste, “até o extremo da terra”. O anjo mandou-o deter-se onde atualmente se encontra Saint Andrews; Régulo construiu ali uma igreja para as relíquias, foi escolhido primeiro bispo do lugar e evangelizou o povo durante trinta anos. Provavelmente, essa lenda data do século VII. No dia 9 de maio celebra-se, na diocese de Saint Andrews, a festa da translação das relíquias.


O nome de Santo André figura no Cânon da Missa, juntamente com os de outros Apóstolos. Também aparece, com os nomes da Santíssima Virgem e de São Pedro e São Paulo, na intercalação que se segue ao Pai-Nosso. Essa menção costuma ser atribuída à devoção que o Papa São Gregório Magno professava ao santo, embora talvez date de época anterior.


A crucificação de Santo André, por Mattia Preti
A crucificação de Santo André, por Mattia Preti

Duchesne, Delehaye e outros autores descartam a relação de Santo André com a cidade de Patras, mas não faltam autores que a afirmam como certa. Por exemplo, Kellner diz (Heortology, p. 289): “Mais certo é o fato de que foi martirizado em Patras, como consta por um documento fidedigno.” (O autor refere-se à paixão publicada por Max Bonnet em Analecta Bollandiana, vol. XV, pp. 373-378). “Além desse documento, existe uma conhecida encíclica escrita pelos sacerdotes e diáconos da Acaia; ainda que se possa criticar essa encíclica em certos aspectos, no essencial ela concorda com o relato do martírio.” Isso nos parece exagerado. Contudo, é preciso reconhecer que os calendários gregos e latinos de todas as épocas fixam quase unanimemente a festa de Santo André em 30 de novembro. O Hieronymianum diz, em 5 de fevereiro: “Patras in Achaia ordinatio episcopatus sancti Andraeae apostoli.” A encíclica do clero da Acaia pode ser vista em Migne, PG., vol. 11, pp. 1217-1248. Os escritos apócrifos relativos a Santo André foram publicados por M. Bonnet em Analecta Bollandiana, vol. XV (1894); mais tarde foram reeditados separadamente. Existem também textos etíopes, coptas e de outros países do Oriente. Veja-se Dictionnaire de la Bible: Supplément, vol. 1, col. 504-509; Flamion, Les actes apocryphes de l’Apôtre André (1911); Hennecke, Neutestamentliche Apocryphen (1904), pp. 459-473, e Handbuch (1904), pp. 544-562. A lenda de Santo André interessou aos ingleses desde muito cedo; o poema anglo-saxão intitulado Andreas, que se baseia nessa lenda, foi provavelmente escrito por Cynewulf por volta do ano 800. Acerca da relação de Santo André com a Escócia, cf. W. Skene, Celtic Scotland, vol. 1, pp. 296-299. A referência de Eusébio encontra-se em Hist. Eccl., lib. III. O texto do Fragmento de Muratori pode ser visto em DAC., vol. XII, col. 552, onde há um fac-símile do manuscrito original.1




O martírio de São Simeão
O martírio de São Simeão

A longa e violenta perseguição dos cristãos da Pérsia, na época de Sapor II, foi provocada pela suspeita de que estes estavam aliados aos imperadores romanos contra o próprio país. Por isso, a adesão ao mazdeísmo, a religião nacional, passou a ser considerada como prova de lealdade. Mahanes, Abraão e Simeão foram os primeiros cristãos que caíram nas mãos dos funcionários reais. Pouco depois, foram também aprisionados os bispos Sapor e Isaac, por terem construído igrejas e convertido alguns mazdeístas. O rei disse aos cinco cristãos: “Não ouvistes que eu descendo de Deus? E, no entanto, ofereço sacrifícios ao sol e rendo honras divinas à lua. Quem sois vós para vos opordes às minhas leis?” Os mártires responderam: “Nós reconhecemos um só Deus e somente a Ele adoramos.” O bispo Sapor acrescentou: “Confessamos um só Deus, Criador de todas as coisas, e a Jesus Cristo, seu Filho.” O rei ordenou aos guardas que o golpeassem na boca. Eles cumpriram a ordem com tal violência que lhe quebraram os dentes. Em seguida, espancaram-lhe o corpo com maços até lhe quebrarem os ossos. Isaac compareceu após Sapor: o rei lançou-lhe em rosto a audácia que o levara a construir igrejas. O mártir confessou Cristo com inflexível constância. Então o monarca mandou chamar alguns apóstatas e obrigou-os, por ameaças, a apedrejar Isaac até que morresse. Ao saber do martírio do seu companheiro, Santo Sapor encheu-se de alegria. Dois dias depois, faleceu na prisão em consequência das feridas que recebera. Para assegurar-se de que estava realmente morto, o bárbaro monarca mandou que lhe cortassem a cabeça e a levassem para exibição. Depois compareceram os outros três, que se mostraram tão inflexíveis quanto Isaac e Sapor. O rei ordenou aos guardas que arrancassem a pele de Mahanes desde a cabeça até o umbigo. O santo morreu sob a tortura. A Abraão queimaram os olhos com um ferro em brasa. Simeão foi enterrado até o peito e trespassado por flechas.


O rei Sapor II condena os cristãos persas à tortura e à morte
O rei Sapor II condena os cristãos persas à tortura e à morte

No século XVIII, S. E. Assemani publicou as atas siríacas do martírio dos dois bispos em Acta Sanctorum Martyrum Orientalium et Occidentalium, vol. 1, pp. 225-230. Contudo, é melhor o texto publicado por Bedjan, baseado na comparação de diversos manuscritos, em Acta martyrum et sanctorum, vol. 1 (1891). É possível que Sapor seja o mesmo mártir mencionado pelo antigo Breviarium siríaco entre “os bispos da Pérsia”; sem especificar a data da festa, o Breviarium diz simplesmente: “João e Shabur (Sapor), bispos da cidade de Beth-Seleucia.”2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 446-448.

2. Ibid. pp. 448-449.



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