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Vida de Santa Catarina de Siena e São José Cottolengo (30 de abril)

  • 30 de abr.
  • 16 min de leitura




Santa Catarina de Sienam (c. 1665-70), por Carlo Dolci, atualmente na Dulwich Picture Gallery, em Londres.
Santa Catarina de Sienam (c. 1665-70), por Carlo Dolci, atualmente na Dulwich Picture Gallery, em Londres.

Santa Catarina nasceu em Siena no dia da festa da Anunciação de 1347. Junto com sua irmã gêmea, que morreu pouco depois de nascida, era a mais jovem dos vinte e cinco filhos de Giacomo Benincasa, um pintor abastado. Lapa, a mãe da santa, era filha de um poeta que caiu no esquecimento. Toda a família vivia na espaçosa casa, que a piedade dos habitantes de Siena conservou intacta até hoje. Quando criança, Catarina era muito alegre. Em certas ocasiões, ao subir pela escada, ajoelhava-se em cada degrau para rezar uma Ave-Maria.


Aos seis anos teve uma extraordinária experiência mística, que praticamente definiu sua vocação. Voltava com seu irmão Estêvão da casa de sua irmã Boaventura, que era casada, quando de repente parou, como se estivesse presa ao chão, e fixou os olhos no céu. Seu irmão, que havia se adiantado alguns passos, voltou e a chamou em voz alta, mas a menina não o ouvia. Catarina só voltou a si quando o irmão a tomou pela mão: “Oh! —exclamou—, se tivesses visto o que eu via, não me terias despertado.” E começou a chorar porque havia desaparecido a visão na qual o Salvador lhe apareceu em seu trono de glória, acompanhado por São Pedro, São Paulo e São João. Cristo havia sorrido e abençoado Catarina. A partir desse instante, a jovem se entregou inteiramente a Cristo. Em vão sua mãe, que não acreditava na visão, tentou despertar nela os interesses próprios das crianças de sua idade; o único que interessava a Catarina eram a oração e a solidão, e só se reunia com outras crianças para fazê-las participar de suas devoções.


Santa Catarina de Siena cortando seu cabelo, de Alessandro Franchi (1893-1896)
Santa Catarina de Siena cortando seu cabelo, de Alessandro Franchi (1893-1896)

Aos doze anos, seus pais tentaram fazer com que começasse a preocupar-se mais com sua aparência exterior. Para agradar à mãe e a Boaventura, Catarina arrumou os cabelos e vestiu-se à moda por algum tempo, mas logo se arrependeu dessa concessão. Deixou de lado toda consideração humana e declarou abertamente que não pretendia casar-se nunca. Como seus pais insistiram em procurar-lhe um pretendente, a santa cortou os cabelos, que com sua cor dourada eram o principal adorno de sua beleza. A família indignou-se e tentou vencer a resistência de Catarina por meio de verdadeira perseguição. Todos zombavam dela, do amanhecer ao anoitecer, confiavam-lhe os trabalhos mais desagradáveis e, sabendo que amava a solidão, não a deixavam sozinha nem um instante e lhe tiraram seu antigo quartinho. A santa suportou tudo com invencível paciência. Muitos anos depois, em seu tratado sobre a Divina Providência, mais conhecido como “O Diálogo”, disse que Deus lhe havia ensinado a construir na alma um santuário, ao qual nenhuma tempestade nem tribulação podia penetrar. Finalmente, o pai de Catarina compreendeu que toda oposição era inútil e permitiu-lhe levar a vida à qual se sentia chamada. A jovem voltou a dispor de seu antigo quartinho, não maior que uma cela, no qual se enclausurava com as janelas entreabertas para orar e jejuar, praticar disciplinas e dormir sobre tábuas. Com certa dificuldade, conseguiu a permissão que desejara por tanto tempo, de tornar-se terciária na Ordem de São Domingos. Após sua admissão, aumentou ainda mais as mortificações para corresponder ao espírito, então muito rigoroso, da regra.


Santa Catarina cercada por demônios (c. 1500), autor desconhecido
Santa Catarina cercada por demônios (c. 1500), autor desconhecido

Embora tivesse consolações e visões celestiais, não lhe faltaram provas muito duras. O demônio produzia em sua imaginação formas horrendas ou figuras muito atraentes e a tentava de modo vil. A santa atravessou longos períodos de desolação, nos quais Deus parecia tê-la abandonado. Um dia em que o Senhor lhe apareceu ao final de um desses períodos, Catarina exclamou: “Senhor, onde estavas quando eu me via sujeita a tão horríveis tentações?” Cristo respondeu: “Filha minha, eu estava em teu coração, para sustentar-te com minha graça.” Em seguida disse-lhe que, dali em diante, permaneceria com ela de modo mais sensível, pois o tempo da prova se aproximava do fim.


Na terça-feira de carnaval de 1366, enquanto a cidade se entregava à festa, o Senhor apareceu novamente a Catarina, que rezava em seu quarto. Nesta ocasião, acompanhavam Cristo sua Santíssima Mãe e um coro celestial. A Virgem tomou a jovem pela mão e a conduziu ao Senhor, que colocou em seu dedo um anel de esponsais e a encorajou ao anunciar que agora estava armada com uma fé capaz de vencer todos os ataques do inimigo. A santa via sempre o anel, que ninguém mais podia ver. Esses esponsais místicos marcaram o fim dos anos de solidão e preparação.


O Casamento Místico de Santa Catarina de Sena, por Clemente de Torres (1662–1730)
O Casamento Místico de Santa Catarina de Sena, por Clemente de Torres (1662–1730)

Pouco depois, Catarina recebeu do céu o aviso de que devia sair a trabalhar pela salvação do próximo e começou, pouco a pouco, a fazer amigos e conhecidos. Como as outras terciárias, passou a assistir os enfermos nos hospitais, mas escolhia de preferência os casos mais repugnantes. Entre as doentes que atendeu estavam uma leprosa chamada Teca e outra mulher que sofria de um câncer particularmente repulsivo. Ambas corresponderam ingratamente aos seus cuidados, insultando-a e espalhando calúnias sobre ela quando estava ausente. Mas a bondade da santa acabou por conquistá-las.


Nosso Senhor havia dito a Catarina: “Desejo unir-me mais a ti pela caridade para com o próximo. De fato, a vida apostólica da santa não interferia em sua união com Deus. O Beato Raimundo de Cápua diz que a única diferença era que “Deus não lhe aparecia apenas quando estava sozinha, como antes, mas também quando estava acompanhada”. Catarina era arrebatada em êxtase tanto ao conversar com seus parentes quanto após receber a comunhão na igreja. Muitas pessoas a viram elevar-se do chão enquanto rezava. Pouco a pouco, a santa reuniu um grupo de amigos e discípulos que formavam como uma grande família e a chamavam de “mamãe”. Os mais notáveis entre eles eram seus confessores da Ordem de São Domingos, Tomás della Fonte e Bartolomeu Domenici; o agostiniano Tantucci, o reitor do hospital da Misericórdia, Mateus Cenni; Mateus Vanni, o artista a quem a posteridade deve os mais belos retratos da santa; o jovem aristocrata e poeta Neri de Landoccio dei Pagliaresi; Lisa Colombini, cunhada de Catarina; a nobre viúva Alessia Saracini; o inglês Guilherme Flete, eremita de Santo Agostinho; e o padre Santi, um anacoreta a quem o povo chamava “O Santo”, que frequentemente visitava Catarina porque, segundo dizia, ao conversar com ela alcançava maior paz de alma e coragem para perseverar na virtude do que em toda a sua vida de anacoreta. Catarina amava ternamente sua família espiritual e considerava cada um de seus membros como um filho que Deus lhe havia dado para conduzir à perfeição. A santa não só lia o pensamento de seus filhos, como também, com frequência, conhecia as tentações daqueles que estavam ausentes. O motivo de suas primeiras cartas foi manter-se em contato com eles.


Santa Catarina de Sena como mãe espiritual, por Cosimo Rosselli (1439–1507)
Santa Catarina de Sena como mãe espiritual, por Cosimo Rosselli (1439–1507)

Como era de esperar, a opinião da cidade estava muito dividida a respeito de Catarina. Enquanto alguns a aclamavam como santa, outros — entre os quais se contavam alguns membros de sua própria ordem — a tratavam de fanática e hipócrita. Provavelmente em consequência de alguma acusação levantada contra ela, Catarina compareceu, em Florença, diante do capítulo geral dos dominicanos. Se a acusação existiu de fato, a santa provou claramente sua inocência. Pouco depois, o Beato Raimundo de Cápua foi nomeado confessor de Catarina. A escolha foi uma graça para ambos. O sábio dominicano foi, ao mesmo tempo, diretor e discípulo da santa, e esta conseguiu, por meio dele, o apoio de sua ordem. O Beato Raimundo foi, mais tarde, superior geral dos dominicanos e biógrafo de sua dirigida.


A Comunhão de Santa Catarina de Siena (de Beloved female saints)
A Comunhão de Santa Catarina de Siena (de Beloved female saints)

O retorno de Catarina a Siena coincidiu com uma terrível epidemia de peste, na qual se dedicou, com toda “sua família”, a assistir os doentes. “Nunca foi mais admirável do que então”, escreveu Tomás Caffarini, que a conhecia desde a infância. “Passava todo o tempo com os enfermos; preparava-os para bem morrer e os enterrava pessoalmente.” O Beato Raimundo, Mateus Cenni, o padre Santi e o padre Bartolomeu, que haviam contraído a doença ao cuidar das vítimas, deveram sua cura à santa.


Mas ela não limitava sua caridade ao cuidado dos enfermos: visitava também, regularmente, os condenados à morte, para ajudá-los a encontrar Deus. O melhor exemplo nesse sentido foi o de um jovem cavaleiro de Perugia, Nicolau de Toldo, que havia sido condenado à morte por falar com leviandade sobre o governo de Siena. A santa descreve os detalhes de sua conversão de forma muito viva na mais famosa de suas cartas. Movido pelas palavras de Catarina, Nicolau confessou-se, assistiu à Missa e recebeu a Comunhão. Na noite anterior à execução, o jovem reclinou-se sobre o peito de Catarina e ouviu suas palavras de consolo e encorajamento. Catarina estava junto ao cadafalso na manhã seguinte. Ao vê-la rezar por ele, Nicolau sorriu cheio de alegria e morreu decapitado, pronunciando os nomes de Jesus e de Catarina. “Então vi o Deus feito Homem, resplandecente como o sol, que recebia aquela alma no fogo de seu amor divino”, afirma ela.


Santa Catarina de Siena (de Beloved female saints)
Santa Catarina de Siena (de Beloved female saints)

Esses acontecimentos e a fama de santidade e milagres de Catarina já lhe haviam conquistado um lugar único no coração de seus concidadãos. Muitos a chamavam de “a Beata Popolana” e recorriam a ela em todas as suas dificuldades. A santa recebia tantas consultas sobre casos de consciência que havia três dominicanos encarregados especialmente de confessar as almas que Catarina convertia. Além disso, como possuía uma graça especial para resolver discórdias, as pessoas a chamavam constantemente para ser árbitra em suas diferenças. Sem dúvida, Catarina quis orientar melhor as energias que os cristãos desperdiçavam em lutas fratricidas quando respondeu com energia ao chamado do Papa Gregório XI para empreender a Cruzada destinada a resgatar o Santo Sepulcro das mãos dos turcos. Seus esforços nesse sentido a colocaram em contato com o Papa.


Em fevereiro de 1375, Catarina foi a Pisa, onde foi recebida com grande entusiasmo, e sua presença produziu uma verdadeira reforma religiosa. Poucos dias após sua chegada, teve outra das grandes experiências místicas que prepararam novas etapas de sua missão. Depois de comungar na pequena igreja de Santa Cristina, pôs-se em oração com os olhos fixos no crucifixo; de repente, dele partiram cinco raios de cor vermelha, que atravessaram suas mãos, seus pés e seu coração, causando-lhe uma dor intensíssima. As feridas ficaram marcadas em sua carne como estigmas da paixão, invisíveis para todos, exceto para a própria Catarina, até o dia de sua morte.


Santa Catarina de Siena Recebendo os Estigmas, por Domenico Beccafumi (–1551
Santa Catarina de Siena Recebendo os Estigmas, por Domenico Beccafumi (–1551)

Ela ainda se encontrava em Pisa quando soube que Florença e Perugia haviam formado uma liga contra a Santa Sé e os delegados pontifícios franceses. Bolonha, Viterbo, Ancona e outras cidades logo se uniram aos rebeldes, em parte por causa dos abusos dos funcionários da Santa Sé. Catarina conseguiu que Lucca, Pisa e Siena se abstivessem por algum tempo de participar no conflito. A santa foi pessoalmente a Lucca e escreveu numerosas cartas às autoridades das três cidades. O Papa apelou em vão, desde Avinhão, aos florentinos; depois enviou seu legado, o cardeal Roberto de Genebra, à frente de um exército, e lançou o interdito contra Florença. Essa medida produziu efeitos tão desastrosos na cidade que as autoridades pediram a Catarina, que então se encontrava em Siena, que atuasse como mediadora entre Florença e a Santa Sé. Sempre disposta a trabalhar pela paz, Catarina partiu imediatamente para Florença. Os magistrados prometeram que os embaixadores da cidade a seguiriam em breve a Avinhão; mas, na realidade, eles só partiram depois de longos atrasos. Catarina chegou a Avinhão em 18 de junho de 1376 e logo teve uma audiência com Gregório XI, a quem já havia escrito várias cartas “em um tom ditatorial intolerável, apenas suavizado por expressões de deferência cristã”. Mas os florentinos mostraram-se falsos; seus embaixadores não apoiaram Catarina, e as condições impostas pelo Papa eram tão severas que se tornaram inaceitáveis.


Santa Catarina trocando seu coração com coração de Cristo (c. 1460), por Giovanni di Paolo
Santa Catarina trocando seu coração com coração de Cristo (c. 1460), por Giovanni di Paolo

Embora o principal objetivo da viagem de Catarina a Avinhão tenha fracassado, a santa obteve êxito em outros aspectos. Muitas das dificuldades religiosas, sociais e políticas da Europa deviam-se ao fato de que os Papas haviam permanecido afastados de Roma durante setenta e quatro anos e de que a Cúria de Avinhão era composta quase exclusivamente por franceses. Todos os cristãos não franceses lamentavam essa situação, e os maiores homens da época haviam protestado em vão contra ela. O próprio Gregório XI já havia tentado retornar a Roma, mas a oposição dos cardeais franceses o impedira. Como Catarina já havia tratado desse assunto em várias de suas cartas, não é de admirar que o Papa tenha discutido o tema com ela pessoalmente. “Cumpri vossa promessa”, respondeu-lhe a santa, referindo-se a um voto secreto do Papa, do qual ele não havia falado a ninguém. Gregório decidiu cumprir seu voto sem demora. Em 13 de setembro de 1376, partiu de Avinhão para viajar por mar até Roma, enquanto Catarina e seus companheiros seguiam por terra rumo a Siena. Os dois grupos voltaram a encontrar-se quase por acaso em Gênova, onde Catarina teve de permanecer por causa da doença de dois de seus secretários, Neri di Landoccio e Estêvão Maconi. Este último era um nobre de Siena, convertido pela santa, e a quem ela amava profundamente, talvez mais do que a qualquer outro de seus filhos espirituais, exceto Alessia. Um mês depois, Catarina chegou a Siena, de onde escreveu ao Papa exortando-o a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance pela paz na Itália. Por desejo especial de Gregório XI, Catarina voltou novamente a Florença, que continuava dividida por facções e obstinada em sua desobediência. Ali permaneceu por algum tempo, arriscando a própria vida em meio a assassinatos e tumultos diários; mas mostrou-se sempre corajosa e manteve a serenidade mesmo quando a espada se levantou contra ela. Finalmente, conseguiu estabelecer a paz com a Santa Sé, já sob o sucessor de Gregório XI, Urbano VI.


Gravura de Santa Catarina de Sena
Gravura de Santa Catarina de Sena

Depois dessa memorável reconciliação, Catarina voltou a Siena, onde, segundo escreve Raimundo de Cápua, “trabalhou ativamente em compor um livro, que ditou sob a inspiração do Espírito Santo”. Tratava-se de sua famosíssima obra mística, dividida em quatro tratados, conhecida com o nome de “Diálogo de Santa Catarina”. Mas já antes, a ciência infusa que possuía se manifestou em várias ocasiões, tanto em Siena como em Avinhão e em Gênova, para responder às difíceis questões dos teólogos, com tal sabedoria que os deixava desconcertados. A saúde de Catarina piorava a cada momento e ela tinha de suportar grandes sofrimentos, mas em seu rosto pálido refletia-se um sorriso constante e, com seu encanto pessoal, conquistava amigos por toda parte.


Dois anos depois do fim do “cativeiro” dos Papas em Avinhão, estourou o escândalo do grande cisma. À morte de Gregório XI, em 1378, Urbano VI foi eleito em Roma, enquanto um grupo de cardeais entronizava, em Avinhão, um "Papa" rival. Urbano declarou ilegal a eleição do Pontífice de Avinhão, e a cristandade se dividiu em dois campos. Catarina empregou todas as suas forças para conseguir que a cristandade reconhecesse o Papa legítimo, Urbano. Escreveu carta após carta aos príncipes e autoridades dos diferentes países da Europa. Também enviou epístolas a Urbano, ora para encorajá-lo na provação, ora para exortá-lo a evitar uma atitude demasiado dura que lhe fazia perder apoiadores. Longe de se ofender com isso, o Papa a chamou a Roma para se beneficiar de seu conselho e ajuda. Por obediência ao Vigário de Cristo, Catarina estabeleceu-se na Cidade Eterna, onde lutou incansavelmente, com orações, exortações e cartas, para conquistar novos partidários ao Papa legítimo. Mas a vida da santa se aproximava do fim. Em 1380, em uma estranha visão, viu-se esmagada contra as rochas pela nave da Igreja; ao recuperar os sentidos, ofereceu-se como vítima por Ela. Nunca mais se recuperou. No dia 21 de abril do mesmo ano, um ataque de apoplexia a deixou paralítica da cintura para cima. Oito dias depois, morreu nos braços de Alessia Saracini, aos trinta e três anos de idade.[a]


A Morte de Santa Catarina de Siena, por Giovanni di Paolo (1398–1482)
A Morte de Santa Catarina de Siena, por Giovanni di Paolo (1398–1482)

Além do “Diálogo” acima mencionado, conservam-se cerca de quatrocentas cartas da santa. Muitas delas são muito interessantes do ponto de vista histórico, e todas são notáveis pela beleza do estilo. Os destinatários eram Papas, príncipes, sacerdotes, soldados, homens e mulheres piedosos e constituem, pela sua variedade, “a melhor prova da personalidade múltipla da santa”. As cartas a Gregório XI, em particular, mostram uma extraordinária combinação de profundo respeito, franqueza e familiaridade. Catarina foi chamada “a mulher mais grandiosa da cristandade”. Certamente sua influência espiritual foi imensa, mas, talvez, sua influência política e social tenha sido menor do que às vezes se afirma. Como escreveu o P. de Gaiffier, “a grandeza de Catarina consiste em sua devoção à causa da Igreja de Cristo”. Catarina foi canonizada em 1461.



A relíquia do crânio de Santa Catarina, exposta na Basílica de San Domenico, Siena
A relíquia do crânio de Santa Catarina, exposta na Basílica de San Domenico, Siena

Quase todos os biógrafos ingleses de alguma importância — como a madre Frances Raphael Drane (1887), o historiador E. G. Gardner (1907) e Alice Curtayne — discutem detalhadamente a questão das fontes. Os principais materiais da vida de Catarina provêm da Legenda Maior, escrita por seu confessor, o Beato Raimundo de Cápua; do Supplementum de Tomás Caffarini, que é também o autor da Legenda Minor; do Processus Contestationum super sanctitatem et doctrinam Catharinae de Senis e dos Miracoli. Naturalmente, outra das fontes são as cartas da santa, sobre cujas datas e texto original exato há muitas discussões. Há ainda muitos outros documentos de menor importância. A crítica rigorosa que o historiador Robert Fawtier fez das fontes despertou certa inquietação. A maior parte de suas críticas apareceu na forma de artigos ou contribuições a revistas de sociedades históricas, e o próprio autor se encarregou de reeditar alguns dos textos menos conhecidos, como a Legenda Minor. Mas Fawtier reuniu suas principais críticas em dois volumes, intitulados Sainte Catherine de Sienne: Essai de Critique des Sources. O primeiro desses volumes é dedicado às Sources hagiographiques (1921) e o segundo, a Les oeuvres de Ste Catherine (1930). No apêndice da obra de Alice Curtayne, Saint Catherine of Siena (1929), pode-se ver uma crítica aos comentários de Fawtier; nesse excelente livro encontra-se também uma reimpressão do original italiano de um estudo de Taurisano. Cf. igualmente Analecta Bollandiana, vol. XLIX (1930), pp. 448-451. Outras obras úteis são as de J. Jóergenses, Sainte Catherine de Sienne (trad. ingl. 1938); E. de Santis Rosmini, Santa Caterina da Siena (1930); e F. Valli, L'infanzia e la puerizia di S. Caterina (1931). Entre os livros mais recentes, deve-se mencionar N. M. Denis-Boulet, La carriere politique de Ste Catherine de Sienne (1939); M. de la Bedoyere, Catherine, Saint of Siena (1946); e uma biografia italiana muito completa escrita pelo P. Taurisano (1948). La double expérience de Catherine Benincasa (1948), de R. Fautier e L. Canet, é uma obra muito completa sob outro ponto de vista. A obra de J. Leclecq, Ste Catherine de Sienne (1922), conserva ainda seu valor. Algar Thorold editou, em inglês, o Diálogo. Existe um artigo muito bom e conciso sobre certos problemas relacionados com a vida de Santa Catarina, escrito pelo P. M. H. Laurent, em DHC., vol. XX, cc. 1517-1521. Sobre as fontes do Diálogo, ver A. Grion, Santa Caterina da Siena: Dottrina e fonti (1953). Acerca de outras obras recentes, cf. Analecta Bollandiana, vol. LXIX (1951), pp. 182-191.1




São José Benedito Cottolengo
São José Benedito Cottolengo

Um dia de setembro de 1827, um sacerdote foi levar os últimos sacramentos a uma jovem dama francesa que, enquanto viajava de Milão a Lyon com seu esposo e seus três filhinhos, havia adoecido em Turim. Ali, numa miserável casinha de um bairro imundo, a jovem dama morreu por falta de atendimento médico, com o consolo espiritual que lhe havia levado o sacerdote. Este era o cônego José Bento Cottolengo, natural de Bra, no Piemonte. O bom cônego, homem de grande caridade, ficou aterrorizado ao saber que não havia em Turim nenhuma instituição que cuidasse de casos semelhantes ao da senhora francesa. Embora não tivesse dinheiro, o padre José alugou imediatamente cinco quartos em uma casa chamada “Volta Rossa”; uma dama lhe forneceu algumas camas; um médico e um farmacêutico ofereceram seus serviços e, em pouco tempo, o hospital foi inaugurado com cinco pacientes. Logo foi necessário aumentar o número de quartos. O padre José organizou os voluntários, de modo que pudessem prestar seus serviços de forma permanente. Aos homens chamou irmãos de São Vicente; as mulheres, que logo adotaram uma regra, um hábito e uma superiora, receberam o nome de Filhas de São Vicente de Paulo, ou Irmãs Vicentinas.


Em 1831, desencadeou-se uma epidemia de cólera em Turim. As autoridades, temendo que a “Volta Rossa” se tornasse um foco de infecção, fecharam o hospital. O Pe. José comentou, sem se perturbar: “Na minha terra dizem que os nabos se multiplicam por transplantação. Mudaremos, então, de lugar”. As vicentinas assistiram aos doentes em suas casas durante a epidemia. Depois, o hospital foi transferido para Valdocco, que então ficava fora de Turim. O cônego chamou a nova residência de “a Piccola Casa” ou Casinha da Divina Providência. Sobre a entrada colocou um letreiro que dizia: “Caritas Christi urget nos”. Pouco a pouco foram sendo construídos outros edifícios para atender à crescente demanda. Os nomes eram característicos: “Casa da Fé”, “Casa da Esperança”, “Casa da Madonna”, “Belém”.


São José Cottolengo com os pobres
São José Cottolengo com os pobres

Naquilo que São José Cottolengo chamava sua “Arca de Noé”, abrigava epilépticos, surdos-mudos, doentes de toda espécie, órfãos, deformados e inválidos de todos os tipos. Construiu duas casas para deficientes mentais, a quem chamava carinhosamente “meus bons meninos”, e fundou uma casa de refúgio, na qual se desenvolveu uma congregação religiosa sob o patrocínio de Santa Thaís. Um escritor francês chamou o conjunto de edifícios de “Universidade da Caridade Cristã”, mas o fundador continuava a chamá-la de “a Piccola Casa”. Convencido de que era apenas um instrumento nas mãos de Deus, o Pe. Cottolengo jamais atribuiu o sucesso ao seu talento organizador. Certa vez expressou seus sentimentos de maneira muito clara ao dirigir-se às vicentinas:


“Somos como marionetes de um teatro. Os bonecos se movem, pulam, dançam e dão sinais de estar vivos, enquanto o manipulador os move. Às vezes representam um rei, outras um palhaço... Mas, assim que termina o ato, ficam largados num canto, cobertos de pó. O mesmo acontece conosco: a Divina Providência nos move e nos conduz em nossas diferentes funções. Nosso dever é adaptar-nos aos seus planos e desempenhar o papel que nos destinou; responder pronta e exatamente ao movimento que a mão de Deus nos imprime.”


São José Cottolengo, por Agostino Cottolengo (1794–1853)
São José Cottolengo, por Agostino Cottolengo (1794–1853)

Dom Cottolengo dirigia toda a organização sem manter nenhum tipo de contabilidade; gastava o dinheiro assim que o recebia e jamais fez investimentos produtivos. Chegou até a recusar o patrocínio real para sua obra, pois ela estava sob o patrocínio do Rei dos reis. Em vão seus amigos lhe aconselharam repetidas vezes a agir com prudência para garantir o futuro da obra. Os credores o pressionavam continuamente, o caixa estava vazio e as provisões escasseavam, mas o servo de Deus confiava na Divina Providência, que jamais o abandonou. E, para assegurar o futuro da “Piccola Casa”, contava com as orações, não com o dinheiro. Para cumprir o que considerava ser a vontade de Deus, fundou, junto com a organização, várias comunidades religiosas, cuja finalidade principal era rezar por todas as necessidades. Entre essas comunidades estavam as Filhas da Compaixão, que se dedicam a rezar pelos moribundos; as “Sufragistas” das santas almas, que rezam pelas almas do Purgatório; as Filhas do Bom Pastor, que trabalham e rezam pelas jovens em perigo; e uma comunidade muito rigorosa de carmelitas, que oferecem orações e sacrifícios por toda a Igreja. Para os homens, fundou as congregações dos eremitas do Santo Rosário e a de sacerdotes da Santíssima Trindade.


Aos cinquenta e seis anos, extenuado por uma febre tifoide e por uma vida de trabalho e penitência, Dom Cottolengo entrou em agonia. Sem demonstrar a menor preocupação com o futuro de sua obra, nomeou seu sucessor, despediu-se de seus filhos espirituais e transferiu-se para Chieri, onde morreu nove dias depois, na casa de seu irmão, o cônego Luís Cottolengo. Quase todas as obras que fundou continuam florescendo até hoje, e a “Piccola Casa” ainda abriga milhares de pessoas pobres. São José Cottolengo foi canonizado em 1934.


A biografia mais completa é a que foi escrita, em italiano, pelo Pe. Gastaldi em três volumes (1910; tradução francesa, 1934). J. Guillermin escreveu em francês uma biografia mais breve por ocasião da beatificação, em 1917. Em inglês existe uma tradução abreviada da obra de Gastaldi e um esboço biográfico de Lady Herbert. Ver também S. Ballario, L’apóstolo da caridade (1934).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 182-187.

2. Ibid. pp. 189-191.



a. Robert Fawtier pôs em dúvida a data do nascimento de Santa Catarina e, consequentemente, a idade que tinha ao morrer. Sobre este ponto, ver Analecta Bollandiana, vol. XI (1922), pp. 365-411.



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“O ROSÁRIO
é a ARMA
para esses tempos.”

- Padre Pio

 

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Enquanto a modéstia não
for colocada
em prática a sociedade vai continuar
a degradar,

a sociedade

fala o que é

pelasroupas

que veste.

- Papa Pio XII

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A castidade
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e a meditação sobre Ele é o alimento da alma.

- Santo Afonso MARIA
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