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Vida de São Hugo de Grenoble e São Gilberto de Caithness (1 de abril)

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São Hugo de Grenoble, pintor anônimo, na Galeria Nacional de Londres
São Hugo de Grenoble, pintor anônimo, na Galeria Nacional de Londres

São Hugo nasceu em Châteauneuf, perto de Valence do Delfinado, em 1052. Seu pai, Odilon, que havia se casado duas vezes, entrou na Cartuxa e morreu aos cem anos de idade; seu próprio filho, em cujos braços expirou, administrou-lhe o santo viático. Hugo começou sua educação em Valence e a concluiu brilhantemente no estrangeiro. Embora ainda fosse leigo, obteve uma canonaria na catedral de Valence, pois naquela época certos benefícios eclesiásticos eram concedidos a estudantes que ainda não haviam recebido as ordens sagradas. Hugo, bispo de Die, ficou impressionado com as qualidades de nosso santo e decidiu tomá-lo a seu serviço. Nada há de estranho nisso, pois São Hugo era muito jovem, simpático e extremamente tímido; por outro lado, sua cortesia e modéstia, que o levavam a ocultar seu talento e saber, haviam conquistado os corações. O bispo de Die logo teve ocasião de comprovar as excelentes qualidades de seu protegido, em difíceis negociações da campanha contra a simonia. Em 1080, levou-o consigo ao sínodo de Avinhão, que se reuniu, entre outras coisas, para tomar medidas contra os abusos introduzidos na sede vacante de Grenoble. Tanto o concílio quanto os delegados de Grenoble viram no cônego Hugo o homem capaz de pôr fim às desordens de Grenoble, mas tiveram grande dificuldade em fazê-lo aceitar essa eleição unânime. O delegado pontifício conferiu-lhe as ordens sagradas e levou-o consigo a Roma para que recebesse a consagração episcopal das mãos do Sumo Pontífice. A bondosa acolhida que lhe dispensou São Gregório VII levou São Hugo a consultá-lo acerca das tentações de blasfêmia que o assaltavam com frequência, pois naturalmente o faziam sofrer muito e, segundo pensava, o tornavam inapto para a dignidade episcopal. O Papa o tranquilizou, explicando-lhe que Deus permitia essas provações para purificá-lo e torná-lo instrumento mais apto para a realização de seus desígnios. São Hugo foi atormentado pelas mesmas tentações até sua última enfermidade, mas jamais cedeu às instigações do demônio.


São Hugo de Grenoble, por Francisco de Zurbarán
São Hugo de Grenoble, por Francisco de Zurbarán

A condessa Matilde presenteou o novo bispo, que tinha apenas vinte e oito anos, com o báculo pastoral e alguns livros, entre os quais o De officiis ministrorum de Santo Ambrósio e um saltério que continha comentários de Santo Agostinho. São Hugo partiu para sua diocese imediatamente após a consagração e ficou horrorizado ao ver o estado de seu rebanho. Cometiam-se abertamente os mais graves pecados; a simonia e a usura abundavam; o clero ignorava a obrigação do celibato; o povo carecia de instrução; os leigos haviam se apoderado dos bens da Igreja e a sede estava em ruína. A tarefa que o santo tinha diante de si era imensa. Durante dois anos lutou contra os abusos, pregando incansavelmente, denunciando os culpados, jejuando rigorosamente e rezando sem cessar. No entanto, os excelentes resultados obtidos eram evidentes para todos, exceto para ele; via apenas fracassos, que atribuía à própria incapacidade. Desanimado, retirou-se furtivamente para a abadia cluniacense de Chaise-Dieu, onde tomou o hábito beneditino. Mas seu retiro não durou muito, pois o Papa lhe ordenou que voltasse a Grenoble para continuar governando sua diocese. Ao retornar da solidão, São Hugo, como Moisés ao descer da montanha, pregou com ainda mais fervor e sucesso. São Bruno e seus companheiros acudiram a ele, decididos a abandonar o mundo, e o santo bispo lhes deu o deserto de Chartreuse, de onde a nova ordem tomou o nome de Cartuxa. São Hugo desenvolveu grande afeição pelos monges; gostava muito de visitá-los na solidão, unia-se a eles nos exercícios de piedade e nos ofícios mais humildes. Às vezes permanecia tanto tempo com eles que São Bruno se via obrigado a lembrá-lo de seus deveres pastorais. Esses períodos de retiro eram como oásis em uma vida dura e agitada.


'São Hugo no Refeitório', por Francisco de Zurbarán.
'São Hugo no Refeitório', por Francisco de Zurbarán.

São Hugo teve grande êxito com o clero e o povo, mas os nobres lhe resistiram até o fim da vida. Por outro lado, durante os últimos quarenta anos sofreu terríveis dores de cabeça e problemas gástricos, além de ser atormentado por fortes tentações. Contudo, Deus não deixou de conceder-lhe consolos espirituais que o enchiam de alegria. Quando São Hugo pregava, não era raro que todos os ouvintes chorassem e que alguns se sentissem movidos a fazer confissões públicas. O santo tinha grande horror ao pecado; as calúnias lhe causavam tanta repugnância que tinha dificuldade em cumprir o dever de ler relatórios oficiais e evitava ouvir notícias do dia. As coisas temporais lhe pareciam enfadonhas em comparação com as espirituais, nas quais tinha o coração fixo. Em vão pediu a vários Papas permissão para renunciar ao governo da diocese; sempre recebeu negativas firmes. Honório II, a quem expôs sua idade e fraqueza, respondeu que preferia tê-lo, velho e doente, à frente da sede de Grenoble, do que o homem mais forte e saudável que pudesse encontrar.


São Bruno se despede de São Hugo, por Vincenzo Carducci
São Bruno se despede de São Hugo, por Vincenzo Carducci

São Hugo era muito generoso com os pobres. Em tempos de fome, vendeu um cálice de ouro e muitas joias e pedras preciosas de sua igreja. Seu exemplo levou os ricos a combater a fome do povo e a contribuir para as necessidades da diocese. No fim da vida, São Hugo sofreu uma doença dolorosa, mas nunca falou disso nem pronunciou uma só palavra de queixa. Esquecido de si mesmo, preocupava-se apenas com os outros. Sua humildade era ainda mais admirável, pois todos lhe demonstravam grande reverência e afeto. Alguém lhe perguntou um dia: “Por que choras tão amargamente, tu que nunca ofendeste a Deus conscientemente?” O santo respondeu: “A vaidade e os afetos desordenados bastam para condenar um homem. Só a misericórdia de Deus pode salvar-nos, por isso não devemos deixar de implorá-la.” Pouco antes de morrer, perdeu completamente a memória, exceto para a oração, passando o tempo a repetir o saltério e o Pai-Nosso. Sua morte ocorreu em 1º de abril de 1132, dois meses antes de completar oitenta anos, após governar sua diocese por cinquenta e dois anos. O Papa Inocêncio II o canonizou dois anos depois.


A principal fonte sobre a vida de São Hugo é a biografia latina escrita por Guigo, prior da Grande Chartreuse, que morreu cinco anos depois do santo. Pode-se consultar essa biografia no Acta Sanctorum, abril, vol. I, e em outros lugares. Ver também Albert du Boys, Vie de St. Hugues (1827); Bellet, no Bulletin Soc. Archéol. Drôme (1894), XXVIII, 5-31; e Marion, Circulaire de l’Église de Grenoble (1869). São Hugo é contado entre os escritores eclesiásticos sobretudo por sua contribuição aos cartulários; na biblioteca de Grenoble existem algumas cópias com curiosas notas históricas. Frequentemente, São Hugo é citado com São Bruno como cofundador da “Grande Chartreuse”.1




São Gilberto, vitral da Catedral de Dornoch, Escócia.
São Gilberto, vitral da Catedral de Dornoch, Escócia.

Os escoceses honraram desde antigo São Gilberto como um grande patriota, porque defendeu a liberdade da Igreja escocesa contra as ameaças da Inglaterra, segundo conta a tradição. Nascido em Moray, São Gilberto recebeu as ordens sagradas e foi nomeado arquidiácono de Moray. Segundo a tradição, ainda muito jovem, foi convocado com os bispos da Igreja da Escócia a um concílio que teve lugar em Northampton, em 1176. Como porta-voz dos bispos escoceses, opôs-se com fervor e eloquência à ideia de tornar os prelados do norte da Grã-Bretanha sufragâneos do arcebispo de York. Sustentou firmemente a tese de que a Igreja da Escócia havia sido livre desde o início e que estava sujeita apenas à autoridade do Papa; portanto, seria injusto submetê-la à autoridade de um metropolitano inglês, ainda mais considerando que ingleses e escoceses viviam em constante guerra. Ao que parece, essa foi a ideia que prevaleceu no concílio. É certo que no sínodo de Northampton um clérigo chamado Gilberto pronunciou um discurso nesse sentido, mas é muito difícil provar que se tratava do mesmo Gilberto que foi nomeado bispo de Caithness, em 1223.


Segundo o Breviário de Aberdeen, São Gilberto serviu a vários monarcas. A tradição relata que seus inimigos queimaram os livros em que guardava as contas, na esperança de desacreditá-lo; porém, as orações do santo fizeram com que os livros reaparecessem intactos. Após o assassinato do bispo Adam, o rei Alexandre nomeou Gilberto bispo de Caithness. O santo governou sua diocese com sabedoria durante vinte anos, construiu diversos abrigos para os pobres, ergueu a catedral de Dornoch e, por meio de sua pregação e exemplo, contribuiu para a civilização de seu povo.


Em seu leito de morte, disse aos que o cercavam:


“Recomendo-vos três máximas que procurei observar durante toda a minha vida:

  1. não façais mal a ninguém e não procureis vingar-vos se alguém vos fizer mal.

  2. Suportai com paciência os sofrimentos que Deus vos enviar, lembrando-vos de que Ele purifica assim seus filhos para o Céu.

  3. Por fim, obedecei à autoridade para não escandalizar ninguém.”


Ver Forbes, KSS., pp. 355-356; Aberdeen Breviary (1854), e DNB. (vol. XXI, p. 317) e as referências ali indicadas.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 4-5.

2. Ibid. pp. 6-7.



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- Santo Afonso MARIA
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