Vida do Papa São Celestino I e Os 120 Mártires da Pérsia (6 de abril)
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Ignoramos os nomes desses mártires, mas, segundo a tradição, no reinado do rei Sapor II da Pérsia, mais de cem cristãos foram martirizados no mesmo dia, em Seleucia de Ctesifonte. Entre eles havia nove virgens consagradas a Deus; os demais eram sacerdotes, diáconos e monges. Como todos se recusassem a adorar o sol, foram encarcerados durante seis meses em prisões imundas. Uma mulher rica e piedosa, chamada Yaznadocta, ajudou-os, enviando-lhes alimentos. Ao que parece, Yaznadocta conseguiu descobrir a data em que os mártires seriam julgados. Na véspera, organizou um banquete em sua honra, foi visitá-los na prisão e presenteou cada um com uma veste de festa. Na manhã seguinte, voltou muito cedo e anunciou-lhes que iriam comparecer diante do juiz e que ainda tinham tempo de implorar a graça de Deus para ter coragem de derramar o sangue por tão gloriosa causa. Yaznadocta acrescentou: “Quanto a mim, peço-vos que rogueis a Deus que eu tenha a felicidade de tornar a encontrar-vos diante de seu trono celeste”.
O juiz prometeu novamente a liberdade aos mártires, contanto que adorassem o sol, mas eles responderam que as vestes de festa que usavam eram a melhor prova de que estavam dispostos a dar a vida por seu Mestre. O juiz os condenou a serem decapitados. Nessa mesma noite, Yaznadocta conseguiu recuperar os cadáveres e os queimou para evitar que fossem profanados.
Embora não haja nesta narração os elementos milagrosos que geralmente despertam suspeitas nos críticos, contém, contudo, alguns detalhes improváveis; como demonstrou o Pe. Peters (Analecta Bollandiana, vol. XLIII, 1925, pp. 261-304), o ciclo das atas dos mártires de Adiabene, ao qual este relato pertence, nem sempre é fidedigno. E. Assemani publicou pela primeira vez o texto siríaco em Acta Martyrum Orientalium, vol. I, p. 100; também foi publicado por Bedjan sem tradução. O Pe. Delehaye publicou as antigas versões gregas em Patrologia Orientalis, vol. 11 (1905). Ver a tradução francesa em H. Leclercq, Les Martyrs, vol. III.1

Sabemos muito pouco sobre sua vida privada. Nasceu na Campânia e havia se destacado como diácono em Roma, antes de sua eleição à cátedra de São Pedro em setembro do ano 422. Durante os dez anos de seu pontificado, demonstrou grande energia e encontrou forte oposição. Os bispos da África, que já se haviam queixado de que muitos de seus sacerdotes eram chamados a Roma, criticaram o Papa por ter convocado Apiário de forma precipitada e sem considerar os bispos. No entanto, Santo Agostinho nutria grande veneração e carinho por São Celestino, como consta em suas cartas.
São Celestino opôs-se energicamente aos surtos de heresia de sua época, particularmente ao pelagianismo e ao nestorianismo. O sínodo que reuniu em Roma no ano 430 foi uma espécie de prelúdio do Concílio ecumênico de Éfeso, ao qual São Celestino enviou três legados de grande importância. Igualmente apoiou São Germano de Auxerre em sua luta contra o pelagianismo e escreveu um tratado dogmático de grande relevância contra o semipelagianismo, que era uma forma mitigada da mesma heresia. De São Celestino provém a obrigação dos clérigos de ordens maiores de recitar o ofício divino.
O Papa São Celestino I enviou primeiro Paládio à Irlanda para sustentar a fé dos que já criam em Cristo; posteriormente, alguns historiadores afirmam que ele também enviou São Patrício para evangelizar o país.

No Vaticano II, o Martirológio Romano transferiu a comemoração de São Celestino de 6 de abril para 27 de julho, dia de sua morte. Contudo, na Irlanda ainda se celebra sua festa em 6 de abril.
Ver Acta Sanctorum, abril, vol. I; Duchesne, Liber Pontificalis, vol. I, pp. 230-231; Hefele-Leclercq, Conciles, vol. II, pp. 196 ss.; Cabrol, em DAC., vol. II, cc. 2794-2802; Portalié, em DTC., vol. II, cc. 2052-2061; e Revue Bénédictine, vol. XLI, pp. 156-170. Provavelmente os chamados Capitula Caelestini contra a doutrina semipelagiana não são obra de São Celestino, mas de São Próspero da Aquitânia.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 41-42.
2. Ibid. pp. 42-43.






















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