Vida de Santa Maria Madalena de Pazzi e São Cirilo de Cesareia, Mártir (29 de maio)
- Sacra Traditio

- 29 de mai. de 2025
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SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI, VIRGEM (1607 d.C.)

A família de Pazzi, ligada à família Médici que governava Florença, era uma das mais ilustres da cidade. Deu ao Estado uma brilhante série de políticos, governantes, militares, e à Igreja, uma mulher cuja fama supera toda sua parentela. O pai da santa, Camilo Geri, era casado com Maria Buondelmonte, que pertencia a uma família tão distinta quanto a do marido. Maria Madalena nasceu em Florença, em 1556. Seu nome de batismo era Catarina, em homenagem a Santa Catarina de Sena. Foi extraordinariamente piedosa desde criança, e fez a primeira comunhão aos dez anos, com grande fervor. Como seu pai havia sido nomeado governador de Cortona, Madalena ficou como pensionista no convento de São João, em Florença. Ali pôde se dedicar, à vontade, às práticas de devoção e começou a se familiarizar com a atmosfera da vida conventual.
Quinze meses depois, seu pai a chamou para Cortona, com a intenção de casá-la. Entre os pretendentes havia vários personagens ilustres; mas a inclinação para a vida religiosa que mostrava a jovem era tão forte que seus pais acabaram por permitir que ingressasse no convento. Catarina escolheu o das carmelitas, em Florença, porque as religiosas comungavam quase todos os dias. Na véspera da festa da Assunção de 1582, entrou no convento de Santa Maria dos Anjos. A única condição que seu pai impôs foi que não fizesse a profissão antes de experimentar a fundo as dificuldades da vida religiosa. Duas semanas depois, seu pai a obrigou a voltar para casa, esperando fazê-la mudar de ideia. Catarina permaneceu firme em sua resolução e, três meses depois, voltou ao convento com a bênção dos pais.
Em 30 de janeiro de 1583, recebeu o hábito e o nome de Maria Madalena. O sacerdote que o impôs colocou o crucifixo em suas mãos com estas palavras: “Que Deus me livre de me gloriar em outra coisa que não seja na cruz de Jesus Cristo.” O rosto de Madalena se transfigurou, e seu coração se inflamou no desejo de sofrer toda a vida com Cristo. Esse desejo não faria mais que crescer com os anos. Após um fervoroso noviciado, Madalena fez os votos antes das companheiras, pois uma doença a levou às portas da morte. Como a santa sofria terrivelmente, uma religiosa lhe perguntou como podia suportar suas dores sem uma palavra de impaciência. Madalena apontou para o crucifixo e respondeu: “Vede com que amor infinito Cristo sofreu para me salvar. Esse amor fortalece minha fraqueza e me dá coragem. Quem pensa na Paixão de Cristo e oferece suas dores a Deus, acha o sofrimento doce.” Quando a levavam de volta à enfermaria após fazer os votos, Madalena foi arrebatada em êxtase por mais de uma hora. Nos quarenta dias seguintes, teve intensas consolações espirituais e foi objeto de graças extraordinárias. Especialistas em vida espiritual notam que Deus costuma consolar as almas escolhidas após o primeiro momento em que se entregam totalmente a Ele, preparando-as para as provas que as esperam, submetendo-as à cruz das tribulações interiores para acabar com todo traço de egoísmo, dando-lhes um perfeito conhecimento de si mesmas e convertendo-as plenamente ao amor. Isso se comprova mais uma vez no caso de Madalena de Pazzi, cujos arrebatos de gozo espiritual foram seguidos por um período de amarga desolação. Deus assim colmou seu desejo de sofrer por Jesus Cristo.

Temendo ofender a Deus com o desejo de compartilhar a vida das professas, Madalena pediu às superiores que lhe permitissem continuar no noviciado por mais dois anos, depois dos votos. Ao fim desse período, foi nomeada subdiretora do pensionato e, três anos depois, instrutora das jovens religiosas. Por aquela época sofria intensas provas interiores. Constantemente era assaltada por tentações de gula e impureza, apesar de jejuar pão e água durante toda a semana, exceto aos domingos. Para vencer essas tentações, castigava seu corpo com cruéis disciplinas e implorava constantemente o auxílio do Salvador e da Virgem Santíssima. Vivía num estado de escuridão interior no qual só percebia suas próprias fraquezas e os defeitos das pessoas e objetos ao redor. Após cinco anos de desolação e secura espiritual, Deus lhe devolveu a paz e fez-a sentir intensamente sua presença. Em 1590, durante o canto do Te Deum nas matinas, Madalena foi arrebatada em êxtase; quando se recompôs, apertou a mão da superiora e da mestra das novícias, dizendo: “Alegrai-vos comigo, pois o inverno passou. Ajudai-me a agradecer a Deus.” Desde então, Deus manifestou sua graça na santa religiosa.
Madalena possuía o dom de ler pensamentos e prever o futuro. Por exemplo, previu a Alexandre de Médici que um dia seria Papa. Em outra ocasião, advertiu que seu pontificado seria muito breve; de fato, durou apenas vinte e seis dias. A santa apareceu, em vida, a muitas pessoas ausentes e curou numerosos enfermos. Com o tempo, os êxtases tornaram-se cada vez mais frequentes; em alguns casos, Madalena podia continuar seu trabalho, mas em outros entrava num estado de rigidez próximo à catalepsia. Pelas palavras que pronunciava, os presentes entendiam que participava de modo especial na Paixão de Cristo, ou que conversava com Deus e os espíritos celestiais. Tão edificantes eram esses Coloquios que suas irmãs os anotavam e os reuniram num livro após a morte da santa. Madalena parecia gozar de uma união com Deus sem interrupção; costumava exortar todas as criaturas a glorificar o Criador e desejava que todos os homens O amassem como ela. Frequentemente exclamava:
“O Amor não é amado. As criaturas não conhecem seu Criador. Ó Jesus! Se eu tivesse uma voz suficientemente poderosa para me fazer ouvir em todo o mundo, gritaria para dar a conhecer teu amor, para conseguir que todos os homens amassem e honrassem esse imenso bem.”
Em 1604, Santa Maria Madalena teve que ficar de cama: sofria de violentas dores de cabeça, havia perdido o uso dos membros e o menor contato constituía uma verdadeira tortura. A isso se somava uma aguda desolação espiritual. Mas, quanto maiores eram os sofrimentos, maior era o desejo da santa de participar da Paixão de Cristo. “Senhor — repetia — quero sofrer sem morrer! Deixa-me viver para que eu sofra mais!” Quando suas orações não eram atendidas, regozijava-se por que se fizesse a vontade de Deus e não a sua. Quando sentiu que sua última hora se aproximava, despediu-se de suas irmãs com estas palavras: “Reverenda mãe e queridas irmãs: em breve vou deixá-las. A última coisa que vos peço, em nome de Jesus Cristo, é que O ameis somente a Ele, que confieis plenamente Nele e que vos animeis mutuamente a cada instante a sofrer por Ele e amá-Lo.” A santa foi receber o prêmio celestial em 25 de maio de 1607, aos quarenta e um anos de idade. Seu corpo ainda se conserva incorrupto no santuário contíguo ao convento de Florença onde passou sua vida. Foi canonizada em 1669.
Nos Acta Sanctorum, maio, vol. VI, há uma tradução latina das duas primeiras biografias de Santa Maria Madalena de Pazzi. A primeira foi publicada em 1611 por Vicente Puccini, que fora seu confessor nos últimos anos. A parte narrativa é relativamente curta; mas há cerca de 700 páginas de extratos dos escritos e cartas de Santa Madalena. O Pe. Cepari, que também fora seu confessor, escreveu uma biografia; porém não a publicou para não ofender o Pe. Puccini. Essa biografia só foi publicada em 1669, com algumas adições tiradas do processo de canonização. Essas duas biografias, as cartas da santa e os relatos — cinco volumes de anotações feitas pelas religiosas durante os êxtases de Madalena — constituem as principais fontes. Maurice Vaussard editou, em 1945, uma nova seleção de pensamentos da santa, com o título Extases et Lettres; ao mesmo autor se deve a biografia da coleção Les Saints. Em 1849, apareceu na Oratorian Series uma tradução inglesa da obra do Pe. Cepari. A biografia francesa escrita pela viscondessa de Beausire-Seyssel (1913) é muito completa. Veja-se o estudo do Pe. E. E. Larkin sobre Os êxtases dos quarenta dias de Santa Maria M. de Pazzi, em Carmelus, vol. 1 (1954), pp. 29-71. [1]
SÃO CIRILO DE CESAREIA, MÁRTIR (†251? d.C.)

Conta-se que Cirilo se converteu ao cristianismo quando ainda era uma criança, às escondidas de seu pai. Mas este, ao ver que o filho se recusava a adorar os ídolos, expulsou-o de casa. Então o governador de Cesareia, na Capadócia, deu ordem para que levassem Cirilo à sua presença; porém, nem as promessas nem as ameaças do juiz conseguiram dobrar o menino. O governador fingiu que condenava Cirilo à morte e até lhe mostrou a fogueira acesa, com a esperança de amedrontá-lo. Depois o deixou ir, mas ordenou aos guardas que o trouxessem de volta no dia seguinte. Quando compareceu novamente diante do governador, Cirilo queixou-se de que a sentença não tivesse sido executada. Isso enfureceu tanto o juiz, que mandou decapitá-lo ali mesmo.
O relato do martírio de São Cirilo, que só se conserva em latim, parece mais um fragmento de panegírico do que um documento histórico. Pode ser encontrado no Acta Sanctorum, maio, vol. VI, e em Ruinart. Mas é certo que o nome de São Cirilo já aparece no Breviarium Siro do início do século V, onde se observa que seu martírio teve lugar em Cesareia da Capadócia, e na edição do Hieronymianum revista nas Gálias um ou dois séculos depois. O Breviarium menciona São Cirilo no dia 28 de maio, e o Hieronymianum, no dia 29 de maio. [2]
Referência:
Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 399–401. Edição espanhola.
Ibid. pp. 401.


























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