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Vida do Papa São Sisto II e Papa Santo Hormisdas (6 de agosto)

  • 6 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.





Papa São Sisto II. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Sisto II. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

São Sisto sucedeu a Santo Estêvão I no pontificado, no ano 257. Como a disputa sobre a validade do batismo conferido por hereges ainda estava em aberto, São Dionísio de Alexandria consultou São Sisto II em três cartas, aconselhando-o a ser paciente com os bispos africanos e asiáticos envolvidos na controvérsia. De fato, São Sisto II mostrou-se conciliador nesse ponto, limitando-se a esclarecer a verdadeira doutrina; seus sucessores seguiram a mesma linha até que o Concílio, citado por Santo Agostinho, condenou definitivamente o erro de que o batismo conferido por hereges seria inválido. Pôncio, biógrafo de São Cipriano, descreve São Sisto II como "sacerdote bom e pacífico".


O imperador Valeriano publicou seu primeiro decreto contra os cristãos em 257. A perseguição gerou muitos mártires e se intensificou no ano seguinte. Dois meses após o édito de Valeriano, São Cipriano escreveu aos bispos da África:


Valeriano enviou ao Senado uma ordem que manda condenar à morte bispos, sacerdotes e diáconos... Sabei que Sisto sofreu o martírio em um cemitério, no dia 6 de agosto, acompanhado de quatro diáconos. Em Roma, a perseguição é muito severa. Os que comparecem diante dos representantes do imperador não escapam do martírio nem da confiscação de todos os seus bens. Rogo-vos que comuniqueis estas notícias aos nossos colegas, para que os irmãos se preparem para a grande prova, que pensemos mais na imortalidade do que na morte, e que reine em nossos corações a alegria e não o temor, pois sabemos bem que os que confessam a Cristo não morrem, mas vão receber a coroa.


São Lourenço recebendo os tesouros da Igreja das mãos do Papa São Sisto II, por Fra Angelico (c. 1395–1455)
São Lourenço recebendo os tesouros da Igreja das mãos do Papa São Sisto II, por Fra Angelico (c. 1395–1455)

O martírio de São Sisto ocorreu em um cemitério, pois, durante as perseguições, os cristãos reuniam-se nas catacumbas para celebrar os divinos mistérios, apesar da proibição imperial. Assim, não é estranho que os soldados tenham surpreendido o Sumo Pontífice justamente enquanto ele pregava à assembleia, sentado em sua cátedra. Não se sabe se foi decapitado imediatamente ou se foi julgado primeiro. Foi sepultado no cemitério de São Calisto, na Via Ápia, em frente ao cemitério de Pretextato, onde foi capturado. Um século depois, o Papa São Dâmaso compôs uma inscrição para seu túmulo. São Sisto foi um dos Papas mais venerados após São Pedro, e seu nome figura no cânon da Missa.


Quatro diáconos foram presos junto com São Sisto e morreram com ele: São Genaro, São Vicente, São Magno e São Estêvão. Provavelmente, São Felicíssimo e São Agapito também sofreram o martírio no mesmo dia, sendo sepultados no cemitério de Pretextato. Como previu São Sisto, o outro diácono da Cidade Eterna, São Lourenço, foi martirizado quatro dias depois.


Os documentos que afirmam que São Sisto foi martirizado no dia 6 de agosto e sepultado na catacumba de São Calisto são muito antigos e confiáveis. O CMH. (pp. 420-421) resume esses documentos. Uma leitura equivocada da inscrição de São Dâmaso levou Prudêncio a pensar que São Sisto havia sido crucificado; na realidade, ele morreu pela espada. O Liber Pontificalis erra ao afirmar que São Felicíssimo, Santo Agapito e os "quatro diáconos" foram sepultados no cemitério de Pretextato; cf. as notas de Duchesne (vol. I, pp. 155-156) e Pio Franchi de Cavalieri em Studi e Testi, vol. VI, pp. 147-148. Acrescentemos que todas as versões da Passio S. Sixti carecem de valor histórico. Cf. Analecta Bollandiana, vol. 11 (1933), pp. 43-49.1




Papa Santo Hormisdas. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa Santo Hormisdas. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

Hormisdas, natural da Campânia, era diácono da Igreja de Roma e viúvo. Seu filho, São Silverio, também viria a cingir a tiara pontifícia. Sua conduta exemplar conquistou a estima de Santo Enódio, bispo de Pavia, que profetizou que um dia seria Papa. A profecia cumpriu-se dois anos após a morte de São Símaco, no ano de 514.


Praticamente todo o seu pontificado foi dedicado a resolver a delicada e complexa situação criada no Oriente pelo cisma provocado por Acácio de Constantinopla, que buscava favorecer os monofisitas. A Santo Hormisdas pertence a honra de ter posto fim ao cisma por meio da profissão de fé que leva seu nome, a Fórmula de Hormisdas. Esse documento, citado ainda pelo Concílio Vaticano I, constitui uma das provas mais contundentes da autoridade atribuída ao Papa nos seis primeiros séculos da Igreja.


Pouco se sabe sobre sua vida privada, mas é certo que foi um homem prudente, inteligente, habilidoso e profundamente amante da paz. Em certa ocasião, repreendeu severamente alguns monges africanos que promoviam desordens. Nos últimos anos de sua vida, teve ainda a consolação de ver cessar, na África, a perseguição dos vândalos.


Fora do breve artigo do Liber Pontificalis, não existe uma biografia antiga de Santo Hormisdas. Nos Acta Sanctorum, agosto, vol. II, há um estudo aprofundado sobre sua atuação pública. Veja-se também as notas de Duchesne ao Liber Pontificalis, vol. I, pp. 244–245; e H. M. Grisar, Geschichte Roms und der Päpste, vol. I, pp. 478–481, e passim.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 273-274.

2. Ibid. p. 275.



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